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Sabrina Sai de Casa - Cap. 4 (A Fuga)
Antes de Começar este conto leia os capítulos anteriores.
No anticlímax de sua experiência com aquele dominador anônimo e seu cachorro no meio do bosque, Sabrina permaneceu parada, sentada sobre aquele tronco ainda por vários minutos. Foi acordada de seu entorpecimento por vozes que se aproximavam. Lembrou-se então que ainda estava nua, de pulsos algemados na frente do corpo, vestindo uma coleira de cachorro com uma corrente pendente. Estava suja, coberta de terra, grama e mijo. Bolotas inchavam o local das picadas das formigas, havia um espinho preso em seu seio direito, havia sangue coagulado entre as pernas, os joelhos e os braços estavam ralados, o cabelo desgrenhado e o rosto arranhado, coberto de porra que ela havia prometido não limpar antes de chegar em casa.
Casa, como ela ia chegar em casa? Levantou-se rapidamente. Ela tinha que sair dali. Enfiou-se no meio do mato andando passos apressados. Sua mente corria mais do que seus pés. Ela tinha feito mesmo tudo aquilo, não havia volta. Ela era o que era e era isso que ela queria ser. Como ela se sentia? Vergonha? Sim, ela sentia muita vergonha. Mas não havia tempo para sentir vergonha. E apesar disso ou por causa disso ela agora vivia em um estado de permanente excitação. Tudo era tão confuso. Ela não queria pensar. Só queria sentir, como sentia ainda o corpo todo ardendo, o gosto de porra nos lábios, o gosto daquele cachorro, o gosto de mijo na boca. Ela não era mais uma mulher, era uma cadela. Ela queria ser amarrada em um canil. Ela queria ser exposta em praça pública e ser chicoteada até perder os sentidos.
Guiada por esses pensamentos desconexos Sabrina foi correndo pelo bosque, balançando os seios, arranhando a pele, machucando os pés, caindo e levantando, até que chegou na orla do bosque. Do outro lado do gramado aberto havia o estacionamento onde ela havia deixado seu pacote na lata de lixo. O estacionamento estava cheio de carros, não tanto quanto em um dia de semana, mas muitos de qualquer forma. E havia pessoas andando por todo o lado. Como fazer pra chegar lá? Sabrina deixou para pensar nisso mais tarde. Agora ela precisava se livrar das algemas. Margeou o bosque a procura da árvore marcada, onde havia escondido a chave das algemas debaixo de uma pedra. Ela devia estar aqui em algum lugar, era uma pedra grande como não havia igual, uma árvore próxima da trilha. A trilha, para que lado estava? Ela já não sabia bem onde estava, tinha corrido pelo bosque sem prestar atenção para onde estava indo. Teria se afastado demais?
Não havia jeito de se orientar de onde estava. Já não sabia se estava andando para mais perto ou mais longe de onde deveria ir. O único jeito era se afastar um pouco do bosque e olhar para a orla tentando localizar a trilha pela qual tinha entrado. Protegida ainda no seu esconderijo ela supervisionou o terreno. Bem longe no estacionamento havia um carro aberto, som ligado; vários rapazes e mulheres em volta, pareciam estar bebendo e conversando e não sairiam dali tão logo. Eles estavam suficientemente longe para não nota-la. Do outro lado do estacionamento, mais próximo de Sabrina havia um casal dentro de um carro. Estes também estavam concentrados demais um no outro para nota-la. Saindo do estacionamento, no gramado bem em frente dela havia uma família fazendo um piquenique. O pai empinava pipa com um garoto, a mãe brincava de casinha com uma menina.
