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Play Party na Europa
Fui à Europa, precisamente Belfast, a fim de concluir as negociações para uma parceria entre a empresa em que trabalho, aqui no Brasil, e uma outra que dinamizará nossos contatos com o continente europeu.
Fiquei em Londres, num verão absurdamente quente, por cinco dias. Revisitei, como um turista novato, todos os pontos turísticos. Eu achava imponente o Castelo de Westminster, apreciava a troca da guarda, admirava a singularidade do Big Ben, me emocionava com a placidez do Tâmisa, até peguei um solzinho no Hyde Park, cobri-me de pombos em Trafalgar Square, sem esquecer de visitar o Zôo no Regents Park.
Em Belfast, fiquei por dez dias, a fim de finalizar os termos do contrato.
A capital da Irlanda do Norte traz cicatrizes profundas dos distúrbios provocados pela ação do IRA contra a Inglaterra. Apesar disso, o povo alegre, sempre tem algo para comemorar bebendo muito.
A cada noite, Edward, o contato da empresa na cidade, tinha uma nova programação. Visitei um sem número de pubs com admiráveis shows de jazz, blues e folclore, conheci um whisky de sabor, interessantemente, adocicado, produzido por lá. Estive presente a várias apresentações teatrais, da melhor qualidade, no imponente Gran Opera House e no moderníssimo Waterfront Hall.
Na véspera de assinarmos os documentos finais da transação, Edward me convidou para um programa que, segundo ele, seria bastante excitante.
Combinamos sair às vinte horas. Um sol frio ainda ocupava o horizonte. No verão os dias são bem mais longos, com anoiteceres friorentos. Aos poucos, uma fria neblina foi tomando conta da cidade. Saímos em direção ao norte. Os bairros, envolvidos nas disputa entre católicos e protestantes, traziam as marcas na forma de grandes pinturas nas paredes e gradis separando espaços.
Frases de efeito, motivando jovens a não enfraquecer na luta, eram lidas por toda a parte.
Após uma seqüência de voltas, chegamos à estrada e percebi, então, que nos encaminhávamos para fora da cidade.
Uma das coisas importantes para fazer na Irlanda, e também por toda a Grã-Bretanha (especialmente a Escócia), é visitar os antigos castelos medievais. São ricos em detalhes de época e nos transportam à períodos de tempo, mágicos.
Ao fim de uma hora de viagem, paramos em frente a um enorme portão. Grades torneadas, tinham, no topo, lanças pontiagudas. Uma câmera, sob um canhão de luz, monitorava a imagem dos visitantes.
Edward tocou uma campainha e disse uma senha. Os portões se abriram. Seguimos por uma longa e tortuosa alameda. O aroma das árvores,a tênue luz que vinha de pontos diversos por entre a folhagem e a forte neblina criavam um ambiente curioso. Silêncio, quase total, só quebrado pelo piado agourento de uma coruja.
Ao final de uma curva surgiu, imponente, a figura de um belo castelo. Intensamente iluminado, estava vestido de festa. Criados de libré faziam as honras da casa. Fomos encaminhados a um pequeno salão aonde algumas pessoas já se encontravam. Homens e mulheres elegantemente paramentados degustavam finas iguarias servidas em baixelas de prata. Sucos de frutas variados passavam entre os convivas servidos em copos de puro cristal. Percebi que não havia álcool, entre as bebidas. Um aroma de almíscar permanecia no ar, alimentado por incenseiros distribuídos pelos cantos do salão.
A luz vinha de um gigantesco lustre, que pendia do teto em gotas de cristal, belíssimo. O piso em madeira encerada permitia que nos espelhássemos nele. Uma suave música de fundo embalava as conversas dos convivas.
Edward era conhecido de muitos e me apresentava ora a uma, ora a outra pessoa que, distraidamente, nos cumprimentava.
As conversas pareciam superficiais, como se o assunto principal ainda não fora mencionado ou estaria a mercê de ser abordado por todos.
