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Na Cidade Delas (Parte 2)

O dia seguinte chegou, dormi ansioso é claro, as 7:30 já estava tomando meu café, pra ficar a partir das 8:00 a disposição delas. A Linda falou que me ligaria, mas não falou a hora, o tempo passou e nada, 8:30, 9:00, 9:30, e eu vendo tv pra me distrair, vendo tv e olhando o celular, quando foi 10:00 mandei um sms pra Linda, perguntando se tinha esquecido de mim. Logo depois ela me liga, dizendo: - Olá, estou aqui em tal lugar com minha mãe, vem aqui. - Onde fica? - No centro, em tal loja. - Ok, estou saindo agora. Eu já estava arrumado, só esperando essa ligação, sorte que o lugar ficava perto assim podia chegar bem rápido. Passei antes no banco, que ficava na mesma rua onde elas estavam. Nisso já era umas 10:15, tava preocupado pois meu bus saia as 12:15, porem tentei não pensar nisso, tínhamos duas horas pra aproveitar. Conversamos tranquilamente, elas estavam de saída daquela loja, e logo estávamos caminhando pelo centro, paramos numa lojinha de sorvetes, a Linda queria um Milk Shake, pedi pra pagar e ela deixou, ela fez o pedido e quando o atendente olhou pra mim e perguntou “algo mais?” a Linda falou, “só isso”. Foi a primeira pequena humilhação que ela me deu no dia. Fiquei lá esperando o Milk Shake da Linda e elas foram se sentar num banco a dois metros de lá. As duas já estavam até reclamando da demora, entreguei o copo a Linda e continuamos nossa caminhada. Logo entramos numa loja especializada em óculos, a Linda pediu pra experimentar um modelo, olhou pra mãe dela e perguntou como tinha ficado, depois olhou pra mim e falou: - Sua opinião não conta muito, mas, como ficou em mim??? Eu respondi que tinha ficado muito bem. Percebi que um dos atendentes, o mais jovem, ouviu essa conversa. Sei lá o que ele pensou. Isso também não importa, importa é que eu estava sendo útil. Bom, compra realizada, paguei, continuamos batendo perna. Ela saiu com a sacolinha nas mãos e logo a mãe sugeriu: - Dá pro inútil levar pra você. E a Linda respondeu: - É mesmo. - e me passou a sacola. A Linda tem uma excelente memória, em pelo menos uma das nossas conversas via msn, tinha mencionado minha vontade de ser humilhado numa loja de calçados. Confesso que só de passar enfrente de uma loja assim e ver um monte de sapatos femininos sempre fico com aquele calor. Bom, e onde ela decide entrar??? Justamente lá. Era uma loja média, mas com vários vendedores, e o movimento estava tranqüilo naquela hora. Caminhamos um pouco pela loja, ela viu alguns modelos de calçados, até que ela gostou de um tênis especifico, me mandou chamar um vendedor e que eu pedisse pra ele aquele modelo pra ela experimentar, do número tal. Enquanto o vendedor foi buscar o que foi pedido ela se sentou no banquinho e eu em pé ao lado dela, respirando fundo, por que eu já sabia o que me aguardava, a Andréa continuava caminhando pela loja, tranqüila, nos observando de longe. Logo o vendedor voltou com o modelo que ela pediu e mais 3 caixas de outros. Ele entregou uma meia pra que ela colocasse e ela passou rapidamente pra mim, o vendedor estava colocando o cordão no tênis e depois de um tempo, ela tirou a sandália esquerda e mandou que eu colocasse a meia nela. Agachei, apoiei um joelho no chão e comecei a fazer aquela tarefa que é simples, porem naquela situação é fácil se atrapalhar. Fiz o melhor que pude, e estava complicado pôr aquela meia, ela esperando o vendedor também, nisso ele já trouxe um espelho, e eu tentando pôr ainda. Não demorou muito pra Linda falar: - Meia hora pra pôr uma meia! Lógico que naquela hora eu não sabia onde enfiar minha cara, percebi que o vendedor também ficou sem graça, mas continuei fazendo meu trabalho, até que consegui colocar mais ou menos a meia naquele pezinho lindo, e segurar o pé esquerdo dela com as duas mãos foi uma honra muito grande. Depois disso tinha que colocar o tênis ainda, e de novo