A cena daquela família feliz e perfeita contrastava com a posição de Sabrina, agachada no meio do mato como um bicho. Sua vergonha aumentou e agora ela se dava conta de como cheirava mal, sujeira, porra e urina cobrindo o seu corpo nu. E aquelas inscrições, o que quer que sejam, o que aquele homem tinha escrito no seu corpo, na sua testa, na sua bunda, nas suas costas, não deviam ser coisas agradáveis. Ela estava louca quando imaginou aquela fantasia. Mas não era isso que ela queria? Não era assim que ela queria se sentir? Acuada? Violada? Humilhada? Sim, sim, ela queria... Mas não tinha coragem, não sozinha. Agora o pânico tomava conta dela e a angústia lhe revolvia o estômago, os gostos que experimentou lhe voltavam à memória e ela sentia náuseas, a cabeça girava, ela sentia como se fosse desmaiar. Ela não podia ficar ali, alguém a encontraria, ela tinha que andar; tinha que respirar, ela não queria vomitar, precisava de ar.
Sabrina levantou-se e tomou a direção do mato, virou para a esquerda e andou o mais paralelo que pode à orla do bosque, esperando achar aquela maldita trilha que parecia ter desaparecido do mapa. Aos poucos os sons foram mudando. O barulho do som do carro no estacionamento morria na distância e o som de outros carros se aproximava. As árvores escassearam e Sabrina se viu de frente com uma cerca de arame quadriculado. Atrás da cerca um enorme barranco. Abaixo do barranco uma auto-estrada. De onde ela estava Sabrina podia ver os carros passando lá embaixo, a passarela que ia do campus da universidade até o Centro de convenções. No outro lado da via rápida havia um ponto de ônibus e pessoas no ponto.
Sabrina tinha realmente tomado a direção errada. Todo o tempo ela esteve andando no sentido contrário da entrada da trilha, da árvore marcada e da pedra onde tinha escondido a chave de suas algemas. Agora ela estava no limite do bosque, de frente para a auto-estrada e o seu corpo respondia às suas emoções como uma montanha russa. Estava novamente em chamas. Aproximou-se da cerca, nua e algemada olhando para as pessoas do outro lado da avenida, paradas naquele ponto de ônibus. Nele havia uma senhora, uma moça, uma criança, um rapaz e um senhor de idade. Acessando o lado mais pervertido de seu cérebro mirou o senhor de idade e se imaginou fazendo um strip para aquele velho, imaginou-se num palco na frente daquele velho babando na sua frente. Ela o faria ter um ataque do coração, ela o mataria arrastando-se na frente dele, ela o faria suar até seu coração explodir para fora de sua boca.
Jogou-se contra a cerca de arame, sentindo o metal frio marcar seus peitos. Imaginou qual seria a sensação se aquilo fosse uma cerca de arame farpado, se ela fosse forçada contra a cerca, o arame machucando seus peitos e suas coxas. Afastou-se sempre mirando o velho e começou a rebolar, abaixando-se, virando-se, masturbando-se. Ela ficaria ali até que ele olhasse para ela. E ele olhou, o rapaz também... E a moça. Todos agora estavam olhando para ela. Sabrina levou as mãos aos peitos e os espremeu de encontro aos lábios. Lambeu seus mamilos e sentiu ainda em si o gosto do mijo que lhe tinha coberto o corpo todo. Inclinou-se para frente dando-lhes uma visão de suas tetas balançando em volta da guia de cachorro que ainda pendia de sua coleira. Começou a masturbar-se e se deleitou com a visão dos olhares sobre o seu corpo. Já fora de si, propôs para si mesma um novo desafio. Agora ela queria atrair um deles, fazer com que viessem até ela. Jogou-se novamente contra a cerca, com as mãos para o alto, mostrando suas algemas, rebolando como uma stripper, olhando fixamente para o rapaz e balbuciando a frase: Vem me foder.
O ônibus chegou do outro lado da estrada e obstruiu a visão de Sabrina. O ônibus partiu e lá ficou o rapaz, mesmerizado. Sabrina lançou os braços unidos para frente e lhe fez sinal como pode, chamando-o e descendo as mãos pelos peitos, pelo ventre até a entrada de seu sexo. Não agüentou mais e jogou fora toda cautela, se é que havia ainda alguma. Respirou fundo e soltou um berro, forte o suficiente para ser ouvido do outro lado daquela estrada movimentada: VEM ME FODEEEEER.
