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A Degradação de Verônica - Parte II
Adilson pouco se importou com o corpo marcado da amante, apesar de não ter sido possível a ela desempenhar, de imediato, as atividades que davam a ele o sustento. A recuperação de Verônica foi lenta e, quando os ferimentos se fecharam, era possível notar os indeléveis sinais deixados pela cruel dominadora. Aquelas cicatrizes faziam parte das doces lembranças com as quais a escrava estava sempre envolvida: a imagem de D.Sarah e de tudo o que ela lhe proporcionara não mais saíam de seu pensamento. A recordação dos dez dias passados na casa de sua dona eram uma fonte constante de prazer e estava, permanentemente, a lhe acicatar a devassa libido, obrigando-a a recuperar com suas próprias carícias algo da extremada satisfação que vivera com a sua amada tirana. O fato de saber que Adilson já se comprometera com o Coronel Duarte a entregá-la ao casal era o único consolo para a grande ausência que sentia da divina senhora. Divina, pois que realizava plenamente os principais atributos de qualquer divindade: o poder e a maldade. Mesmo após recomeçar a satisfazer os fregueses indicados por seu rufião, a ser levada às depravadas práticas impostas por aqueles viciados senhores, que por várias vezes a faziam experimentar grandes dores, nada mais era como antes. As imagens do que passara com a sua rainha mostravam a ínfima intensidade dos gozos obtidos com os costumeiros clientes. E nem mesmo Adilson era capaz de compensar as suas carências eróticas, mesmo quando a espancava nas suas noites de furor. Apenas Walter, em certas noites, ainda no recôndito do banheiro da lanchonete, propiciava-lhe um pleno gozo. O negro, já há tempos, deixara-se tomar pela força lasciva da maldade e só atingia níveis elevados de prazer quando despejava toda a sua degenerada ira sobre o corpo da loura Verônica. Só com ele é que se sentia traindo a amada.
Os meses arrastavam-se com lentidão e a ausência de D.Sarah era cada vez mais lamentada por Verônica. Ela nada dizia ao amante do que sentia no seu interior. Por duas vezes ousou telefonar ao Dr.Aurélio para conseguir informações sobre o regresso da rainha, mas ele nada sabia. Os amantes eventuais a que se entregava quase que lhe davam tédio. Faltava sempre a autenticidade que sobrava em sua amada. Por vezes imaginara procurar D.Sandra para alcançar a satisfação desejada, mas sabia que isso seria uma falta imperdoável para com a sua senhora, algo totalmente impróprio a uma escrava. Não havia noite em que deixasse de verter apaixonadas lágrimas pela distante tirana. Só quem sabia de seu tenebroso sofrimento era o Dr. Silveira, um advogado, que lhe fora apresentado por um de seus primeiros fregueses. Ele era uma pessoa sóbria, delicada, de fina educação e de agradável aparência. Uma ou duas vezes por semana recebia as visitas da bela meretriz e proporcionava-lhe uma tarde com prazeres inteiramente diferentes. Com ele, ela podia conversar, ouvir boa música e fazer confidências. Verônica amava as horas passadas em sua companhia e amava sobretudo a inteligente compreensão do distinto senhor. Ficavam, costumeiramente, na sala do apartamento, sentados num grande e confortável sofá, onde ela se acomodava e logo entregava os seus belos pés ao gentil cavalheiro para receberem todas as carícias possíveis de serem ofertadas. O mesmo culto que Verônica prestava aos imperiosos pés da rainha, o Dr.Silveira prestava aos seus, colocando um imenso amor no que fazia. A diferença estava