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Os Libertinos (Ou O Pequeno Fausto)

Eram três os libertinos. Sentados a mesa da taverna em Coimbra, horas a fio após o banco da faculdade, horas cheias de vinho e cortesãs, horas de teorias fantásticas e pequenas maldades práticas, horas de carne e volúpia. Horas, todas elas, da noite toda. O dezembro estava especialmente frio aquele ano. Um bêbado dormia encostado no balcão. Dormia, ou já estava morto - quem se importava? Com certeza não era a puta possuída pelo ópio em excesso, que bradava em risos e voz esganiçada alguma aventura onírica nos bastidores de um teatro em Paris, ou Budapeste. Algo que envolvia três crioulos grandes e um judeu viado... Os três amigos, todas as sextas, iam àquela taverna se saciar de todo o pecado que o mundo pode oferecer – do ópio ao vinho, da carne ao escárnio, tudo era em excesso, e cada dia parecia nada. O corpo se acostuma ao pecado, e cada dia o deseja maior. Dos três, o mais quieto era Faustino, lisboeta magricela e descorado, filho de um contínuo do gabinete de estado, com a perfeita aparência tuberculosa dos poetas românticos. Não que o fosse, mas poderia muito bem passar por um deles. Sua aparência também refletia sua personalidade – ou seria sua origem humilde, em relação aos seus colegas filhos de burgueses abastados? Não fosse a bolsa com que fora agraciado por influência do bom patrão de seu pai, sequer poderia viver ali, quanto mais estudar naquela faculdade de medicina. Descorada era sua tez, tanto quanto suas palavras. Usual objeto de mofas de seus colegas, era tão encabulado em respondê-las que acabava atraindo uma paternal simpatia dos mesmos, que o levavam a toda aventura imoral que um jovem rico pode pagar. Assim havia sido naquela noite. Enquanto seus colegas entornavam garrafas e garrafas de uma boa uva do Porto, arbustos inteiros de ópio, e se enfastiavam cada um com 5 bocetas ou 4 cuzinhos da casa, ele se contentava normalmente com algumas taças e uma felação com gozo. O ópio recusava, dizia ser perigoso. Os colegas achavam mesmo era que ele era apaixonado pela aia da casa, uma menina franzina e sardentinha, que não devia ter vinte anos, mas que o trabalho duro fazia parecer beirar os trinta. Ela parecia invisível naquele antro, durante toda a noite limpando do chão e das mesas fluidos dionisíacos ou corporais. Não olhava ninguém nos olhos, por toda a noite. Parecia estar todo o tempo rezando a Deus para que visse, mas não enxergasse com seus olhos os baixos pecados ali praticados. E assim não era notada por ninguém – apenas Faustino a observava, todas as sextas. Parecia enxergar dentro dela, dentro do seu desejo mais íntimo, o que ela realmente queria... Nesse dia insistiram mais do que nunca, rindo-se de Faustino, e quase obrigando-o a provar do ``perigoso ópio´´. E naquele dia ele provou. Para muitas pessoas, esta erva traz a paz e o relaxamento corporal, para outros uma leve euforia. Para Faustino, a mesma parece ter trazido de dentro dele ao mundo exterior o que ele mesmo escondia, e que sabia ser perigoso. Deu-lhe uma tranqüilidade aos olhos, e ao mesmo tempo uma voracidade felina que deixou seus amigos espantados, para não dizer a beira do medo. E eles iriam se espantar muito mais com o que viria em seguida... O pequeno fausto se levantou, e munido do rebenque do charreteiro que bebia na mesa ao lado, foi diretamente ao encontro da aia. Pegou-a pelo cabelo, e sem dizer uma palavra, literalmente a arrastou até a coluna retangular de madeira que havia no meio do salão. A menina berrava como uma ovelha que vai para a tosquia, implorando por ajuda. Todos estavam ébrios ou estupefatos demais para ajudá-la, ou contê-lo. Tirando o próprio cinto, prendeu as duas mãos da menina juntas, e em seguida as dependurou no gancho alto para chapeis