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Diálogo - Descoberta e Iniciação de Uma Domme e sua Sub
- Esse caso me marcou não apenas por ter sido meu primeiro relacionamento com uma garota, mas também por ser a minha iniciação como dominadora.
- Eram dois lados teus que não conhecias, então?
- Digamos que esses sentimentos surgiam em mim como "flashes", sabe. Quanto ao bdsm, eu já vinha pesquisando alguma coisa, mas nunca
praticara. Sempre achei interessante essa filosofia, todo o simbolismo envolvido, a multiplicidade de manifestações do desejo. Só achava meio palhaçada alguns rituais, tipo o de encoleiramento e tal, mas depois comecei a entender melhor o significado, a intensidade da experiência para os envolvidos...
- E quanto à garota?
- Ah, sim. Foi outra grande descoberta pra mim. Isso era algo mais profundo, que custou um pouco a aflorar. Sabe como é, toda a pressão da sociedade... O engraçado é que as minhas primeiras fantasias como dominadora eram subjugando uma garota, acredita? Sei lá por quê. Talvez por medo, ou por achar que não haveria sintonia praticando com um homem, ou que o
bdsm reproduzia a sociedade patriarcal, sei lá. Mas é certo que o bdsm foi fundamental para que eu deixasse aflorar meu lado bi.
- Como foi o início com a Carol?
- Meu primeiro contato com a Carol foi na ocasião do trote aos calouros do curso de Letras, que eu fazia na época. Ela era caloura, obviamente, e eu, veterana, uma das(os) algozes naquele contexto. Lembro que a gente judiou a valer deles, pobrezinhos. Era tinta e todo tipo de porcarias que jogávamos neles, rolagem na lama, prendas que eles tinham de pagar, micos, juramentos ridículos... enfim, pintamos e bordamos, mais até do que sofrêramos quando do nosso ingresso.
- Pobre da Carolzinha...
- Pois é. Não pude deixar de reparar naquela garotinha de olhar aflito, baixinha, de aspecto frágil, cabelo chanel e rostinho delicado. Carol me olhava com uma carinha tão triste, aquele cabelo empapado de tinta, escorrendo pela testa... tinha que ver! Notei que ela ficava sempre perto de mim, e não reagia de nenhuma forma às minhas maldades. E eu? Não queria nem saber: ia tacando tinta e farinha na pobrezinha, fazendo ela
sentar na lama, se arrastar. Ela só baixava a cabeça, obedecia, e me voltava aquele olhar suplicante. Depois fiz a Carol desfilar numa passarela improvisada, junto com outras, pronunciar um juramento (sabia da sua timidez) e um monte de coisas. No fim, tava me ocupando só dela. Meus colegas, rindo, lamentavam a sorte da pobre garota nas minhas mãos. Meu deus, eu era um bocado malvadinha, sabe...
- Tô vendo! He! he! he! Onde a inocente Carol foi cair... Acho que tu estavas praticando inconscientemente aquilo que sentias que viria aflorar mais tarde, não?
- O bdsm? Talvez. Por ter esquecido dos outros bixos e preferido judiar só dela, né? Bem possível...
- E depois?
- No decorrer do semestre, cruzávamo-nos freqüentemente pelo campus. Carol raramente me olhava nos olhos, parece que tinha medo, sei lá.
Simplesmente baixava a cabeça, numa atitude submissa. Se ela estava numa fila, tipo no xerox ou no bar, e eu chegava, ela automaticamente me
cedia o lugar, inventando alguma desculpa se fosse preciso, com um risinho tímido. Eu aceitava, mas ficava meio sem jeito, não entendendo o porquê daquelas gentilezas. Não podia ser ainda por causa do medo, né? Qual a intenção dela? Tava ficando cada vez mais intrigada com aquilo, fora que, às vezes, meus colegas reparavam e eu ficava sem-graça. Tinha de arrumar um jeito de pegar aquela garota num canto e perguntar qual era a dela. E foi o que fiz.
- Mas vocês não conversavam?