Mais ou menos uma hora após nossa chegada, as luzes se apagaram. Uma enorme porta se abriu, vagarosamente, descortinando um grande salão abobadado em pinturas exóticas e paredes em preto. O piso, em granito, também preto, fazia nossos passos deslizarem... A um canto, uma pequena orquestra entoava músicas de câmara. O mesmo aroma permanecia no ar.
A luz mortiça vinda de tochas acesas, presas a colunas em espiral, deixava vislumbrar, pelo amplo espaço, peças estranhas que reportavam aos suplícios havidos na Idade Média. Contei três cruzes presas nas paredes e alguns pelourinhos e cangas, além de um vasto sortimento de chicotes. Tudo parecia estar em exposição.
Não demorou muito, descobri que não eram artefatos para serem vistos, mas para serem usados.
Por sob vestidos finos e ternos impecáveis, desnudaram-se mulheres e homens, em roupas de couro e vinil, na forma mais variada e pitoresca. Alguns ficaram, inteiramente, nus.
Edward conduziu-me a um enorme sofá, de couro vermelho, colocado por sobre um amplo platô de madeira, o que nos transformava em espectadores, com uma visão de cima. Casais se organizaram, como num bailado previamente ensaiado.
Algumas pessoas solitárias permaneceram no centro do salão.
Dentre elas, uma mulher alta, cabelos acastanhados, muito magra para o meu gosto, vestindo um corpete e uma minúscula calcinha em couro e calçando sandálias rasas de tiras enroladas nas pernas, aproximou-se de mim. Sem esperar autorização, tirou meus sapatos e meias e deu início a um ritual de adoração aos meus pés, coisa que eu jamais experimentara, antes, na vida.
Ela chupava cada um dos meus dedos com volúpia, lambia e arranhava com os dentes, as minhas solas. Conseguiu colocar parte do meu pé na boca, sorvendo sofregamente.
Devo confessar, primeiro, o meu espanto com tão arrojada atitude, e depois, o calor e o tesão que, aos poucos, foi tomando conta do meu corpo.
Meu pau deu sinais de vida estufando minhas calças. Procurei Edward, com o olhar, e me dei conta que ele estava preso a uma canga, bem próximo de nós, e recebia gotas de parafina quente, que um homem vestido de couro preto distribuía pelo seu corpo. Uma mulher, coberta por uma transparente lingerie, prendia ganchos em seus mamilos.
O rosto, dos três, mostrava intensa satisfação e prazer.
Retornei à minha podólatra e me permiti desfrutar daquela atenção que me era oferecida de forma tão simples e despojada.
Meus pés nunca haviam sido presenteados com este esmero. Esta sensação era nova para mim. Pensei que fosse gozar, na medida em que o tesão aumentava. Parece que ela percebeu que meu gozo se avizinhava e parou, no mesmo instante. Tirou meu paletó e minha camisa. Pegou-me pela mão e me levou em direção a uma das cruzes.
Prendeu, ali, meus pulsos e pés. Fiquei tenso, por que não dizer, apavorado. Eu ali, imobilizado por uma estranha, em lugar igualmente estranho e fora do meu país.
A voz dela, quente e rouca, no meu ouvido:_Dont worry(Não se preocupe).Thats so fun(Isto é tão divertido). Tirou-me as calças e cuecas. Fiquei nu.
Com firmeza, agarrou meu pau e testículos. Estremeci. Manipulou-os me propiciando enorme prazer.
Eu estava ereto. Sem que eu me desse conta, senti ganchos me aprisionando. A dor que eu senti veio parar na coluna. Murchei. Sua língua quente e fogosa me cobriu de carinhos e, apesar do incômodo dos ganchos, meu pau se impôs respondendo, satisfatoriamente, aos intentos dela.
Um calor insuportável me fez soltar grunhidos de dor. Eram as gotas de parafina quente derramadas no meu intrépido órgão de prazer. Ela riu e cochichou em tom firme, "Be quiet(Fique quieto).
