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A Fábrica (Fem Dom)
Do quiosque à beira-mar, enquanto sorvo os últimos goles açucarados da caipirinha, observo-a a se espreguiçar na areia. A luminosidade já não é a mesma de uma hora atrás, as sombras das pessoas projetam-se em longas faixas na areia, a brisa marítima torna-se mais perceptível, junto com aquele friozinho típico do entardecer nas praias do sul.
Os veranistas vão se recolhendo aos poucos, batendo cadeiras, fechando guarda-sóis, calçando chinelos. Velhas gordas trazem crianças enroladas em toalhas, esposas recolhem miudezas, maridos carrancudos cobrem suas panças e esperam com impaciência o 'recolher acampamento'. Observo-os complacentemente, com ar divertido, mas sem descuidar da bela ninfeta que repousa numa esteira, a poucos metros, indiferente a toda a agitação em volta e aproveitando os últimos raios de sol daquela tarde de verão.
Seu lindo e sensual bronzeado, casando perfeitamente com os cabelos castanhos lisos, presos displicentemente num rabo-de-cavalo, revela que a moça dedica-se com freqüência a esses banhos de sol. Sua bunda é perfeita, de uma tal harmonia de contornos, em conjunto com as coxas e as costas, que há bastante tempo eu não via. As coxas, assim como as panturrilhas, lisas e com uma bela musculatura,
mas sem deixar de serem femininas, sugerem que ela pratica esportes ou malha com freqüência. O pezinho com certeza não exige calçados de tamanho maior que o 36. Mesmo estando cobertos de areia, por ela estar cavocando com os dedinhos (está de bruços), não fogem à minha aguçada percepção. Nenhum pezinho foge. Enfim, um corpo perfeito, transbordando juventude e sensualidade, despertando a libido dos homens por onde passa, com certeza. Um metro e setenta de tesão em estado bruto.
Esse é o meu último dia de férias, férias essas em que tive fartura em todos os sentidos, como há anos não gozava. Sinceramente, em matéria de sexo não tenho do que reclamar, a pegada foi forte... e pra fechar com chave de ouro essa libertina temporada, não poderia ser brindado com melhor desafio do que este que no momento
enche meus olhos... e minha bermuda... Meu estado emocional, já "turbinado" pela caipirinha (já é a segunda), está na fase "solta o freio e vai na confiança, que nada mais importa". É o último dia mesmo, que diferença vai fazer um provável mico? Estou tomado daquela coragem que o cara tímido e embriagado, na balada, adquire quando está no banheiro.
Penso em levantar e me dirigir a ela, perguntar uma bobagem qualquer. Pronto para pôr o plano em prática, porém, noto que a menina está se erguendo. Levanta-se, começa a enrolar a esteira e calça os chinelinhos. Ela tem de vir aqui! Certamente vai querer hidratar esse corpinho tesudo, e aqui é o quiosque mais perto. Ela tem de vir, ela tem de vir... Se não vier, eu vou atrás... vou mesmo! Agora não tem volta, o alvo está definido...
Para a minha alegria, ela se dirige pra cá, com seu andar sensual. Vem comprar algo. Observo-a dirigir-se ao balcão e pedir uma água mineral. Ao sentar-se numa mesinha, decido que chegou a hora. Levanto-me e vou até ela.
- Uma bela tarde hoje, né? Finalmente sem vento, ainda que no último dia do veraneio. Mas gaúcho que passa férias aqui já tá acostumado, é sempre assim...
Ela sorri.
- É verdade, por isso aproveito ao máximo quando o tempo ajuda. Qual teu nome? Senta aí.
