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A Noite de Ontem
O sol que entrava pelas grandes janelas envidraçadas do décimo andar começou a tornar insuportável o calor no colchão estilo tatame em que eu havia adormecido, no final da noite. Meu cansaço era tão grande que nem tive condições de ir até o mezanino onde fica cama, e acabei pegando no sono aqui mesmo, depois que todos foram embora. Não corre vento algum pelas janelas entreabertas, mas nada de muito anormal para a época do ano em Porto Alegre, onde faz um frio horrível no inverno, e um calor pavoroso no verão. Apesar de estarmos no final de março, a temperatura ainda não baixa dos trinta graus durante a tarde.
Eu já estava acordada há algum tempo, mas para o sol estar entrando por aquelas janelas, era porque já passava do meio dia, talvez mais de duas da tarde, e ainda que não fosse pelo calor, já era hora de levantar. Cada centímetro do meu corpo estava dolorido, reclamando do excesso da noite anterior. Mas se meu corpo reclamava, minha alma pedia mais. Tinha sido uma noite e tanto.
Na tarde anterior, eu estava em casa trabalhando no computador, quando recebi o aviso que havia uma nova mensagem de e-mail à minha espera. Não sabia se era uma mensagem de trabalho ou pessoal, mas antes de abrir a tela, desejei que fosse do meu Dono. Faziam duas semanas que não nos encontrávamos, os dois com muito trabalho a fazer, e a saudade e a vontade era imensa. O e-mail era dele mesmo, perguntando se naquela noite poderíamos nos encontrar. Isso é uma das coisas que mais gosto nele. Ele é o meu Mestre? Sim. Ele é o meu Dono? Sim. Mas enquanto estamos praticando SM. Não como alguns patifes que andam por aí, que acham que não devem respeitar a outra pessoa só porque se julgam dominadores. Respondi o e-mail dizendo que sim, que não agüentava mais esperar. Em seguida ele mandou outra, dizendo que era para esperá-lo então às nove horas, no loft, e que eu já sabia como deveria estar vestida.
A tarde custou a passar, e nem consegui mais trabalhar direto. Antes das seis saí da minha casa e fui para o loft, que fica no centro da cidade, no último andar de um prédio comercial que pertence à família dele. Há algum tempo atrás ele transformou esse loft em seu refúgio particular, um estúdio de SM, com uma vista deliciosa e toda a privacidade que ele poderia querer.
Ainda tinha um bom tempo antes dele chegar, então subi direto para o mezanino, onde tirei minhas roupas e tomei um demorado banho na banheira de hidromassagem. Saí do banho, e totalmente nua deitei-me na cama para descansar, tentar cochilar um pouco. Apesar de estar bem cansada não consegui dormir, minha mente pensando apenas que logo iria reencontra-lo. Liguei o rádio, peguei um livro na imensa coleção que ele guardava ali, mas não consegui concentrar-me na leitura. Resolvi descer, e sentar-me em frente à janela para ver o por do sol.
Pouco antes das nove horas fui vestir a roupa que ele gostava, e que tinha ordenado que lhe esperasse. Meias 7/8 pretas. A coleira de metal. Um sapato preto de salto bem alto. E nada mais. Era assim que ele gostava que o esperasse.
Logo ouvi o barulho do elevador subindo, e em seguida a porta se abriu. Quando me viu, o sorriso mais lindo e sincero formou-se no rosto dele. Largou a pasta de serviço no chão, abrindo os braços para me acolher em um abraço.
- Que saudade! ele sussurrou em meu ouvido, me apertando forte entre seus braços.
- Eu também! Muita saudade! Enfim conseguimos nos encontrar. respondi.
Me deu um beijo longo, quente, apaixonado, que me fez perder a força nas pernas.
- Vou tomar um banho rápido. ele disse, afrouxando a gravata Depois vamos jantar. Já pedi a comida no caminho para cá. Me espere assim.
Fiquei ali parada olhando ele subir rapidamente as escadas, pensando que ele queria tomar banho logo, para ficarmos juntos, quando no alto da escada ele virou-se e me disse:
- Ah, eu convidei uns amigos para jantar conosco. Se chegarem, receba-os e faça companhia para eles.
- Amigos? Mas estou... comecei a falar, mas parei no instante em que vi aquele olhar no rosto dele. Eu faria sala aos amigos dele. Afinal, ele era o Mestre. Ele era quem mandava.
Mal ele abriu o chuveiro, a campainha tocou. Envergonhada, praticamente nua, fui abrir a porta. A surpresa no rosto das pessoas que esperavam do lado de fora ficou espantada no momento em que me viram.
- Oi. Entrem e fiquem à vontade.