Se havia ainda alguma dúvida no rapaz, ela se dissipou depois de tão explícito convite. Ele saiu correndo pelo acostamento da rodovia em direção à passarela, subiu de dois em dois degraus a escadaria e procurou com seus olhos os olhos de Sabrina quando chegou em cima. Ela ainda estava lá. Sabrina ainda não estava certa do que faria, mas no momento masturbava-se furiosamente, fixando o olhar no olhar de seu perseguidor. Agora ela era uma presa, uma caça algemada e indefesa na mira de seu captor. Ela queria estar algemada a uma árvore, totalmente paralisada e sem alternativa de defesa; mas como estava ela ainda tinha a opção da fuga. Ela ainda se masturbava freneticamente quando o rapaz terminou de cruzar a passarela, desceu as escadas e pela lateral da cerca procurando a entrada do campus. Ele logo a acharia, logo entraria. Não demoraria mais do que dez minutos para que ele a encontrasse, se ela permanecesse ali. Sabrina decidiu que não se moveria antes de gozar. Ela já estava quase gozando. Ela andaria então, não correria. Ela se afastaria, tentaria escapar, mas se ele a encontrasse, se ele a capturasse... Estava quase... Sim! O gozo, o gozo veio e ela se jogou de joelhos no chão, jogou o corpo para frente e caiu com o rosto em terra, com as mãos entre as pernas, rebolando no chão, rastejando sobre as folhas e gemeu.
Ela precisa sair dali. A montanha russa tinha novamente baixado e Sabrina recobrou a consciência. Lembrou-se de Jeckyl e Hyde, pois era assim que se sentia. Um monstro furioso a dominava. Ela tinha bebido da poção e nunca mais tinha sido a mesma. Agora nem mesmo que rejeitasse a poção para o resto da vida não voltaria a ser a mesma, estava contaminada, infectada com o germe maldito da devassidão. Um monstro a controlava e ela já não sabia mais qual Sabrina era real. Mesmo em seus momentos de consciência ela ansiava pela volta de Hyde, por seu controle absoluto, pela maneira como ele tomava conta de seu corpo e a fazia se esquecer de si mesma, da vergonha, do pudor, das obrigações, de tudo. Ela era livre quando Hyde a habitava. Agora não. Ela era Sabrina novamente e estava com medo. Tinha que sair dali.
O rapaz seduzido por Sabrina chamava-se Alfredo, um menino de 16 anos de idade, alto e magricela, com o rosto coberto de espinhas e totalmente alucinado com uma visão que não se tinha aventurado próxima de seus sonhos mais devassos. Se ele não encontrasse aquela garota certamente seria condenado à masturbação eterna diante daquele espectro, seria assombrado pelo resto de seus dias. Ele correu desesperadamente do portão principal do estacionamento do campus em direção ao bosque, enquanto, nesse momento, Sabrina ainda se levantava cambaleante.
Sabrina começou a correr. Em algum ponto ela tinha atravessado a trilha sem perceber. Como isso era possível? Não importa. Ela estava novamente paralela à orla do bosque e seguia apressada, agora na direção correta. Logo ela encontraria a trilha novamente. A árvore marcada era a quinta depois da trilha. Não poderia errar.
Espiou por entre as árvores e viu o rapaz se aproximando. Ele ia no sentido do lugar onde ela estava havia pouco, com sorte não a veria. Ela ainda estava na dianteira. Correu sem olhar para trás até que ouviu vozes, então desacelerou. Lá estava a trilha. Sabrina tinha corrido demais, tinha chegado perto demais. Deu-se conta de que estava na beira da trilha e pessoas estavam vindo no sentido do bosque para o campus. Escondeu-se atrás de uma árvore há um passo da trilha no momento exato em que o grupo aparecia na esquina das árvores opostas. Não era um esconderijo adequado, mas agora ela não se arriscava a voltar. O grupo foi se aproximando. A árvore que lhe servia de guarida era da espessura um pouco maior do que a de um poste. Seu corpo estava completamente visível para quem entrasse na trilha naquele momento e também para quem viesse do bosque, onde devia estar agora o seu perseguidor. Eram muitas vozes, devia ser um grupo de umas dez pessoas. O primeiro do grupo chegou no lugar onde Sabrina estava. Ela pressionou seu corpo junto da árvore e o viu passar. Ele a enxergaria. Sabrina foi se deslocando, rodeando a árvore, tentando ficar longe do campo de visão do primeiro da fila. Mas à medida que rodeou a árvore expunha-se para o último da fila. Voltou um pouco e agora não adiantava mais. Foi vista.