Nossa conversa flui legal. Fico impressionado com a simpatia da garota e pela facilidade com que as coisas estão se desenrolando. 'Essa tá no papo', penso. Ela tem um par de olhos verdes encantadores, enfeitados por longos cílios. Seus lábios são carnudos e seus dentes, perfeitos e brancos. Meu estado alcoólico permite-me fazer observações um tanto ousadas sobre sua beleza, mas ela leva tudo numa boa, sempre sorrindo. Parece que também está na minha. Chego mesmo a segurar o seu pezinho para elogiar a florzinha que decora a unha do dedão. Passo meus dedos pela solinha macia. Está tudo perfeito demais... Penso até em me beliscar para ver se não estou sonhando, ao ouvir o convite dela:
- Bem, está esfriando e eu acho melhor ir me recolhendo. Mas como é teu úúúltimo dia aqui, o que tu acha de ir comigo até minha casa e me acompanhar num café, depois que eu tomar um banho? Mas é só um café, hein!
Meus olhos respondem por mim. Pago as caipirinhas e saímos juntos. Comento que adorei a carinha que ela fez ao reforçar aquele "úúúltimo", que até nos trejeitos ela é linda. Ela apenas sorri. A única coisa que estranho é o longo caminho que precisamos percorrer até sua casa, e a necessidade de passarmos por áreas bastante desoladas. Nunca tinha vindo pra esses lados do município.
Chegamos, enfim. A casa, de alvenaria, não é feia. Tem uma arquitetura tradicional das moradas de veranistas da classe média, e o jardim é bem cuidado. Achei curioso o fato de todas as casas em volta estarem fechadas. Ela deve sentir solidão.
- Você mora sozinha aqui?
- Moro com minha avó, mas ela chega mais tarde.
Entramos. O interior da residência é bem arrumado e limpo. Ela pede pra eu esperar um pouco na sala e entra no seu quarto. Poucos minutos depois, me chama. Vitória! Minha emoção é tamanha que tenho a impressão que toda a casa ouve as batidas do meu coração. "Vai, Pedro, dá um trato naquela bundinha, faz ela gemer! Fecha com chave de ouro o teu veraneio, você merece!" - penso comigo.
Assim que entro, ela me agarra e me dá aqueeele beijo. Ela tem uma lingüinha e tanto... quente e vigorosa. Caímos na cama, agarrados, contorcendo-nos como animais. Abocanho um de seus peitos e chupo energicamente, rodeando a auréola com a ponta da língua. Começo a me despir, sem deixar de lamber aqueles peitinhos, aquele umbigo. De repente, ela faz um sinal pra eu parar, tentando ouvir alguma coisa. Ficamos estáticos por um momento. Não ouço nada.
- Acho que minha avó tá chegando! Vai pra baixo da cama, ela pode querer entrar aqui e não pode te ver!
- Mas...
- Agora! Não estraga tudo! Meu quarto não dá pra chavear. Anda!
Obedeço. Fico uns 20 segundos escondido, ainda sem ouvir o motivo da nossa interrupção, até que, de repente, o chão se abre debaixo de mim. Começo a rolar violentamente por uma rampa de madeira de grande inclinação, numa total escuridão, até que bato a cabeça em algo e perco os sentidos.
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Abro os olhos lentamente, e começo a distingüir as primeiras formas. O branco predomina em quase tudo o que vejo. Minha cabeça ainda dói muito. Estou numa cama de solteiro, de lençóis impecavelmente brancos, vestindo uma túnica não menos branca. Não vejo sinal das minhas roupas nem de nada que lembre algo de antes do meu desmaio. Não faço a menor idéia de quanto tempo se passou desde então, nem como fui parar aqui. Começo a percorrer com os olhos o recinto que me rodeia. Ergo meu tronco e sinto forte tontura, talvez pela pancada, talvez pelo tempo em que fiquei deitado. Fico uns instantes de olhos fechados. Ao abri-los, começo a explorar racionalmente o lugar onde me encontro. Estou numa cela. Grades brancas compõem três paredes do cubículo. A da esquerda é interrompida por uma minúscula peça ao fundo da cela, que deduzo ser o banheiro. Atrás de mim, uma parede sem janelas. À minha direita, ao lado da cama, um criado-mudo com um abajur em cima. O objeto mais insólito (pelo menos nessas circunstâncias) que identifico, quebrando o caráter minimalista do ambiente, encontra-se à minha frente, preso de alguma forma à aresta superior do cubículo, acima da porta gradeada: um grande aparelho de tv, sem botões, direcionado para mim. Outro objeto insólito é uma pequena tigela presa à grade da frente, a 1 metro do chão. Será destinada à minha alimentação? Assusto-me com minha própria dedução, tão precoce.
