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Deus Grego, Deus Negro
Passei trinta e dois anos de minha vida me sentindo, vestindo, falando, pensando e desejando como um machista igual aos outros. Minhas conversas prediletas com os amigos eram apenas exibicionismos sobre o que eu fazia com as mulheres a cama e sobre o que eu e o meu pau fazíamos para enlouquecer elas. E tudo isso só pra mostrar que eu era um macho de verdade, que diante de mim os outros não passavam de viadinhos incapazes. Em resumo, só eu era o gostosão, o fodedor irresistível, o que jamais ouviria o "não" de uma mulher.
Ocorria, porém, que eu escondia algumas taras até de mim mesmo. Eram certos desejos de criança que tinham sido soterrados durante anos e anos e que a qualquer momento poderiam explodir e se revelar a mim e aos outros.
Pra começar, me excitava a idéia de mulheres me dominando, me dando ordens, me castigando e me humilhando muito. Meu orgulho machista afastava sempre esses pensamentos, não deixando eles tomarem livremente o meu ser, apesar da tentação de me entregar a eles. Eu não percebia que um lado inteiro de mim recusava a plenitude do ser e que o corpo iria me cobrar caro pela entrega que eu teimava em lhe negar. O castigo me estava reservado e a humilhação deveria ser proporcional à intensidade de minha resistência anterior, e o resultado final viria a ser o rompimento de todo o meu orgulho, preconceito e "normalidade".
Aconteceu na casa de um amigo meu, que era estudante universitário em Salvador e que tinha convidado seus colegas de faculdade para uma festa num sábado à noite. A festinha corria solta desde o começo da noite e o pessoal estava bem a vontade, já que os pais dele iriam passar mais de uma semana fora, ou seja, estava tudo do jeito que o diabo gosta. O apartamento era amplo o suficiente para oferecer grande variedade de comportamentos em que as pessoas se exibiam e se entrosavam de acordo com seus interesses comuns. Num quartinho que seriva de biblioteca, duas lésbicas se abraçavam e beijavam com paixão; na cozinha, se discutia política ao lado do freezer; no quarto de meu amigo um casal se trancava por mais de uma hora; na sala se dançava rock ao som de Legião Urbana (o ano era 1992); no quarto dos pais do meu amigo, um negro bem sarado assistia, sozinho, uma fita de vídeo erótica, e foi aí, nesse quarto, que começou minha grande transformação.
Estava passando pela porta desse quarto, com uma garrafa de cerveja e meu copo na mão, quando resolvi perguntar ao negro se podia completar seu copo, que já estava meio vazio. Ele agradeceu, estendeu o copo e comentou sobre o filme que estava vendo, convidando-me para sentar-me numa poltrona ao lado da cama em que ele estava e assistir com ele. Era um filme sadomasoquista, e ele me perguntou se alguma vez eu já havia dominado, esturprado ou humilhado alguma mulher. Respondi que não, então ele pegou o controle-remoto e voltou a fita até um ponto em que dois assaltantes entravam na casa de um casal, esturpravam a esposa na frente do marido, depois o obrigavam a coisas degradantes (como lamber a porra deles que escorria de dentro dela) e terminavam mandando eles beijar os paus deles com carinho e agradecer a ambos pelo que fizeram com a mulherzinha dele.
Eu não sabia por que, mas aquelas cenas estavam me deixando excitado de uma forma diferente dos filmes eróticos que eu costumava assistir. Era tudo mais intenso, principalmente as partes em que o marido estava sendo humihado. Quase inconscientemente eu me imagnava na pele dele e isso me excitava ainda mais. Ao mesmo tempo ouvia a conversa do negro, que dizia que adorava humilhar o maridinho corno de uma professora dele, que lhe oferecia a esposa sempre que o negro queria usa-la. Eu mergulhava naqueles relatos morrendo de inveja por ele falar de sua grande experiência em dominação e que nenhuma mulher jamais resistiu a ele e que ele sempre deu jeito de os maridinhos ficarem caladinhos ou as preparando.
Eu tinha que reconhecer para mim mesmo que não conseguia deixar de me excitar ao pensar-me na pele daqueles maridos humilhados por outros machos no filme e no relato do negro. Acabei de assistir com ele o filme, trocamos nossos números de telefone, tomei mais umas cervejas e fui pra casa descansar, pois no outro dia tinha encontro cedo com minha noiva, Kátia, uma linda gata de 28 anos, corpo exuberante e fogosa na cama, com quem eu tinha casamento marcado para seis meses depois.