Em um ato de desespero Sabrina saltou de seu esconderijo para o meio das pessoas, abrindo caminho, saltando, correndo para o outro lado. Homens e mulheres boquiabertos não esboçaram reação. Num relance Sabrina finalmente vislumbrou a árvore marcada, a pedra fatídica, e atirou-se sobre ela. Pegou a chave do cadeado e sem pensar, sem sentir, continuou correndo. A montanha russa pegava impulso novamente. Correndo nua, sentindo o vento por entre as pernas, tendo sido vista, flagrada, descoberta. Nada mais importava. Sabrina correu para fora do bosque em direção ao estacionamento. Ela iria acabar com tudo agora. Não queria mais se esconder, esperar agoniada o momento em que seria finalmente pega. Ela pegaria seu pacote e continuaria correndo. Correria até ninguém mais vê-la, até estar livre, até que esquecessem dela.
Sabrina de fato correu como uma louca, sem olhar para trás. Na sua frente, estava o estacionamento. No estacionamento, todos aqueles rapazes em volta daquele carro estereofônico e suas latas de cerveja. Estava bem mais próxima deles do que desejaria estar. Cruzou o gramado há uns duzentos metros do casal e suas duas crianças, enfiou-se no meio dos carros e ganhou o pátio. Ouviu gritos, mas não olhou para os lados. Seguiu em direção da lata de lixo onde escondera o pacote, debruçou-se sobre ele, espalhou latas pelo chão, alcançou o pacote e sentiu uma mão em seu ombro.
Sabrina?
Ela se voltou como que puxada por uma corrente elétrica e viu seus sonhos/pesadelos tornarem-se realidade. Era um conhecido, um colega de classe. Virou-se para o lado e viu todos os rapazes em volta do carro de som se aproximando. Eram quase todos conhecidos. Sabrina quis correr novamente, mas foi agarrada, segura pelo braço, puxada para o círculo de rapazes que a envolveu como uma matilha de cães que guardam a presa para o matador que vem vindo.
O que aconteceu? O que está fazendo?.
Agora era seu cérebro que corria feito louco. Tinha que dizer algo; tinha que haver uma saída. Começou a chorar.
Eu... eu fui estuprada.
Os rapazes permaneceram paralisados em volta dela, olhando-se uns para os outros.
Onde? O que aconteceu?.
No bosque. Ele... ele rasgou minhas roupas, me algemou... me estuprou.
Novamente os olhares se cruzaram.
Ele... ele escreveu essas coisas em você?.
É... isso.
O seu estuprador... você o conhece?.
Não, não sei quem é. Nunca tinha visto.
Ele deixou telefone para contato.
Quê?.... Sabrina levou as mãos para tampar os seios. Não havia se lembrado disso. Ele tinha deixado telefone. Que estuprador deixa telefone?
Ele tirou fotos suas?.
Quê?... não, não... por quê?.
O pesadelo estava se concretizando. Eles não acreditavam nela. Eles sabiam que era mentira. Sabrina deu um coice em quem a segurava e se meteu no meio dos rapazes tentando escapar. Foi detida justamente pela guia da coleira e puxada para trás.
Chorando agora lágrimas reais Sabrina se contorceu.
Por favor, me deixem, eu tenho que ir.
Calma guria! Nós te levamos em casa. Você não pode ir assim.
Era sensato. Estavam sendo caridosos. Eles a ajudariam. Ou não?
Sabrina foi levada para o carro e colocada no banco de trás. Um rapaz entrou por cada porta, deixando-a no meio do banco. Outros dois entraram nos bancos da frente. Os demais guardaram a cerveja e seguiram em outro carro. O carro partiu. Sabrina olhou pela janela e viu o rapaz das espinhas do lado de fora, olhando para ela, sentindo-se traído. Sabrina lhe dirigiu um olhar de desespero. Estava presa e agora ele não poderia resgata-la.
