Back to Browse
Lúcia
Lúcia estava plácida, olhando pela janela do carro, mal sabia ela o que lhe reservava o fim do dia. Nada dizia e nada lhe diziam. Há tempos não estava na presença de seu Senhor e só o fato de poder servi-Lo novamente, não importava onde, quando e porquê, deixava-a na tranqüilidade em que estava. O carro parou em frente à bela fachada do mais luxuoso hotel da cidade. Lúcia surpreendeu-se admirando as suntuosas fontes que jorravam água ao lado da escada por onde subiam. Passou pela porta de costas, ainda admirando o contorno que os riscos formavam no ar, quando seu Senhor já estava na recepção:
... exato, não foi feita por mim, mas há uma reserva em meu nome.
Documentos, por favor, senhor?
Lúcia olhava sem nada entender. O que estavam fazendo em um lugar tão caro? Nunca lhe é explicado nada, isso nunca a incomodou, mas hoje, sentia uma espécie de vertigem, como se sentisse que não ia ser nada prazeroso o que lhe era reservado.
Aqui está a chave, senhor, quarto 1200, último andar, suíte presidencial. Caso precisem, os números de telefones estão todos sobre a mesa ao lado da porta de entrada e junto aos dois aparelhos, um na cômoda ao lado da cama e outro no ambiente de estar. Apenas solicito a chave do carro para que sejam retiradas as malas e seja devidamente estacionado. A chave permanecerá aqui na recepção, junto à caixa de correio do número do quarto.
Obrigado. Não há bagagem no porta malas, tudo o que preciso já está comigo.
Perfeitamente, senhor, tenham uma ótima estadia.
Obrigado. Vamos?
Lúcia ainda confusa apressava os passos para alcançar seu Senhor que já estava no elevador e só então, depois de mencionada é que notou a pequena valise nas mãos de seu Senhor. Hoje, estava com os movimentos atrasados, como se ela estivesse em câmera lenta e tudo ao seu redor estivesse na mais alta velocidade, sem que ela nada pudesse fazer. Olhava desconfiada enquanto subiam até o último andar. Podia enxergar de relance um sorriso nos olhos de seu Senhor, ou era apenas impressão e susto?
Não adianta me olhar. O que tiver que acontecer sabe que vai acontecer, independente da vontade que você já não tem mais. Se atrever-se a me desobedecer, não medirei esforços para castigá-la.
As palavras eram dirigidas a ela, mas apenas cortavam o ar, porque em momento algum Ele desviou seu olhar da porta do elevador. Lúcia abaixou a cabeça, sabia que não tinha escolha. Era Dele e isso Lhe dava o direito de fazer o que bem quisesse com ela. ... não medirei esforços para castigá-la., aquilo queimava no cérebro da moça, assim como as marcas que ficavam queimavam sua pele. A subida parecia interminável e antes que tivesse qualquer acesso de pânico, que sabia que era desnecessário, concentrou-se na satisfação que seu Senhor sentiria quando ela cumprisse o que ordenasse. Ainda teve tempo de pensar na maneira decidida, mas descontrolada com que se entregara: depois de muitas mensagens, sem nada saber de seu Senhor, fotos enviadas, sem saber se Lhe agradava o que via, demonstrações de afeto e de desprezo que a faziam se sentir protegida, os primeiros encontros, ela sempre de cabeça baixa por detrás das mesas dos cafés onde era costume ser ordenada a ir. Sua primeira sessão ainda sem poder ver nada, seus olhos vendados, nua, ajoelhada e indefesa na presença de seu Senhor. O corpo à mercê dos toques e das amarras que passaram a prender seus pulsos e tornozelos, um em cada canto da cama, a sensação de estar sendo possuída e penetrada pelos dedos de um homem, se não de um deus. No auge das sensações, sentindo o corpo molhado e contorcido de prazer, sentindo que de seu sexo brotava o fruto da obra de arte de seu Senhor, gemia como nunca:
Não... por favor... não pare...
Qualquer pessoa que fosse, não mandou você gozar, não deveria se atrever a se mexer. Seu Senhor não mandou sentir prazer, não mandou você gozar, não mandou você gemer. Não deveria me desafiar assim, seus gemidos, assim como seus gritos, só incitarão mais minha vontade de vê-la sentir dor. Abra a boca.
