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Meu Senhor do Açoite
O Senhor ordenou que Clara cuidasse de mim, meu corpo estava marcado, havia lanhos nas coxas, nas costas, nos seios, meus pulsos doíam demais. Passei a língua na boca, ardia muito, eu estava inchada. Como sempre, Ele me deixou amarrada no meio da senzala e partiu. Estava exposta para uma platéia que dançava enquanto eu gania sob o chicote Dele.
Aos 2 anos meus pais voltaram para Israel, não podiam mais ter escravos, havia dívidas, não havia como manter a fazenda. Fui dada de presente para os poucos escravos que ficaram. Cresci com as meninas negrinhas que passaram a ser minhas irmãs.
O Senhor era um homem generoso para os escravos, travava a todos muito bem principalmente as mulheres mas, sem cerimônia, usava as que mais lhe apetecia.
Uma vez por semana o povo da senzala se reunia para cultuar seus deuses, sob a liderança de João de Angola pessoa bondosa, espécie de mentor da comunidade, eu o chamava de vovô. Ele descendia da nobreza do seu país; lá, do outro lado do oceano, ele seria um príncipe. João de Angola, príncipe viril e doce, fecundou quase todas as mulheres da aldeia, foi pai de 40 filhos; amava a todos e tratava bem das suas mulheres.
Aos 7 anos fui consagrada pela minha bá para Iansã esposa de Xangô, rival de Oxum uma guerreira (penso que todas as mulheres devem ser filhas de Iansã). Oiá atravessou o mar veio da África cruzou canaviais, mangues e rios, se embrenhou na mata Atlântica para me tocar.
Clara prendeu meus cabelos, meus seios doíam demais, suas mãos me afagavam, era uma jovem bonita, usava uma corrente fina no tornozelo esquerdo e outra no pescoço. Clara contou que muitas vezes dormia acorrentada no pé da cama do Senhor e quando ele estava muito excitado ou profundamente triste, deixava que ela ficasse sob lençóis com ele.
Clara untou meu corpo com óleo de alfazema e tentou aliviar a minha dor. Ela sabia que, mesmo sofrendo, eu gostava de ter as marcas Dele. Clara me via amarrada pelos pulsos e sempre havia um brilho de inveja no seu olhar. Num banho de rio, reparei a inicial Dele estampada na nádega da escrava, a marca foi feita a ferro quente, estava saliente na pele negra. Na noite em que Clara foi marcada, os tambores da senzala bateram mais forte descobri depois que era para abafar os gritos.
Acho que fui uma menina feliz. Mesmo sendo uma estranha no ninho, fui cercada de afeto, tive muitas mães diferentes de mim na cor, afeiçoei-me a todas. Ba era a minha favorita, fazia as minhas vontades. Por eu ser diferente e loirinha, tive o privilégio de estudar com professores particulares. Ele nunca descuidou da minha educação. Às vezes, no meio de uma aula de pintura ou de música, o Senhor me deixava nua, me fazia ficar de costas para o piano, me apalpava, acariciava e batia com a mão deixava a minha bunda vermelha, depois beijava, e me botava no colo. Outras vezes, vendava meus olhos, cobria o meu corpo com tinta e eu ficava horas no chão, ao seu lado, enquanto ele lia o jornal. Depois ficávamos na banheira, eu dormia sobre ele, despertava com fortes palmadas e escaldantes beijos.
No quarto, sobre a cama de ferro, amarrava as minhas mãos para trás e me penetrava por horas a fio, me tirava suor, me fazia chorar, depois me puxava para a sua boca até eu dormir.
A primeira vez tentei escapar, mas fui capturada, aconteceu depois do jantar. De repente, Ele arrancou me vestido, me jogou na cama, montou sobre mim e chupou os meus seios. Senti seus dentes, seus dedos, a língua, o pênis duro nas minhas coxas. A boca do Senhor, a boca, as mãos ...Tentei lutar e fui vencida, ele me penetrou mansamente, abriu minhas entranhas, me inundou de sêmen quente e farto. Depois de me usar me devolveu à senzala.
Um dia o Senhor chegou com uma caixinha de música, perfumes e alguns discos, eram valsas e polcas de Ernesto Nazaré, havia influência de Chopin na música. Fiquei no colo dele nua, sendo acariciada. Prometeu que me levaria ao teatro, mas eu teria que me comportar. Sem querer, quebrei um disco e uma surra bem dada me deixou de castigo por muito tempo.
De noite eu fugia para ver a dança, o maculelê, a capoeira, as celebrações profanas. Minhas mães nem percebiam. Entrava pelo mato, os ruídos da noite não me assustavam, aprendi tudo da natureza. De uma pedra eu ficava olhando, me excitava, levantava a saia e ficava me tocando. As negras, quase nuas, vestiam apenas colares, tinham os corpos suados; aquilo era mágico.
Havia uma grande lua, vi Clara ser tirada da roda pelo Senhor. Ela foi levada para o mato, amarrada entre duas árvores, Luíza estava junto.
Clara usava somente uma saia fina e tinha pés descalços. O Senhor falou algo no ouvido dela, ela sorriu e ofereceu o corpo. Meu coração batia forte, Luíza prendia Clara pelos pulsos, ela estava de frente para mim, tinha as pernas abertas, os seios à mostra, por cima dos colares, brilhava na noite.
O Senhor massageou os seios de Clara, puxou-os pelos mamilos e sugando-os demoradamente, mordeu tão forte que o corpo dela quase se dobrou. Ela estava fortemente atada, o corpo se projetava em direção ao dele. Luíza postou-se de joelhos diante o Senhor, abriu-lhe o cinto, a camisa e, com voracidade, passou a sugá-lo. Ela abocanhava o pênis duro com vigor, enrolava a língua.
Na senzala a dança não parava, havia um transe estabelecido, os corpos se tocavam freneticamente. Fiquei muito excitada, deitei sobre a pedra e deixei meus dedos aliviaram a minha ânsia; eu estava em fogo.
O Senhor possuía a boca da escrava Luíza, por vezes parava e aplicava-lhe sonoras bofetadas. Antes de ejacular, esfregou o falo, molhado e duro, entre as coxas de Clara, ela gemia muito alto, pedia mais. Segurando Clara pela cintura, Ele se enterrou até o fundo. Um calor percorreu minhas coxas, toquei meus seios, fiquei de joelhos e odiei Clara. Com longos espasmos ele gozou no ventre dela.
Saí pelo mato, galguei as pedras, me arranhei nos espinhos; andei quase sem rumo; no catre, fiz comigo mesma, até ficar cansada.
Emilene