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K e o Retorno de Viktor e ToryII Concurso de Contos e Poesias BDSM - Participante
Foi num desses encontros informais entre amigos que a conheci.
Estávamos em uma mesa, absortos em alguma discussão sem importância, e aquele que parecia ser seu Dom impunha seus pensamentos aos demais de maneira arrogante. Tory ficava muda e parecia encolher a cada frase. Desejei poder falar com ela, mas o silêncio parecia ser por demais importante para que o desrespeitasse.
Olhar para os dois causava um certo tipo de constrangimento físico que tentei evitar. Mas logo toda a mesa olhava apenas para eles...
Mãos pra trás ele dizia. E a menina parecia apavorada, murmurava coisas que não consegui compreender, mas logo obedeceu.
E então, na frente de todos, a encheu de tapas na cara, de maneira tão fria e calculada que o odiei naquele instante. Ela chorava, não sei se pela dor
ou pela humilhação. Quando terminou, apenas mandou que se recompusesse. A menina pediu licença e saiu sem olhar para os demais.
Não lembro de quem veio a sugestão Vá com ela. Ao levantar, ainda olhei para aquele homem estúpido. Ele assentiu. Estúpida me senti, naquela hora, por ter pedido autorização.
Tory estava sentada e se olhava no espelho, chorando. Éramos desconhecidas, mas aceitou minha companhia. Havia pequenos machucados na lateral de sua boca, que estava quente e vermelha. Passou a mão nos lábios, e quando viu sangue, chorou mais ainda.
Eu disse coisas tolas como não foi nada, mal da pra ver, e então ela, naquele soluço quase incompreensível, me contou o porquê daquilo. Havia o chamado pelo nome. Não estava se sentindo bem, queria beber água, e havia o chamado pelo nome. Poderia colocá-lo em perigo. Eu não conseguia entender a lógica disso. Já tinha lido a respeito de liturgia e outras coisas do gênero, mas aquilo simplesmente não se encaixava com a narrativa dela. Ela falava e tremia. E se chamava de burra, burra, burra. Eu o amo...... A beijei nesse instante.
Os soluços e as lágrimas morreram na minha boca. Com as mãos enxuguei seu rosto. Com a língua, sorvi o sangue. Ela se entregou.
- Vamos, antes que comecem a perguntar o motivo de demoramos tanto sugeri, com medo de não parar por ali, daquele monstro aparecer, vir procurá-la, pegá-la num instante como aquele.
Ela sorriu, se deixando conduzir. Os olhos e os lábios inchados a deixavam ainda mais linda.
Voltou para a mesa silenciosamente. Sentou ao lado de seu Mestre, que, como no resto da noite, a ignorou.
Eu me apaixonei pela dor e entrega daquela menina. Fiquei me perguntando como ela iria pra casa naquele estado, e soube a resposta pelos pensamentos dela. Eles moravam juntos.
Foi por amor a Tory que resolvi fazer o que fiz. Interceptei seu Mestre da maneira mais vulgar que consegui e disse que gostaria de ir com eles. Ele
sorriu e passou por mim. Chamou Tory para ir embora, se despediu de todos e me chamou com um aceno.
Ao invés dos sorrisos que ela me correspondia, só vi sua negativa aterrorizada. Entramos as duas no banco detrás do carro negro. Tory começou
a chorar:
-Viktor, não...
Que burra! O chamou pelo nome de novo. Instintivamente me juntei a ela, esperando por outra reação violenta dele, que não veio...Mas agora eu sabia o nome. Um nome tão sonoro e imponente quanto ele. Tão belo quanto, também.
Sussurrei no ouvido dela eu sei o que eu estou fazendo, esta bem?
Não...você não sabe...você não faz idéia. Ele podia ter ouvido, ou não.
Mas parou o carro, alarmando a nós duas.
Ficamos todos em silêncio, em um instante que pareceu interminável.
- Não seja estúpida Tory. O que acha que vou fazer?
Ela chorou mais ainda. O diálogo estava completamente sem sentido pra mim.
- Posso larga-la aqui, se você quiser...
Eu resolvi intervir e disse que não, que queria ir com eles. Tory ficou muda, olhando pela janela...
Entramos na casa. Viktor tirou o casaco e ordenou que Tory me levasse a algum cômodo...Ela obedecia, impassível. Quando estávamos longe o suficiente dele, me implorou pra que eu fosse embora ... você pode...eu não...
- Tory, uma palavra a mais e não terá mais língua pra falar. Tire a roupa.
Era Viktor tão grudado a nós que me assustou.
Ela ia começar a se despir, quando ele a interrompeu. Você não. Ela. Ele disse, com a cabeça em minha direção.
- Qual seu nome, menina?
- Kathryn...
- Ótimo! Tire a roupa K.
- Está doido???
Fiz isso mais por Tory que por mim. Eu já não estava tão confiante, nem tão dona da situação a esse ponto. Mas queria que ela soubesse que ele não era nenhum deus, que não precisava ser obedecido.
