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Aconteceu em Veneza - Parte 1
Sexta feira de carnaval. Aeroporto Internacional de Guarulhos, sala de embarque.
Rubi estava prestes a embarcar naquele vôo, depois de quase dois anos sem fazê-lo. Por muito tempo, rotineiramente, viajou a trabalho para Itália no vôo noturno São Paulo Roma. Foi em uma destas viagens que conheceu o homem que iria lhe despir a alma. Aquele homem entrou em sua vida de modo inesperado: mostrou-lhe como a dor pode ser o reverso do prazer, ensinou-lhe a viver seus instintos sem culpa, com liberdade. E assim como veio, se foi, deixando aquela mulher completamente revelada para si mesma. Rubi não havia percebido como o tempo passou rápido... Já haviam se separado há dois anos, talvez para nunca mais.
Ela sempre acreditou que saudade temos é daquilo que não vivemos. Do que vivemos temos lembranças. Trazia consigo, guardadas no coração, algumas lembranças e algumas saudades. Dentre todas as saudades, uma era maior; era a única que lhe causava o desconforto do vazio quando vinha lhe visitar por algum motivo. Era a saudade do que teria acontecido dois anos antes, no Carnaval de Veneza, ao lado de seu primeiro, e até então, único dono.
Dois anos antes, a quaresma chegou mais cedo, se adiantou tanto, que atropelou o carnaval e o impediu de acontecer. Rubi ainda guardava a sensação de estar parada no terminal ferroviário, com uma valise, esperando por Ele. Sua ausência foi somente o último e derradeiro desencontro de uma série: à época, Rubi estava presa a um casamento triste e fracassado, mas ainda em curso. Além disso, moravam ambos no Brasil, mas em cidades distantes uma da outra. Tudo isto, aliado a outras circunstâncias desfavoráveis, acabaram por afastá-los. Mas vez por outra era visitada, ora por lembranças, ora por saudades.
Perdida nestes devaneios, já embarcada e acomodada em sua poltrona, com uma taça de vinho tinto na mão, mantinha o olhar preso ao nada vindo da escuridão da janela. Foi quando percebeu um vulto que trocava de lugar com a senhora que até então estava na poltrona ao lado da sua. Ouviu uma voz grave, meio rouca, familiar:
- Em Roma, como os romanos.
Ao que respondeu quase instintivamente, erguendo a taça de vinho:
- Brindemos a isto!
Tudo silenciou à sua volta, era o milagre de um reencontro não planejado.
Ele era o mesmo homem, apenas um pouco mais grisalho, um pouco mais magro, um pouco mais calvo. Suas mãos e seu olhar eram exatamente os mesmos. Um olhar de lobo, que lhe cortava a carne como faca amolada, que lhe despia de todos os pudores, de todos os medos, todas as convenções morais e sociais. Ainda com ares de quem se sabe Dono, como se não houvesse nenhum lapso de tempo interrompendo aquela história, Ele se aproximou, lambeu os lábios de Rubi, molhando-os de saliva e em seguida lhe uma mordida vigorosa, à qual ela respondeu deixando escorrer para dentro da boca Dele todo o vinho tinto que ainda não engolira.
Sentindo que ainda tinha poder no território daquela fêmea, um dia tão bem demarcado por ele, momento contínuo, escorregou suas mãos pela parte interna das coxas de Rubi sussurrando em seu ouvido:
- Bem sabes como rasgar estas tuas meias finas me excitam. Tão lindas e delicadas, mas tão inadequadas quando decido usar esta cadela!
Dito isto suas mãos subiram mais para conferir se havia algum pelo. Ele sempre exigiu uma depilação total e perfeita. Encontrou os pelos que ela deixava antes de conhecê-lo: apenas na parte de cima, na entrada, um pequeno triângulo de pelos acobreados, que ainda assim, para Ele sempre foram demais. Em outros tempos seria castigada por isso, mas, diante das circunstâncias, ouviu apenas uma complacente declaração:
- Teremos de dar um jeito nisto. A isto se seguiu um forte puxão inesperado, que lhe assustou e lhe arrancou um primeiro gemido de dor. Em geral Rubi não gritava, gemia baixinho.
Rubi, tendo muito cedo de aprender a usar a razão, sempre se debateu um pouco em aceitar tranqüilamente o que sua alma lhe pedia. Se desde sempre sabia que queria ser guiada, nunca havia sido. Parecia ser esta a sua sina: as exigências de suas circunstâncias jamais combinaram com os desejos mais genuínos de sua alma. Nunca, nem na infância, foi muito cuidada, sempre cuidou.
Mais uma vez, estava racionalizando e se perguntando com que direito Ele ainda a tratava assim.
