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Minha Colega, Minha Dona

Início do segundo semestre na faculdade. O espírito de renovação está no ar. Conversas animadas aqui e ali, gritos, estalados apertos de mão, colegas comparando suas grades de horários, advertindo-se sobre este ou aquele professor, combinando o trote aos bixos. É sempre a mesma coisa, mas eu gosto de observá-los, ouvir os seus relatos, descobrir o que os diverte ou preocupa, enquanto finjo estar lendo ou fazendo algo. É o estar ali não estando. Falta de afinidade com todos os meus colegas? Talvez. Prefiro continuar lendo. Recomeço. Lembrar de quantas vezes já recomecei... É o terceiro curso que inicio, mas agora estou decidido a me formar em publicidade, e já estou no último ano. Precisarei, contudo, arranjar algum estágio ou coisa que o valha, pois o orçamento mensal não tá nada folgado lá em casa. Na primeira semana de aula, um colega já me dá a barbada e a advertência: a comissão de graduação do direito está selecionando bolsista para meio-turno; a estagiária que já trabalha lá, porém, é um verdadeiro porre, um poço de antipatia e arrogância, e ele está saindo justamente por não mais suportá-la. Decido aceitar a oferta, até porque não posso dispor de mais de 4 horas diárias para o trampo, e não se encontra vaga de meio-turno lá fora. Quanto à minha futura colega de trabalho, creio que não terei maiores problemas... Compareço à ComGrad do direito, apresento meus documentos, respondo a algumas perguntas da diretora de lá e ganho a vaga na mesma hora. Sou apresentado a Débora, bolsista do direito e minha futura colega de gabinete, que só pela presença da diretora é que levantou os olhos para me cumprimentar. Com o sorriso mais falso do mundo, concorda em me explicar as rotinas operacionais da ComGrad. Loira de cabelos lisos e compridos, aproximadamente um metro e sessenta e cinco, olhos cor de mel e levemente rechonchudinha, Débora chama minha atenção ao primeiro contato. Veste um blusão rosa de mangas arregaçadas, revelando pulseiras prateadas, calças jeans bem justas e tamancos plataforma nos pezinhos protegidos por meias rosa-bebê. Usa uma maquiagem que, ainda que não exagerada, também não pode ser considerada discreta. Seus lábios são carnudos e sensuais. Os olhos, lindos, são contornados por longos cílios, e suas sombrancelhas têm um desenho que revela personalidade. E que personalidade... Durante o semestre, terei bastante tempo para conhecer (e ser vítima de) essa particularidade dela. Uma das primeiras frases a mim dirigidas já dá uma idéia da rotina que me espera: - Olha, Olavo, presta bastante atenção em como se preenche essa requisição! Você vai ter que encaminhar várias delas e eu não suporto ser interrompida a toda hora! Gostei do tom imperativo da sua voz. Firme, enfático. A carinha séria que ela fez, durante a advertência, também me encantou. Segurança e autoridade, duas coisas que me excitam numa mulher... - Pode deixar, tenho boa memória. - É o que espero. Aquela anta do Gabriel levou semanas pra aprender! Humm... Primeiro adjetivo que ouço daquela boquinha sensual. Acho que esse semestre será bem, digamos... divertido. Gabriel é o colega que me indicou a vaga, mas acho prudente não revelar. Trabalharemos sozinhos no gabinete e eu acho isso ótimo, pois, estando a diretora em outra sala, Débora poderá destilar tranqüilamente sua arrogância e prepotência contra mim, sem receio de ser repreendida. Estará livre. Estaremos livres. Comemoro internamente. Na primeira semana, concentro todos os meus esforços no sentido não apenas de aprender as rotinas do trabalho, mas também em dar confiança absoluta a Débora para que ela me repreenda ou mesmo xingue quando eu fizer algo errado. Ou