Já tinha reparado que não me encontro sozinho. Na minha cela sim, mas não demoro a perceber que tenho muitas outras celas como vizinhas, e cada uma abriga um homem. Estamos num grande pavilhão de paredes e teto brancos, com uma única porta, e vinte e nove celas iguais à minha dispõem-se formando um quadrado. Não há janelas em parte alguma, apenas umas grades de ventilação próximas ao teto do pavilhão. Começo a observar meus vizinhos. Alguns poucos olham pra mim, mas sem demonstrar curiosidade, hostilidade ou mesmo afabilidade. Indiferentes. Outros assistem suas tvs (ainda não descobri como ligar a minha), mas não consigo ver o que assistem. Alguns escrevem. Numas celas afastadas, noto alguns se masturbarem, sem qualquer inibição, e isso me traz um certo constrangimento. O aspecto desses homens não varia muito: são todos bem constituídos, de altura mediana pra alto, alguns de boa musculatura, outros de físico normal, mas nenhum raquítico; muito menos gordo. Pode-se dizer que todos são ou foram bonitos e bem-apresentáveis, e, não fosse pelo tom amarelado de suas peles (sem dúvida em decorrência da falta de sol) e da falta de vivacidade no olhar, certamente atrairiam olhares das garotas lá fora. Lá fora... pela primeira vez penso no mundo exterior, e isso me apavora.
Tento entender onde estou, o que está acontecendo, se é que isso é possível. É óbvio que já me belisquei, várias vezes. Que bom se realmente fosse um sonho. Tudo um sonho, a garota inclusive, eu não me importaria. Daria graças a Deus. Será que morri e estou no céu? No inferno? No purgatório? Isso aqui difere rigorosamente de toda a idéia que um pobre cristão recebe acerca do destino da sua alma. Não vi nenhum anjo, nenhuma nuvenzinha; tudo aqui é branco demais pra ser o inferno; não sei se esses homens estão pagando algum pecado. Ai! minha cabeça...
Começo a bombardear o meu colega da cela ao lado com dezenas de perguntas, mas ele apenas me olha, com calma, e me tranqüiliza:
- Fique calmo. Logo nossa ama vai lhe dar todas as explicações, e ela faz isso melhor do que ninguém. Meu nome aqui é Alf, foi nossa ama quem escolheu. E o seu?
- Nossa ama? Que papo é esse?
- Você a conheceu.
- Bárbara?!? - pergunto, aterrorizado. Bárbara é o nome da garota da praia.
O homem não responde, mas o seu olhar revela que eu acertei a resposta.
- Ela prefere que a chamemos de ama.
- Meu, explica o que significa isso, pelo amor de...
Sou interrompido pela voz da garota em questão, que agora aparece na minha tv, que se ligou sozinha. Olho para a tela, atônito. Ela está sentada na sua cama, a mesma em que nos agarrávamos há pouco tempo atrás. Está de banho tomado e lixa as unhas das mãos.
- Olá, Pedrinho! A cabeça ainda dói? - ela pergunta.
- Um pouco. Posso saber o que significa isso? Onde estou, quem são essas...
- Calma, meu menino! Que afobação! Lá na praia tu estavas tão tranqüilo...
- Como vim parar aqui? Por que estou preso? E minhas roupas? O que você quer de mim? On...