Eram dois homens e uma mulher, todos bem vestidos e bem apessoados.
- Obrigado. disseram quase ao mesmo tempo, enquanto entravam no loft.
Foram até os sofás que ficam no centro da grande sala, de onde dava para ver praticamente toda a cidade iluminada naquela noite clara.
- Que bonito que é aqui. a mulher falou, tentando quebrar o gelo.
- Sim, eu adoro a vista daqui de cima. respondi baixinho, morrendo de vergonha.
Os dois homens, que mal conseguiam tirar os olhos de mim, concordaram com a cabeça.
- Querem tomar alguma coisa? perguntei. Pelo menos eu poderia sair dali e ir até a cozinha buscar as bebidas, fugindo daquela situação.
- Whisky com gelo pediu um deles, o que parecia mais velho, e com o olhar mais confiante.
- Pra mim também falou o outro.
- Eu bebo o mesmo que tu for tomar disse a mulher.
Quando voltei à sala com os copos, meu Dono já estava lá junto deles, contando alguma história engraçada, pois todos ouviam atentamente e riam divertidos. Entreguei os copos de whisky aos dois homens, a Pepsi Twist Light para o meu Dono, e o suco de laranja para a mulher. Fiquei ali em pé, ao lado do meu Dono, com o meu copo de suco na mão, até ele me dizer que eu poderia beber.
Logo a janta chegou, e enquanto meu dono recebia as embalagens na porta, coloquei os pratos na mesa. Meu Dono permitiu que eu jantasse junto deles, e confesso que ao final da sobremesa já me sentia um pouco mais à vontade, mesmo com a minha nudez.
- Bom, a festa vai começar. anunciou meu Dono. Suba e traga os nossos acessórios.
Nesse instante eu gelei. Ainda tinha o pensamento romântico de que terminado o jantar, os convidados iriam embora e mataríamos nossa saudade sozinhos. Mas pelo visto, a função toda ainda iria muito longe. Levantei obedientemente para fazer o que ele mandara, e quando passava na frente dele, levei um tapa fortíssimo na bunda.
- Cadela! Não me envergonhe na frente dos meus amigos. Quando lhe dou uma ordem, é assim que se faz?
- Não Senhor. respondi envergonhada. Eu deveria ter dito ´´sim, Senhor`` e só depois ter me levantado.
- Isso mesmo. Agora vá logo.
Subi as escadas afobada, a pele da minha nádega ardendo, e logo estava de volta com as duas malas cheias de todo tipo de acessório para uma sessão de SM.
- Espalhe na mesa. meu Dono ordenou.
Espalhei as coisas na grande mesa de centro, separando tudo do jeito que ele gostava. Chicotes junto com chicotes, cordas junto com cordas, e assim por diante. Fazia isso tudo ajoelhada no chão, e sentia o olhar de todos penetrando minha pele às minhas costas.
- Muito bem, agora vá para o X.
- Sim Senhor. De costas ou de frente?
Ele olhou para seus convidados, e após breve conferência mandou que fosse de frente para a parede, e de costas para eles. Fui até o grande X de madeira preso na parede, e me posicionei com as pernas e braços abertos, esperando o que iria acontecer.
- Quem vai ser o primeiro? ouvi-o perguntar.
Todos responderam ´´eu`` ao mesmo tempo, e se a situação não fosse de certa forma constrangedora para mim, teria ficado bem mais lisonjeada. Por fim veio o homem mais novo, já com quatro pedaços pequenos de corda nas mãos, os quais prenderam meus pulsos e tornozelos nas argolas do X. Em seguida se afastou, e como não podia enxergá-lo, não estava preparada para a primeira chicotada que levei, nas coxas. Reprimi o grito de dor, e bastante irritada pensei em parar com aquilo, usando a palavra de segurança. Não era aquilo que tinha programado para a noite de reencontro com o meu Mestre, e aquele homem pelo visto não sabia muito bem o que estava fazendo. Mas logo me acalmei e me senti mais segura, quando ouvi a voz do meu Dono dizendo ao homem que fosse com calma, que primeiro fizesse eu me acostumar gradativamente com a dor.
O homem então bateu de novo com o chicote de tiras, desta vez mais devagar, e foi repetindo as batidas das minhas coxas até o meio das minhas costas, aumentando cada vez um pouco mais a intensidade. Passado algum tempo as chicotadas já estavam fortíssimas, mas a dor inicial havia virado prazer.
- Faça-a contar. Ela adora! ouvi meu Dono falar.
- Vamos! Conte! o homem falou, sem muita segurança. Talvez ele estivesse constrangido em usar a escrava de outro, e ainda na frente de outras pessoas, mas acho que na verdade ele era apenas iniciante.
