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O Ano Em Que Alcancei o Estatuto de Eunuco
Foi no ano de 2215 que alcancei o meu estatuto de eunuco. O estatuto de eunuco é a máxima ambição que pode almejar obter o indivíduo que o acaso lhe ditou nascer com o conjunto de órgãos salientes ao fundo da barriga, evidenciando-lhe a condição masculina, como minha mãe nunca se me cansou de dizer. Os eunucos do século XXIII já não eram guardiões de haréns como os seus homólogos do passado, forçados a trabalhar para o mesmo dono que mantinha as mulheres submetidas à sua luxúria, zeladores da honra do esposo, respeitados mas desonrados pela extracção da sua masculinidade, bem antes pelo contrário. É certo que tal como eles, os eunucos do meu tempo também tinham sido despojados dos seus órgãos reprodutores, e eram tão impotentes sexualmente como aqueles mas não era a sua esterilidade que determinava a condição de eunuco a um homem, pois vedada como estava aos machos humanos a satisfação do instinto sexual, os tomates eram a estes extraídos por igual na entrada da adolescência independentemente de virem a ser destinados a eunucos ou não, após a primeira e última punheta que tocariam na vida e se destinava à recolha de sémen. Ser capado era o destino natural dos rapazes mal fizessem 14 anos e por isso não era a mera ausência dos testículos que distinguia só por si a condição de eunuco da do hilota, ela era bem mais profunda do que isso uma vez que visava antes uma efeminização o mais completa possível, o que oficialmente se chamava uma nova etapa de aperfeiçoamento genético. (Abro aqui um parêntesis para dizer que na Nova Sociedade sexo apenas era consentido às mulheres, quase sempre limitado à sua versão sáfica já que o lesbianismo se tornara na orientação sexual dominante, ainda que fossem muito frequentes os rumores de casos de meninos obrigados a cobrirem mulheres mais velhas antes de alcançarem a idade da castração e as histórias que se contavam de Donas que na intimidade do lar gostavam de acoplar à cinta um falo postiço com o qual se entretinham a enrabar seus eunucos. E a indústria de vibradores, apesar de nunca os fabricar com tamanho superior a 10 cms. todos os anos aumentava a produção dos mesmos, que eram aliás os acessórios de prazer que mais se vendiam nos sex-shopps onde nós homens, não podíamos entrar). A diferença entre os eunucos e os outros era que os eunucos do ano 2215 em vez de serem servos de um senhor obedeciam apenas às donas a quem serviam, e executavam todas as tarefas domésticas incluindo a amamentação dos recém-nascidos de quem se consideravam mães de peito. Além disso os eunucos, imberbes, efeminados e com o vulto das mamas delineado em alto relevo no peito graças às doses maciças de estrogénio que lhes eram ministradas nos meses seguintes à sua castração (era frequente os eunucos terem as mamas mais desenvolvidas que suas Donas), e suas vozes agudas de soprano, eram os mais parecidos com as Mulheres, sexo superior a quem todos veneravam e queriam imitar na nova sociedade matriarcal em que o Mundo mergulhara, 100 anos antes. Havia ainda uma outra vantagem em ser-se tornado eunuco. Além de na companhia de nossas Donas podermos continuar a desenvolver nossos conhecimentos, algo negado aos brutos hilotas, o eunuco convertido em empregada doméstica e em ama-seca das crianças sem pai conhecido que suas senhoras punham no Mundo, já que parir continuava sendo função exclusiva das mulheres e o conceito de paternidade fora abolido, ficava resguardado das tarefas pesadas e perigosas reservadas aos hilotas machos igualmente capados na puberdade como se disse, mas mais fortes e largos de esqueleto e com pilau mais abonado, dois dos mais