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A Vênus Sombria
Blue Lotus aspira profundamente o doce aroma das orquídeas púrpuras que descansam ao lado de seu trono, percebendo que seus escravos haviam se preocupado em manter a combinação com seu trono de veludo. O trono de ouro cravejado de ametistas emite um brilho feérico sob as luzes estrategicamente posicionadas para lançar luz indireta sobre sua tez muito alva. Sua longa capa, negra como a noite carregada de estrelas, ressalta os longos cabelos negros que caem sobre o busto abundante, coberto por um corselet também púrpura. As longas pernas muito brancas e bem torneadas estão vestidas por botas reluzentes que seguem até os joelhos e causam assim um grande contraste. Sua visão é surpreendente, grandiosa e majéstica. Sorri satisfeita com isto. Tudo está muito apropriado.
A música clássica suave tocada por mãos invisíveis ressoa pelo salão de pedras, enquanto alguns casais rodopiam suavemente naquele ritmo doce. Outros estão sentados ao longe, em mesas dispostas nos cantos, conversando em voz baixa ou em sussurros ao pé do ouvido.
Notou também as usuais figuras sentadas aos pés daquelas pessoas, em banquetas baixas, ou simplesmente expondo as nádegas ao chão de pedras frias, em guarda, aguardando qualquer ordem ou desejo expresso pelos seus donos.
Com um suspiro, ela finalmente se ergue. As mãos musicais param e tudo fica subitamente silencioso no grande salão. Abre então a boca para deixar uma voz firme e determinada sair, imperiosa:
- Através dos tempos vocês acompanharam fielmente esta linhagem ancestral. O sangue que corre em minhas veias é o sangue daqueles que desde o princípio dos tempos são conhecidos e perseguidos por pertencerem à linhagem da terrorista cósmica, a Igreja Oculta, o poder do Espírito Santo, da Mãe que carrega o chicote, Lilith. faz uma pausa para abrir uma caixa que estava ao seu lado, e retira um longo chicote, brandindo-o ao ar por três vezes, em estalos que arrepiam toda a audiência. E agora, como tem ocorrido ao longo dos tempos, um dos pródigos filhos retorna aos seus pela compreensão do real Poder.
Neste momento uma figura de manto e capuz entra no salão, acompanhada por dois homens muito altos e fortes, completamente desnudos, exceto pelas coleiras negras que ostentavam altivamente em seus largos pescoços. A figura é lançada ao chão violentamente, e logo é possível visualizar a figura de um homem, de mãos amarradas às costas e vendado. Aquela poderosa rainha dá um passo à frente, e pelos sons de suas botas o rapaz encontra seu calor, beijando-as ruidosamente sob o capuz. Os homens rapidamente retiram o manto, deixando-o ainda impossibilitado de ver qualquer coisa ao seu redor.
A música recomeça, porém em outro tom, com apenas um violino. Blue Lotus começa a entoar baixinho uma música, que soa como um mantra, enquanto os dois ajudantes removem sua capa, e desamarram seu corselet. O Mestre das Cordas se aproxima, reparando que os olhos de Blue Lotus se embaçam e giram em sua órbita. Seu cântico começa a ressoar pelo salão, alto e ritmado, sempre acompanhado pelo violino, em palavras antigas, irreconhecíveis, e o fumo do incenso muito doce começa a subir em grandes rolos, deixando o ambiente perto do insuportável. O Mestre então, começa a trabalhar com suas mãos habilidosas, enlaçando seu corpo com cordas sedosas. Blue Lotus agora emite sons afiados como navalhas, e toda a audiência sente o chamado de Lilith, naquele crescendo amedrontador, sinistro, levando a todos para o interior de sua Caverna Sagrada. Algumas damas entram em êxtase e começam a se despir, ajudadas pelos seus servos. Alguns senhores começam a dobrar-se em náuseas, sentido-se drenados pela força que lhes sugava a energia vital. Mas eles se doam alegremente, pois eles sabem - este é o preço.
Após algum tempo, as cordas já estão firmemente presas ao teto, e o canto maldito faz aquela pausa súbita. Um capuz é colocado sobre a cabeça, não mais de Blue Lotus, mas da Ancestral Lilith.
O Mestre das Cordas retira-se para trás do trono, onde segura firmemente as cordas que prendem a poderosa Mãe. Uma dama completamente nua exeto por suas jóias e sapatos cintilantes se posiciona altiva na frente do trono da Mãe e faz a declaração de intento da noite, erguendo o aspirante do chão e guiando-o para mais perto de Lilith:
- Este é o retorno à Caverna do Exílio, a eterna noite, da lembrança da carne que veio do pó, do sangue fervente da terra, da água dos céus e do sopro Divino o momento da Criação! Este é o ponto onde vislumbramos as rachaduras da abóbada celeste, onde o poder escapa no milagre da Vida, e onde nossa Mãe reside, velada e suprimida, como uma Vênus condenada à cegueira do mundo. Você, filho-daemon, preso às amarras do mundo, entenda que esta é a hora da tua libertação interior, a tomada da Palavra Divina que liberta o teu potencial criador! o comando da dama é compreendido pelos auxiliares, e as cordas que prendem os pulsos do rapaz são retiradas Você, filho-daemon, perdido nesta cegueira do mundo, desperte sua verdadeira visão! Honre tua Mãe velada e amaldiçoada! Pois saiba que é através da grande doação de Si Própria é que ela o tem, e nos tem a todos.
O capuz é então retirado, e o candidato agora vê a Mãe suspensa, com suas pernas muito separadas deixando sua reluzente vagina à mostra... a verdadeira face da Amante Ardente, Súcubo e Mãe. Ficou atordoado ao perceber que uma ereção muito intensa se pronunciava. Caiu de joelho ao solo, com suas mãos sobre a cabeça, brada:
- Receba-me de volta à tua Caverna, Mãe-Amante! Permita-me caminhar pelos Jardins de teu mundo e usufruir das alegrias que a experiência da Carne Mortal tem para oferecer. Permita-me ver sempre a explêndida beleza de teu Eterno Gozo Sagrado. Permita-me beber tua Ambrosia. Que teu chicote possa ecoar em meu Ser a cada tentação do Homem Ordinário.
O rapaz ergue sua cabeça e se afunda entre as pernas da Sacerdotisa, bebendo-a como alguém que se embriaga após passar pelo deserto, longamente, com uma saudade dolorida, até sentir o fluxo daquele rio escorrer generoso enquanto um grito que penetra a alma de todos, gélido e cortante, encontra uma nota final. Finalmente se levanta e sem demora penetra-a gritando, ele mesmo, aquele grito profundo, onde se ouve a som do Amor e da Dor.
Uma fila de homens já desnudos se compõe atrás do Aspirante...
KMF - 28/04/2008
Dedicado à uma grande amiga, que sem querer me mostrou que é uma verdadeira Filha da Mãe.