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Hierarquia
Meu plural leitor, venho te alertar que se busca um alívio e uma resposta as ilusões criadas por outrem de forma rápida, digo que não achará neste conto.
Peço para que o leitor que continuar tenha paciência, afinal eu quero criar uma sensação grande de familiriedade com os personagens, mas sem uma tola previsão do que virá. Tento encorpar o texto de inicio para depois partir para algo mais carnal para ti, mas tenha calma que você saberá aonde quero chegar narrando minúcias.
Chovia lá fora, eu estava quente e respirando um frio e úmido ar que vinha.
Eu ouvia uma voz longe ao fundo, mas de fato não me importava com ela. Afinal, ele era ninguém menos que o meu professor naquele tempo. Sua voz ressoava tristemente e unia-se ao som da chuva batendo na janela.
Eu sabia que ia que o prejuízo era meu ao não entender as nuances da inteligência dos mestres de Universidade, porém minha vida tinha perdido qualuqer sentido prático e não me importava realmente com consequências.
Toda a minha vida vivi a margem, cabia a mim me recolher a escolha dos outros e aceitá-la , afinal não tinha suporte ou ajuda para o meu sufoco sem fim.
Não que eu tivesse uma vida ruim, com dramas, guerras, lágrimas justificadas, mas não havia nada, talvez isso fosse pior!
Bem, neste dia as coisas pareciam as mesmas, mesmas caras, mesma cara, a minha. A única coisa que eu podia notar era uma coisa que eu temia, mas desejava mesmo que profundamente, eu gostava de rapazes e disso eu tinha completa convicção. Então, como é comum numa Universidade eu olhava para os dotes masculinos ali presentes, me presenteava com carnes ali mesmo, afinal, eu não tinha nada melhor para fazer.
Mas o pior era só desejá-las e nada de possuí-las, eu queria apertar cada tendão, sentir um volume por cima de uma calça, abraçar um macio peito, mas não havia achado alguém que suprimisse esses meus desejos, que apesar de mal vistos pela sociedade, era singelos e tolos, pelo que vejo agora.
Apesar da sua tolice meu professor mantinha um aspecto muito agradável aos olhos, ao menos aos meus, eu sempre tendi a gostar de homens de mais idade, porém eu notava o seu volume por cima da calça, ele andava para lá e pra cá , e eu tinha o prazer de ver cada movimento, eu suspirava quando virava e via sua bunda, e de relance via um pouco de carne acima da calça.
Eu adorava ver as suas costas mexendo quando escrevia na lousa, e ali me deliciava.
Ao menos tinha segurança ali, afinal eu sentava no fundo da sala e todos também pareciam viver o mesmo torpor nauseante que eu, como um perfume terrivelmente doce que nos inebria.
De relance nossos olhos se tocavam no ar, porém, pelo menos naquele momento, eu tinha a infelicidade de só poder viver uma relação de professor e aluno, uma relação de submissão e dominação, porém não o tipo que eu desejava e não usufruia diretamente dele.
Eu olhava incesantemente naquele dia para as calças dele, ele parecia ter caprichado nela também , era jeans e justa, seja ela colada ao corpo quanto a fazer jus aquele corpo que ainda mantinha uma jovialidade prazerosa, e eu sonhava, partia para o relógio e voltava para o deleite do colo, em pouco tempo a sala foi dispensada.
E por um segundo antes de isso acontecer , eu sabia , mesmo que inconscientemente:
- É André? Acho que é esse seu nome.
- Ah, oi! - eu disse.
- Você pode vir aqui quando terminar a sua próxima aula? Eu tenho que tratar de um assunto em relação a sua educação - disse ele calmamente, porém na frente de todos da sala.
- Está bem - eu respondi com uma falsa animação e um distanciamento indesejado.
Fui para a minha outra, e observei os jovens do meu lado, olhava para cada detalhe escondido entre os meus livros e animais embalsamados. Via cada ponta de nariz, quando um braço torcia e eu via a pele macia, um volume, um sorriso que arrancava meu suspiro. Nem pensei na verdade no outro professor, afinal as aulas semanais dele serviam para matar a saudade daquele deslumbre, apesar que sozinho nas noites eu pensava com carinho nele.
Outra aula terminou e parti para a minha caminhada em direção ao laboratório do meu professor Marcos.
Bati na porta e ouvi uma agitação lá dentro, parecia não haver somente eu lá dentro. Dali a pouco saiu ele e outro rapaz muito bonito por sinal, que roubou meus olhos que nada perdoavam mesmo que por um instante. O menino sorria estranhamente, devia ter levado uma bronca.
Professor Marcos se virou para mim e sorridente disse:
- Entre, por favor - disse com o braço estendido para dentro da sala.
Eu murmurei algo inteligivel, e parti para os dominios dele.
Ele demorou a se sentar, pegou umas pastas e com as mãos unidas em cima da mesa disse firmemente:
- Eu estou muito preocupado com o processo do seu aprendizado aqui na Universidade, temo pelos meios que você age, ou não, e que não está alcançando resultados. Eu sei que nenhum professor faria isso por você, te chamar aqui, porém eu tenho uma antiga tradição desde quando pus os pés aqui de notar certos pupilos peculiares. Parece-me que você é um deles - Ele se levantou quase como em música e sentou na mesa com a sua perna virada para mim balançando tolamente.