- Afff... tá bom, vou ser afobada também. Você estava debaixo da minha cama, lembra? Pois bem, pode-se dizer que ainda está! ehehe! Só que 25 metros mais abaixo. Você está aí porque duas condições foram satisfeitas. Primeira: aqui em cima você deu mostras de ser um homem galinha, que não vê nas mulheres mais do que um objeto sexual. Segunda: uma cela aí do pavilhão estava livre, essa em que você está. Sua missão daqui para a frente: produzir o máximo de esperma possível e depositá-lo nessa tigela à sua frente. Ela é recolhida três vezes ao dia, assim como as dos teus colegas, e toda a porrinha dos meus fofuxos é utilizada para produzir creminho hidratante e rejuvenescedor, pra uso próprio da vossa ama querida e pra ela vender pras suas coleguinhas de classe, e assim poder sustentar vocês e a si própria. Satisfeito?/p>
Não consigo articular uma só palavra. Meus olhos não exprimem nada além de terror.
- Agora que estás mais calminho, vamos por partes. Todos os teus colegas aí já passaram por isso que estás passando. Por experiência própria, sugiro que você pare de pensar na vida lá fora ou de como sair daí, pois não há como. Nunca nenhum fugiu. Não afirmo que você ou os seus colegas nunca vão sair, apenas que jamais, até hoje, algum de vocês me deu a certeza e a segurança suficientes para que eu permitisse sua volta à sociedade sem o temor de ser denunciada. E esse meu corpinho bronzeado, hidratado e sensual, como você mesmo elogiou lá na praia, não ficaria bem no meio de um monte de barangas fedorentas, numa cela de presídio feminino, você não acha?
Continuo incapaz de dizer qualquer coisa. Recuso-me a acreditar no que ouço ou vejo. Olho de relance meus colegas e percebo que todos deixaram suas atividades de lado e agora assistem hipnotizados suas tvs. Nem em final de campeonato brasileiro eu presenciei isso. Obviamente, todas transmitem a mesma coisa, ou seja, a minha "recepção". Só o que se ouve no pavilhão é a voz dela, soberana.
- Por que eu? É o que você está se perguntando, não? Bem, durante boa parte da minha vida eu fui vítima de homens que agiam como vocês e me faziam sofrer. Não só eu, mas também minhas colegas, minha mãe, minhas tias, enfim, todas as mulheres que já conheci. Decidi que algo precisava ser feito, nem que fosse eu que o fizesse. A minha opinião é a de que homens que não sabem valorizar de forma adequada uma mulher não podem andar soltos por aí, causando-nos sofrimento. Que sejam recolhidos para um trabalho de reeducação e, enquanto isso, sejam úteis de alguma forma, pensei. E daí surgiu o projeto do que hoje é a nova casinha de vocês! Hehehe! Aqui, não tendo outras distrações a não ser euzinha mesma, que vocês podem observar todo o tempo pelos seus monitores, vocês vão conhecendo aos poucos a alma feminina e como lidar com ela. Enquanto isso, vocês produzem o sêmem que eu uso pra fabricar o sagrado creminho, responsável pelo sustento e conforto da vossa querida ama e dos seus fofuxos. Digam: o meu raciocínio não está certo?
Ouve-se um retumbante e uníssono "siiim!" em toda a galeria. Todos vibram feito crianças.
- Quietinhos! Não dispersem a atenção do Pedrinho! Ai ai ai! Bem, vamos às questões práticas. - ela continua - Por esse monitor, que todos vocês têm, você me observa full-time, enquanto eu estou no quarto ou no banheiro. Aqui há câmeras em toda parte, sempre me focalizando, e eu não tenho a menor inibição de me exibir pra vocês, em qualquer situação. Tudo o que sirva pra despertar a libido de vocês e ajudar a produzir bastante esperma, é válido. Você pode me ver tomando banho, fazendo as necessidades, estudando, dormindo e amando. Quanto a este último, meus fofuxos gostam de apostar se eu vou mandar o cara com o qual estou pra debaixo da cama ou não. Isso quando tem cela vazia aí! Eheheh! Às vezes eu mando mesmo! Sou meio nervosinha, sabe. Teve uma vez em que a transa fôra deliciosa, eu tava curtindo o cara e tudo, maior garanhão, mas daí ele embesta de fazer um comentário machista ao final. Não pensei duas vezes: disse que minha vó tava chegando! Hahaha! Depois me arrependi, mas... uma vez aí embaixo, já era. Mas não foi de todo mal, ele gozava feito um touro. Vendi muito creminho graças a ele....