Ela era uma mulher já com seus 40 anos. Era de pequena estatura, um sorriso tímido que quando se abria era largo. Nunca chamou atenção pela beleza, nem tão pouco pela falta dela. Era uma mulher comum, como tantas outras, mas bem cuidada: seu corpo e seu rosto se harmonizavam. Com um ego muito condescendente consigo mesmo, há muito se sentia feliz com a própria imagem. Nem sempre fora assim: quando mais jovem se sentia feia por sua aparência nórdica: pele muito branca, sardas espalhadas pelo corpo, cabelos acobreados e muito anelados e volumosos. Os olhos verde garrafa, e os seios fartos. Tudo isto fazia com que ela fosse uma menina diferente da maioria de suas amigas. E tudo que se quer nesta fase é parecer exatamente igual ao seu grupo. Com o tempo, aquilo que lhe incomodava em sua aparência se tornou o que mais lhe agradava: com a maturidade aprendeu a tirar o melhor partido daquilo que era. Se algo era recorrente na definição que dela faziam, este algo era sua feminilidade: quase tudo em Rubi era feminino, em especial, seu olhar para o mundo. Nunca teve filhos: talvez por não ter parido e aleitado, canalizou todo o seu feminino para a fêmea em que se tornou.
Tentava resistir àquele homem, que a tratava com tanto despudor e a dominava com o direito de Quem pode. Tudo em torno dele ainda era mágico, tudo a hipnotizava, como se ele conseguisse, como ninguém mais, anular suas resistências, subverter o sentido de sua formação rígida dentro de uma moral padrão. Ele a propunha uma liberdade devastadora e ainda se colocava como sua rede de segurança para o mergulho. Sempre lhe sugeria pecados inéditos e a levava pelas mãos para visitá-los, lá nos porões de sua alma, onde desde sempre eles faziam morada. Era tentador demais, impossível resistir. Além disto, intuía que aquela seria talvez a única oportunidade de matar a saudade tão grande que sentia de Veneza.
Então rendeu-se. A rendição tinha sido a primeira lição que, a agora rubi, recém despertada de seu sono, havia aprendido com seu Dono.
Foi um longo e delicioso vôo aquele. Sentiu-se novamente tratada apenas como fêmea, apenas uma puta vadia abusada, currada, usada, manipulada de todas as formas possíveis para aquele espaço tão pequeno de uma fileira de avião. Passaram quase toda noite acordados. Aquele homem tocava rubi em silêncio. Não agia como quem tinha urgência, parecia que tinha todo tempo do mundo. Sua vistoria era silenciosa e, desta vez, mais terna do que o habitual.
Ele vinha subindo deliciosamente suas mãos dos joelhos de rubi até a sua fenda depilada. Quando lá chegava, juntava todos os dedos e a acariciava superficialmente. rubi estava encharcada. Por instinto de cadela, abria as pernas, lançava os quadris para cima, tentando pedir, implorar mesmo, um aprofundamento da mão para dentro de sua boceta. Ele, sempre no controle de si, da situação e dela, encostava o rosto em sua orelha e dizia:
- Não me lembro de ter mandado você abrir as pernas mais, minha vadia. Precisa aprender a se controlar querida.
Rubi se afogando em seu próprio tesão fechava os olhos, mordia os dedos e mandava a cabeça para trás. Ele se deliciava em vê-la assim, à beira do gozo e impedida pela sua decisão e vontade de atingi-lo.
- Continua sendo minha puta gulosa!
Rubi sempre se sentiu assim, gulosa. Era como um banquete para cem talheres servido a pessoas educadas demais, comedidas demais para se permitirem repetir. Ou como um doce servido numa festa para convidados diabéticos. A plenitude que sentia, trazida por aquela falta de comedimento de seu Dono, era inédita para ela. Ele se servia sem parcimônia. Queria sempre provar de tudo e muito. Nunca havia conhecido alguém assim, com tanta vontade e coragem pra ir com ela tão longe. Ele a degustava viva: se queria sua carne mal passada a sangrava; do contrário, a cozinhava em pingos de velas quando lhe aprazia. Tinha um apetite voraz e o impulso de ir mais, sempre mais. Era livre para experimentar e tinha o dom de induzi-la a provar antes que ela pudesse declarar que não gostava.
Agora seu Dono já estava com a mão forte em seu queixo.
- Lambuzou toda minha mão cadela. Chupa! Quero que sinta o gosto do teu cio.
Com a outra mão guiou a patinha de rubi até seu pau que latejava de tão duro, dando-lhe permissão para, enfim, tocá-lo. rubi sentia que uma hora acabaria gozando sem se tocar. Poucas vezes teve esta experiência, todas elas sob a regência ou inspiração de seu Dono. Sentia um tesão que parecia que ia lhe matar Encheu a mão com aquele pau duro, ereto, quente. Que maravilha era poder tocá-lo assim.
