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A Cadela Ásgard

Para quem inicia sua caminhada nos longos e estreitos caminhos do sadismo acaba encontrando, por inúmeras vezes, a força da alma que, num momento de lucidez, aflora o verdadeiro ser envolvido pelas séticas teias da hipocrisia social onde somos formados. A liberdade torna-se, antes de tudo, um resultado das mudanças que as cordas, ao serem lançadas envoltas em um corpo nú, efetuam na alma de seu manuseador. Estava acompanhando um grupo de amigos numa exposição erótica que ocorre em São Paulo e iniciei minhas amarras por sobre aquela submissa que, depois de ter os seios ligeiramente expostos através de sua blusa preta de rendas, cerrava os olhos contra si mesma pela névoa que começava a se formar ao nosso redor pela magia dos nós. Passo a passo minha rede ía pressionando aquele corpo que, em poucos minutos, estaria à minha disposição impedido, até, de se comunicar com o mundo exterior e, em seu interior, os murmúrios eram encandecidos pelo açoite que cortava o ar em movimentos lentos e fortes. Obriguei-a a beijar meus pés e assim o fez, mesmo sentindo os laços apertando, sem clemência, sua vulva que, mesmo, ainda, coberta, palpitava envolvendo o amarelo de seu cárcere. Minha mão percorreu seu corpo semi-exposto pelas rendas e descobriu seus mamilos marrons deformados pelo prensar dos fios que nos primeiros movimentos já os premiam sob o peso de minhas mãos a cada volta da seda trançada que os envolvia. O ritmo de sua respiração era suave, porém, quase incontrolável o que combinava com o momento onde dezenas de olhos atentos observavam os movimentos deste algoz vertendo a pele através do emaranhado, que poucos entendiam mas todos apreciavam, com um intenso prazer regado ao som do chicote que penetrava na carne extraindo sua mais sublime seiva que começava a gotejar. Seu corpo implorava por meu prazer quando, do meio da multidão, surgiu uma pequena pérola envolvida por uma capa negra de onde os pequenos trapos mal cobriam seus seios e um pedaço de tecido, minuciosamente preso por tiras de velcro, escondia sua parte inferior. Aquela imagem transgrediu meu trabalho sentando-se, no sofá que havia ao lado, de pernas abertas e seus mamilos rijos e rosados, já descobertos, desejando a pressão de minhas amarras. Observou, sem interromper, cada passo de uma pequena suspensão que hora tinha efetuado por minha própria força devido a falta de local apropriado, afinal, estávamos em uma feira erótica e não em um calabouço. Ao fim do meu prazer, vendo minha vítima, fustigada pelas marcas e transfixada pelos olhares sobre seus seios e vulva retornei minhas cordas aos seu estado natural: Inertes e pacientes aguardando um novo corpo. Sentei-me e aquela figura mal recoberta por sua capa veio até mim. - Como é? – perguntou. Não respondi. Tomei meu fio vermelho, dobrei-o e coloquei um de seus mamilos entre os caminhos paralelos que formei. Torci e, juntamente com seu gemido de dor, pois o mamilo que escolhi foi esticado ao dobro de seu tamanho, percebi seu corpo arrepiar. Nada falei. Tirei sua capa, os trapos que pouco tampavam seus seios e o pedaço de tecido com velcro que impediam os olhares mais afoitos de descobrirem a pequena tira que tampava seu sexo depilado e perfumado. A platéia, que há pouco não se continha com rendas, calou em suas formas esguias. Os seios perfuravam o ar como flechas certeiras que abatiam as mais profundas tentações dos normais. Sua cintura refugava o ar que a alimentava e seus quadris expôs toda sua ânsia para ser atingido. Minha primeira corda aguardava o momento certo, olhei para ela e percebi que sua paciência se esgotava convencendo-me a trançar outra teia. Respondi