A cada batida eu ia dizendo o número que era, e realmente eu adorava aquilo. Não lembro até quanto contei, mas sei que havia passado de cinqüenta quando o homem se afastou e ouvi a mulher dizendo que agora era a vez dela.
Senti o corpo dela encostando-se ao meu, às minhas costas.
- A vadia está gostando? ela perguntou sussurrando em meu ouvido.
Balancei afirmativamente a cabeça. Ela passou as pontas das unhas compridas onde minha pele ardia por causa das chicotadas, e novamente sussurrando em meu ouvido disse que eu era linda. Desceu uma mão pelas minhas costas, afastou minhas nádegas, e de surpresa enfiou um plug já lubrificado na minha bunda. Dei um salto para frente, ao mesmo tempo em que sentia minha vagina se encharcar. Mas com o movimento, acabei expelindo o plug.
- Que audácia! ouvi ela gritar, e em seguida ela bateu duas ou três vezes com um cane na minha bunda. Senti a sensação da pele estar rasgando.
Ela veio novamente até mim, e para a minha surpresa, soltou-me do X. Mandou que eu ficasse de quatro no chão, e novamente enfiou o plug. Porém desta vez ela apanhou um rolo de silver tape sobre a mesa, e com a fita fez com que não houvesse jeito de eu expelir o objeto.
Minha excitação já era notável, não havia como esconder o líquido que escorria pelas minhas coxas, quando ela colocou em minha boca uma mordaça atravessada, com uma pequena argola de cada lado. Pegou dois pedaços pequenos de corda, e prendendo-os às argolas, fez uma espécie de rédea. Em seguida sentou-se sobre minhas costas, puxando as rédeas para trás.
- A cadela virou égua! anunciou. Vamos, me leve para passear.
De quatro, com ela em cima de mim, comecei a andar em círculos na sala. Quando ela queria que eu andasse mais rápido, batia com uma chibata na minha bunda, e quando queria que eu diminuísse o passo, puxava as rédeas. O plug na minha bunda mexia deliciosamente a cada passo (ou trotada) que eu dava, fazendo uma onda de prazer subir pela minha espinha. Em uma das várias vezes em que passei em frente ao meu Dono arrisquei um olhar para ele, e o sorriso de aprovação no rosto dele me fez seguir em frente mais confiante.
Após algum tempo, ela saiu de cima de mim e mandou que eu me levantasse. Deu uma puxada forte na fita adesiva, arrancando de mim um grito de dor, e arrancando também o plug de dentro da minha bunda. Enfiou um dedo na argola da minha coleira, e me fez caminhar até a mesa que ficava sobre cavaletes, ao lado do X. Mandou que eu deitasse sobre a mesa, de barriga para cima, e trouxe uma corda grande. Foi passando a corda nos pequenos ganchos presos de cada lado da mesa, voltando com a corda sobre meu corpo, fazendo uma teia de aranha. Por mais que eu tentasse, só conseguia movimentar meus dedos, o que fazia com freqüência para evitar a dormência. Quando ela terminou de me prender, pegou a chibata e começou a bater com a ponta de couro no bico dos meus seios. A cada batida, sentia meus mamilos ficando ainda mais durinhos, e conseqüentemente a dor e o prazer aumentando, se espalhando pelo meu corpo. Senti meu líquido escorrer da minha vagina, deixando minha bunda ainda mais melada. Não sabia o quanto ainda iria demorar para que meu Dono resolvesse me usar, e nem se isso aconteceria nesta noite, mas se tivesse essa sorte, me pegaria pronta para ele.
- Vou soltar ela. ouvi a voz do homem mais velho. Recém a mulher tinha dado uma trégua aos meus seios, e nem notei que ele se levantara e já ia soltando as cordas, enquanto ela se afastava.
Com ele quase debruçado sobre mim soltando as cordas, eu o observava. Só pelo jeito dele, a segurança que ele demonstrava olhando todo o meu corpo, como que me estudando, estudando talvez o que faria comigo, o que eu agüentaria, tive a certeza que ele era bem experiente. Terminou de me soltar e passou levemente os dedos nas marcas que as cordas deixaram no meu corpo, perguntando se estava tudo bem, se eu queria ir adiante, enfim, se importando comigo. Eu respondi que sim, que estava tudo bem e que eu queria ir adiante se meu Dono assim desejasse. Ele olhou para meu Dono, que balançou a cabeça afirmativamente.
- Já experimentou eletro estimulação?