mesmo quando ela bem entender. Já me tornei perito nessa arte. É preciso muita sensibilidade. Não se pode entregar de cara que você é um capacho, ou põe tudo a perder: será desprezado da forma não desejada. Deve, isso sim, dar a entender que é tímido e tem medo de perder o cargo, mas não desprovido de personalidade; deve mostrar-se extremamente paciente e jamais responder a uma ofensa. Mostrar-se constrangido sim, mas sem sugerir que está prestes a explodir. Ela não abusará se pressentir perigo. Ponderar sobre algum erro também é válido no sentido de irritá-la ainda mais, mas não a ponto de caracterizar insubordinação. Errar de propósito também é uma grande tolice: renderá no máximo, como no caso anterior, uma demissão. Também não seria necessário, pois é improvável que eu não cometa erros no início. Ademais, não serão apenas os equívocos os responsáveis pelas ofensas e humilhações que almejo receber de Débora. Ela acabará me maltratando por puro prazer. Basta eu fazer a coisa certa, deixá-la suficientemente segura, que a natureza humana manifesta-se por si só. O primeiro destempero de Débora chega já na segunda semana: - Quantas vezes eu já te falei que não é essa via que se carimba, Olavo? - ela grita - E tu quer encaminhar o protocolo sem a assinatura da diretora, da adjunta e nem do professor? Bebeu, é? - Putz... foi mal! Essa via pode ir carimbada? - Não! - ela grita mais alto ainda - Tu vais preencher de novo! Prêmio por ser moscão! E ainda tem mais doze pra preencher, hein! - Posso terminar na segunda? Faltam só vinte minutos pro fim do expediente. - Não, Olavo, não pode! - Débora me olha com raiva - Não sou eu quem vai levar bronca por causa da tua lerdeza. Quero encaminhar isso ainda hoje! Por isso, sugiro que fale menos e trabalhe mais! Que delícia... Ela já tomou a liberdade de gritar comigo, ironizar e me chamar de moscão... E na segunda semana! Já acredita que eu me considero seu subordinado e está exercendo seu suposto poder. As coisas estão correndo melhor do que eu esperava. Débora arruma suas coisas, pega sua bolsa e me dá mais ordens: - Termina esses protocolos e depois entrega na sala da Ivone (a diretora). A pressa é tua, eu já tô indo. Não se esquece depois de desligar os pcs, a impressora, o xerox, as luzes e fechar as janelas. Tchau! E bate a porta. Como é bom receber ordens dela... Acaba de nascer minha nova chefe! Não aquela que ocupa o posto oficialmente e por merecimento, após ter galgado os degraus da hierarquia organizacional da academia, mas sim aquela que me subjugou psicologicamente. Aquela que, com seu olhar ameaçador e sua voz firme, me fez acreditar que pode ser a responsável pela minha demissão e que, por isso, lhe devo obediência e submissão. Aquela que, mesmo sendo mais jovem que eu, estando no 3º semestre do seu curso (eu estou no 7º) e ocupando um cargo de mesmo nível que o meu, há apenas 6 meses, acredita que pode me dominar. Essa é a minha verdadeira chefe, sem estatuto e de mandato indeterminado, e não a outra. Termino a tarefa e entrego na sala da diretora, que me pergunta: - E aí, estás gostando do trabalho? A Débora tá te ensinando direitinho? - Tô gostando sim! Ela já me explicou todas as rotinas e estamos nos dando muito bem. - Que bom! Ela é uma ótima menina, um pouco geniosa, mas muito competente. Só não se acertava com o Gabriel, coitado, e tanto fez que o menino acabou desistindo! Eheheh! Bom fim de semana pra ti, Olavo! - Pra senhora também. Débora sai antes do horário simplesmente todos os dias, e quase sempre me deixa algum trabalho chato pra fazer. Não raras vezes, depois do expediente, fico horas executando tarefas que na verdade seriam de responsabilidade dela, e algumas vezes até me atraso pra aula. No dia seguinte, com