Senti suas mãos apertarem meus mamilos, primeiro mansamente, depois fortemente. Gritei.Shhhhhh ela sibilou de novo: Dont worry.Thats funny. Continuava rindo. E saiu.
Eu fiquei preso àquela cruz sem ter a quem recorrer. Todos estavam ocupados consigo mesmos e seus parceiros. Uma jovem presa à uma outra cruz apanhava de chicote. As duas mulheres que a surravam riam de suas lágrimas. Um homem grisalho, nu, preso a um cavalete, era enrabado por um outro que lhe dava palmadas na bunda. Dois homens ajoelhados lambiam e chupavam os pés de uma mulher sentada numa espécie de trono. Ela, com um chicote, fustigava-lhes as costas.
Uma outra, suspendia, por um gancho preso ao teto, um homem com o corpo todo desenhado por cordas, num labirinto interminável de nós.
Um homem, com a mesma perícia com cordas, suspendia uma jovem, de cabeça para baixo.
Havia até uma múmia toda enrolada em bandagens, apenas com a bunda de fora, apanhando com uns acessórios de tiras.
O som da orquestra, o aroma dos incensos, aquelas imagens que pareciam surrealistas, para mim, tudo contribuía para uma sensação de irrealidade.
De repente, o som de um gongo se fez ouvir. Um canhão de luz foi direcionado a um nicho no alto, de onde pendia uma gaiola. Um homem estava guardado ali. A gaiola foi trazida para o centro do salão.
A música tornou-se ensurdecedora e histérica. Vários canhões de luz foram acionados produzindo arcos de luz giratórios e coloridos. Parecia que se estava chegando ao ápice daquele evento.
Um homem imenso, vestido como um vampiro com uma longa capa de seda preta, com seus quase dois metros de altura e uns 150 quilos, acercou-se da gaiola. Puxando o engaiolado para fora, de pronto lhe aplicou uma série de bofetadas.
Reparei a imediata ereção do homem que apanhava. Ele ajoelhou-se, beijou os pés de seu algoz e agradeceu o castigo.
_"Pensa que é só isso? urrou o grandalhão. "Sua falta merece algo mais contundente, para que não a repita NUNCA MAIS, deu ênfase especial a estas duas últimas palavras.
Em seguida, chamou duas mulheres, vestidas com túnicas de tecido preto, transparente, sem calcinhas e descalças.
_"Amarrem-no! foi a ordem.
As duas puseram algemas de couro nos pés e nas mãos do acusado e o prenderam numa das cruzes, a maior delas e colocada num patamar mais alto do que as restantes. Um sinal foi dado a um jovem e este aproximou-se trazendo um carrinho onde haviam vários acessórios.
A mulher que havia me supliciado, apareceu e me soltou. Urrei, quando os ganchos foram retirados tal o insuportável da dor.
_"Lets go(vamos) ordenou e puxou-me pela mão de modo a nos aproximarmos mais da cena central. Estava tão curioso frente ao evento que esqueci que estava completamente nu. "Great Guardian Arthur! ela apontou solene, para o grandalhão.
_"Little Dog, the slave (pequeno cão,o escravo) apontou para o homem preso na cruz.
No carrinho, vi velas, isqueiro, um pote com algodão, um vidro com algum líquido, luvas cirúrgicas e uma caixa fechada que não deu para saber do que se tratava.
A música parou, subitamente. Silêncio total. As respirações, em expectativa, audíveis aos ouvidos mais sensíveis. O canhão de luz direcionado, unicamente, para os protagonistas da cena. Novamente o gongo.
_"Você sabe por que está sendo punido, Little Dog(pequeno cão)?
_"Yes,my Master! (sim,meu Mestre) tornou o escravo.
_"Reconhece a gravidade de sua falta?a voz do Great Guardian era tonitruante.
_"Yes,my Master!