A pergunta me deixou surpresa. Será que meu Dono sabia? Era uma coisa que eu morria de curiosidade de experimentar, porém ele não gostava. Tinha inclusive me falado que enquanto eu fosse escrava dele, era uma coisa que não faria.
- Não, nunca. respondi.
- Quer experimentar?
Olhei para meu dono que com um movimento acenou que sim, arrancando de mim um suspiro de agradecimento e orgulho. Ele poderia simplesmente não ter deixado, afinal eu era escrava dele. Mas mesmo sendo uma coisa que ele não gostava, estava me dando a chance de experimentar. A cada dia me sentia mais ligada a ele.
- Sim. respondi.
Me pegou pela mão e me levou até a mesa de centro, e ordenou que eu retirasse todos os objetos de cima, enquanto se afastava até a bolsa que trouxe junto com ele.
Assim que retirei tudo, mandou que eu deitasse ali de costas. Obedeci e fiquei entre todos eles, que intercalavam o olhar de mim para o homem, tentando não perder nenhum acontecimento. Ele voltou com uma pequena máquina nas mãos, que parecia mais um aparelho de fisioterapia, de onde saiam alguns fios com presilhas nas pontas. Me perguntou se eu queria experimentar primeiro no dedo para ter uma idéia de como era, antes de colocar em outras partes do meu corpo, mas fiquei com medo que essa experiência de alguma forma cortasse ou diminuísse o prazer sexual que eu poderia vir a sentir. Respondi que não, que preferia que ele fosse direto ao ponto, o que fez os outros rirem, e mais uma vez ganhei um olhar de aprovação do meu Mestre. Passou lubrificante na minha vagina e depois prendeu as presilhas nos grandes lábios. Regulou a voltagem e sob meu olhar medroso, ligou a máquina.
O meu grito deve ter sido ouvido de longe. Mas praticamente colado nele veio um suspiro, um gemido de prazer como pouquíssimas vezes talvez eu tenha emitido. O grito talvez tenha sido mais de espanto do que de dor, pois dor mesmo praticamente não senti. Logo se transformou em um prazer que percorreu faiscando por todo meu corpo, para o meu cérebro, meus fios de cabelo, minhas pernas, meus pés, meus seios. Arqueei o corpo na mesa, meus quadris se afastando da madeira, e de olhos semicerrados, pedi:
- Mais! Mais! Por favor, faça mais!
Novamente ele acionou a máquina, e a onda de eletricidade novamente tomou conta do meu corpo. A sensação era tão deliciosa, o prazer era tanto, que mesmo após a corrente ser cortada, os movimentos dos meus quadris ainda eram como o de um coito, subindo e descendo. Os bicos dos meus seios pareciam que explodiriam, de tão duros que estavam, e a sensação que eu tinha era que tinha sido aberta uma comporta na minha buceta, tamanha era a umidade que eu sentia escorrer. Mais uma daquelas, e eu estaria pronta.
E foi o que aconteceu. Não sei se ele aumentou a voltagem, ou se a minha excitação tinha chego ao limite por tudo que já tinha acontecido até ali, por meu Dono estar me emprestando à pessoas que eu nem conhecia antes. Só sei que quando a máquina entrou em funcionamento de novo, não consegui mais segurar. O gozo veio forte, galopante, extremo. Pela primeira vez na vida, acho que saí do ar, não conseguia pensar em mais nada, apenas curtia as sensações que estava sentindo. Parecia que minha vagina se abria e fechava, que meus seios subiam e desciam, e que a saliva desaparecera da minha boca.
Quando comecei a voltar ao normal, a respiração cadenciando, foi que levantei a cabeça e a primeira coisa que vi foi um amplo sorriso no rosto do meu Mestre. Olhei em volta e as outras três pessoas me olhavam com uma expressão satisfeita, talvez um ar de desejo cumprido. E depois vi a mesa e o chão molhados. Meu gozo fora tão forte que não consegui me segurar. Urinei durante o orgasmo.
O telefone tocou, me fazendo levantar. Era o meu Mestre. Me dizendo que assim que se livrasse de uma reunião, viria para cá. Resolvi tomar um banho e arrumar as coisas, pra estar cheirosa e com tudo no lugar na hora em que ele chegasse.
Antes de entrar no banho, parei em frente ao espelho. Virei de costas, e tirando o cabelo da frente, vi as marcas nas minhas costas, na minha bunda. Lembrei do que meu Dono dissera antes de desligar:
- Hoje teu castigo vai ser muito forte, por ter sentido tanto prazer ontem com outras pessoas que não eu.
Com certeza, amanhã estas marcas estarão acompanhadas de muitas outras. E eu, amanhã, já terei tido muito, mais muito mais prazer.
Agora, vou pro banho.
FIM