a maior cara de pau, ela diz pra diretora que foi ela quem fez o trabalho. A não ser que tenha erros, claro. Não recebo sequer um 'obrigado' pelas horas extras, mas sim ironias e ameaças caso eu cometa algum equívoco. Isso me excita. Débora começou a chegar mais tarde também, cerca de meia-hora ou mais, todos os dias. Advertiu-me para que eu ficasse de bico calado quanto a isso. Chega e cobra as tarefas a mim confiadas (tarefas que seriam de responsabiliade dela, diga-se de passagem), como uma autêntica chefe. E mais, eu tenho de levar até a mesa dela. Se topei a primeira vez que ela pediu... Vou com prazer, excitado, não só por estar servindo-a mas pelos xingamentos que com certeza virão no decorrer do dia. Confesso que no início foi bem difícil disfarçar minhas ereções. - Mas Olavo, quantas vezes eu já te disse que não é pra preencher esses campos? Isso é preenchido lá na reitoria! Como tu consegue ser tão estúpido assim? Me olhou com raiva, ao mesmo tempo em que rasgava as vias com erro. Que rostinho lindo... - Calma, Débora, eu preencho de novo! Não entendo por que tanto stress... - É porque só me mandam antas como ajudantes, que só me atrasam! - grita - Olha, se tu continuar fazendo essas cagadas, vou falar com a Ivone essa semana mesmo! Gabriel duvidou de mim e dançou! E tu já tá a caminho! - Calma, tá tudo bem. Eu é que vou trabalhar em dobro, não vou? - É claro que vai! E não me interessa se vai fazer hora extra ou não! Desligado! Essas aqui que estão certas tu leva lá no protocolo geral. Isso aqui põe no lixo. E vai pro telefone, ficar bons minutos conversando com suas amigas, tão patricinhas quanto ela. Todos os dias, passa boa parte do expediente falando coisas do tipo: com quem ficou em tal festa, com quem suas amiguinhas ficaram, como fulaninha estava vestida, o sapato que acabou de comprar no shopping, o carro que papai prometeu no seu aniversário, e outras coisas importantíssimas. E eu no trabalho pesado, com prazo, tentando me concentrar... E quem disse que sou eu quem devo levar documentos a outros setores? Débora disse. Decidiu. Ela definiu várias tarefas que eu devo realizar lá, e eu não ousei questionar. E muito menos reclamar à diretora. Disse-me que Gabriel dançou por causa disso. Os abusos que sofro são segredo meu e dela. Um pacto secreto. Meu membro palpita a cada ordem que recebo da minha chefinha particular. Trabalho excitado o tempo todo. Ela me tem. Ainda não está completa, mas agora tudo depende da minha perícia e sensibilidade. Ela já está abusando da minha passividade? Abusará muito mais! A agressão verbal passará à agressão física? Não sei... O ritual do cafezinho foi invenção minha. Um dia, enquanto recebia as tarefas e ordens dela, disse que estava passando o café e ofereci. Ela aceitou. No dia seguinte, pediu 'por favor' um cafezinho; já no outro, apenas acrescentou o cafezinho às demais ordens; depois, nem se dava a esse trabalho: eu já sabia que deveria levar o café à mesa dela junto com os papéis, quando ela chegasse. Se não estivesse adoçado ao gosto dela, Débora não se constrangia nem um pouco em me mandar voltar, e lá ia eu, de pau duro, colocar mais 2 gotinhas de adoçante. Nunca esqueço o episódio das botinhas. Débora chegou calçando botas e, estando as mesmas enlameadas, deixou-as atrás da porta, passando a circular de meinhas pelo gabinete. Que dia excitante... mal conseguia me concentrar no trabalho, atraído pela visão daquelas solinhas impressas nas meias sujinhas, quando ela se sentava de pernas cruzadas em cima da cadeira. Que vontade de me levantar, ir até ela e meter a cara naquelas solinhas... oferecer uma massagem, ou um banho de língua gostoso entre os dedinhos... Mas isso seria uma grande tolice, e poria a perder