Fui encontra-la ainda excitado e inspirado pela conversa com o negro, cujo nome eu agora sabia ser Jorge. Não resistia a tentação de tentar aplicar em Kátia o que pensava ter aprendido com Jorge, torná-la minha escrava submissa. Contudo, vi que na prática não era nada simples, pois ela resistiu àquela "loucura" dizendo que não curtia e que eu não tentasse fazer mais assim. Fiquei frustrado e, é claro, o desejo de fazer isso foi tomando conta de mim, ao passo que a inveja e admiração pela experiência do negro Jorge foi crescendo paralelamente. A presença dele em meu pensamento foi se tornando mais e mais constante a ponto de as vezes ultrapassar a de minha noiva, o que irritava bastante meu machismo. Por outro lado notava que a imagem do marido humilhado era muito mais excitante para mim do que a do assaltante dominador do filme, e o resultado foi que começava a viciar em bater punhetas deliciosas pensando em Kátia (na historinha, já minha esposa) sendo usada por um negão na minha frente e eu sendo humilhado por ele, que me dava ordens e me batia. O pior de tudo é que eu tinha dificuldade em evitar que esse negro imaginado se transformasse na imagem do rosto e do corpo de Jorge. A cada dia que passava eu tomava consciencia de que estava sendo psicologicamente dominado por ele.
Um dia, após umas cervejas, não resisti e resolvi ligar pra ele, louco para encontrar um pretexto para encontrá-lo, falar com ele, buscar uma pista que explicasse aquilo que eu estava sentindo. Quando ele atendeu o telefone eu gaguejei que gostaria muito de encontrar uma fita de vídeo parecida com aquela que tínhamos assistido na casa de meu amigo, e perguntava se ele não poderia me indicar algumas para eu alugar. Ele respondeu que eu fosse a casa dele e ele me mostraria uns filmes muito bons e que poderia me emprestar.
Fui ao AP dele no dia e horário marcados, uma quarta-feira à tarde. Ele me recebeu de camiseta, um short jeans meio justo, daqueles desfiados na bainha e que destacava o contorno atlético de suas pernas meio peludas e malhadas, numa mistura geral de deus grego e deus grego. Recebeu-me como se fôssemos velhos amigos e me convidou para seu quarto, onde havia uma enorme TV e várias fitas de vídeo espalhadas pela cama. Sugeriu que sentássemos numas enormes e confortáveis almofadas espalhadas pelo chão e começou a mostrar-me vários trechos de fitas, comentando algumas e perguntando minha opinião, de forma que o papo estava ficando cada vez mais aberto e franco.
Eu notava que minha voz ficava visivelmente alterada quando eu comentava trechos parecidos com os que haviam tomado conta da minha mente desde que eu o conheci. Me perguntou se eu tinha namorada ou esposa e por que não fazia com ela aquilo que estávamos vendo nos filmes, afinal ele via claramente que as cenas estavam me matando de tesão. Eu contei que havia tentado convencer Kátia a aceitar-me como dominador mas que ela tinha negado terminantemente. Ele riu muito e disse que eu havia tentado fazer com ela algo para o que eu não tinha nascido, e que ela jamais iria topar porque eu não tinha talento para mandar, que as mulheres preferem entregar as melhores coisas que têm não aos homens que as pedem, mas aos que as tomam. Eu, perplexo, sem saber como interpretar isso, apenas pude murmurar, visivelmente frustrado:
- Como assim?
Ele deu uma risada estranha, olhou-me com ar ameaçador, desligou a TV, jogou o controle-remoto sobre a c ama, ficou de pé na minha frente e falou com voz firme, alta e impositiva:
- Escute aqui, rapazinho, estou sondando você desde que entrou aqui. Reparei seu modo de agir, sua voz trêmula, sua respiração difícil, as cenas dos filmes em que você ficou mais vermelho ou em que sua fala se alterou mais. É mais que o suficiente para perceber com certeza que você caiu na minha armadilha.
Eu estava tão assustado e amedrontado com o que ele dizia que apenas consegui olhá-lo espantado e balbuciar novamente:
- C-c-como assim?
Ele riu de minha resposta ridícula e falou e falou com voz alta e determinada, como quem não admite questionamento, que eu deveria ficar em pé diante dele e fixar meu olhar bem em seus olhos. Obedeci sem sequer pestanejar e vi-me diante de um olhar profundo que me aterrorizava até a alma enquanto ele me falava:
- Olhe bem fixo nos meus olhos pois é talvez a ultima vez que lhe dou a permissão de faze-lo! São os olhos de alguém que conhece seus pensamentos mais secretos e que lhe obrigará a confessá-los a mim e a quem eu quiser que os conheça, independentemente de isso sser humihante ou não para você. A partir de agora eu controlo todo o seu ser e determino o que você deverá fazer, querer, pensar e gostar. Tudo aquilo que você chamava até agora de "sua" vida será dedicado à satisfação de meus prazeres, meus caprichos, meus desejos e vontades. Você é meu objeto e eu sou seu dono, e exijo ser chamado sempre de "senhor", entendeu?