Tory se encolheu num canto. Viktor me olhou por um instante. Aparentemente, se divertindo com aquela situação.
- Tory, vem aqui.
Ela se levantou e veio até nós.
- Tire a roupa.
Ela se despiu na mesma hora, revelando um corpo tão frágil e pequeno, que imediatamente me fez falar:
- Tudo bem, eu tiro!!!
- Cale a boca.
Tory me olhava nos olhos. Tão cristalina quanto impenetrável. Eu ia começar a me despir, quando ele me paralisou com um Não se mova.
Ela ainda me olhava e agora sorria. A mensagem clara...Não se preocupe, ele não pode me machucar. Sorri de volta. Mas imediatamente recuei. Ele começou a surrá-la com um cinto.
Ela não se movia. Apenas seus olhos fechavam e abriam, rasos dágua. Não emitia nenhum som. E não era por orgulho, como eu teria feito.
O corpo branco ia tomando estranhas colorações, vergões, sangue se insinuando. Eu queria ir embora, mas estava paralisada. Não queria me despir naquele momento, meu corpo me entregaria. Estava absurdamente excitada. Mas duas fêmeas se reconhecem, e Tory estava completamente seca.
- Sabe a diferença entre ela e você, Kathryn?
- Não.
- Você é uma puta e se entrega pelo desejo. Estou sentindo seu cheiro daqui...Tory agüentaria qualquer coisa que eu quisesse lhe infligir, mas por
submissão.
Tory sorriu diante do comentário elogioso de seu Mestre. Eu também sorriria, no lugar dela. E jamais havia me sentido tão humilhada, porque sabia que aquilo era verdade. Sempre usei todos os homens com quem saí, apenas dava-lhes a sensação de que estavam no comando.
Eu sentia que Tory estava fraca e não agüentaria muito mais. Seus olhos se demoravam mais quando os fechava. Mal conseguia se manter em pé. E seu rosto estava coberto por lágrimas mudas.
- Por favor Senhor...- e era eu quem implorava.
Ele cessou, sorriu diante da obra. Tory abriu os olhos límpidos para mim.
Acho que se ela tivesse autorização, desfaleceria naquele instante. Mandou que ela se virasse pra que eu pudesse ver seu corpo. Sangue, vergões, e
hematomas.
- Agora sim Kathryn, pode tirar a roupa. ele ordenou desdenhoso, enquanto, com um aceno, libertava Tory da posição.
Orgulhosa. Ele queria jogar comigo. E encontrou uma adversária que não iria abaixar a cabeça. Tirei a roupa rapidamente, Tory as pegou. Olhando nos
olhos dele, me coloquei na mesma posição que vi Tory. Mãos atrás da cabeça, pernas ligeiramente afastadas, de costas pra ele. Ofertando. Não entregue.
Ele sorriu e ordenou que eu me virasse. Vi minha menina sentada no canto do quarto. Sorri pra ela. Ela abaixou os olhos. Eu estava sozinha.
Viktor se demorou olhando meu corpo, mas sem me tocar. Apesar de ter mais ou menos a mesma idade de Tory, eu tinha um corpo mais maduro que o dela.
Sabia que o agradaria.
- Você não se depila, Kathryn?
- Não...- respondi envergonhada e pega de surpresa. Só esperava elogios.
- Não, SENHOR ele me corrigiu.
- Não senhor repeti, dando à palavra Senhor o tom mais irônico que eu pude.
Olhando nos meus olhos, ele enfiou a mão no meu púbis, me puxando dolorosamente.
- Acha que pode me enfrentar? Você não passa de uma criança a quem faria muito bem aprender bons modos.
Não respondi. Ele tirou a mão do meu sexo e a levou aos meus seios. Agarrou os dois pelo bico e apertou com tanta força que dobrei o corpo e cai
ajoelhada. Ele não abrandou. Eu sentia meus seios em brasa e as lágrimas incontroláveis. Quanto mais eu tentava fugir, dobrando meu corpo pra frente
quase sem perceber, mais ele apertava, torcia e puxava aquela parte do meu corpo que, até então, só havia recebido carícias...
Comecei a soluçar e a chorar, sem saber o que fazer...
- Basta pedir perdão, K. Por ser tão insolente...
- Perdão Senhor...
Ele largou meus seios e eu caí soluçando aos seus pés. Ele ordenou que eu os beijasse, o que eu fiz sem pensar. Não passava mais pela minha cabeça
desobedece-lo.
Ele parecia se divertir com a cena. Com o meu orgulho ferido. Com a minha humilhação.
- Nunca ninguém te colocou no seu lugar, não é?
Continuei no chão, tentando me acalmar, tentando entender. Mal o ouvia.
Ele me puxou dolorosamente pelo cabelo e me fez encará-lo, dali do chão. Eu nunca na vida havia me sentido tão frágil.
- Creio que te fiz uma pergunta...
Com medo, comecei a chorar e respondi : Perdão Senhor...eu não a ouvi...
- Além de insolente, ainda é lerda. e riu. Eu o odiei. Me odiei. E odiei Tory.