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A Correção Conjugal
Eu portei-me muito mal nestes quatro anos de casado. Habituado à vida nocturna de solteiro e aos copos com os amigos, eu negligenciei minha mulher, apesar do seu corpo escultural, dos seus cabelos e olhos verdes que faziem delirar muitos homens quando passa nas ruas. E no entanto, quantas noites deixei de dormir com ela, por na farra com os amigos, ter pago a prostitutas vulgares, cujo sexo comercial nada tinha a ver com seus braços quentes, e o seu corpo ansioso procurando o meu por prazer. È que minha mulher, além de bela, é fogosa, presta-se a todas as fantasias, menos a de ser traída, em especial se constata que em tais traições, seu marido esgota seu tesão, e sua carteira.
Não me deveria pois ter-me admirado, quando certa madrugada, já completamente bêbado, a camisa e o rosto manchados de baton vulgar, o odor de perfume de puta no corpo e na roupa, ao entrar em casa, deparo com minha mulher deitada na cama, com um amigo nosso do tempo da Faculdade, abraçada a ele por baixo dos lençóis. Adivinhei-os nus, adormecidos, provavelmente exaustos depois do amor que tinham feito, tranquilos como se aquela não fosse a minha cama, a minha casa, e ela, a minha mulher. Sei hoje que minha mulher fez de propósito para que eu a encontrasse corneando-me, e dessa forma pudesse ver cruamente, que eu não era o único homem que podia arranjar. Sei hoje que essa foi a primeira lição que levei, e eu agradeço-lha do fundo de meu coração, mas na altura pensei que aquilo não passasse de alucinação, efeitos do alcoól e de uma noite com mulheres da vida, ou que os dois estivessem mortos, tão tranquilos os via.
Um homem verdadeiro, na tradição de minha família, teria morto os dois naquele instante, ou tê-lo-ia morto a ele, pelo menos. Afinal também se dizia que honra de macho lava-se com sangue de outro macho, ou matava-a a ela, uma vez que afinal ela é que era minha mulher, e fora ela quem me corneara (há quanto tempo, me cornearia ela?). Ou então, tê-los-ia acordado, discutido, exigido uma explicação, ameaçado com um escândalo, que sempre seria um comportamento mais civilizado, como impõem os nossos dias para os quais a honra já é um conceito que pouco conta.
Mas eu não fiz nada disso. Fiquei ali parado, procurando não fazer barulho para os não acordar, nem sei em que pensando. Depois saí, eles continuavam dormindo, passeei sozinho por entre as ruas da cidade, sentindo o frio da noite, e pela primeira vez na vida, compreendo o quanto magoara aquela que tanto me amava, a ponto de ter casado comigo quando tivera outros pretendentes muito mais vantajosos que eu. Compreendi o que significava ser traído, e como seria terrível perdê-la. Este pensamento não me saía da cabeça, era pior do que saber que tinha um par de galhos sobre a testa. Ele divorciara-se recentemente, ela era formosíssima, ele era mais rico que eu, nada obstava a que os dois se juntassem, e me deixassem com as minhas putas de boteco, os copos e as farras com os amigos. E eu por nada queria que isso acontecesse.
Quando o Sol despontou, eu ainda estava na rua. Não me deitara, e nessa manhã não comi nada. Telefonei para o escritório, pretextei uma desculpa para não aparecer. Eram dez da manhã quando entrei de novo em casa, minha mulher e o amante já lá não estavam, a cama feita. Mais uma noite que ele passou fora, deve ter pensado ela. Mas eu estava agora determinado a que aquela fosse a última.
Guardei sempre na cave da casa, herdados de meu pai, uma velha palmatória de seis olhos, e um cavalete de duas pernas, que aberto se assemelhava a uma escada móvel sem degraus, em cuja junção superior, quando me portava mal, meu pai amarrava meu tronco, os braços amarrados à perna dianteira do cavalete, as minhas pernas à perna traseira, e ali com meu cu completamente vulnerável e à sua mercê, ele descarregava sem piedade, a menina dos seis olhos, até seu braço ceder, ou até eu de lágrimas nos olhos suplicar-lhe encarecidamente que parasse. Dissera meu pai, quando mos legara, que tais utensílios de punição paterna de que ele se servia liberalmente, já vinham do seu bisavô, todos os rapazes da família era castigados daquele jeito, e ao filho mais velho costumavam ser passados, para que a tradição se mantivesse.
