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Um Passo Que a Revele 2º lugar no I Concurso de Contos e Poesias BDSM - Votação do Juri

“Para pisar no coração de uma mulher basta calçar um coturno Com os pés de anjo noturno Para pisar no coração de uma mulher sapatilhas de arame O balé belo infame Para pisar no coração de uma mulher alpercatas de aço O amoroso cangaço Para pisar no coração de uma mulher pés descalços sem pele Um passo que a revele...” A melodia e a voz do Chico César estavam na sala apenas como um suave ruído de fundo, como o barulho da água quando se está caminhando na mata: presente, distante, gostoso. Isso, mais o vinho, mais Isadora me olhando já seriam ingredientes suficientes para criar um clima romântico. Mas não era o caso. Eu estava sentado no sofá com os cotovelos cravados nos joelhos falando sem parar para Isadora sentada em umas almofadas no chão. Tínhamos resolvido nos conhecer profundamente depois que o nosso relacionamento passou da marca recorde – para mim – de um mês e uma semana. Falávamos – ou eu falava - de ambições, sonhos, antigas paixões recentes, passatempos e outras coisas sem importância. De vez em quando Isadora levantava e ia até a cozinha trocar os copos. Ela achava chique trocar em vez de lavar. Começamos com as taças que ela herdou da mãe e agora ela vinha com uns copos de massa de tomate. “Esse lascado deixa para mim!” ela disse. Sofisticação, etiqueta e embriaguez realmente não combinam. Mas nela, forçando um pouco a barra, tudo tinha uma certa graça. Enchi os copos e tentei prosseguir meu discurso do ponto onde tinha parado, mas fui interrompido. “Tá, tá, tá... já sei que tu gosta de natureza, mosquito, formiga, que quer ficar rico e sovina, que ama o Inter, que não abre mão de touca no inverno, que gosta de pescar e cozinhar, blá, blá... agora eu quero saber o que realmente interessa... sexo.” “Saber o quê?” “Quero saber até onde tu é capaz de ir para agradar uma mulher.” “Veja bem Isadora – disse tentando ganhar tempo - eu acho que faço tudo que estiver ao meu alcance para agradar uma mulher. Sou carinhoso, trago flores, vinho, muito beijo, muitas preliminares.” “Sei, sei. O óbvio.” “Como assim seiseioóbvio? Eu faço tudo que ela quiser.” Até hoje não sei se me arrependo ou agradeço por ter dito essa frase. “Ah, melhorou! E como por enquanto eu estou boazinha vou te dar uma chance de provar tua tese. Já volto.” E antes de sumir em direção ao quarto ainda disse “Enquanto eu me apronto aproveita e toma um banho.” No teu chuveiro que dá choque e com aquelas toalhas novas que não secam, maravilha! - pensei. Mas o banho melhorou um pouco a tontura causada pelo vinho e me deixou animado. De havaianas e cueca voltei para sala. Dali a pouco Isadora saiu do quarto. E exatamente aqui neste ponto meu caro leitor, minha cara leitora, eu devia trocar de página, deixar uma linha em branco, escrever capítulo dois ou qualquer outro artifício que indicasse uma mudança dramática na narrativa. Quem saiu do quarto não foi a Isadora. Foi a sua irmã gêmea malévola. Pelo menos parecia. Coisa de filme mesmo. A guria bagunceira e divertida tinha se transformado numa mulher misteriosa e fatal. Um híbrido mulher-gato-maravilha-superpoderosa-nikita-bünchen. Uma She-rá gótica. Cabelo bem preso num rabo-de-cavalo, batom preto, um corset – o nome aprendi depois – de couro, luvas até os cotovelos, numa das mãos um relho de equitação e na outra cordas pretas, vestia uma calcinha linda e minúscula e sandálias de salto altíssimo com tiras enroladas na perna. Todas as tatuagens à mostra. Não sou de me impressionar com pouca coisa, mas desta vez tremi nas bases. Ela veio caminhando lentamente até parar na minha frente. Bastou apontar o chão e eu caí de joelhos. Quis abraçar suas coxas, mas ela não permitiu. Afastou-se um passo e mandou que eu tirasse aquela cueca ridícula e continuasse de joelhos. Veio por trás de mim, puxou minhas mãos e começou a amarrar meus pulsos. Pensei em protestar, mas não consegui. Ela fez com que a minha cabeça ficasse encostada no chão, mãos amarradas, pernas abertas, nu. Primeiro senti a mãozinha dela de luva acariciando meu pau, apertando minhas bolas. Gemi de dor. Ela apertou