no fato de que o culto prestado pela escrava era o preâmbulo de um processo de licenciosidade e o culto prestado pelo sensível senhor era uma sessão de ternura e de suave excitação, que não visava a outra coisa que não fosse o mágico contato dos pés, redundando num orgasmo que poderia ser sempre prolongado. O clímax era algo consentido e não procurado. O Dr.Silveira amava realmente Verônica através de seus perfeitos pés e, por eles, tudo fez para casar-se com a jovem prostituta. Porém, ela não se sentiu atraída pela vida com a qual o advogado lhe acenava, apesar de saber de seu amor. Era comum os dois irem a cinemas ou teatros, ou simplesmente visitarem os shoppings, quando Verônica era presenteada com roupas e calçados. O importante era que ela, nestas ocasiões, se apresentasse de um modo provocante, exibindo as suas belas formas em vestidos leves e transparentes, com ousados decotes, e que também permitissem a visão de suas deliciosas coxas. E ela satisfazia os desejos do cavalheiresco admirador, aparecendo sempre com os brancos pés extremamente cuidados, em caras sandálias de saltos altos, que ele mesmo escolhera, e que ostentavam todo o fascínio daqueles objetos de adoração. Não podendo tê-la como esposa, o Dr.Silveira, nestas saídas, procurava simular que eram casados, chegando mesmo ao detalhe de ambos usarem alianças. Não raro, ele voltava para casa num estado de alta excitação por ter notado que a sua companhia era objeto de insistentes olhares masculinos, olhares que não se retiravam, apesar da presença ostensiva do homem visto como marido. Era isso que tanto almejava: casar-se com aquela jovem, oferecer-lhe tudo que quisesse, exibi-la para os outros e comportar-se como o marido tolerante. Nos seus sonhos, via-se casado com Verônica e proibido, por algum dos amantes da libertina esposa, de manter outras relações com ela que não fossem as carícias nos encantadores pés e as de sua boca na condescendente vagina. Ela poderia continuar a se entregar ao cafetão vagabundo ou ao violento negro que a espancava impiedosamente. Poderia submeter-se à cruel D.Sarah. Casado, ele tudo aceitaria. Portanto, não podia entender a recusa da amada prostituta. Cada negativa ao que tanto sonhava enchia-lhe de mais desejos por aquela permissiva meretriz que, aceitando as maiores sevícias, rejeitava, no entanto, uma vida em que encontraria toda a dedicação e compreensão de um amante submisso. Casando-se, ele queria a certeza de sempre desfrutar daqueles sublimes momentos em que, após ter oferecido uma longa sucessão de carícias por todo aquele divino corpo, buscava o venturoso orgasmo com o sexo colado às sensuais solas dos lascivos pés de Verônica. Queria poder afagá-la quando regressasse com as marcas dos castigos que permitira ao negro amante impor. Queria cuidar das chagas provocadas pelas ferozes garras de D. Sarah e pelo açoite do Coronel Duarte. Beijaria os lanhos trazidos em seu jovem corpo. Confortaria com sua boca a violentada vagina e o maculado ânus. Mas precisava de sua presença, precisava saber que era o esposo da impudente fêmea. Aceitaria até mesmo a presença sórdida do rufião em seu apartamento desde que, saciados os perversos desejos da meretriz esposa, pudesse, depois, tê-la junto ao seu peito para, entre afagos, fazê-la adormecer. Mas ela se recusava aos seus desejos e ao seu pranto. Até que, após uma tarde de tantas súplicas, o apaixonado senhor não mais solicitou os favores da despudorada rameira. Só bem mais tarde ela iria conhecer um outro Dr. Silveira.