- Trocávamos poucas palavras, e era sempre eu quem puxava assunto. Carol aproveitava para perguntar umas coisas sobre as disciplinas e os professores, timidamente, e não se alongava muito. Reparei que ela se mostrava bastante prestativa comigo, oferecendo-se para tirar cópias que eu precisasse, buscar algo pra mim ou o que fosse. Realmente, eu não podia entender aquilo. Se ainda me odiasse...
- E como foi a "conversa definitiva"?
- Eis que um belo dia eu a pego desprevenida no bar, lanchando numa mesa, e sento à sua frente. Reparando que o meu olhar era mais sério que de costume, Carol logo tratou de inventar uma desculpa pra sair, mas eu a segurei pelo braço. Aquele olhar suplicante do dia do trote voltou aos seus olhos, e ela emudeceu.
"Acho que precisamos ter uma conversinha, não?", falei.
"Sobre o que?", seus lábios trêmulos balbuciaram.
"Desde o dia do trote, não tô entendendo esse teu modo de agir comigo. Naquele dia, era até compreensível, mas desde então... Qual é a tua, hein?"
Carol baixou a cabeça. Demorou um pouco a responder:
"Não fiquei brava contigo."
"Isso eu reparei, mas por que essa solicitude, essa submissão toda? Continua com medo de mim, por acaso?"
"Não, Érica."
"E então?"
"Aquele dia foi uma experiência muito intensa pra mim, não encarei da mesma forma que meus colegas; sentimentos profundos vieram à tona, e você teve papel fundamental nessa minha descoberta.", revelou.
"Como assim? Que sentimentos? Que descoberta?"
"Não conseguia ficar com nenhuma raiva pelas punições que você me infligia. Pelo contrário, por alguma razão sentia que você estava fazendo o que devia fazer, e cabia a mim ficar ali, ao seu inteiro dispor, sem me queixar ou reagir. Nunca tinha reagido dessa forma perante qualquer agressão, foram sentimentos e pensamentos que nunca tive, e isso me deixou bem confusa e assustada.", Carol desabafou.
"Você devia ter pedido pra eu parar. Por que não o fez?"
"Duas forças conflitantes agiam dentro de mim: uma queria me levar de volta ao equilíbrio, enquanto a outra atuava para que eu descobrisse o que aqueles sentimentos misteriosos queriam me mostrar. Só lembro que, em determinado momento, ajoelhada e ao teu inteiro dispor, senti pela primeira vez na vida que eu estava 100% protegida, e que você representava essa proteção. Nem com minha mãe experimentei tal sensação. Por mais estranho que possa parecer... Essa proteção é algo que sempre busquei... inconscientemente, agora sei... e não quero perdê-la...", completou Carol, as últimas palavras balbuciadas entre lágrimas. Levantou-se e saiu, quase correndo, antes que eu pudesse dizer qualquer coisa. Nem conseguiria, de qualquer forma.
- Puxa... que revelação, hein?
- É mesmo. Me pegou de um jeito... fiquei paralisada, atônita, sem chão. Óbvio que não dormi naquela noite, e só voltei a encontrar Carol dois dias depois. Lembrei que eu lera certa vez o depoimento de uma escrava, não lembro onde, mas ela falava desse lance da proteção, de um tipo de cumplicidade completa e absoluta, algo que não existe no mundo baunilha. Confesso que esse flash me ocorreu no momento da confissão da Carol. Também o lance da subversão dos sentimentos, deixando a pessoa assustada consigo mesma, lembro que ela falou disso também. Demorou um pouco pra cair a ficha, sabe, mas logo comecei a juntar as peças. A descoberta, o desabrochar não foi apenas da Carol.
- Caramba... tô impressionado. Foi algo realmente mágico, pras duas.
- Não sei como funciona com vocês, homens. A impressão que tenho é que entre mulheres o sentimento é mais intenso, rola mais cumplicidade e tal.
- Eh! Eh! Não se deixe cair em explicações fáceis! O mundo baunilha é uma coisa; no bdsm, tudo muda... Mas conte: como foi depois?