que sim envolvendo o pescoço, que arfava pelo medo, na primeira dobra que fiz. Os nós refaziam sua magia com delicadeza e austeridade prendendo, pouco a pouco, aquela que teria sua primeira experiência neste mundo. Um, dois, três e finalmente... quatro. Este quarto nós prensou seu clitóris contra sua bacia. Seu rosto avermelhou-se e percebi um suave gemido que retirei de suas entranhas já aquecidas por minha vítima anterior. Seus dentes cerraram e o ar, comprimido por seus pulmões já envolvidos pelas tiras, deixou revelar todo seu tesão. Seus mamilos, que já não eram segredos para nenhum dos presentes, petrificaram e suas pernas fraquejaram. Seus braços, obrigados para trás, continuavam inertes sob o espanto do resto de seu corpo estirado para trás, sob a força de apenas uma de minhas mãos, quando a outra envolveu sua boca. Imediatamente sua língua, que não mais se controlava em sua caverna, veio à tona passando por entre meus dedos. Seus lábios, pintados por um batom rosa, chupavam meu dedo médio com a volúpia que fariam, mais tarde, ao meu falo. De repente senti seus dentes prenderem minha pele. Reagi fervendo sua face com minha palma direita. Suspensa, sob a bainha de minha faca, que sustentava seu peso em sua vagina, implorou-me: - Mais forte! Não atendi seu pedido e sim ao meu espírito que implorava por açoitá-la. A platéia estava imóvel. A pele de seu rosto sentiu, por inúmeras vezes, o peso de minha mão direita enquanto a esquerda percebeu o calor repentino que brotava entre suas pernas. Virei-a de costas para nossos intrusos e apertei mais ainda seu clitóris que encharcou minhas cordas e a bainha de minha faca que começou a percorrer seu corpo. A ponta da lâmina riscava sua derme fazendo caminhos esbranquiçados seguidos por seu olhar atônito. -Meu Deus! - murmurou. Como extensão de minha glande, levei o aço até sua boca de onde surgiu sua língua percorrendo-o incontinentemente, inconsequentemente. Ameacei de introduzír meu aparato em sua boca. Não rejeitou. Seus lábios chupavam a lâmina fria enquanto sentia, mais uma vez, a explosão de calor entre suas pernas. Postei entre os dentes e segurou, seu olhar franziu sob o peso do objeto e o canto de sua boca sentiu as serras de contra lâmina que, por muito menos, já sentiram a frieza do sangue. Deixei a marca do cutelo sob todo o seu corpo após açoitá-lo com sua lateral. Continuava a demarcar meus meridianos em seu corpo arrepiado pela pressão que eu exercia no cabo do poderoso objeto. Ofereceu-me suas nádegas e, após abatê-la com minhas palmas, risquei sua vulva e seu anus com a lâmina da faca. Sua boa entreabriu e seus olhos desfaleceram com o centímetro que introduzi em seus grandes lábios. Seu corpo todo foi arrebatado pela lâmina que sempre me acompanha. O nó que estava sob sua vagina aqueceu novamente. Soltei-a. Surpresa reafirmou-se em suas pernas. Sentei ao trono que estava à minha disposição e ordenei: - Dance para mim. E assim o fez. Seu corpo percebeu a música que, até então, era desconhecida de existir apesar de preencher o ambiente a todo instante. Ofereceu-me seus seios, seu reto e sua boca à frente do trono que ocupei. Minhas amarras, coladas em sua pele branca, iniciavam seu estrangulamento do corpo que hipnotizou todos que observavam bem como aqueles que pensavam que estávamos apenas nos apresentando. Falácia. Interrompi sua dança puxando seus longos cabelos loiros para trás, dobrando-o, colocando seus lábios rosados a poucos milímetros dos meus e e obriguei-a a postar-se a meus pés. Desfiz meus braços que a envolvia e mandei-a embora. Surpresa recolheu sua roupa, mal vestiu-se com sua capa e me disse que traria seu telefone. Este encontro será em breve. Talvez relate para vocês.