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Ele queria penetrá-la por trás. Acordou já com este plano elaborado. A queria, sim, mas não nos formatos e rituais já tão explorados e conhecidos pelos dois. Queria algo que já conhecia também, mas que por ser raramente aproveitado, como um tesouro ou um perfume o qual se guarda apenas para momentos especiais, tornara-se intenso, sagrado. Também a queria dessa forma simplesmente pelo prazer de penetrá-la pelo caminho mais estreito, mais quente, que o envolveria com mais rigor, com mais certeza. Para ver a doce contração de seu rosto ao perceber suas intenções. Para ouvi-la gemer baixinho enquanto pudesse... e ouvir os gemidos aumentando de intensidade em função de quão fundo ele a tocasse, e ele sabia, a tocaria o mais fundo que pudesse. Ele queria porque queria. No banho, enquanto a água morna escorria pelo seu corpo, ele imaginava, não a amante, como um todo, mas uma pequena parte, clara e delicada. Via as curvas bem acentuadas de seu corpo. O imaginava, pronto, empinado, oferecido. Via os dois furinhos nas costas revelando-se na medida em que ela se movia para trás e para cima, entregando-se a ele, como havia feito tantas vezes. Ele a amava por isso, entre outras coisas. Mas sabia que quando a encontrasse, os movimentos que ela fizesse pouco importariam. Tudo o que ele queria naquela manhã era penetrá-la por trás. Ligou o carro e seguiu para o apartamento de sua menina. Não se preocupou com a cortesia de um telefonema avisando que iria. Simplesmente cruzou a Rue D’Assas com a Lês Blanche e parou o carro na garagem reservada para ele. No elevador, não se deu ao trabalho de puxar conversa com quem quer que fosse. Um “bom dia” austero e distante o garantiria tempo para pensar mais uma vez no corpo macio de sua amante, aberto, o recebendo. Ele abriu a porta. Andou sem pressa até o quarto onde a encontraria. Ela dormia. Cabelos ainda úmidos lhe cobriam as costas nuas. O cheiro de sabonete denunciava o cuidado na perfeição do banho recém tomado. Ela sorria. Era quase certo que sonhava um sonho puro, inocente, como esses em que crianças correm por um grande quintal, sem preocupar-se com nada alem de esquivar-se do sol, de tempos em tempos, para refrescar-se. Então ela se mexeu levemente, descobrindo sem querer uma parte do que ele queria ver. Tomando cuidado para não acorda-la, ele a descobriu por completo. Lá estava, a parte desejada. Exposta, entregue, linda. Ele a olhou fixamente por alguns minutos, sentindo seu corpo responder à imagem, endurecendo-se em poucos segundos. Ela suspirou e abriu os olhos... E sorriu. Ele então a puxou pra perto. Forte. Violentamente... Ela se deixou levar até ficar de quatro sobre a cama. Ele sorriu. E então, com um único movimento implacável, a penetrou completamente. Sentiu-se inteiro abraçado pelos músculos que envolviam seu sexo todo. Moveu-se dentro dela. Uma, duas, muitas vezes. A cada movimento sentia-se quase abandoná-la, apenas pra depois entrar com mais força e mais precisão. Ela gritava. Sim, os gemidos eram mais altos do que ele se lembrava. Sentiu-se então a ponto de gozar. Não resistiu a essa vontade (e porque resistiria?). Gozou em poucos minutos, retirando-se dela, deixando-a tremula e ainda agitada sob a cama. Ele a olhou por alguns segundos, sentindo-se satisfeito. Via os lindos olhos brilhantes que tanto o encantavam. Via os seios negligenciados, belos como nunca antes vira, rosados e com as pontas endurecidas. Via o rosto, doce, cúmplice de seu prazer. Via também o sexo da amante, que pulsava, implorando por um toque que o dissesse que ainda era precioso, e era, apenas naquele momento, não era o que ele procurava. Ele vestiu-se. Mas antes tocou-lhe apenas os longos cabelos e a acariciou, como fazem os donos de gatos raros, caríssimos, com cuidado. Disse-lhe apenas uma frase: - Você me agradou. Ela sorriu, plenamente satisfeita, e voltou a dormir.