Back to Browse
Hoje I Concurso de Contos e Poesias BDSM - Participante
Hoje
4 de Março
Hoje meu dia foi especial: logo cedo fui às compras, achei aquele scarpin que procurava há meses... depois almoço no shopping... (lembrar de correr mais uma hora amanha)... e à tarde recebi meu escravo em casa.... e que tarde... alias, já há alguns meses venho-o notando cada vez mais solícito... entusiasmado... entregue... difícil explicar... é como se todos os muros que o cercavam estivessem caindo de uma só vez... muros que deram tanto trabalho no começo... hoje ele chegou antes do horário... trajava um terno claro, uma gravata vermelha... ao se despir, reconheci a renda branca das ligas e das meias 7/8 contrastando com a lingerie preta... adoro quando ele faz isso. E ele odeia quando eu adoro... esse contraste entre o Homem público e a menininha, ambos de personalidades tão marcantes e inseparáveis na mesma pessoa... esse quê que o faz ser meu escravo predileto atualmente... e como foi abusado hoje, ah! se foi... também, eu estava inspirada... as cordas prendiam, a mordaça calava, o cane ardia e eu apenas....apenas regia.... Reger, de régio...
Sim, hoje fui régia... fui Rainha... fiz-lhe a surpresa que prometia já há algumas semanas: após quase 1 hora de treinamento oral com consolo, apliquei-lhe uma massagem prostática... foi como um prêmio pra ele, poder ser drenado de forma tão rude, e ao mesmo tempo tão íntima... o orgasmo negado é estar enjaulado em frente ao Éden... estranho foi a sensação do toque: eu acostumada há anos a tocar de forma tão má meus escravos, senti a glândula estranhamente dura ao toque... quase pétrea... não parecia causar mais dor que os prendedores nos mamilos ou as marcas do chicote nas costas... mas nem por isso deixou de me incomodar... horas depois, deitado sob meus pés na varanda, comentei-o. O silencio que se seguiu foi mórbido...
***
20 de Novembro
Hoje recebi uma visita que há muito se fez esperar: minha Dona, aquela que tem-me sob sua chibata e em tanta estima.... Vestia um terninho, meias e sapatos de uma cor sóbria, que não me recordo com detalhes... seu sorriso trouxe luz ao quarto, e sua voz doce amenizava a angústia que certamente sentia... vez ou outra entrava uma enfermeira rechonchuda, sorria de modo meigo e checava o soro, a temperatura, o pulso... Minha Dona viu que eu vinha sendo bem tratado nestes últimos 37 dias. E ficou feliz com isso, o que não deixa de ser um paradoxo... eu sempre tentei poupa-la deste atual embaraço, Deus sabe que tentei. Mas a noticia se espalhou mais rápido que o câncer, que agora me corroía os ossos... conversamos futilidades, o clima, a TV... trouxe-me uma pequena caixa com damascos secos, que me encheram a boca dagua.... tentando ser jocoso, comparei-me ao damasco, pela minha cor e pelas rugas... ela sorriu apenas. O Doutor entrou em seguida, acho, com dois aprendizes. Como sempre, áspero como um cacto, e transparente como sua água... o que me dava segurança.... praticamente ignorou a presença de minha Dona, como tantas vezes ela o fez comigo... levantei-me, tonto pela medicação e com dores pelo corpo, fui ate a janela, que dava para um pequeno jardim. O sol da tarde batia tênue na minha pele. Fui invadido por uma sensação de conforto súbita, quando minha Dona se aproximou de mim, me abraçou e roçou de leve suas unhas bem feitas naquela minha cicatriz que ela tanto gostava... discreta sim, se é que se pode dizer isso de uma cicatriz em forma das iniciais de minha Dona...
Antes de sair, deu alguns passos ruidosos pelo quarto, como fazia quando eu ficava vendado aguardando seus castigos... e deu-me então uma ordem, que depois descobri ser sua ultima para mim: CURE-SE!
***
24 de Julho
Hoje os pássaros cantam mais triste, a chuva castiga a terra e o frio nos domina... tudo isso me faz lembrar a perda enorme de há exatamente um ano atrás... meu amado, meu marido, quantas saudades! Que vazio deixou nos meus braços, nos meus dias, na nossa cama...
Que falta me faz sua alegria, seu ombro... e também sua mão, suas caricias, suas idéias...
Tenho vivido conforme você gostava de me ver... altiva, confiante, otimista.... lembro do quanto aprendi com você, nem sempre do modo mais fácil... os anos que vivemos juntos foram anos de guerra e paz, amor e ódio, mas com uma constante: a cumplicidade. E o apoio incondicional que sempre nos demos mutuamente... e que não foi suficiente pra conter aquela doença.... perdão se me exalto, meu bem querido, é que as vezes não entendo como a vida pode ser tão injusta... aquela foto ainda esta no nosso quarto, eu de branco e você com cara de desespero , na frente da igreja... ainda rio desta foto...ela continuará comigo, junto com as boas lembranças que trago de você, e que você sabe bem disso irão dominar meu modo de viver ate o fim dos meus dias... te trago no coração, e desejo-lhe paz, onde estiver. Da sua amada esposa... e eterna escrava.