Ainda atordoada Lúcia afastou os lábios e sentiu que lhe enfiavam algo na boca.
Prove do seu gosto amargo, amargo porque seu Senhor não lhe ordenou gozar.
Lúcia, instintivamente passou a língua por entre os dedos de seu Senhor e limpou-Lhe a mão por onde seu líquido já escorria. Seus braços e pernas começaram a ser libertados. Acabou?, pensava. Seus olhos continuavam vendados e com o apoio da mão e a guia de seu senhor:
Levante-se. Ajoelhe-se de pernas abertas contra esta parede.
Ajoelhada, esperava. Ouvia barulho daquilo que pareciam ser correntes e o som surdo de um chicote cortando o ar. Levantou a cabeça e abriu a boca.
Não se mexa.
Abaixou a cabeça e fechou a boca, seu Senhor a observava de longe, não tinha escapatória, era melhor obedecer e se controlar. Em seus pulsos, pulseiras foram presas e por elas, a corrente foi passada, presa acima de sua cabeça com os braços totalmente esticados, o que lhe permitiria apenas se levantar, mas Lúcia não conseguiria. Mais uma vez o chicote cortou o ar, como se estivesse sendo testado para o verdadeiro fim. Lúcia ouviu a respiração profunda de seu Senhor e logo depois a ponta do chicote encostava em sua pele.
Ah!
Um grito seco e de susto. Mais uma, duas, dez... quinze vezes, seu Senhor investiu contra o corpo de Lúcia. Sua anca, suas coxas e suas costas estavam marcadas, começando a inchar. Lúcia não parava de gritar, cada vez com mais intensidade e fúria.
Não grite, minha querida. Seus gritos não significam uma súplica para mim, não se esqueça, eles apenas atiçam mais minha vontade de vê-la sentir dor.
Lúcia tentava segurar seus gritos e por duas vezes teve êxitos nessa tentativa. O chicote continuava cortando sua pele, soltou um grito mais agudo e enfim tudo cessou. Estava suada, exausta, dolorida e ofegante. Não se sentia excitada, mas estava molhada. Lágrimas molhavam seus olhos e encharcavam a venda. Entre um soluço e outro, pôde ouvir seu Senhor também ofegante e exausto.
Literalmente dependurada nas correntes, Lúcia sentiu a presença quente de seu Senhor em suas costas, desatando as correntes. Sem forças para se manter sobre as próprias pernas, Lúcia desabou, cerrando os olhos com mais força quando sentiu a pele das coxas arderem ao tocar o chão. Com muito cuidado para não encostar nas feridas, seu Senhor apanhou-a no colo, postando os braços por detrás do próprio pescoço e apoiando suas pernas por debaixo dos joelhos, como se estivesse ajoelhando-a em seus braços. Com certo custo alcançou a cama e deitou-se com Lúcia sobre seu corpo. Ela completamente despida de vestimentas, mas em trajes de gala sob a forma de marcas, dor, submissão e entrega; Ele, vestido dos pés à cabeça, em êxtase pelo desempenho de sua serva.
Lúcia não se mexia, apenas soluçava. Tinha o coração disparado por causa da intensidade com que tudo aconteceu. Só aconchegou-se mais nos braços de seu Senhor, enquanto Ele lhe tirava a venda e ela sentia algo por debaixo de seu corpo. Os olhos brilhantes de seu Senhor encontraram os seus, vermelhos e molhados, por um rápido momento. Lúcia então viu o esboço de um sorriso nos lábios de seu Senhor e entendeu: o que sentia por debaixo de seu corpo era a honra de ter excitado seu Senhor. Lágrimas ainda escorriam de seus olhos, de satisfação, de alegria, de prazer por ter agradado seu Senhor. Abraçou-O com mais força, ainda sentindo dores, a ardência e o latejar da pele, mas agradecida a Ele por estar com ela e por lhe ensinar a ser o que era. Foi agraciada com um beijo na testa:
Durma minha pequena, você hoje precisa.
Seus olhos se voltaram para cima em sinal de agradecimento, porque a esta altura, palavras não sairiam de sua boca. Em paz e protegida, Lúcia adormeceu, um sono cansado, mas tranqüilo, sem sonhos, mas não precisava deles hoje, não hoje: seu sonho tinha acabado de se tornar real.
(continua)