Reparo que alguns já se levantaram e se masturbam, em frente às suas tigelas.
- Continuando. Vocês podem falar comigo em determinados momentos, pelo microfone atrás da cama. - Nem o tinha visto ainda. - Não me importo em fazer determinada pose para excitá-los, mostrar essa ou aquela parte do meu corpo ou aumentar o zoom de alguma câmera. Olha a casinha do Pikachu, a três celas da tua. Ele decorou sua parede com fotos dos meus pés. Sempre que faz por merecer, ganha uma nova. Não me importo de fotografar meus pezinhos e imprimir pra ele. Se é pra vocês gozarem gostoso, faço com prazer. Até fazer chegar a alguém que esteja com dificuldade de ereção, uma calcinha ou meia usada minhas, se se mostrar merecedor, não ponho obstáculos. Até meu cuspe um já pediu, e ganhou. Degustou-o e gozou abundantemente. Gosto dos fetichistas, sabe? Dê o brinquedinho que eles querem e tenha uma semana de gozo farto. Sei que você é podólatra, até elogiou meu pezinho, hehe! E tocou nele, atrevido! Amanhã, como prêmio de boas-vindas, você vai ganhar a meinha que eu uso no vôlei, bem chulerentinha. Quero só ver quanta porrinha ela rende.
Ouço grunhidos de satisfação em volta. Alguns já conseguiram abastecer suas tigelinhas. Ainda me sinto constrangido a cada vez que os vejo.
- Uma regra importante: aqui é rigorosamente proibido o desperdício de sêmem! E mais: o sêmem deve sair direto de seus membros para a tigelinha, e não de suas bocas, camisinhas e muito menos dos seus rabos! Alguns de vocês, e cada vez mais, infelizmente, produzem mais ao comer a bunda do seu companheiro de cela, ou dando a sua própria, ou mesmo chupando o pau uns dos outros. Apesar de não aprovar, decidi não proibir, pois, por incrível que pareça, a produção é alta nessas situações. Aliás, é impressionante a tendência de vocês para a homossexualidade nesses casos! E justamente os que eram mais machões aqui em cima! Em um mês já estão de bundinha colada na grade! Aff! Isso renderia um TCC de psicologia... Mas tudo bem. Apesar de ficar triste por achar que não os excito o bastante, eu permito que se ajudem na produção do sagrado líquido. Só um detalhe: o creminho que produzo para consumo próprio é aquele cujo componente principal foi gerado pela excitação causada pela MINHA pessoa. E não admito que falte! Os outros creminhos eu vendo pras minhas colegas da escola. Estou há anos passando a porrinha de vocês no rosto delas, e as tontas nunca desconfiaram! HA HA HA!
A galeria enche-se novamente de um zunzunzum. Uns discutem, outros riem. Alguns companheiros, excitados pelo monólogo, já produziram suas cotas e descançam na cama, extasiados. Ao fundo, vejo dois homens engatados.
- Retomando: quando forem gozar, libertem deus membros de onde eles estiverem, tirem a camisinha e ejaculem na tigela. NA TIGELA, entenderam? Casos de desperdício por desleixo são punidos com pequenas privações. Em casos de reincidência, por desperdício ou qualquer outra razão, o responsável é dopado, retirado da cela, amarrado a um pelourinho, que fica em outro aposento, e então eu sou chamada. Pego a minha chibata, desço aí e castigo o infrator até julgar que ele já pagou pela ofensa a mim feita. Lembro-vos que, quando ofendida, não sou nem um pouco boazinha ou piedosa, viu? Não me testem! Um detalhe: bater em vocês é trabalhoso pra mim, e eu não bato para excitá-los. Quem curte apanhar, vai ter de apanhar do companheiro, ou procure se excitar de outra forma. Do contrário, terei de dispensar o indivíduo em questão. Tive de fazer isso uma vez e não gostei.