importantes critérios que levavam as doutoras da Inspecção Genética a decidir quais os rapazinhos destinados a eunucos e quais os que se tornariam hilotas, e por isso potenciais mineiros, pescadores, operários da construção, estivadores, cobaias de laboratório e todas as profissões perigosas e de desgaste rápido de que a Sociedade necessita para sobreviver mas que faz com que a sua esperança de vida não se estenda para lá dos 40 anos. Para uma mãe do meu tempo, pior do que parir um filho varão, é saber que a junta da Inspecção Genética o despachou com o carimbo de hilota, negando-lhe assim o seu posterior aperfeiçoamento através da efeminização química. Uma pila com 10 centímetros é já considerada suficientemente grande para que um rapaz da minha idade possa ser declarado apto para a função de eunuco, pelo que as mães previdentes como a minha que optam por não abortar quando a ecografia lhes dá a certeza do sexo do feto que carregam no útero, tratam de nos enfaixar a região pélvica com ligaduras, tal como dantes os chineses faziam aos pés das meninas para os impedir de crescer, comprimindo-nos ao máximo a piroca e os tomates, levando aquela a fazer um arco entre as virilhas e ficando apenas a ponta da cabeça liberta junto ao rego do cu, o que nos acostuma a mijar sentados como um eunuco deve fazer, sem precisar de tocar na pila com a mão, o que está demonstrado é uma óptima maneira de fazer com que nós rapazes não nos sintamos tentados a tocar à punheta como acontecia dantes. Ainda que verdade se diga, com nossos pendentes tratados daquela forma quase desde o primeiro dia de vida nosso tesão juvenil não tinha muito por onde se manifestar. Graças a isso, sexo não fazia parte das nossas prioridades, e até me parece incrível como o único acto sexual que a nós machos presentemente é consentido uma vez na vida, a punheta que é o pai incógnito de todas as crianças do meu tempo, fosse um acto tão vulgarizado entre os rapazes até meados do séc. XXI apenas como forma de auto-prazer, sem que se tivesse aproveitado uma gota que fosse de tanto esperma vertido em fantasias oníricas.
No dia em que completei 14 anos e tal como todos os rapazes do meu ano tive de comparecer perante a Inspecção Genética. Como minha pila não mede mais de 6,5 centímetros, meus ombros são estreitos, sem pilosidade no corpo, tenho as ancas largas como as mulheres e as glândulas mamárias quase tão desenvolvidas como as de algumas moças da minha idade, não tinha qualquer dúvida qual seria o veredicto que me seria destinado. Minha mãe e minha irmã também não pois quando se despediram de mim de manhã, com um beijo, disseram-me saber que lhes daria uma grande alegria nesse dia.
Quando entrámos na sala onde seria efectuada nossa inspecção e as três doutoras que presidiam á junta nos mandaram pôr nus, pude ver contudo que não era o que tinha o instrumento mais curto como orgulhosamente cheguei a pensar pois mesmo entre rapazes, e exceptuada aquela ocasião, não era habitual vermo-nos despidos já que a exibição de órgãos masculinos era altamente desaconselhada. Alguns apresentavam uma piroca super reduzida, não medindo mais do que 3 ou 4 centímetros, completamente seca e parecendo incapaz de se colocar de pé por mais que a estimulassem, em cuja glande furada sobressaía o anel que nesse dia nos seria tirado antes de nos castrarem, e um par de tomates totalmente mirrados que até já parecia terem sido extraídos do saco. Adivinhava-se que muitos deles não teriam tesão suficiente para aproveitarem a única oportunidade que o gozo sexual lhes era consentido, perdendo assim dessa forma a oportunidade de passarem seus genes à geração seguinte, mas apesar disso invejei-os pois que a sua incapacidade