um árduo trabalho. Pois bem. Naquele dia, recebi o pedido inusitado: - Olavo, tu te importa em me fazer um favorzinho? - Não, pode falar. É óbvio que eu não ia dizer 'depende' para algum pedido dela, qualquer que fosse. - Tenho que ir na secretaria, mas não posso entrar lá com minhas botas, elas estão embarradas. Pra limpar elas, teria que ser no banheiro, mas o chão lá tá sempre molhado e sujo. Tu te importarias em passar uma água no solado delas, lá no teu banheiro? É só tirar o barro, nada de mais. - Tudo bem, sem problemas. - disparo na mesma hora. Noto uns certos traços de vergonha no rostinho dela, ao me fazer o pedido. Tem consciência de que está abusando. Que nada, Débora, minha dona querida. É com imenso prazer que te presto um favor desses. E põe prazer nisso... Levanto-me imediatamente, pego o par de botinhas e vou ao banheiro, me segurando pra não meter a cara dentro delas antes de chegar lá. Que delícia, que momento sublime... eu lá, no banheiro, brincando com as botinhas da minha dona, botando a mão dentro, sentindo o relevo dos dedinhos na palmilha, cheirando-as, lambendo... não resisto à tentação de me masturbar com o cheiro dos pezinhos dela, aqueles pezinhos que me subjugaram, que me maltratam, me humilham, me fazem pagar horas extras, me ameaçam... que causaram a demissão do Gabriel... Gozo como há muito não gozava, dou um banho de esperma na parede do banheiro. Recomponho-me, lavo o solado das botas, seco-as e volto ao gabinete, entorpecido. Dirijo-me a Débora já agachado, com a intenção de calçá-la (que pretensão a minha...), mas ela me toma as botinhas. - Muuuito obrigado, valeu mesmo! - sorri - nem precisava limpar tanto, era só tirar o barro! Acho que foi a primeira vez que ouvi um "obrigado" dela. - Imagina, foi um prazer. Ela me dirige um olhar estranho, por fração de segundo, calça as botinhas e sai da sala. Como houvera previsto, Débora começa a se divertir com a minha humilhação. Ouço-a dizer ao telefone, às vezes: "Hoje vou poder sair mais cedo, sim, tenho quem faça o trabalho por mim". Cochicha algo e ri baixinho. Meu membro cresce. A ironia é sua especialidade: "Puxa, Olavo, foi mal ter feito tu te atrasar pra aula ontem", diz, após ter ficado o expediente inteiro falando futilidades ao telefone. Às vezes, ociosa, dedica-se a me irritar com comentários jocosos a meu respeito, e ri a valer da minha cara fechada. Adquiriu confiança absoluta. O fato de ela ter se adiantado em ir falar com a diretora, pra pedir uma liberação de dois dias, entre um feriado escolar e o fim-de-semana, é a prova cabal disso. Eu tinha mais direito do que ela nessa folga, até planejara uma viagem, mas ela não me disse nada e se adiantou. E ganhou. Pra mim, restaram dois dias de trabalho num campus quase vazio, pensando na punição não-merecida que ganhei de Débora. E me masturbando por isso. Por que ela fez isso comigo? Só pra afirmar seu poder? Já sou o autêntico escravinho dela, mas ainda não chegamos ao ápice. Pra mim, pelo menos. Débora, ainda que desempenhe muito bem esse papel, provavelmente não pensa como eu. O significado de "escravo", pra ela, certamente é outro: uma brincadeirinha inocente, ainda que ela saiba que passa dos limites algumas vezes. Significa que há uma barreira entre a relação de servidão "faz-de-conta" que estamos vivendo e aquela que almejo. Da agressão verbal, Débora poderia passar à agressão física? Poderia, num momento de fúria, me esbofetear? Chutar minha canela? Cuspir na minha cara? Não sei. Pra algumas mulheres, de certa personalidade e em determinadas situações, é mesmo possível; para outras, porém, a barreira social é intransponível. Simplesmente não conseguem. Débora pertence ao primeiro time, sem dúvida. Definitivamente, ela não