- Um dia, que tenhas um filho dissera-me - -e que ele precise de uma sova, usa-os nele. Vais ver como se endireita! E vai-a usando com mais força à medida que os anos lhe forem passando, como eu fazia contigo, e o teu avô comigo.
Curiosamente, apesar do castigo ser brutal, e me deixar sempre em estado de eu não me conseguir sentar devidamente durante vários dias, sentia uma enorme sensação de alívio, de prazer e de graça comigo mesmo, todas as vezes que meu pai me espancava, em especial quando ele, no final, me deixava ali amarrado o resto do dia ou da noite, ao frio, tantas vezes o sangue pingando de minhas nádegas feridas. Devido à formação religiosa que tivera atribuía isso à justeza de o merecer pois meu pai não me batia sem razão. E seria essa uma das razões. Mas a outra só recentemente a admiti. A dor que a palmatória me provocava agradava-me, as cordas que me comiam os pulsos e os tornozelos, e me deixavam lacerado, a vergonha da exposição de meu cu e de meus tomates, entrevistos balançando por entre as coxas, provocava-me o mesmo estado de excitação que mais tarde encontrei no sexo, ainda para mais quando tal dor era causada por um homem que tanto admirava como meu pai. Eu não tinha ainda um filho, mas tinha uma mulher que admirava tanto como meu pai. Ao pegar na velha palmatória que já fora usada pelo bisavô de meu pai, não duvidei que ela nas mãos de minha mulher faria em mim os mesmos resultados, do que nas dele. E que a dor provocada seria muito mais estimulante!
Só ao fim da tarde minha mulher chegou, como de costume. Em cima da mesa da sala, um embrulho, um laço de prenda, e um cartão com o nome dela. Pouco habituada a receber algo de mim, além de indiferença e má educação, minha mulher admirou-se:
- Para mim?
- Abre.
A cara de surpresa ao ver o conteúdo do presente.
- Para que quero uma velha palmatória?
- Para me corrigires e pores na linha respondi-lhe. Contei-lhe então a história daquela palmatória, e porque razão ela estava conservada na família desde há cinco gerações, e como ela nesse espaço de tempo vinha sendo utilizada no cu dos descendentes varões.
- Nós não temos filhos, por enquanto, nem se os tivéssemos eu a poderia utilizar neles, pois o meu comportamento para contigo tem sido mais infantil do que qualquer falta que qualquer rapaz na adolescência, possa cometer. E por isso é justo, que me trates como eu deveria tratar um filho que andasse fazendo o que eu ando. Peço-te por favor, que sejas neste momento o meu pai, e faças o que ele deveria fazer.
E ajoelhando-me a seus pés, beijei-os, agarrei suas mãos e beijei-as, peguei na palmatória que ela pousara, e beijei-a. Como me sabia bem beijá-la daquele modo! Minha querida estava sensibilizada, não sei se acreditava que me poderia corrigir, mas sentia-se comovida com meu arrependimento.
- Ouve começou a dizer eu também não sou tão inocente como poderás pensar, eu também..
Interrompi-a. Não lhe ia dizer que a apanhara na cama com ele.
- Cala-te! Se há aqui um único culpado, sou eu. Leva-me para cave e bate-me até te fartares. Eu mereço, e eu quero que me batas. Nunca pensei vir a dizer-te isto, mas é verdade, hoje compreendi que tenho sido estúpido para contigo, e que só castigando-me não voltarei a proceder para contigo, como tenho procedido até hoje. Anda! Vamos! Não percamos mais tempo!
Convencida pela minha determinação, deu-me as mãos e abalamos para a cave. Eu próprio abri o cavalete, e ela teve uma generosidade comigo. Quando me principiava a despir, ela mesma me tirou a roupa, dizendo querer compensar-me do mal que me ia fazer, e me ajudou a subir para o cavalete.
- Aperta bem as cordas para eu não me poder mexer eu lembrava-me como eram duras as surras dadas daquela maneira, mesmo sabendo que minha mulher não tinha os braços fortes de meu pai. E ela amarrou bem. Sabia que ela me amava, por isso recomendei-lhe:
- Não me poupes! Quero que batas com toda a força, para que eu nunca me esqueça do dia de hoje. Lembra-te que tens mais motivos para te queixares de mim que meu pai, e ele surrava-me violentamente, até me arrancar a pele do cu. E é assim que deves fazer, percebes?
