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Sex Shop
Tudo era confuso em sua mente, enquanto ela despertava, lentamente. Era difícil por as idéias em ordem. À medida que sua consciência voltava, percebeu que havia algo errado. Aliás, muitas coisas estavam erradas. O corpo todo lhe doía. Notou que não podia mover-se. O que estava acontecendo, afinal? O lugar era escuro e não ajudava muito a clarear suas idéias. A vista ainda estava turva e as imagens lhe voltavam embaçadas. Mas agora parecia óbvio: estava amarrada! Por isso o esforço em vão para se mover. E pior: amordaçada! Suas mandíbulas doíam pelo esforço de manter a boca aberta. Mas como poderia estar aberta se não conseguia falar? Simples, havia algo dentro de sua boca, preenchendo-a. Era algo macio, porém firme. O gosto e o odor eram de borracha. Num esforço, ela foi capaz de morder o objeto e deformá-lo um pouco. Mas isso só lhe fazia doer ainda mais os maxilares e o objeto não deformava tanto assim que pudesse ser cuspido de sua boca. Além do mais, ele estava preso lá dentro. Ela sentia agora as tiras que quase lhe cortavam os cantos de seus lábios e mantinham o que parecia ser uma bola de borracha de tamanho razoável presa a sua boca. De cada lado, as tiras lhe marcavam as bochechas e acompanhavam toda a circunferência de seu rosto até juntarem-se novamente atrás de sua nuca. Era possível grunhir, emitir sons, mas impossível falar qualquer coisa compreensível.
Num reflexo tentou levar as mãos aos lábios para arrancar deles aquela mordaça humilhante e incomoda. Mas onde estavam suas mãos, que não era capaz de ver? Amarradas bem fortes às suas costas, ela se deu conta. Sentia nítida as dores em volta dos pulsos castigados pelas cordas apertadas, sinal de que estava naquela posição já há algum tempo. Mas como fora parar ali? Tentou levantar-se, mover as pernas. Igualmente, em vão. Elas também estavam amarradas e foi quando tentou dar um chute que percebeu como: as suas pernas estavam cruelmente dobradas para trás, de forma que abatata de suas pernas pressionavam as suas coxas e os seus calcanhares tocavam-lhe as nádegas. Os tornozelos, atados juntos, estavam por sua vez, presos a mesma corda que amarrava seus pulsos. Por isso era tão difícil se mexer. Ela fez força para ao menos ficar de lado pois a posição incômoda de barriga para baixo a obrigada a erguer a cabeça (o que forçava mais fundo a mordaça dentro de sua boca) se não quisesse ficar de cara para o chão. Sim, estava sobre um chão de piso frio. As imagens agora ficavam mais nítidas. Tentou olhar em volta. Percebeu que estava dentro de uma espécie de quartinho no subsolo de alguma casa pois a umidade brotava do piso e a deixara molhada. Ficou arrepiada. E percebeu que, além de tudo isso, estava nua. Mas não totalmente. Seus seios eram amassados contra o piso duro de lajotas. Ela fez força e conseguiu virar-se um pouco e livrá-los ao menos do contato contra a superfície fria e úmida. E ao mover-se notou que não era apenas a sua boca que estava preenchida por um objeto estranho. Um consolo havia sido enfiado em sua buceta e um outro, havia sido introduzido em seu reto. Para que não resolvessem escapulir haviam vestido nela um biquíni bem cavado. E por cima da pequena peça de lycra, ela podia sentir uma corda, com a qual haviam dado algumas voltas em torno de sua cintura. Na altura do seu umbigo, o restante da corda havia sido passado por dentro da volta na cintura e forçado por entre suas pernas, descendo pela barriga, dividindo ao meio os lábios de sua xoxota, seguindo pelo seu rego até sair no meio de suas nádegas e ser amarrada à suas costas, na mesma corda que delineava a sua cintura.
Mexer-se muito fazia as cordas forçarem os consolos dentro dela. Ao mesmo tempo em que era dolorido, podia ser delicioso.
De uma maneira estranha, aquilo tudo a excitava. Já havia tido fantasias de ser amarrada e possuída de modo selvagem. Mas aquilo ultrapassava tudo o que ousara ter imaginado.
As memórias começavam a voltar em conta gotas. Lembrou-se de ter se debatido em uma luta desigual. Ela não deixaria que a prendessem daquela maneira sem lutar antes.
Então, Talita começou a lembrar.
Talita tinha um belo rosto, de traços finos e aristocráticos. Seu maxilar largo e classudo emoldurava uma boca de lábios grossos e bem delineados. Seu nariz era fino e levemente arrebitado. Seus olhos claros e expressivos tinham cílios longos e eram ligeiramente puxados em suas extremidades.