é travada nem conservadora. Desde que comecei a trabalhar aqui, sonho com o dia em que Débora me castigará com um tapa no rosto, em decorrência de algum erro no trabalho. E levará o dedinho aos lábios, fazendo biquinho, sinalizando pra eu ficar de bico calado quando a diretora chegar. A partir daí, seria um tabefe a cada erro, certamente. Começaria a apanhar pra valer de Débora. Sempre em segredo. E bico calado! Teria de ir ao banheiro muitas vezes ao dia, pra descarregar tanta excitação... E se ela optasse por algo menos violento, tipo... cuspir na minha cara? Outro sonho meu: ela pega uns papéis que recém preenchi, acha um erro, olha bem pra minha cara, faz um sinal com o dedinho, me chamando, e 'tchuuu!' no meu rosto. Depois nos documentos, para inutilizá-los, e volta ao seu trabalho. Acho o cuspe uma humilhação linda! Tem uma simbologia toda especial, é forte. Seria a materialização das ofensas de Débora, lançadas ao meu rosto quando ela sentisse que suas palavras não surtiam efeito. Seria a certeza dela de que, de uma forma ou de outra, eu recebera a mensagem; as palavras estariam espalhadas no meu rosto. Uma cusparada vale mais do que mil palavras. Adoraria vê-la apreciando sua saliva escorrendo pela minha cara e dizendo, com o olhar, que não se arrepende, que foi merecido. Eu então abaixaria a cabeça, me sentindo inferior, sujo. Débora diria: "E limpa esse rosto logo que a Ivone tá vindo! E já sabe: bico calado!" O semestre passou rápido. Apesar da rotina excitante no gabinete, porém, concluí que a coisa não iria progredir ao ponto das minhas fantasias, e decidi sair. Comuniquei a Débora, antes de o fazer à diretora. - Mas como assim, vai sair? O que deu em você? - perguntou ela, estupefata. - Vou sair, ora. Apesar de gostar do trabalho, não é a minha área e não tenho como progredir aqui. - Mas logo agora que vai aumentar o trabalho, por causa das matrículas e formaturas? Não tenho como dar conta sozinha! Ela quer que eu acredite que a causa é essa... - Vou indicar algum colega, assim como o Gabriel me indicou. Será que devo perguntar se esse colega é adepto do bdsm? He! he! he! - Olha, Olavo, se é por causa das desfeitas e ofensas que te fiz, quero que saibas que eram da boca pra fora, eram brincadeira, viu? Se tu ficar, prometo maneirar. O valor da bolsa também aumenta depois do primeiro semestre, sabia? Ela realmente sentirá minha falta... Eu sempre soube que todo aquele ar de indiferença era fachada. Decido escancarar. Não vai fazer diferença, mesmo. - E eu quero que tu saibas que eu sempre adorei ser maltratado por ti; ficava cheio de tesão a cada ordem que tu me dava, saboreava cada xingamento; ficava o expediente inteiro de pau duro; sempre fazia o possível pra aumentar a tua confiança pra me judiar ainda mais; aquele dia que tu me pediu pra limpar as tuas botas, me masturbei no banheiro cheirando elas, foi um gozo espetacular; por mim, eu limparia teus sapatos todos os dias, tiraria tuas meias, passaria no rosto e depois chuparia teus dedos dos pés, com a mesma naturalidade com que te trago o cafezinho; muitas vezes, depois que tu saía, eu ia e lambia a cadeira na qual tu senta, o chão debaixo da tua mesa; já tirei do lixo o chiclete que tu tinha cuspido; naquele feriadão que tu me surrupiou, me masturbei como nunca, só pensando no castigo que tu me infligiu gratuitamente; pra finalizar, estou saindo porque não vejo a possibilidade de tu começar a me bater, me castigar fisicamente; daí sim, eu ficaria realizado. Mas seria demais pra você. Nossa, não sei como consegui despejar tudo isso. Débora me olha com espanto, os olhos arregalados, sem saber o que pensar, sequer o que dizer. - Bueno, estou indo! Foi excitante enquanto durou. Hasta la vista! - Espera, Olavo! Ela