Ela ainda tinha o pacote e a chave nas mãos. Abriu o pacote, tirou a fantasia e começou a se vestir. Foi pior. Era uma fantasia indecente, isso ela já sabia. Os seios eram cobertos por uma cortininha de fios de couro cujo mínimo movimento os expunha. A saia era microscópica e totalmente aberta nas laterais.
Seu estuprador deixou isso daí para você se vestir?.
Sabrina permaneceu em silêncio.
Escuta. Você sabe que está cheirando mal, não sabe?.
Sei sim. Ele mijou em mim, ta bom? Está satisfeito agora?.
Sabrina, fale a verdade. Não foi estuprador. O que aconteceu?.
Me deixem sair. Por favor. Estou bem agora. Eu quero ir.
Ô Sabrina, você não vai a lugar nenhum antes de falar com a gente. Todo mundo sabe que você é vadia Sabrina. O Rogério contou pra todo mundo que te traçou na frente do laboratório. Você estava andando nua debaixo do guarda-pó e pediu pra ele para bater em você.
Novamente Sabrina permaneceu em silêncio.
O rapaz a sua direita tomou seu seio nas mãos e começou a brincar com seu mamilo. O outro enfiou a mão entre suas pernas e procurou sua entrada.
Ele disse que você pediu para ele morder o teu seio, é verdade?.
Sim.
Ele apertou teu bico deste jeito?. E Sabrina sentiu o beliscão lhe apertando o mamilo.
Você aperta que nem mulher. Pronto. Hyde tomava conta dela novamente.
O rapaz cravou as unhas em volta da auréola do seio de Sabrina e apertou como se quisesse arrancar um pedaço fora. Sabrina gemeu.
É assim que você gosta, cadela?.
Hummm! Sim!.
O rapaz da esquerda imitou seu companheiro. Sabrina tinha agora ambos os seios espremidos como que por prensas hidráulicas. Se tivesse as mãos livres, talvez nesse momento pousasse as mãos sobre as pernas de seus torturadores, sobre suas virilhas, seus cacetes intumescidos.
Do jeito que estava, não havia muito a fazer, ainda segurava a chave de suas algemas em uma das mãos e (algo em que não tinha pensado antes) nem que estivesse sozinha teria condições de enfiar a chave naquele cadeado, com as mãos unidas como estavam. Seus captores, por outro lado, não deixaram passar este detalhe.
Foi você mesma que colocou essas algemas?.
Eu fui estuprada, já disse.
Corta esse papo Sabrina. Olha só: nós vamos fazer uma festinha com você e você vai ser bem boazinha, ou nós contamos tudo sobre suas aventuras para a universidade toda. Tua mãe vai saber a vadia que tem em casa.
Metade de Sabrina não se importava com a idéia de ser devassada por aqueles rapazes e até gostava da idéia, a outra metade estava consciente das conseqüências. Sabrina não era nenhuma idiota, mesmo acuada e torturada sua mente trabalhava suas opções: se fosse até o fim com esses rapazes eles contariam a todos de qualquer forma. Isso não era o mais importante, não estava concorrendo ao troféu de miss simpatia e não se importava com a opinião das pessoas, mas a prova concreta do fato tornaria sua vida um inferno. Outra idéia surgiu, uma possibilidade mínima de fuga se configurou em sua mente.
Eu tentei colocar as algemas nas costas, mas não consegui sozinha, você me ajuda?.
O sinal de subserviência animou os rapazes. O da direita se prontificou a ajuda-la. Tomando a chave que lhe era oferecida abriu o cadeado e liberou as mãos de Sabrina. Quando ele guiava as mãos dela para as costas, recebeu um empurrão. Sabrina se desvencilhou por um segundo e assumiu o controle.
Escutem aqui: eu posso não ter sido estuprada, mas tenho todos os sinais de um estupro. Se vocês forem adiante com isso vão ter que me matar. Porque se não me matarem, eu vou imediatamente após para uma delegacia, do jeito que estou, e digo pra polícia que foram vocês os responsáveis.