em ficarem de pau teso os tornava mais parecidos com as fêmeas superioras e os tornava a meus olhos mais aptos do que eu a assumirem o seu estatuto de eunucos. Aquela era bem a evidência que o tempo das piças compridas acabara há muito, como eu bem sabia, tanto que ainda hoje nos fazem rir as imagens e os filmes de homens antigos com bacamartes medindo 20 centímetros ou mais. Fazem-nos rir e fazem-nos lamentar as coitadas das mulheres que naquela época tinham de levar com tais toras num buraquinho tão apertado. No tempo em que vivo uma pila com 12, 13 cms. é considerada enorme, gigantesca, de tal modo o sucesso do aperfeiçoamento genético ao longo deste tempo conseguiu fazer nascer homens com o pendente cada vez mais pequeno. Na verdade, cerca de 100 anos antes, quando as mulheres fruto da sua melhor formação ascenderam ao comando dos países e governos instituindo a Nova Sociedade de Dominação Feminina em que vivemos, trataram de impor medidas visando a redução dos níveis de testosterona da população masculina, hormona identificada como a principal responsável pelo longo domínio dos homens sobre as mulheres e com o seu longo cortejo de desordens, assassinatos, guerras e pilhagem dos recursos naturais. Foi aliás esta despistagem da testosterona em grande quantidade nos indivíduos machos nos primeiros tempos da Nova Sociedade, que esteve na origem da criação do Departamento de Investigação Genética. Homens com ombros largos, dedos compridos e mãos grossas, com tendência hereditária para a calvície, e pilaus compridos foram selectivamente esterilizados, embora a introdução da prática da castração só tivesse entrado em vigor anos mais tarde, para que sua herança genética se fosse atenuando com o passar das gerações. Os homens, filhos de homens pouco abonados, passaram assim a nascer tendencialmente com pilinhas mais pequenas e baguitos irrisórios, cada vez menos capazes de produzirem grandes quantidades de esporra e de testosterona. Dizia-se mesmo que eram cada vez mais frequentes os casos em que se tornava necessária juntar a esporradela das punhetas de dois homens para se conseguir fertilizar in vítreo um óvulo de mulher, em especial tratando-se da punheta de rapazes marcados para eunucos, já de si mais diminuídos sexualmente do que os hilotas. Não foi só porém esta selecção, e o costume de enfaixar as partes genitais dos rapazes desde tenra idade, as únicas responsáveis pela diminuição do tamanho das mesmas e pela atenuação do desejo sexual masculino. Seguindo o principio darwiniano de que a ausência da função atrofia o órgão, por volta dos dez anos quando começávamos a sentir nossas primeiras erecções e ejaculações nocturnas era-nos implantado cirurgicamente na cabeça da glande um anel em forma de esfera armilar, e que teríamos de usar até ao dia da castração, acessório incómodo que embora não evitasse de todo a tomatada de verter seu líquido leitoso quando acometidos de sonhos nocturnos mais lúbricos, nos tirava por inteiro a vontade de nos aliviarmos à mão. A pila não sendo estimulada crescia pouco, estava provado, e os tomates não despejando regularmente iam secando, reservando o momento de se aliviarem para a data em que fossem chamados à presença das doutoras da Inspecção e lhes fosse concedido o direito ao orgasmo solitário que não mais se repetiria.
As três inspectoras analisaram minha pixota, mandaram-me levantá-la para me poderem analisar os colhões, e nem precisaram de medir uma e outros para terem a certeza que não alcançava os 10 centímetros mínimos que me fariam ingressar no grupo dos hilotas.
- Tua mãe vai ter uma alegria hoje disse-me a que parecia ser a chefe delas Não nasceste mulher mas vamos tornar-te o mais parecido com uma.