Seu dono tinha um estilo que havia aprendido a conhecer. Suas ordens eram bem claras, suas negativas especialmente. Seu NÃO era sonoro, alto e bem audível. Seu SIM já era dado de formas mais sutis. Muitas vezes vinha envolto em silêncio. Às vezes ela entendia que o que não era expressamente proibido, era permitido: permitido até que fosse proibido. Assim, ele lhe dava espaço para ser criativa, para se mostrar. Era uma cadelinha ousada, impulsiva, meio atrevida mesmo. Tinha uma docilidade que lhe vinha da alma e uma indisciplina e impulsividade que lhe vinha da história de vida. Assim, atirou-se logo no zíper da calça, segurou a pontinha e esperou. Como não veio o NÃO, ela então puxou o zíper com todo cuidado no que foi ajudada por um movimento de corpo do seu Dono. Enfim sentiu a textura da pele e o calor do seu membro rijo. Passava a mão por todo aquele conjunto que adorava, numa emoção que não sabia dizer. Puro instinto, fez um movimento de quem ia descendo a cabeça, hipnotizada pela vontade de sugá-lo. Aí sim, veio o NÃO.
- Cadelinha gulosa! Te dou um pouco, já quer tudo! Nada disso, quero sua boca na minha. Agora sou eu que quero provar do seu cio. Aquele beijo, com gosto de ser o primeiro, fez com que ela virasse seu corpo, tirando a bunda do assento. Acobertado pelo sobre tudo de rubi e estando ela junto à janela, seu Dono puxou todos os seus sucos com os dedos, lubrificou o rabo de rubi e penetrou-a com um, depois dois dedos.
- Goza para mim, minha puta. Este é o desejo de seu dono agora.
E assim aconteceu. Os dois adormeceram e fizeram as últimas horas daquele vôo abraçados, mãos entrelaçadas.
Ao chegarem,descendo as escadas do avião, rubi pensava consigo o que viria depois. Mas sua intuição não lhe falhou. Puxando-a para um canto do corredor de desembarque, enfiou a língua em sua boca com fúria e enquanto a beijava enfiou na lateral de sua calcinha um guardanapo. Depois sumiu no meio da multidão, sem dar-lhe tempo de dizer uma palavra. No guardanapo estava escrito:
Leia com bastante atenção. Embarque esta noite no último trem pra Veneza, estarei te esperando neste endereço. Viaje leve e procure dormir no trem: seu uso será contínuo e prolongado. Não se atrase cadela, não temos muito tempo.
Rubi faria uma conexão imediata para Milão. Viajava a trabalho, mas resolveu vir antes para aproveitar os feriados descansando. Havia marcado com seu irmão que morava longe dela também. Ele já devia estar indo para o aeroporto esperá-la. Mas aquele bilhete, colocado de forma tão despudorada em sua pele, fez cair por terra a última tentativa da razão argumentar sobre sua própria razoabilidade.
Foda-se o mundo, as passagens, os planos, pensou. Ligou para seu irmão, por sorte, seu melhor e mais doce amigo, e disse naturalmente que se atrasaria por quatro dias. Ele só perguntou se estava com algum problema, ao que rubi respondeu:
- Não, querido. Mas vou tentar tirar um atraso de dois anos.
Depositou sua bagagem no guarda-volumes do aeroporto. Por ali mesmo comprou pequenas coisas que imaginava poder precisar em Veneza, e almoçou. O tempo era curto, resolveu se lavar ali mesmo, no banheiro do aeroporto. Por mais que se lavasse, nada era capaz de tirar o cheiro de cadela no cio que se apoderou de seu corpo. Era assim que se sentia quando estava sob o poder daquele homem: uma fêmea animal, puro instinto, puro amor, o mais genuíno que conhecera. Algo que ultrapassava o puramente sexual: era muito mais dentro, era muito mais fundo; era de novo, a vontade louca do cativeiro que estava solta.
Ainda no chuveiro ensaboou bem seu montinho de pelos e os raspou, já que não havia como depilá-los com cera quente. Segurando os grandes lábios de sua boceta entre os dedos conferiu se estavam realmente lisos. Fez o mesmo na região anal.
Rubi ainda se lembrava de como seu Dono gostava de vê-la. Separou a lingerie mais bonita que tinha, seu perfume ainda era o mesmo a sandália de salto mais alto que encontrou na bagagem. Passou um creme em todo corpo. Prendeu cuidadosamente os cabelos para que parecessem displicentemente despenteados, deixando à mostra a nuca. Pouca maquiagem, o suficiente apenas para realçar seus olhos e seus lábios. Colocou sua lingerie, o dia estava muito frio. Assim, por cima colocou apenas seu sobre tudo, que no caso, estava direto sobre o tudo que importava: sua pele. Depois de arrumar-se preparou sua valise: muito pouca coisa.
Uma última conferida no espelho, uma borrifada de perfume e lá foi rubi rumo a Roma Termini, onde pegaria o trem para Veneza. Ticket comprado esperava pelo trem na plataforma de embarque. Ao embarcar, viu seu rosto refletido na janela.
Era engraçado como a submissão lhe dava um ar altivo, lhe fazia até parecer mais alta. Quando a cadela acordava, sentia-se dona de um poder, de uma força inexplicável: o poder que lhe era dado pela possibilidade de viver sua entrega.
Embarcou confiante rumo ao inusitado.