Tinha seios pequenos e não era magrinha. Pelo contrário, sem ser gorda, era mais redondinha. Sua bunda era farta e as coxas, claro, bem grossas e brancas.
Era extremamente sensual e gostava de jogar seu charme para cima de homens e mulheres. Sua voz era rouca e gostava de conversar falando bem próximo de seu interlocutor, parte de sua estratégia de sedução. Se dizia uma mulher liberal, sem preconceitos.
Mas naquele dia não saíra para nenhum encontro amoroso. Era um dia de semana como outro qualquer. Bem, não exatamente. Começava a se lembrar.
Havia saído para fazer compras. Compras especiais, na verdade. Fora procurar alguns CDs em uma grande galeria no centro de São Paulo. E na sua procura, passou em frente a... As coisas começavam a fazer sentido... Passara em frente a um Sex Shop.
***
Do lado de fora do quartinho, ele preparava os artefatos que iria usar. Nunca havia pensado que um dia os usaria de verdade e numa mulher como aquela. E o que era melhor: daquela maneira. Fora tudo feito no improviso. Mas secretamente ele havia imaginado aquele momento várias vezes em sua cabeça. Repetira para si cada um dos movimentos daquele ato de uma maneira que sabia tudo de cor do início ao fim.
Era difícil entrar mulheres ali. Normalmente, quando isso acontecia, elas entravam em bando, rindo, achando tudo aquilo exótico e engraçado. Deveriam também rir de sua cara, ele imaginava. Era um tipo sem graça, de cabelos desgrenhados, óculos de lentes grossos e idem e pretos, como se fizessem questão de esconder o seu rosto, que ele achava horroroso, cheio de marcas das espinhas da adolescência. Marcas de uma batalha hormonal que ele havia, decididamente, perdido. Se não fosse pelas mulheres que pagava, seria virgem até hoje. Com as garotas de programa que podia pagar já havia tentado aquilo: amarrá-las. Mas elas não topavam. E as que topavam, cobravam o que ele não poderia pagar.
Mas agora ele estava realizando um sonho. Estava pegando para si o que achava que lhe era de direito e não tinha pedido permissão para ninguém, nem pago um tostão sequer. Ela estava lá, à sua mercê. Ela lhe pertencia.
***
Talita já ia passar batido por aquela loja. Mas a vitrine lhe chamou de repente a atenção. Como, aliás, chamaria a atenção de qualquer um. Havia expostos nela manequins com roupas sumárias de couro e vinil. E mais que isso: algemas, mordaças, correntes, vibradores. Ela parou por alguns instantes e ficou a admirar aquela curiosa instalação. A loja, como todo o shopping, era mequetrefe. O bom daquele lugar e que as lojas de CD se multiplicavam, vendendo de todos os estilos e artistas que você pudesse imaginar e por bons preços. Bem mais baixos do que os que os praticados em belos shopping centers. Mas aquele sex shop ali estava totalmente perdido.
Talita, é claro, já havia entrado em outros Sex Shops em sua vida, que nem era tão longa assim pois sequer havia chegado ainda aos trintas. Era um garota que se achava uma mulher fatal.
Pensou em fazer uma surpresa para o seu namorado, ou, para ela própria, porque não? E resolveu entrar. A loja estava vazia. Ótimo. Imaginou que seria constrangedor se a encontrasse cheia. Havia apenas um calado vendedor atrás do pequeno balcão. Ela o fitou rapidamente. Mas ele nem se moveu. Parecia indiferente a sua presença, mais ocupado com a leitura do que devia ser um HQ.
Talita deu uma olhada no que eles tinham ali. Além das lingeries, extremamente provocantes, de rendas, couro e vinil preto e vermelho em sua maioria, e dos vibradores e consolos de borracha de diversos tamanhos, o que mais lhe chamou a atenção mesmo foram os objetos sado-masoquistas para os quais procurava não olhar tão diretamente: mordaças de couro com bolas vermelhas, algemas, arreios, chicotes, prendedores de bico de seios, entre outros.
Escolheu, então, duas lingeries: uma calcinha preta fio dental de vinil, que enfiada em sua bunda deliciosa certamente deixaria louco o namorado, na verdade, um ficante. E uma espécie de maiô que mais parecia um v que no manequim subia pelas ancas até os ombros, descendo pelas costas até perder-se dentro das nádegas. Era ousadia pura. Vestida com aquilo deixaria qualquer homem de pau duro na hora!
Mas não era apenas isso o que queria. Para enrolar, se dirigiu até o cara do balcão, que apesar da antipatia, deveria ser o vendedor.
