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Bondangel e Sev
Soprava o vento naquela tarde de Outono fria e encoberta pelas nuvens, mas no castelo de Bondangel, a atmosfera parecia manter um calor místico, um aconchego sufocante provocado pela escassa luz que cobria as paredes, tornando-as densas, mas onde o frio do exterior nunca entrava. Tão densas eram essas paredes que, para além de não deixarem entrar o frio, também não deixavam sair o dócil Sev, que naquele mesmo dia, tinha sido enclausurado na torre altaneira, se bem que por vontade própria, uma vez que ele parecia gostar dos caprichos exuberantes de bondangel.
Até à data, ele apenas tinha ouvido rumores sobre o seu comportamento. No entanto, decidiu-se entregar-se a ela cegamente, e assim partira nesse dia para o castelo, deixando-se apanhar pelos guardas que vigiavam a enorme porta da entrada. A hora de Sev ver aquela fada de estranhos costumes estava prestes a chegar. Já se ouviam os saltos das botas dela a subir a estreita escadaria, quando ele se encolheu a um canto; trémulo, pelos ditos que tinha ouvido acerca dela.
Bondangel entrou. Sev olhava regalado para aquela deusa de negros cabelos, e tentava em vão, imaginar o mal que poderia existir em tão bela criatura, enquanto esta, ao chegar-se a ele, toca-lhe no rosto com os seus dedos maviosos. Ao sentir o toque da sua lívida pele, Sev sente o gelo da morte. O toque de Bondangel era frio, mórbido, mas no entanto, tão maravilhoso.
Receio que partas... disse ela, ao mesmo tempo que trancava as mãos de Sev com correntes. Este diz-lhe, enquanto se deixava prender por ela Não vou partir... sou teu!
Tinha então começado um estranho jogo de sentimentos entre Bondangel e Sev. Ela agora, ditava-lhe umas quantas regras enquanto lhe manuseava o corpo, e essas regras eram as palavras com que ela o dominava. Sev nada disse enquanto ela as proferia.
Habitua-te à escuridão, pois um dia, nunca mais verás o sol! diz Bondangel enquanto lhe venda os olhos com um lenço preto de seda, continuando Habitua-te à dor, que ela um dia, dar-te-á prazer! diz, enquanto o estalar do chicote lhe assenta na pele. Habitua-te ao sangue que te escorre das feridas, que ele, um dia, te servirá de alimento! diz, enquanto beija as feridas ensanguentadas de Sev. E por fim, habitua-te à morte, pois um dia, será ela a tua vida! e ao dizer isto, as presas de Bondangel cravam no pescoço de Sev, sorvendo-lhe o sangue até este cair no chão inanimado...
Ao acordar, ele recebe um beijo de Bondangel. Mas era um beijo especial, vinha impregnado de uma nova vida. Ela tinha golpeado a língua, e Sev havia bebido do seu sangue.
Como te tinha dito, Sev, habitua-te à morte, pois ela é agora a tua vida. És um vampiro, e és meu!...