se recupera rápido. - Sim? - Tu não me conhece! - ela diz. - O tanto que eu conheci, adorei, mas sei que não há como passar disso. - Quem te disse? - pergunta, com olhar malicioso. Fico sem saber o que dizer, perplexo. - Não faça juízo precipitado, meu escravinho... Gostei de ouvir isso. - O que você quer dizer? - Que eu estava pensando mesmo em te castigar de outras formas, pois os xingamentos não estão adiantando muito. Tu continuas desatento. - Mas agora que já falei tudo, perderia a graça. Era bom quando tu não sabia o que se passava e agia naturalmente. - Não faça juízo precipitado, meu escravinho... Ela está me desarmando. É impossível resistir ao seu encanto. - Que papel é esse na tua mão? - Débora pergunta. - Meu documento de desligamento, pra Ivone assinar. Ela me toma o papel e o rasga em pedacinhos. Em segundos. Joga-os no chão. - O que é mesmo? Inútil resistir. Sou um fantoche em suas mãos. Nada mais. - Escute aqui: você NÃO vai se demitir, ok? NÃO VAI, porque eu não quero e não autorizo! Alguma dúvida? - Não. - Junta esses papeizinhos e joga no lixo! - Só uma coisa: você estava falando sério quando disse que eu tava me precipitando? - Estou! - Você vai pôr em prática aquilo que eu fantasio? - Vou! - E se eu me recusar a obedecer alguma ordem? Recebo violento tapa no rosto. Inesperado. Demoro a me recompor. Zonzo, agacho-me e junto os papéis. - Isso foi só uma amostra. Estamos acertados? - ela pergunta. - Estamos. - Saiba que tua rotina daqui pra frente vai ser dura! Descobri que contigo a rédea tem de ser curta! E a lei do silêncio ainda vale, espero que não te esqueças! Mal me contenho de felicidade. Vida nova me espera. - E pra inaugurar essa nova fase, nada melhor que uma celebração, não acha? - Claro! Discordar dela não faz mais parte do meu ser. - Estás de saída, né? Hoje tu vais ganhar uma carona! Só peço que me espere lá no portão. Visto meu casaco, pego minhas coisas e vou. Não entendo por que ela pediu pra eu esperar lá. Há uma grande poça de água barrenta no portão de saída do pátio, decorrência da chuva dos últimos dias. Pra não sujar os sapatos, fico numa estreita faixa de terra, ao lado. Débora entra no seu Astra, liga-o e vem em minha direção. Primeira vez em cinco meses que ela me oferece carona... Ledo engano. A cerca de dez metros, ela engata, acelera e passa com grande velocidade pela poça, ensopando-me da cabeça aos pés com aquela água imunda. Ainda consigo ver seu sorriso de satisfação no retrovisor. Chego a cravar as unhas na palma da mão, de tanta raiva. Alguns segundos depois, meu celular toca: - Gostou, meu fofuxo? Esse era o trote! Ha! ha! ha! Ai... que delícia... Sabe que, assim como tu, eu também tinha essa fantasia, de te dar esse banho gostoso? Como estás te sentindo? Não respondo. - Pra mim foi uma delícia! Acho que é a primeira vez que dou um banho assim em alguém, hi! hi! hi! Dá uma sensação de poder, é gostoso. Não fica chateado não, tá? Se estivesse frio, eu não ia fazer essa maldade. Mas tinha que ter um trote pra inaugurar nossa nova fase, né, senão não teria graça! Agora tu és oficialmente meu escravinho! Tá feliz? - Estou. - Ótimo! Depois te ligo de novo, pra saber da vergonha que tu passou até chegar em casa, hi! hi! hi! Sou curiosa, tu sabe! Ah... amanhã tu chega uns minutos mais cedo pra limpar uns farelos de biscoito embaixo da minha mesa, ok? Se a Ivone vê, me dá uma bronca... E te prepara, porque minha cabecinha loira tá cheia de idéias pra apimentar nosso dia-a-dia daqui pra frente! Beijinho, fofo! - Beijo. 'Las aparencias nunca son lo que parecen', lembro da letra de salsa. Afora a vergonha durante o trajeto de volta, estou radiante pela nova fase que se inicia hoje. Renovação. FIM (em dúvida se continuo)