não foi fácil, mas no final conseguimos, com a ajuda da Linda que apoiou o pé no chão pra entrar em definitivo o tênis, depois de a Andréa falar: - Fala pra esse inútil arrumar melhor esse cardaço pra gente ver se fica bonito!!! O vendedor arregalou os olhos nessa hora, aí ele deve ter confirmado que eu sou o escravo delas mesmo. A linda levantou olhou no espelho caminhou, e ao se sentar me disse que eu podia tirar. Pra tirar foi mais rápido. Perguntei se ela tinha gostado e se iria levar, ela falou que sim. Me dirigi ao caixa, para pagar e pegar o pacote, compra realizada, Saímos da loja e eu com “as sacolas” atrás delas, entramos em algumas outras lojinhas em que não compramos nada, a Andréa queria comprar algo que não estava achando, até que entramos numa loja de artigos para bebês. Lá elas estavam conversando sobre umas marcas de fraldas, só que eu acabei não ouvindo qual elas tinham escolhido, e a Linda ao perceber que eu não estava fazendo nada, falou: - Pega isso inútil!!! (apontando para o pacote que elas escolheram) Eu calado sem falar nada peguei o pacote e já estava ficando “sem mãos” com a sacola numa mão e o pacote na outra, nisso ela se vira pra mim e me diz: - Você é um inútil mesmo né? (me cobrando a falta de esperteza da minha parte, de não ter entendido qual elas decidiram levar) Toda essa conversa nessa loja até então foi ouvida por uma funcionaria que ficava bem nessa parte da frente do comercio, e eu não tive coragem de olhar pra cara dela. Depois, no fundo da loja, elas escolheram outros produtos, mamadeiras, chupeta ect, tudo pro bebe da Tati. Todos os produtos estavam comigo, eu estava esperando pra ver se elas comprariam algo mais, quando a Linda me fala: - Vai lá pagar...., tem que mandar até isso??? (em tom bravo) No caixa havia duas funcionarias e uma cliente que estava sendo atendida, uma das funcionarias estava empacotando as compras e outra tratando do dinheiro. Eu coloquei o que iria pagar no balcão e estava aguardando minha vez de ser atendido, quando a Linda vem pertinho de mim, (e de todos) e me diz: - Bom, depois de pagar aí você está dispensado, tudo isso é pela honra que você teve de me conhecer. E isso não foi nada, da próxima vez que você vier vou gastar muito seu dinheiro, ouviu? Todas ouviram isso com clareza, lógico, a menos de 2 metros de nós, a Linda teve o talento de dizer tudo isso como se fosse que ela estava na sala de casa. As duas funcionarias olharam na hora pra minha cara, a que estava fazendo os pacotes da cliente até parou o que estava fazendo pra me observar, eu me mantive calado com a cabeça semi-abaixada, a cliente que estava quase de costas pra mim não me olhou, continuou fazendo os cálculos dela, mas coincidência ou não se atrapalhou até na hora de pagar a conta dela, tava dando 20 reais a mais, e a caixa devolveu. Saindo daquela loja (que até agora não lembro como e por onde saí) sobrou tempo ainda pra passar por outra loja lá perto, onde a Linda comprou algumas maquiagens pra ela, nem sei pra que, perfeita do jeito que ela é, nem precisa. Passando pelo caixa ela apontou pra mim uns chocolates que pareciam meio infantis, e falou que eu podia comprar aquilo pra mim se eu quisesse. Eu preferi não comprar nada, eu estava lá pra servir, nada mais. Com certeza essas foram as maiores humilhações que já passei na minha vida, E com certeza não seriam possíveis se não fosse pelo talento das duas, o dom natural que elas têm pra dominar. Nos despedimos a umas duas quadras do meu hotel, já estava encima da hora, meu ônibus partiria em 30 minutos, dei beijo nas duas, abracei, agradeci por tudo, e a Linda mostrando total indiferença com essa despedida me falou: - Vai logo, atravessa a rua, corre!!!!! É, a Linda me deu ordens até o ultimo segundo que estive com ela. Assim fiz, e hoje estou aqui, ansioso por voltar lá e ficar de novo ao dispor daquelas lindas mulheres e já prometi maior eficiência para a próxima vez.