- É só isso o que vocês tem?
Que pergunta idiota, pensou logo em seguida.
- Não. O que você ta procurando?
Teve que pensar para responder.
- Eu? Quer dizer... Nada em especial. Queria dar uma olhada no que vocês tivessem.
O cara saiu de trás do balcão. Na verdade, era um tipo mais tímido do que antipático. E muito feio, disso ela não tinha menor dúvida.
- Bom, lá atrás tem mais algumas coisas...
- Coisas? Tipo?
Achava que já estava perguntando demais. Deveria pagar o que escolhido e dar no pé. Que vergonha! Mas não era uma mulher liberal. O que tinha demais?
- Atrás daquela porta - respondeu o rapaz - a gente tem mais umas coisas sado masô. Tipo um show-room, ta ligada?
- Posso dar uma olhadinha?
Pra que perguntou aquilo. Mas estava morrendo de curiosidade.
***
Ele não acreditou quando ela pediu para olhar o show-room. Show room uma ova. Aquilo era uma ante sala minúscula e um quarto com alguns aparelhos de tortura sadô masô que o dono achava que poderia alugar para casais que estivessem dispostos às praticas do bondage. Mas era tão constrangedor entrar ali com alguém que, obviamente, ninguém nunca havia alugado o quarto. Mas ele era o cantinho de sonhos onde Ele sonhava em possuir as suas conquistas.
Chegou a gaguejar para responder a cliente: uma gata deliciosa que ele não sabia o que estaria fazendo perdida por ali. Ela não se vestia como as roqueiras que visitavam a galeria. Nada de preto ou couro. Calçava havaianas, uma saia longa de um tecido que lhe colava na bunda revelando ligeiramente a sua protuberância generosa. E uma camisetinha sem mangas. sapato fechado de salto alto, que alongava as pernas reveladas por mini-saia.
- C-claro...
***
O rapaz se adiantou a ela e abriu a porta para que ele pudesse entrar. A ante sala, realmente, estava decorada como uma espécie de show room sado-masoquista. Era iluminada parcamente por uma luz vermelha, que incomoda a vista. Nas paredes, havia vários posters com mulheres amarradas das maneiras mais diversas possíveis: suspensas do chão, atadas a postes, com as mãos esticadas para cima. E, claro, havia ainda mais correntes e roupas com correntes e mordaças e chicotes e cintos de couro, muito couro.
Tatita tentou disfarçar que olhava meio que por cima, de pura curiosidade. Mas, de repente, ficou extremamente excitada por dentro. Se imaginou por uns instantes se fosse uma daquelas mulheres, amarrada e entregue indefesa aos prazeres de outro. Uma vez pediu que um namorado a amarrasse à cama, com os braços esticados sobre a cabeça e presos à cabeceira trabalhada em ferro. Ser comida daquele jeito foi delicioso. No auge da transa, ele lembrou-se, ele lhe tapou firma a boca impedindo os seus gritos, enquanto seu pau saia e entrava dela cada vez mais forte e mais rápido. Estava nessa viagem, quando o rapaz lhe disse:
- Fica à vontade aí que eu não posso deixar a loja vazia.
Ela concordou e achou bem melhor. A presença do rapaz já a estava deixando constrangida.
Obviamente, aquilo era uma desculpa. Ele não pretendia ficar muito tempo longe de sua cliente favorita. Fazia parte do plano, da estratégia que havia bolado há muito tempo e que adorava repassar mentalmente todos os dias desde que trabalhava ali.
Foi até a porta da loja, colocou rapidamente a placa: fechada. E realmente passou a chave na tranca, sem fazer muito barulho. Rapidamente, colocou uma máscara na cabeça e entrou para os fundos da loja por uma outra porta lateral. Antes porem, pegou o pano com que limpava o balcão e o vidro de clorofórmio, que despejou à vontade sobre o pano.
Agora, lembrara-se. Foi tudo muito rápido. Entrou no quartinho e ficou passada com os engenhosos instrumentos de sexo e tortura. Mas já estava ali muito tempo. Por mais que a sua curiosidade insistisse para que olhasse um pouco mais, quando ia se virar para voltar, sentiu uma mão sobre o seu rosto e um braço forte que a agarrava pela cintura e a puxava violentamente para trás. Ela e quem a segurava caíram ao chão. Ela se debateu. Tentou com as mãos libertasse do braço, tirar aquela mão que lhe asfixiava com algo que parecia um pano com odor muito forte. Era a última coisa da qual se lembrava. Ate despertar numa e amarrada ali, daquele jeito.
(CONTINUA)