-Bem, o que tem a me dizer então? Afinal eu tenho vindo as aulas, minhas notas não são excepcionais, porém está na média de todos.
-Eu acho que não me referia aos assuntos acadêmicos de certa forma - ele sorriu somente de um lado e riu por um segundo - Eu compreendo que a minha matéria no momento é terrivelmente tediosa, mas vi o seu interesse pela Biologia em geral, eu percebo coisas e não tente negar, será pior para você. Eu estou aqui para te ajudar, espero que aceite - ele mudou seu tom, olhou firmemente e quase como bravo disse - Mas quero que responda, quer a minha ajuda? Não importando os meios?
Esperei um segundo esperando que algum tipo de apronfundamento viria, mas nada , era a hora da minha resposta:
- Bem , acho que sim - sussurei olhando para a sua boca- Sim ! - respondi então como um ponto final.
- Esplêndido, agora que você aceitou temo que não tenha mais volta, terá que agüentar o velhinho aqui.
- Eu estou certo do que disse. - eu senti uma pontada de desejo de aventura, mesmo que eu tenha vivido anos de clausura.
- Isso é muito bom, então vou te contar um pouco da minha história dentro deste círculo de empatia. Todos os anos eu escolho no máximo três rapazes, que serão instruídos por mim quase por toda a sua vida, não sobre algo como Biologia ou sobre reações quimícas, mas valores que se perderam a muito tempo, coisas das quais você talvez leve anos para compreender e acatar. Tenho rapazes neste "clube" que até hoje participam como observadores e hoje dizem ser gratos a mim. Para se unir à nós você passará por uma série de testes de confiança, mas tenho certeza que não decepcionará. Bem, acho que é só, a sua primeira reunião será na quinta as 8 horas, nos temos uma casa para isso , pegue o endereço encima da mesa.
Me curvei e alcancei a mesa, senti uma brisa nas minhas costas, pensei nas malditas calças justas.
-Pode ir - disse ele abaixando a cabeça para um papel encima da mesa - Ah antes que eu esqueça! Eu vi onde seus olhos miravam, vou te ensinar a entender exatamente o que você quer...
Eu sai de lá respirando ofegantemente coberto de vergonha do que acabará de fazer, ou tinha feito.
Ele sabia da minha opção, eu tinha de recusar a oferta, ele não tinha nada contra mim, na quinta irei lá e direi que não quero mais, afinal aquela resposta somente se encaixava a uma coisa.
Passaram-se os dias e eu tremia e me torturava mentalmente só de pensar na vergonha que eu passava pela situação que havia se formado, as aulas continuavam e a quinta feira chegara amarga.
Eu não consegui me concentrar nem um segundo, apesar que agora depois que eu souberá do conhecimento dele pelos meus gostos , a minha calça acabará por se tornar muito interessante e as vezes vergonhasa em diversas situações.
Faltava muito pouco para as 8 e eu sabia meu destino, não tinha criado coragem apesar que eu passara horas repassando frases cheias de moral e fibra que compartilhavam do sentimento bom da heterossexualidade, e subjulgando que um grupo de sodomitas pudesse se formar.
Eu fui a pé até lá, e cheguei na frente de uma casa bem antiga, de frente estreita com uma lanterna na frente. Bati, e pensei que eu diria o que tivesse que dizer dali mesmo para aquele depravado!
Um rapaz da minha idade abriu, fiquei surpreso pela calma dele e falta de vergonha pela situação que nos encontravamos, ele me mediu por um segundo e perguntou:
- Você veio a convite do Mestre Marcos? - achei muito estranho a entonação no mestre , mas sinto que no momento eu buscava mesmo razões para rejeitar tudo aquilo.
- É, mas eu só vim dizer uma coisa.
- Entre, e fale com ele então.
Raios, por que ele não podia chamar ele, eu não tive coragem de inquirir o menino para mandar chamar ele, além do ele me pareceu muito cordial, e era muito bonito também, o que chamou a minha atenção.
Passamos por muitas salas cheias de almofadas, algumas lousas, papéis e lápis por todos os lados, bem, aquilo não parecia algo depravado, acho que ele respeitava mesmo a minha opção e percebeu a minha indiferença ao mundo. Bem que eu podia ficar um pouco, eu dizia falsamente para mim, um estranho sentimento ousado tomava conta de mim e eu sabia que ele existia e sabia também que ele era perigoso , que uma vez dentro eu seria para sempre.
Chegamos finalmente a um corredor onde havias vários rapazes sentados em silêncio e olhavam reto e sem sentimento.
- Pronto, entre lá e diga o que quer.
Eu sabia que não queria mais.
- Bem, eu posso esperar um pouco.
- A reunião vai começar, você vai ser iniciado ou não? Esta é a sua última chance de desisitir - muitos olharam para o rapaz com um certo respeito platônico, como se desejassem na a ele, mas a sua categoria.
- Que mal haverá , vou entrar sim.
E entrei na sala.
Continua...