que havia na coluna. Por sua estatura baixa, ficou na ponta dos pés, em posição que tanto a incomodava, quanto expunha os seios pontudos. Com uma só mão na gola, junta a garganta, rasgou de uma vez o vestido da menina, revelando seus seios e ventre, deixando-a apenas com as vestes de baixo. A condenada esboçou uma reclamação, movida muito mais pela desesperadora vergonha de sua nudez do que por alguma coragem. E foi recebida com um tremendo bofetão no rosto, que amoleceu suas pernas e escureceu momentaneamente sua visão. - Você agora é Minha, sua putinha vadia. Só se dirija a Mim quando Eu ordenar. Com o rebenque, aquele fausto pôs-se a surrá-la vigorosamente, nos seios, braços, coxas e pernas. Sem muita demora, marcas avermelhadas e roxas surgiam no seu corpo. Ela chorava e implorava que ele parasse. E ele ria... Em determinado momento, pareceu se cansar dos gritos e, rasgando as mangas longas da própria camisa, fez-lhe uma mordaça e um venda, dando a ela como possibilidade de perceber o que lhe sucederia apenas a audição, e um cheiro acre de suor, vinagre e sexo. Virando-a, passou então a surrar suas ancas. Obrigando-a a afastar seu corpo da coluna, e afastando suas pernas, acabou de rasgar sua roupa inferior, deixando seu sexo oferecidamente exposto. Aproveitava-se disso, e batia com a ponta do rebenque no mesmo com batidas rápidas, fortes e continuadas. Depois voltava a surrar com disposição sua bunda. Os outros dois rapazes, mesmo acostumados com todo o tipo de libertinagem (ora, apenas uma semana antes ambos tinham deflorado juntos uma donzela de 14 anos...), permaneciam muito espantados, menos com a nudez da menina, mas muito com o sadismo do seu normalmente tímido amigo. Permaneceu naquela situação por talvez uma hora, ou duas, a ponto de deixar a menina, e ele mesmo, extenuados. E quando todos pensavam estar satisfeito em seu estranho fetiche, se apoderou do grande garrafão de vinho sobre o balcão do bar, cujo pescoço tinha uns trinta centímetros, e o gargalo era bem largo. Sem falar nada, e com a aparência furiosa, penetrou o sexo da menina com aquele gargalo, enfiando até onde a profundidade permitia. A menina era pequena, o que trouxe alguma dificuldade inicial na penetração. Mas, estranhamente, a menina claramente deixava escorrer pelas coxas sua lubrificação. E isto fez aquele enorme objeto acabar escorregando para dentro, em meio a gemidos de dor e prazer abafados pela mordaça. Sim, prazer. Não havia como a menina esconder que estava sentindo imenso prazer naquilo. Com aquela penetração desenfreada, acabou gozando rápido. E isso parece ter enfurecido ainda mais o libertino insano. - Sua cadela vadia! Terá o que realmente merece! Abrindo a calça, e lubrificando o próprio membro com o vinho que sobrara no garrafão, forçou a porta do cú da menina. Forçou mesmo, com violência. E o enfiou por completo. A menina berrava loucamente, sem que a mordaça pudesse mais abafar. Berrava mais que a puta viciada, berrava a ponto de atrair os poucos transeuntes da calçada, na madrugada. E gozou novamente, desesperadamente, com dor e prazer extremos. Aliás, dor e prazer, já não mais os sabia diferenciar... E o fausto entornou seu sêmen dentro dela. Saciado em sua fúria sádica, libertou suas mãos, olhos e boca. E virou-se, para voltar à mesa, sem sequer dar-lhe importância. Tão imediato foi que ele virou, foi que ela se atirou aos seus pés. - Meu Senhor, eu era donzela, e agora estou desonrada. Mas o prazer único que me deste me faz ser igual e contraditoriamente grata. É como se tivesse visto em minha mente cada desejo secreto de minha mocidade. Agora sou sua escrava. Faz de mim o que quiser. E ele o fez, muitas vezes mais, em seu pequeno quarto e sala alugado, agora longe das vistas impuras da taverna. Fez dela sua aia, sua puta, sua escrava, sua mulher.