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Reencontro II
O descanso, embora necessário, foi breve. A manhã chega há poucas horas... Horas que não foram suficientes para me refazerem da exaustão da noite que passara contigo. Em algum momento da madrugada, sem que me desse conta e, como se isso fizesse alguma diferença, você voltou a me imobilizar. Ao acordar, dolorida por dentro e por fora, tento inutilmente esfregar meus membros e percebo as amarras de couro que me prendem a cama. Com certeza, não esperas ter nenhum tipo de surpresa...
Passo por momentos de sono e sonhos turbulentos durante algumas horas. Acordo com a sensação de estar sendo observada nos mais simples movimentos possíveis para a condição na qual estava. Com um meio sorriso, você já de pé me observava da beirada da cama. Por breves minutos, suficientes apenas para minha higiene, do qual sou orientada em detalhes como proceder, você me liberta da catividade imposta pelas amarras e pelo cinto de castidade, cada vez mais doloroso e incômodo. Tenho a sensação de que não vou ver novamente a luz da rua e do dia, tamanho o sentimento de submissão ao qual me encontro.
Faço a refeição que me indicas: mínima e fugaz. Logo após, reinicias o ritual que tão minuciosamente preparaste como introdução ao que convencionaste chamar Mundo do Prazer. Na cama, procede a um enema meticuloso e exaustivo, dilacerador, para após recolocar o cinto de castidade de forma ainda mais dolorosa pelos plugs que o acompanham e pela maneira como cerram as trancas que o tornam tão eficiente. Sou xingada por ser o alvo de suas mais terríveis desconfianças... Não confias minimamente em mim e sua ação, neste momento, deixa claro o que pensas sobre meu jeito e sobre como devo ser... Você promove uma verdadeira inquisição, da qual não posso responder nem me defender, pois antecipadamente você introduz arreios em couro em minha boca e a amarra para cima, em um gancho ao teto, me colocando sob uma incomoda posição que não tenho como sair. Ao mesmo tempo, com uma pequena chibata, você vai aplicando golpes firmes e suaves, alternados, por todo meu corpo, que estremece, ora por dor, ora por prazer. Sou avisada que estou proibida de ter a este último e por cinco ou seis vezes você me leva a beira de orgasmos indescritíveis apenas surrando a chibata junto a meu clitóris, para no momento derradeiro parar e deixar em meu corpo marcada a sensação de insatisfação. Não imaginas que essa busca tão desesperada pelos teus olhos fosse acabar assim... Mas a brincadeira que iniciou com o número de teu telefone e o desejo de mais uma vez ouvir tua voz após longos dezesseis anos de indiferença levaram-me a onde estou. Jamais imaginei que, como eu, também trazia nosso mal resolvido relacionamento adormecido em teu coração. Agora parecia ser tarde, muito tarde. Nossas demasiadas mágoas estavam agonizando nas tuas mãos e nos meus lamentos. Apesar de não haver certo ou errado, ficaram as marcas muito fortes do que poderia ter sido e a sensação de insatisfação presente em cada olhar que trocamos desde então.
O dia amanheceu completamente.
Apesar de saberes que é uma completa loucura manteres-me aqui em teu apartamento, não demonstras nenhuma inclinação a me libertares. Imploro que sejas sensato... em nenhum momento da noite que passamos juntos, depois de tanto tempo, me arrependi ou desejei algo menos do que tive. Mas, desde o princípio, sabias que eu tinha uma vida e uma família a manter. E, mais, que mesmo não estando satisfeita com meu relacionamento, não poderia ser desta forma minha saída dele. Não com dois filhos e todos os compromissos inerentes a essa responsabilidade.
Sob ameaça velada de que não aceitaria mais uma separação como a que tivemos, nos despedimos. Também sob as lágrimas que teimavam em cair enquanto eu me esforçava para não demonstrar a fraqueza de amar com tamanha intensidade alguém por tanto tempo. Tempo no qual te neguei, tempo no qual esqueci cada sentimento, cada momento, cada desejo, para diminuir a dor de não estar ao teu lado. Jamais imaginei que uma simples brincadeira, iniciada com poucas mensagens via celular fossem resultar neste reencontro. Nada sabia...nada imaginava...
Sabia que a partir dali um novo horizonte se abria... e que mais que um parceiro, eu tinha voltado aos braços de meu único e verdadeiro dono e senhor!