- Dispensar? - disparo, instintivamente. Meus olhos ganham novo brilho.
- OK, ainda não falei sobre isso. Casos houve em que tive de me desfazer de alguns dos meus fofuxos, seja por doença, loucura, suicídio ou por inadaptação comprovada. Nenhum, até agora, por ter merecido a liberdade, como já falei. Por favor, não dê motivos para ser dispensado. São ocasiões em que fico muito triste... espero que você entenda... não curto fazer isso... acontece que não posso simplesmente soltá-los lá fora... não há outra forma... não ainda.
O silêncio domina o pavilhão. Não necessito de grande esforço de raciocínio pra descobrir a nova conotação que ela deu ao verbo 'dispensar'.
- Me lembrei do Pooh. Desenvolveu anemia, coitado. Como ele me amava... Era poeta, e não se cansava de me dedicar poemas e canções, todas me idolatrando. Pensei mesmo em presenteá-lo com a liberdade, mas ele já estava doente... Além disso, dizia sempre que se recusaria a sair, pois ainda não me conhecia o suficiente e, a cada descoberta a meu respeito, ficava ainda mais maravilhado. Foi o único que teve a minha presença em sua casinha. Estava nos seus últimos momentos. Seu último pedido foi chupar os dedos do meu pé, um sonho que ele cultivava há anos. Deixei. Ele parecia uma criança ao ganhar um pirulito. Seus olhos brilhavam. Me senti honrada com aquilo, sabe, proporcionar o último prazer ao Pooh. Depois, ele leu pra mim seu mais recente poema, todo ele me dignificando, e por fim desculpou-se por qualquer falta cometida e me agradeceu por tudo. Fiquei surpresa, incrédula, mas emocionada.
Uma lágrima corre em seu rosto. Ela silencia por alguns instantes, mas logo recupera a animação.
- Mas eu sempre digo: não fiquem pensando em coisas negativas, se lastimando. Nós somos uma grande e feliz família! Vocês vão perceber que não há motivo pra me odiar. Todos vocês têm seu cantinho garantido no meu coração; por vocês eu luto com unhas e dentes, e não deixo que lhes falte nada, muito menos carinho. Aqui vocês nunca vão passar fome, nem frio. Estão protegidos do mundo lá fora, e estão tendo a oportunidade que nenhum homem lá fora jamais terá: conhecer a alma feminina a fundo, e descobrir todo o seu encanto! É um tremendo salto evolutivo para os seus espíritos, vocês conseguirão abreviar várias encarnações! E o que peço em troca? Apenas suas obediências e muita, muita porra! Quero que meus garanhões esporrem com vontade, encham suas tigelas, e depois outras e outras mais! Ejaculem como potros selvagens enlouquecidos, transformem essa galeria na maior fábrica de gozo da face da terra, dediquem à sua ama uma piscina de esperma quentinho todo mês! Quero que cada rebolar do meu bumbum dispare jatos simultâneos de porra, aqui e acolá! Nada melhor que isso... Enriqueçam-me! É a melhor demonstração de gratidão que podem me proporcionar. Gozem!
Seus olhos faíscam, sua expressão é insana. É outra Bárbara, diabólica, louca... uma caçadora impiedosa... e tendo ao seu inteiro dispor trinta almas inocentes, lá embaixo, há 25 metros de profundidade. Por quê? Será que essa pergunta já perdeu o significado pros meus colegas, assim como está perdendo pra mim? Será que alguma pergunta ainda é relevante pra eles?
Aqui embaixo a algazarra é imensa. Todos gritam, riem, fazem barulho. Enlouquecidos. Jatos de esperma disparam aqui e ali, enchendo tigelas, enchendo os olhos da nossa ama... aumentando sua cobiça. Não tenho mais o que perguntar. Surpreendo-me por perceber que já nutro expectativas sobre minha vida aqui. Sinto uma grande vontade de descobrir. Não sei bem o que, mas descobrir. Há muito o que se descobrir aqui.
Minha tigela ainda está vazia. Melhor ir ao trabalho.
FIM