Sabia que não teria os mesmos direitos que uma verdadeira mulher, por exemplo não poderia usar o pronome feminino aplicado à minha pessoa, mas sabia igualmente que as possibilidades de ter uma boa vida como eunuco seriam grandes, muito melhores do que as dos hilotas que apesar das suas fanfarronices de machos condenados a uma vida curta nos olhavam com inveja. Para isso mais me valera que minha mãe me tivesse abortado. Uma das doutoras passara-me já o tubo esterilizado para as mãos onde deveria depositar meu esperma, que talvez um dia viesse a ser injectado no óvulo de alguma desconhecida. Sim, porque tal como nenhuma mulher chegaria a saber quem fora o dador do esperma que a fertilizaria, nem se era de alguém destinado a hilota ou a eunuco, também nós nunca tínhamos a certeza se o resultado da nossa punheta seria alguma vez inseminado num óvulo fértil, ou se aquele sémen seria destruído simplesmente passado o prazo de validade. Ultimamente estava-se gerando uma discussão sobre se seria correcto aproveitar o esperma dos rapazes destinados a hilotas, ou se não seria mais prudente à semelhança do que se fizera nos primórdios da Nova Sociedade Matriarcal impedi-los simplesmente de se reproduzirem. Uma vez que o objectivo do aperfeiçoamento genético era obter machos de pilaus muito curtos e o mais efeminados possíveis, este desiderato segundo os defensores desta opinião seria mais bem conseguido se os responsáveis masculinos pela fecundação fossem os que as autoridades declaravam cumprir os requisitos para ingressarem na categoria de eunucos. Esta corrente tinha muito apoio popular mas esbarrava na oposição da comunidade científica que apresentava o reverso da medalha: procriadores exclusivamente de pila pequena, capazes de produzirem pouca testosterona não seriam capazes de assegurar o necessário nascimento do contingente mínimo de hilotas que assegurassem as tarefas mais pesadas e perigosas, colocando assim em risco a estabilidade das gerações futuras. Era este condicionalismo que continuava proporcionando aos mais másculos de nós o mesmo direito a um primeiro e último gozo antes de lhes serem removidos os testículos.
- Nunca fizeste isto disse-me a segunda das doutoras com um sorriso depois de me terem tirado a esfera armilar da glande e estendendo-me uma proveta com uma larga abertura mas acho que não é preciso dizer-te como se faz. Estou convencida que apesar de tudo, vocês, rapazes, nunca vão perder o instinto de fazer à mão. Senta-te na marquise e diverte-te que não vais ter outra oportunidade para praticar o desporto preferido dos rapazes da tua idade nos velhos tempos da sociedade patriarcal e riram-se todas. Privacidade era coisa que não havia. À minha volta meia dúzia de rapazes como eu fazia o mesmo, outros entregavam a proveta já com o fundo coberto pela sua esporra, outros esperavam a sua vez, outros ainda não se conseguiam masturbar simplesmente mesmo com a ajuda das enfermeiras que com a dita revestida por uma luva de látex lhes tentavam literalmente dar uma mãozinha, e finalmente alguns tinham os colhões tão secos que era em vão que procuravam fazer sair sumo branco deles. Eu por mim não tive problemas até porque a presença de tantas mulheres em meu redor excitou-me embora eu nem soubesse o que isso era. Sentei-me na marquise com as pernas pendentes, minha pila continuava murcha, aliás muitos de nós esporrávamo-nos sem a levantar, encostei a cabeça no bocal largo da proveta para não derramar nada fora e comecei a executar os movimentos com a mão. Apesar de não o querer não tardei a ficar com ela tesa, bastante maior do que era costume, e a conselho de uma das enfermeiras puxei a pele do prepúcio para trás embora aquilo me doesse bastante. Nem consegui olhar para aquela massa de carne vermelha que meu acto expôs, tão nojenta me parecia, e de repente sem aviso, senti meu leite sair às cuspidelas da mesma gretazinha que até então só me servira para mijar.
- Pronto, já está disse a enfermeira levando a proveta com ela para a área da conservação. Com alívio vi que meu pau tinha amochado, estava agora de novo fino, pendente e pequenino como um pau deve ser.
- Por aqui disse-me outra vamos proceder agora à remoção dos testículos.
A cirurgia é um procedimento rápido e indolor, efectuada com recurso ao laser, numa sala ao lado, por uma técnica especializada. É tão simples como tirar sangue e nem necessita de anestesia. Quando entrei tinha dois na minha frente. O rapaz que acabara de ser castrado saíra como se nada fosse, levando as suas bolas extirpadas numa caixa que como de costume a mãe orgulhosa colocaria no telhado da casa para servirem de alimento aos pássaros e aos gatos vadios, para que daqueles símbolos da masculinidade, uma vez cumprida sua função, não restasse mais nada. Chegada a minha vez deitei-me na mesa de operações, com as pernas bem abertas conforme as ordens recebidas. A técnica que me ia arrancar os tomates era loira, lindíssima. Quem me dera ter nascido assim como ela!