_"Reconhece a benevolência de sua punição,com toda a comunidade presente?
_"Yes, my Master! a voz do escravo transformou-se num sopro.
O gongo, outra vez. A orquestra deu início a um trecho gregoriano que invadiu o ambiente e me causou arrepios.
Great Guardian calçou as luvas e abriu a caixinha. Vi algumas agulhas ali. Fiquei matutando para que serviriam. Uma das mulheres que o prenderam, iniciou um sexo oral no escravo. Completou-se uma, já iniciada, ereção.
Um chumaço de algodão, molhado no tal líquido da garrafinha, foi passado em toda a extensão do pau. Uma a uma, as agulhas foram sendo cravadas no prepúcio, de um lado a outro. O escravo iniciou urrando. Após umas bofetadas, grunhia apenas.
Ao todo, oito agulhas estavam presas ali. Na última, pensei que eu fosse perder os sentidos. Ela foi cravada na glande, passando de um lado a outro, parecendo um piercing.
Lágrimas escorriam pelo rosto do escravo. Impressionantemente, ele continuava ereto e assim permaneceu pelo tempo em que esteve preso ali. Vários carrinhos com iguarias e bebidas, foram servidos aos presentes, todos indiferentes aos gemidos do supliciado.
Bebi fartos goles de suco para me acalmar. Vi Edward, ao longe. Ele fazia sexo oral num homem. Consultei o relógio. Três horas da manhã. Estava, emocionalmente, exausto. Haviam sido muitas as cenas fortes e que eram novidades para mim. Na minha ótica, tudo o que eu havia presenciado, constituía-se algo surrealista e medonho. Minha surpresa tinha a ver com o meu próprio tesão. Em alguns momentos, eu havia ficado tão excitado que quase não contive o desejo de me masturbar, só não o fazendo por pura inibição num ambiente tão austero, embora tão libertino, também.
Percebi que Little Dog fora libertado das agulhas e jazia deitado aos pés de uma corpulenta mulher,que eu soube mais tarde, era sua verdadeira Owner(dona). A música se tornou intensa antevendo o fim da grande festa. No ar, pairava a sensação de adeus.
Minhas roupas me foram entregues e, em alguns minutos, Edward estava a meu lado pronto para irmos embora. Nada conversamos durante a viagem de volta. Eu estupefato, ele receoso. Ficamos de nos ver, no dia seguinte, à tarde, no escritório.
No hotel, caí na cama e dormi um sono agitado pelas imagens que presenciara e que não saíam do meu subconsciente.
Na tarde seguinte, dentro do táxi, seguindo a Malone Road em direção ao escritório, eu ainda mantinha viva na memória, as sensações da noite anterior.
A finalização das negociações se daria no escritório da Mc Corbik Co.,a empresa que passaria a ser nossa parceira na Europa. Chegamos um pouco mais cedo e ficamos aguardando numa aconchegante saleta, saboreando uma caneca de café.
Pontualmente, fomos convidados a entrar no gabinete do diretor comercial. Sentada, atrás de uma enorme mesa do século XIX, estava a mulher que havia me supliciado.
_Welcome,Mr Andreanetti a mesma voz rouca e atraente, rosto sorridente.
_Lets go to finish this contract.(Vamos finalizar este contrato).Itll be successfull(Ele será próspero).
Edward me fez um imperceptível sinal com a cabeça. Compreendi, então, o motivo de ter sido convidado àquela surreal festa.
Tendo terminado o trabalho burocrático de infinitas assinaturas e carimbos, saí dali, passei no hotel, peguei minhas malas e segui para o aeroporto. Edward me acompanhou e confidenciou, ao despedir-se de mim.
_"Se você não tivesse ido àquela cerimônia, meu amigo, não teria havido assinatura nenhuma, percebeu?
_"Entendi perfeitamente, meu caro. Até uma próxima, fique bem.
Levantamos vôo para um céu de límpido azul.