Touché! Se alguém ali tinha vocação para dominar, aquela era a hora de colocar as cartas na mesa. A menina falava sério. Os dois que a bolinavam no banco de trás sentaram-se acuados, o rapaz do banco de passageiros olhou inquisitivamente para o motorista. Este, o nome dele era Roberto, parou o carro no acostamento. Saiu sem dizer palavra e foi conversar com os rapazes que vinham no carro de trás. Demorou cerca de dez minutos. Sabrina já se sentia mais segura, ela vencera a primeira batalha.
O carro de trás arrancou e foi embora. Roberto voltou para o carro, entrou e sentou-se atrás da direção, ainda sem dizer uma palavra. Aliás, até aquele momento, ele fora o único a não dizer absolutamente nada, o tempo todo. Ele também era o único do grupo que não era da universidade. Era mais velho que os outros. Sabrina não o conhecia. Agora todos olhavam para ele, esperando uma orientação. Roberto voltou-se para trás e olhou fixamente para Sabrina. Depois olhou para todos os outros e disse:
Rapazes, eu vou pedir para que todos vocês saiam do carro um minuto. Eu quero conversar com ela em particular.
Qualé mermão? Ta querendo se dar bem sozinho? Como fica a amizade?.
Você ouviu a moça. Do jeito que está você não vai se dar bem em nada. Faça o que eu estou te pedindo. A gente vai dar um jeito.
Isso e uma piscadela parece ter resolvido o assunto entre eles. Sob alguns protestos, mas com um voto de confiança, todos saíram do carro, deixando Roberto e Sabrina a sós. Eles saíram e Roberto ainda ficou em silêncio por um tempo, encarando Sabrina, esperando que ela quebrasse o silêncio.
E então? O que você quer?.
Roberto, ainda em silêncio, permitiu-se olhar para Sabrina por mais algum tempo.
Você pediu para que todos saíssem, só pra ficar me olhando? Eu vou sair daqui agora e você não vai me impedir. Tchau, babaca.
Sabrina colocou a mão no trinco da porta e fez uma tentativa inútil de abrir a porta.
Desculpe, trava para crianças. Evita acidente.
Me deixa sair.
Você sabe o que está escrito nas suas costas?.
Aquele era o ponto falho de sua tese. Ela esperava por aquilo, mas não deixou de sentir o soco no estômago quando chegou.
N..Não. O que é?.
Dê primeiro uma olhada no espelho. Chegue mais aqui na frente, olhe pelo retrovisor.
Sabrina procurou sua imagem no espelho e viu seu rosto. Sua testa estava ornamentada com a palavra: puta. Ela sabia o que havia em seus seios: números de telefone. Em suas nádegas deveria haver xingamentos semelhantes, mas o que havia em suas costas?
O que é? O que tem nas minhas costas?.
Veja minhas fotos em www.putasnanet.com.br.
Um silêncio sombrio caiu sobre o semblante de Sabrina. Roberto não dizia aquilo com sarcasmo ou em tom de desafio. Olhava para ela como se estivesse olhando para um quadro de natureza morta. Seu semblante não lhe dizia nada. O seu silêncio a enervava.
O que é que eu vou encontrar se acessar esse site?.
Um momento de hesitação.
Nada. Ele não tirou foto nenhuma. Provavelmente só queria me usar como garota propaganda.
Um momento de silêncio.
Você mente mal.
Acredite no que quiser. Agora me deixa sair daqui.
Como é que você pretende pegar essas fotos de volta? Vai ligar pra ele e implorar que ele não coloque na net?.
Eu não vou ter que fazer nada. Ele não tem foto nenhuma.
Sem se importar com as negativas, Roberto seguiu em frente com seu raciocínio:
E se esse cara recebesse a visita de uns dez rapazes? E se esses rapazes colocassem ele na parede e o obrigassem a devolver as fotos e os negativos? E se um hacker entrasse no computador do cara e devorasse o seu micro? Não seria uma forma mais eficiente de se ver livre dessa enrascada?.
Eu já disse que....