Minha mulher garantiu-me ter captado o espírito da coisa. Que ficasse sossegado, que me marcaria o cu todo.
- Na verdade - confessou-me ela já há muito tempo que andava com vontade de te ter assim a meu jeito. Só nunca esperei vir a fazê-lo a solicitação tua.
A palmatória descreveu um amplo arco no ar, dir-se-ia que minha mulher tomara balanço bem de trás, ela fizera provavelmente um ângulo de 180º antes de assentar em cheio no meu cu, mordendo-me a pele fria com um chape profundo e audível que ecoou nas paredes de pedra da cave, e me fez arrancar o mesmo grito que meu pai arrancava de mim. Houve uma pequena pausa, talvez para descansar seu braço, não o cansar demasiado depressa, e assim poder prolongar mais o meu castigo, talvez para que eu pudesse absorver melhor a dor da primeira pancada, como fazia meu pai, e eu fiquei contente por ela saber como se fazia, sem ser preciso explicar-lhe, e depois uma segunda pancada, e outra, e outra, e outra. Seu braço agora adquirira ritmo, o intervalo entre cada palmada obedecia à mesma cadência, por vezes afrouxava um pouco o ritmo, mas logo a seguir o aumentava, a dor ia-se tornando cada vez mais insuportável e eu agora berrava como um perdido, nem meu pai me batia assim com tanta força, procurava espojar-me, tentar afrouxar aquela dor de alguma maneira, mas não podia, queria fugir com o meu cu áquela saraivada de palmatoadas, mas não o podia mexer mais do que escassos centímetros, e eles não me punham fora do alcance daquela régua que já punira meus avós, pelo contrário de cada vez que tentava fugir os nós apertados das cordas dilaceravam minha carne, enterravam-se fundo na minha pele, e provocavam-me uma dor tão forte como as palmatoadas. Meu cu agora estava ardendo, da sua pele rebentada um líquido espesso escorria pelas minhas pernas abaixo, e por vezes pelo ar, no arco impiedoso descrito pela palmatória, pequenas gotas vermelhas e mornas tombavam no meu pescoço, nos meus ombros, nas minhas costas
Queria voltar a cara e apanhar com a boca algum daquele líquido, mas a visão da sua mão brandindo cadenciada o instrumento do meu suplício, era terrível de mais para que eu a pudesse suportar.
Minha mulher dir-se-ia possuída. Admirava-me como o seu braço frágil não se cansava de desferir palmatoadas, a sua raiva acumulada nestes quatro anos só podia ser imensa, meu cu era agora uma amálgama de carnes, de tão quente que estava já nem me doía. Mas ela continuava teimosamente batendo, parava por vezes transpirada, por breves instantes, e continuava a bater, por vezes era o próprio corpo dela quem recuava para que a sua mão me pudesse bater com mais força, eu berrava, berrava como um menino, berrava como nunca berrei quando apanhava tareia de meu pai, e a sua mão continuava a desenhar meios-arcos no ar, meus pulsos e meus tornozelos sangravam, o meu constante friccionar as cordas queimava-me a pele, meu caralho escamava do atrito na madeira do cavalete. Compreendi que já não era dor que minha mulher me queria provocar. Era muito mais do que isso. Ela queria marcar-me irremediavelmente, tatuar na pele do meu cu aquela lição memorável que me estava a dar. Mentalmente agradeci-lhe, embora não fosse minha ideia ter ido tão longe.
Era quase meia noite, quando o telemóvel tocou. Eu tão cedo não conseguiria andar. Que desculpa daria para não ir trabalhar nos próximos tempos? Ela viu quem era. Fez menção de não atender. Compreendi que era ele. Apesar da dor consegui falar.
- Não atendes? Ele imaginou que eu não estivesse em casa e ligou-te? Se estás com ideias de passares a noite com ele, estás à vontade. Aceito tudo o que quiseres.
- Então já sabes? perguntou-me.
- Vi-vos a noite passada por acaso. Mas não te culpo. Eu mereci. Por isso te solicitei este castigo, que quero repitas todos os meses, pelos menos neste primeiro ano.