- Passado o choque inicial, voltamos a nos falar, aos poucos. Ela tava um pouco apreensiva quanto à minha reação, no início. Mas teve o lado bom de tudo isso, sabe? Agora eu não ficava mais relutante, pisando em ovos a cada encontro com Carol; sabendo que eu não levara a mal sua confissão, ela também passou a agir com mais naturalidade na minha presença; nos entendíamos melhor. Tomei coragem de contar a ela sobre minhas pesquisas no mundo bdsm, meus sentimentos secretos e os "flashes" que a confissão dela me trouxe. Descobri então, com muita alegria, que ela partilhava do mesmo interesse e também aventurara-se algumas vezes na net, buscando informações. Confessou que eu tivera um papel fundamental na descoberta dela como sub, e que aquele dia do trote foi um dos mais mágicos e significativos da sua vida, senão o mais. Mesmo entre dezenas de pessoas, era como se estivéssemos em outra dimensão, só nossa, onde tudo era cumplicidade e descoberta. Nada mais tinha importância...
- Que história linda... E como terminou essa segunda etapa de confissões?
- Ora, da melhor forma possível! Eh! Eh! Selamos naquele mesmo instante nosso pacto: a partir de então, eu seria dona da Carol, e ela, minha carinhosa escravinha. Em vez do tradicional ritual de encoleiramento (que no fundo ainda acho uma bobagem, rsrs), selamos nosso acordo com um apertado e lacrimoso abraço, sem público, sem liturgias. Foi um momento muito emocionante para nós duas, uma linda coincidência, duas almas se completando da mesma forma que se descobriram, alheias a tudo, imersas em pura magia...
- Fico feliz por vocês. Suas histórias parecem um conto de fadas.
- É mesmo, né?
- E como foi daí pra frente?
- Bem, combinamos várias coisas sobre a nossa rotina a partir de então. Deixei claro que não queria nenhum tipo de indiscrição da parte dela no ambiente do campus; nossos colegas não poderiam desconfiar de nada. Carol estaria, ainda assim, sob o meu comando e seguindo minhas ordens, mas de forma discreta. Era bem divertido até; eu mandava-a tirar cópias ou trazer documentos pra mim, buscar cafezinho, lanches, carregar meus cadernos e tudo o que me desse na telha, e ela fazia tudo discretamente, sem levantar suspeitas. Nos divertíamos com isso; Carol adorava... Combinamos até uma forma de ela receber minha punição quando errava em alguma dessas tarefas (no ambiente da faculdade): levava ela a um banheiro raramente usado, numa parte antiga do prédio, e lá, após xingá-la bastante, dava-lhe umas boas palmadas. Recompunha-mo-nos e voltávamos à sala, como se nada tivesse acontecido.
- Eh! Eh! Eh! Bacana, isso! Não há razão para que não seja divertido. Muitos levam a sério demais.
- É verdade. Fomos nos descobrindo aos poucos, como deve ser. Ainda não tínhamos tido "aquela" sessão bdsm, com cordas, velas, muito spanking (era desejo de ambas), algo mais hard, sabe? E o que viria depois, que ansiávamos ainda mais intensamente... Mas não demorou muito, nosso tesão crescia dia a dia.
- Hum... e como aconteceu?
- Ha! Ha! Ha! Muito curiosinho pro meu gosto, viu? Qualquer hora te conto!
- Aaaahh... só uma prévia, please!
- Só posso dizer que tudo começou com um bilhetinho que a Carol me mandou durante a aula. Dizia assim: "To lembrando dessa rasteirinha que a sra. tá usando. É a mesma do dia do trote, não? É sim. Não posso esperar mais pra perguntar uma coisa: quando é que ela vai deixar a bundinha da tua escrava em brasa? ps. não to mais me segurando na cadeira... ass. tua escrava rebelde". Só digo que naquele dia minhas rasteirinhas entraram em ação, e pra valer! Carol aprendeu a não brincar com fogo... Foi o terceiro ritual mágico da nossa relação.
- Conta o restoooo, por favor!
- Outro dia, hehehe! Bye!