Sabrina foi interrompida por uma repentina mudança na inflexão de Roberto.
Deixa de ser burra! Você sabe tanto quanto eu que se meteu numa fria. Eu estou aqui pra te ajudar. No momento eu não sou seu melhor amigo. Sou seu único amigo. Você é uma vadia, mas uma vadia esperta. Agora coloca essa tua cabeça pra funcionar e pensa. O que é que você vai fazer quando sair daqui?.
Eu... Eu não sei... Mas não te interessa.
É claro que interessa. Você não pode ir para a delegacia dar queixa. Ninguém vai acreditar em você depois que olharem para as fotos do site, não é verdade? Você provavelmente está lá em poses muito comprometedoras. Há testemunhas, que viram você sair correndo do bosque antes de nos encontrar. Se todos nós usarmos camisinhas, não haverá sinal de que foi estuprada pela gente. Todos nós diremos que apenas te ajudamos e te demos uma carona. Os cinco rapazes que saíram há pouco vão nos dar cobertura; vão dizer que estávamos com eles. E o mais importante: se eu vender esta idéia para os meus companheiros que esperam ansiosos do lado de fora, você volta a ficar sem saída. Não é verdade?.
Ele era inteligente. Não havia dúvida.
Qual é a sua proposta?.
Eu vou dizer aos meus amigos lá fora que a brincadeira acabou e que nós vamos levar você para casa. Eu vou deixar meus amigos e volto para te encontrar. Você vai seguir as minhas instruções e nós vamos conseguir essas fotos de volta. Quando isso acontecer, você vai me agradecer.
Só isso? Te agradecer?.
Sabrina... por que fez isso?.
Eu... eu não sei dizer....
Você sabe. Mas não está pronta para admitir. Talvez nem mesmo para si própria. Quando isto acabar. Nós vamos jantar juntos. Você vai me agradecer e nós vamos conversar a respeito. Isto é tudo. Podemos ir agora?.
... Sim, podemos.
Roberto saiu do carro novamente. Conversou com os rapazes do lado de fora. Sabrina não ouviu o que disseram, mas todos voltaram para o carro de modo ordeiro. Sabrina foi para o banco da frente; os três rapazes no banco de trás. Ninguém falou muito no caminho de volta. Deixaram Sabrina em casa por volta das 7:00. Sabrina entrou apressada, rumou direto para o banheiro, debruçou-se sobre a pia e lavou o rosto respirando ofegante, tentando reagrupar os pensamentos.
Olhou-se no espelho. Virou-se para o quarto e procurou na penteadeira um espelho de mão. Voltou para o banheiro e se posicionou para ler a inscrição nas costas. Nas nádegas, como previu, havia xingamentos: foda na nádega esquerda e aqui na nádega direita. Nas costas, só havia a palavra: vadia. Não havia site nenhum.
Sabrina entrou no banho odiando a si mesma. Aquele filho da mãe a tinha manipulado direitinho. Como é que ele pode inventar tudo aquilo? É claro. Ela tinha sido tão óbvia. Ele leu todas as suas hesitações, todas as entrelinhas. Mas, diabos, ela não podia se culpar. Até que tinha se saído bem. Naquelas circunstâncias, ela se saiu muito bem. E agora? O que ela ia fazer quanto às fotos? Será que Roberto iria mesmo voltar?
Ele era intrigante. Era diferente dos outros. Sabrina havia se aventurado sozinha. Ela procurava algo que não sabia definir, que não tinha coragem de definir. Seu monstro interior a obrigava a se colocar naquela situação, a se entregar daquela forma. Mas se entregar a quem? Ela tinha se deliciado com fantasias de estupro, de gangues que a violavam até a exaustão. Mas, ao mesmo tempo, não se sentia atraída por ninguém em particular. Ninguém desde o caso com Jorge, o professor de história. Não havia sedução em suas aventuras solitárias, não havia a quem prestar reverência. Roberto era diferente dos outros.
A campainha tocou. O coração de Sabrina saltou. Enrolada em uma toalha ela desceu as escadas para atender a porta. Ela abriu. Havia um policial parado na soleira da porta.