mais. Reclamei. Ela levantou e com a voz calma e sensual disse que cada vez que eu reclamasse meu castigo ia ser sentir mais dor. Até ali eu tinha uma tênue esperança que o relho de equitação fosse só um acessório decorativo. Não era. Disse aquilo e imediatamente senti um vergão ardendo na bunda. Foram quatro ou cinco relhadas muito fortes. Senti que o meu pau ficou duro e grosso e a sensação era de gozar a qualquer instante. Mandou-me beijar seus pés e prometer obediência. Trouxe um banquinho da cozinha e me pôs sentado nele. Amarrou meus pés com outra corda e com uma tira de couro apertou a base do meu pau. Pôs a mão dentro da calcinha e os dedos dentro da bucetinha molhada. Então enfiou os dedos na minha boca e me mandou chupar. Adorei aquilo. De repente ela tirou os dedos e me meu um tapa forte no rosto. E depois na outra face. Meu pau duro como pedra. Chegou o rosto bem perto de mim. Imaginei um beijo delicado e quente de consolo. Cuspiu na minha cara. Quando levantou a perna e apoiou o pé no meu peito vi a calcinha molhada de tesão. O salto da sandália, muito fino, machucava minha pele. Ela ficou assim por uns instantes se acariciando com o cabo do relho e então foi me empurrando. Com pés e mãos amarrados o tombo foi inevitável. Riu de mim. Se aproximou e continuou a me machucar com o salto da sandália. Pôs um pé de cada lado do meu rosto e foi abaixando devagar. Eu estava enlouquecido para chupar a buceta toda melada, comer aquela calcinha. Eu podia sentir o cheiro e o calor que exalavam dela. Lentamente ela afastou a calcinha me deixando ver a buceta inchada de tesão. Minha língua podia tocar bem de leve seu clitóris se eu me esforçasse bastante. Ela gemia de prazer com a minha angústia e tesão. Não agüentando mais ela sentou na minha cara. Ela agarrava meus cabelos e se esfregava em todo meu rosto gemendo e dizendo palavrões. Saiu de cima de mim e sentou no meu pau sem deixar que ele entrasse. Assim, completamente descontrolada, ficou se esfregando com as unhas cravadas no meu peito. Gozou como louca, histérica, rindo, as lágrimas correndo no rosto. Ainda gozando enfiou meu pau dentro dela e eu imediatamente gozei. Muito. Gemendo alto, quase gritando de tesão. Ela levantou novamente, as pernas bambas, ficou em cima de mim deixando meu gozo escorrer de dentro dela, em cima do meu peito, pescoço, rosto, boca. Então se abaixou, me beijou e saiu da sala. Fiquei ouvindo por intermináveis minutos o barulho da água do chuveiro. Quando voltou de cabelos molhados, dengosa e usando uma camiseta branca já era a outra Isadora que eu conhecia. A “gêmea” sonsa e boazinha. Me desamarrou, acariciou as marcas da corda com satisfação, me beijou de novo e me mandou para o chuveiro. Choques. Toalha ruim. Se pudesse teria feito uma reflexão durante o banho sobre o que tinha acontecido, mas estava cansado demais. Quando cheguei na cama ela estava dormindo como um anjo. Um anjo mau, pensei. Às três horas da madrugada acordei com o barulho de Isadora entrando no quarto depois de ir beber água na cozinha. Pulou na cama e tirou o lençol de cima de mim. Pediu para eu virar de bruços para ver as marcas que tinha deixado. Ficou passando os dedos de leve com um sorriso sacana nos lábios. Depois beijou minhas costas e minha bunda. “Acho que tu aprendeu umas coisas novas hoje, hein?” Tinha aprendido mais do que em toda minha vida sexual, mas não ia confessar. “É... aprendi umas coisinhas.” “E está disposto a experimentar mais umas coisas diferentes?” Mas é louca? - pensei – a mulher já me amarrou de tudo que foi jeito, me espancou até cansar, me arranhou feito gato, me mordeu, extraiu todos os fluidos das minhas bolas e me comeu até esfolar meu pau. Que mais ela quer? Não, não, chega! “Claro Isa, sou teu e estou aberto a novas experiências.” Disse e já me arrependi. “Que bom! Tu vai adorar isso aqui! E de agora em diante é Sra. Isadora.” A audácia da criatura. Abriu a gaveta do criado-mudo e tirou alguma coisa de lá que eu não identifiquei. De relance só vi umas tiras de couro. E perguntou com brilho extra nos olhos negros e um sorriso que me assustou: “Já ouviu falar em inversão?” “Eu sei como pisar no coração de uma mulher Já fui mulher eu sei, já fui mulher eu sei.”