Certa vez em que Verônica se dirigia à casa de um velho senhor para fazer o seu trabalho, foi chamada pela buzina insistente de um automóvel: era o Dr.Aurélio. Ele simplesmente lhe perguntou se já sabia da chegada de D.Sarah e, sem lhe dar tempo para obter mais informações, apenas afirmou que a amiga já chegara há mais de dois meses. Seu coração disparou ao saber que, finalmente, sua dona chegara. Mas, logo, esta euforia foi substituída por uma terrível dúvida: a de ter a rainha se desinteressado da escrava. Na verdade, Verônica não sabia se a sua compra havia se consumado, pois Adilson não lhe dava satisfações acerca do dinheiro ganho através dela e qualquer pedido de esclarecimento sobre o negócio com o Coronel iria aborrecê-lo. Assim, só restava mesmo a expectativa, expectativa que já durava mais de um ano. Se pudesse, fugiria em direção ao cativeiro, prostrar-se-ia diante da soberana e imploraria que ela lhe aceitasse de volta. Não mais queria ser violentada pelos costumeiros fregueses. Queria guardar o seu corpo sem outras marcas, para que D. Sarah visse sobre os futuros estigmas a glória de seu poder. Que ansiedade de retornar para aquela casa isolada, sem vizinhos, sem os rumores do cotidiano da grande cidade. Lá, ela estava isolada de tudo. Nada perturbava à sua total disponibilidade. Aquele isolamento, com aquelas pessoas, instituía um universo inteiramente diferente. Lá ela podia ser a autêntica escrava, sem que isso provocasse qualquer espanto. Aquele lugar e aquelas pessoas estabeleciam uma outra realidade, onde os pequenos problemas do dia-a-dia não se faziam notar e, daí, não perturbavam a continuidade do prazer. O tipo de vida da casa e do círculo de D.Sarah não era nem irreal e nem doentio, era algo que pertencia a um mundo diverso, era uma ruptura consciente com o cotidiano mundo da moral e do estabelecido. Era a realidade da violação. Verônica queria voltar para aquele mundo e não mais sair, pois imaginava que a sua situação não comportava qualquer escape, e isso a excitava. Assim, foi com imensa felicidade que ouviu o cafetão lhe dizer: ``O Coronel marcou um encontro comigo. Parece que vão te mandar apanhar na próxima semana. Mas antes vais ter um servicinho muito especial na casa de um admirador. O Dr. Silveira quer te ver´´. Dois dias depois, conforme havia sido combinado com Adilson, Verônica chegou ao apartamento do antigo pretendente.
Quem recebeu Verônica foi uma mulher alta, muito branca, com a pele repleta de sardas, cuja cabeleira farta e ruiva lhe davam uma certa imponência. Devia ter mais de trinta anos. Não era bela de rosto, mas seu corpo de acentuadas formas, destacadas pelo justo vestido, suas mãos muito cuidadas, com afiadas unhas pintadas com um esmalte que sugeria uma tonalidade dourada, e seus pés perfeitos, alongados, de um branco que se transformava em amarelo chá nas proximidades das solas, com as unhas compridas na mesma cor dourada, faziam-na a concretização da figura feminina desejada pelo Dr. Silveira. Foi com grande altivez que, logo após fechar a porta, disse para a recém chegada: ``Eu sou a D. Jussara, esposa do Dr. Silveira. Estás um pouco atrasada e eu não gosto disso. Há mais de dez minutos eu e meu marido esperamos por ti´´. As duas passaram para a sala onde, meses atrás, amiudadamente, Verônica se demorava horas com o polido senhor que, junto com as insistentes propostas de casamento, se entregava aos seus hábitos fetichistas. Desta vez, ele nem se levantou do sofá, deu um simples boa-tarde, com um sorriso misterioso e mandou a meretriz acomodar-se numa poltrona em frente. A esposa sentou-se ao lado do marido, tal como Verônica o fazia, e entregou-lhe um dos pés para as carícias que tinham sido interrompidas com a chegada da outra: ``Então, esta é a vagabunda tão falada. Tira a roupa, sua sem-vergonha. Uma puta da tua laia deve estar sempre nua à espera de que lhe façam algo. Não te ensinaram isso?´´ A moça se levantou, tirou o vestido que escolhera ao gosto do dono da casa e ficou só com os tamancos pretos presenteados por ele: ela imaginara que seria, mais uma vez, o objeto das especiais práticas libidinosas que tanto experimentou. Mas logo que o Dr. Silveira apoderou-se do outro magnífico pé que D.Jussara lhe estendera e, excitadíssimo, nele colou seus lábios, a nua prostituta compreendeu não só que fora substituída, como também que a substituta exercia um total domínio sobre ele. Verônica, possivelmente, fora chamada para assistir ao espetáculo da submissão do cavalheiro ao império daqueles soberbos pés.
