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Meu Primeiro Dia Como Escravo Numa Galé Romana

Após termos sido capturados pelos romanos em nossa aldeia e selecionados quanto às nossas habilidades e tipo físico, fomos separados e encaminhados para as mais diversas regiões de Roma. Com nosso destino traçado, fomos imediatamente acorrentados pelas mãos e pelos pés, e conduzidos ao litoral, de onde então seríamos embarcados em uma galé romana. Com medo, segui em frente, temendo pelo meu destino e de todos os outros, alguns mais fracos certamente não resistiriam. Lembrei-me das histórias que ouvíamos sobre as galés romanas e tremia nas correntes. Chegando ao litoral, um pequeno barco nos levou até a galé, onde, diziam os romanos, passaríamos o resto de nossas vidas como escravos. Um imenso barco, apenas isso eu posso dizer, pois não tive tempo de ver muita coisa ... Fomos imediatamente levados para o porão, onde após um breve momento livre das correntes, fomos novamente acorrentados, agora somente pelos pés, a argolas de ferro presas ao chão do navio. Ficávamos de dois em dois, sentados em um banco com o remo bem a nossa frente. Eu vestia somente trapos na cintura e sandálias nos pés. As correntes eram pesadas e incomodavam muito, chegando a machucar a pele. Tentávamos nos acostumar ao ambiente úmido, ao cheiro, ao calor e às correntes nos pés, quando vi descer lentamente o capataz do navio, o homem que seria dali por diante o nosso algoz. Existia um corredor no centro do porão com uma plataforma por onde quem quer que andasse por ali, ficaria numa altura superior à nossa, praticamente com os pés na altura de nossos olhos. O homem estava andando lentamente e nos observando. Quando passou por mim, não ousei levantar a cabeça para olhar seu rosto, apenas vi seus pés, suas sandálias romanas e as tiras do chicote que carregava na cintura. Senti-me totalmente a mercê daquele capataz, pois estava ali acorrentado e com as costas expostas. Tive um estranho pressentimento, senti que ele estava escolhendo um de nós e que a qualquer momento o seu chicote iria estalar em uma de nossas costas. Ele parou perto de mim, gelei, continuei de cabeça baixa, mas vi que ele tirava o chicote da cintura, meu coração parecia que sairia pela boca, continuei de cabeça baixa, olhando para os seus pés, agarrei firme no remo com as duas mãos, ouvi então o som do chicote voando pelo ar, prendi a respiração e senti a primeira chicotada em minhas costas: SLASH !! -De agora em diante essa é a lei aqui dentro, vocês obedecerão somente ao meu chicote ! Essa primeira chicotada foi o meu batismo como escravo ... foi o momento em que eu realmente senti o poder dos romanos, o poder da dominação pelo açoite, pois até então, tudo estava sendo como uma louca aventura para mim ... eu tinha sido tirado da tranquilidade da minha aldeia, da rotina de meu trabalho como ferreiro, das noites junto a minha amada e até já havia presenciado uma das mulheres de nossa aldeia ser açoitada pelos romanos, mas até então eu ainda não havia sentido o chicote no meu próprio lombo ... Ao fundo começou a ecoar uma batida ritmada, era o tambor que marcaria o ritmo de nossas remadas. -Remem ! Ordenou o capataz. A cada batida do tambor ele me dava uma tremenda chicotada nas costas. Eu tremia de dor e retesava meus músculos ... eu estava com tanto medo que comecei a remar com muita força, não sei de onde tirei forças para agüentar as chibatadas e remar ao mesmo tempo, eu não sabia que era capaz de remar assim. -Isso é para vocês aprenderem o ritmo ! Não vão esquecer nunca ! A cada chibatada eu sentia meu lombo queimar e remava mais forte para ver se aquele capataz parava com aquilo. Após umas vinte chibatadas ele parou e dirigiu-se para um homem mais velho e mais fraco: - Reme velho! O som do tambor e das chicotadas ao mesmo tempo e no mesmo ritmo me fazia tremer. Estava tão assustado com tudo aquilo que só queria saber de remar e não levar mais chicotadas. Eu pensei, o velho não vai agüentar o açoite, mas logo que pegamos o ritmo das remadas, o capataz parou com o chicote e ficamos só com a marcação do tambor. - Muito bem escravos. Vocês pegaram logo o jeito ! Continuem assim ... As horas passavam, na verdade não tínhamos mais noção do tempo, minhas mãos sangraram com o atrito da madeira dos remos, meus músculos pareciam que iriam estourar devido ao esforço tremendo, meus pés suavam dentro das minhas sandálias, as correntes machucavam os meus tornozelos, eu sentia a pele rasgada, o sangue das chicotadas escorrendo pelo meu lombo, o suor caindo pelo meu rosto e o cheiro de um porão com mais de 80 homens exaustos ... Quando eu já não estava agüentando mais, a batida do tambor parou ... instintivamente largamos os remos e respiramos ... -Podem descansar escravos. Serão alimentados e dormirão, amanhã tem mais. Assim foi meu primeiro dia como escravo numa galé romana. Era somente o início ...