- Não vai doer nada garantiu-me Com as novas técnicas vocês não sentem nada. Era bem pior no passado quando a castração era feita por homens, usando facas. Vou-te amarrar a pilinha à volta da cintura para não correres o risco que ela caia para baixo quando estiver a usar o laser e ta cortar, pois só te vou tirar as bolinhas.
Passou-me então um elástico em volta da cintura e no espaço entre ele e a pele da barriga prendi a cabeça do meu caralho. No vale das minhas coxas meus tomates achavam-se totalmente indefesos.
- Isso mesmo disse-me ela pondo um visor sobre a face e empunhando um objecto branco muito semelhante a uma pistola Respira fundo e não te mexas.
Curvando-se sobre meu entre - pernas, carregou num botão do objecto que tinha nas mãos, um feixe de luz saiu dele e incidiu sobre o contorno dos meus colhões deixando neles uma agradável sensação de calor. Depois, com a mão enluvada agarrou neles, puxou-os para cima e direccionando o feixe luminoso para o ponto onde eles começavam a nascer na curvatura das coxas, começou a cortar com precisão. Uma boa técnica faz questão de extrair os colhões inteiros e esta não foi excepção. Mesmo sem ver sentia-os saírem-me do local onde nasceram, inteiramente redondos e íntegros como duas batatas saem da terra, sem dor, apenas o calorzinho gostoso do feixe luminoso, progressivamente aumentando de intensidade e provocando-me um ligeiro ardor que ela no final aplacou colocando-me naquela zona um creme apropriado. Qualquer hemorragia que ocorresse era prontamente coagulada pela acção do mesmo laser que a provocara. Dois minutos se tanto, demorara a minha emasculação. De facto nada que se comparasse com os dolorosos e arriscados métodos com que os homens do passado fabricavam eunucos. Nem nada que se comparasse com as suas mesquinhas razões para o fazerem então.
Com a cirurgia terminava para os hilotas a sua presença nas instalações da Inspecção Genética. Para nós eunucos, contudo ainda não. Após um discurso em que nos era explicado o que se pretendia de nós no futuro, e como devíamos estar gratos por termos alcançado tão invejável estatuto que nos punha acima de todos os outros machos, era-nos ministrado o primeiro de um tratamento hormonal que se prolongaria por três meses, e findo o qual entre muitas outras coisas, estaríamos aptos a amamentar, embora muitas senhoras continuassem a fazê-lo, em especial com as suas crias filhas por existir a convicção que o leite feminino é melhor para criar dominadoras. E a inversa, que meninos amamentados por nós darão no futuro bons eunucos, pelo que a maioria das Donas reserva o nosso leite mamário para os filhos machos. (Foi aliás o meu caso que fui amamentado por um dos eunucos de minha mãe, enquanto minha irmã o foi por ela).
Os tratamentos hormonais, com as suas constantes picadelas e injecções foram algo dolorosos, embora à medida que aumentam nossos níveis de hormonas femininas nossa resistência à dor aumente também. Posso dizer que nesse dia até a punheta em que não tive prazer nenhum toquei, me doeu e só não me doeu ter sido despojado dos tomates. Mas terminado o primeiro dia na Inspecção voltei contente a casa transportando os tomates numa caixinha para que minha mãe e minha irmã orgulhosas alimentassem a fome da bicharada que os quisesse comer. Não era só o facto de ter alcançado o estatuto de eunuco que me tornava feliz. Era que a doutora me dissera que no fim dos três meses minha pilinha não mediria mais de 3 cms, tal como a de muitos dos meus colegas da Inspecção, menos de metade do seu tamanho actual. Eu mal podia esperar para ver se era verdade. Era verdade, pois claro que era verdade, como eu posso dizer hoje que já passaram muito mais que três meses.