- Eu amo-te. Mas sentia-me tão sozinha
E admito que me quis vingar.
- Fizeste bem reconheci Vais ver como a tua traição, e o castigo que me destes hoje, vão salvar a nossa relação. Eu também te amo, e não te quero perder.
- Olha que o castigo ainda não terminou!
- Eu continuo amarrado, e à tua disposição.
Ela então baixou-se, encostou seu rosto ao meu, e beijou-o. Há quanto tempo não me beijava ela! E como era doce seu beijo! O telemóvel não parava de tocar.
- Porque não atendes, e lhe dizes que já não tens lugar para ele, que o teu marido te está inteiramente submetido como ele nunca se atreveria a submeter-se? desafiei-a.
- Aceitavas que fizesse isso?
- Não te disse que estava nas tuas mãos?
A conversa que tiveram foi interessante. Ele começou por não acreditar no que ela lhe dizia, no meu arrependimento, nem que ela passara as três últimas horas palmatoando meu cu com raiva assassina. Eu gritava que era verdade, que tinha o cu, os pulsos e os tornozelos queimando em carne viva, e pela primeira vez desde que era casado, estava feliz com minha mulher, porque agora sim, sentia-me de verdade seu marido, mais do que quando dissera sim em frente das testemunhas, na cerimónia do casamento. Ele desligou, desconcertado, pensando que tanto eu como minha mulher, éramos dois doidos varridos, e que a ele a deveria esquecer.
Minha mulher apesar de reconhecer ter-se excedido na sova, quis acrescentar ainda, antes de dar por terminado meu castigo, um toque pessoal. Saiu, foi ao quintal, e voltou com uma vara fina de marmeleiro.
- Para veres a confiança que já deposito em ti disse-me vou querer que me ajudes neste último suplicio. Vou-te desamarrar as mãos, vais abrir bem com elas as bordas do cu, de maneira a que o teu rego fique bem aberto de cima a baixo, e as conserves lá, enquanto te aplico vinte vergastadas com esta vara. Mas se retirares as mãos, ou fechares o cu, levas vinte vergastadas nos tomates.
Com os dedos das mãos livres e dormentes, abri o melhor que pude as bordas do cu, procurando que ficassem afastadas o mais possível da entrada, para que a vara não as atingisse muitas vezes. O canal estava agora revelado, minha mulher sentava-se nas minhas costas, eu não podia ver mas a deslocação de ar provocada pelo movimento oscilatório do seu braço indicava-me que ela fazia um novo ângulo de 180º , conta em voz alta, ordenou ela, mas eu só comecei a contar quando a vara chocou mesmo no fundo do meu rego, do fundo das costas até ao início da curva das minhas coxas, disse um e gritei, mas já a segunda varada, tão cadenciada sua mão como quando me palmatoara as nádegas, vinha a caminho, dir-se-ia trespassar meu rego e atingir-me a próstata, os intestinos, a barriga, e o meu rego era um enorme ardor à medida que as varadas se sucediam, sentia-o tão líquido, espesso e morno, como minhas nádegas, e agora eram meus dedos que apanhavam de raspão com uma varada mal encaminhada, ai como aquilo era doloroso! Mas como me fazia sentir cada vez mais dela, ai, como doía! Como eu me queria mexer, mas não me atrevia, sempre que a vara atingia meu rego ficava a poucos centímetros de meus colhões, meu rego agora sangrava abundantemente, e pingava no chão
Quando acabou, e meus tornozelos foram desamarrados, eu estava mais morto que vivo. Sentia-me desfalecer com a perda de sangue e a violência que sofrera. Mas pela primeira vez na vida, sentia que a amava cada vez mais, e que aquele espancamento valera a pena. Ela também.
Nessa noite dormimos juntos, embora eu não tenha pregado olho, pois até o lençol esfregando-me no cu me fazia doer. Mas estava cheio de tesão, apesar do corpo moído, eu que apesar da esposa desejada que tinha, passara quatro anos gastando meu tesão com meretrizes, e ela depois daquilo estava com tanto tesão como eu. Fizemos amor como nunca tínhamos feito, compreendemos que dali em diante, sessões como aquela teriam de ser repetidas. Agradeci em espírito o legado hereditário que me coube. Não fosse ele, e seria o Outro quem estaria ali deitado, não eu.