Minha mente estava mais que confusa ouvindo isso, e meu machismo guerreava contra um outro "eu" desejava a submissão a um outro homem e ainda por cima de outra cor (sempre eu tivera uma dose razoável de racismo). E mesmo aquele eu machista tinha que reconhecer a superioridade absoluta dele. Eu buscava invocar as imagens mentais de minha noiva gostosa, linda e feminina, mas a imagem física, real, daquele negro forte e autoritário falava muito mais alto. Eu estava prestes a tomar uma atitude que já sabia de antemão que seria para o resto da vida e que representava o fim de meu orgulho, vaidade e preconceito. Sem tirar os olhos do seu duro olhar, que me exigia (e só aceitava) uma resposta imediata, morrendo de temor mas já decidido a assumir todas as consequências que fatalemente viriam de minha decisão (se é que era eu que decidia), apenas pude responder balbuciante:
- Sim, senhor.
Ele deu uma grande gargalhada de vitória e gritou:
- Seu destino está selado pra sempre. Minha superioridade está provada e é total, você está definitivamente sujeito ao meu domínio absoluto. Tire toda sua roupa e ajoelhe-se diante de seu dono!
Lancei-me imediatamente aos pés de meu mestre, postei-me com o rosto no chão conforme ordem expressa dele. Pôs um dos pés sobre minha cabeça e ordenou que eu deveria olhar fixamente seu outro pé enquanto eu teria que pronunciar bem devagar o juramento que ele iria me ditar, e que era o seguinte:
- Juro obediência cega e total ao meu amo e senhor Jorge, a cuja vontade sou submisso e diante de quem não possuo desejos, vontades, bens, ideais, crenças, cor, sexo ou qualquer outra característica que indique a existência de uma existência minha independente da dele. Pelo contrário, devo amar, idolatrar, interessar-me, satisfazer e louvar apenas o que represente este ser superior que é meu amo e senhor Jorge, a quem devo respeitar, admirar, adorar e temer sempre. Reconheço para sempre que diante dele tenho apenas obrigações e deveres, e que devo satisfações a ele por todos os meus atos, ao passo que ele apenas possui direitos, poderes e privilégios e não deve a mim nenhuma satisfação pelos seus atos, que são sempre autônomos, perfeitos e livres. Juro ainda, perante seus pés divinos, que sempre estarei consciente de que não posso passar de servo, empregado, serviçal, dominado, enquanto que ele nunca deixará de ser amo, deus, senhor, mestre, dominador, pois assim como ele nasceu para o mando e poder eu nasci para a submissão e obediência. Faço esse juramento no instante mais importante da minha vida, instante em que, após muitos anos imerso no erro de minha falsa vida anterior, recebi de meu senhor a dádiva de finalmente poder colocar-me em meu verdadeiro lugar, que é aqui, entre a sola de seus pés e o divino chão que eles pisam.
Repeti tudo isso bem devagar, à medida em que ele ia ditando, frase por frase, enquanto eu ia me conscientizando do significado de cada uma delas para o resto me minha vida. As últimas frase foram repetidas por mim sob uma pressão muito mais forte de seu pé sobre minha cabeça, o que fez meus lábios se encherem da poeira do chão enquanto meus olhos contemplavam seu outro pé firme no solo. Finalmente ele me disse, ríspido e ainda com o pé sobre calcando meu rosto no chão:
- Por ter piedade de você, aceito-o como meu escravo para sempre. Só que não admito que ninguém se comporte como macho na minha casa. Portanto a partir de agora o único macho entre nós dois sou eu! Doravante se chamará Suely e deverá pensar, sentir e comportar-se como fêmea. Lá no quartinho de empregadas, onde você passará a dormir, tem as roupas que pertenceram a um outro escravinho, que teve a infelicidade de ser doado por mim a um amigo meu. ele tinha um corpo parecido com o seu. Vá para lá e não apareça na minha frente enquanto não tiver se produzido como uma fêmea bem convincente, caso contrário será duramente castigado. Beije meus pés e obedeça imediatamente. Suma da minha frente!
Beijei seus pés com devoção, já assumindo meu novo ser, minha vida (agora verdadeira) de escrava Suely, serva do senhor Jorge, e tratei de obedecer a suas primeiras ordens. Recebi meus primeiros castigos ainda naquele dia, por me produzir de forma tão desajeitada, mas seus castigos sagrados foram aperfeiçoando minha obediência, a ponto de em pouco tempo eu ser castigada quando ele tinha vontade de maltratar alguém, pois a vontade soberana dele não necessitava que eu cometesse erros para merecer ser castigada. Bastava o desejo dele em marcar meu corpinho de fêmea com as marcas de seu poder.
FIM DA PRIMEIRA PARTE
* Prometo em breve continuar a narrativa de minha vida de obediência ao meu senhor Jorge e, em seguida, de como fui doada, como minha antecessora, a um amigo dele, a quem sirvo até hoje com a submissão que devo aos seres superiores.
Quem achar excitante minha história e desejar conversar, trocar idéias ou mesmo fantasiar sobre ela (inventando continuações ou detalhes, por exemplo) pode me procurar pelo e-mail