O fascínio que os pés de D.Jussara exerciam sobre a viciosa libido do Dr.Silveira possibilitaram a sua mais completa sujeição à vontade da orgulhosa senhora. Com todo o seu refinamento, com toda a sua educação e fortuna, ele foi uma presa fácil para aquela dominadora profissional que, logo após conhecê-lo, soube utilizar, frente ao consumado fetichista, o enorme poder de seus excelsos pés. Vendo a violenta perturbação que eles causavam ao novo freguês e já estando a par das recusas de Verônica, D.Jussara impôs o casamento como a única possibilidade para que ela permitisse a continuidade do ritual de adoração que ele tanto precisava praticar. Além de tudo, antes mesmo do casamento, ela fez com que ele se desse conta de sua inegável vocação para a subserviência, coisa, aliás, tão de acordo com o seu peculiar vício fetichista. Ali, frente à sua antiga deusa, estava um homem absolutamente feliz, submisso a nova deusa, que o guiava com total mestria, a passos rápidos, pelos caminhos que levam à meta da aniquilação da vontade. D.Jussara , nos poucos meses de casada, não perdeu qualquer oportunidade para demonstrar aos outros a sua supremacia sobre o marido. Agora, ele já era evitado por parentes e por velhos conhecidos, inconformados não só com o desnível de tal casamento mas, sobretudo, por sua vil sujeição a tal mulher. A cada dia o esposo se mostrava mais devotamente submisso e a esposa mais arrogantemente dominadora. Há poucos dias, por ter se esquecido de encomendar a preferida marca de vinho de D.Jussara, foi rudemente esbofeteado por ela na frente de um amigo que viera jantar com o casal, e que contemplou toda a sua humilhação, encerrada por um degradante pedido de desculpas à agressora. O isolamento que a esposa provocava era intencional e visava a criar uma situação inteiramente favorável à conversão do Dr. Silveira num mero escravo que pudesse ser apresentado ao seu círculo de pervertidos. A presença de Verônica servia, de fato, para que a experiente rainha expusesse o seu domínio e, ao mesmo tempo, para que usufruísse de prazeres que lhe eram tão caros. Naquela tarde, pela primeira vez na frente do marido, iria abrir a mala que continha os instrumentos de que se servira como profissional na arte da dominação. Não seria apenas o prazer de castigar a moça que despertara uma forte paixão em seu marido. Ela queria mostrar o prazer que sentia em tiranizar, em provocar dores e, tinha a certeza, o próprio cônjuge iria breve pedir para que reabrisse a mala, tirasse de dentro todos os instrumentos e os deixasse sempre ao fácil alcance de suas belas e enérgicas mãos. Depois que ele assistisse ao castigo que iria impor na complacente meretriz, não demoraria muito a solicitar as marcas do açoite. Então, ela sabia, seria o começo do fim.
Quando, debaixo de uma saraivada de tapas, D. Jussara lançou a amedrontada Verônica ao chão, e passou a pisar-lhe o corpo com arrebatamento, magoando-o com a fina ponta do salto de suas sandálias, o Dr. Silveira, logo no primeiro momento, foi tomado por uma indisfarçável onda de excitação. A visão dos saltos ferindo os magníficos seios, que acariciara em tão deleitosos momentos de ternura, davam-lhe agora uma violenta comoção lasciva , surgindo o desejo de ver aquela atraente meretriz que tanto prazer lhe proporcionara sob o terrível chicote que vislumbrara na sórdida mala mantida aberta à sua frente. E quando o chicote recaiu, implacavelmente, sobre aquelas tenras carnes, cortando-as e fazendo o sangue aflorar, teve que se controlar para não levar a termo os suaves toques que suas mãos proporcionavam ao próprio falo. Contemplava o que só conhecia através dos relatos. Contemplava o prolongado gozo de Verônica sob o flagelo de sua divina esposa que, entre tremores e abjetos insultos, também denotava estar possuída por uma profunda e desordenada satisfação licenciosa. Foram instantes de uma indescritível experiência erótica ao ver a degenerada prostituta gemendo e, ao mesmo tempo, implorando para uma maior aplicação do azorrague, chegando a um furioso orgasmo, entre estertores que se confundiam com os ruídos das chibatadas. A esposa via a grande excitação que tudo aquilo causava ao marido. Ao dar por finda a punição de Verônica, no auge da excitação, tomada por uma incontrolável fúria , aplicou com todo o ímpeto, um irascível golpe na face do submisso homem que se masturbava sentado na poltrona. Ele nem chegou a esboçar qualquer reação, pois foi puxado para o chão e a molhada vagina da tirânica esposa logo repousou em seus lábios, em busca do glorioso aprazimento dos opressores. Era o começo da realização do Dr. Silveira.