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Laços de Tortura
Não consegui dormir, por vezes eu entrava numa espécie de sonho e acordava sobressaltada, suando, as pessoas estavam presas por correntes, meu pai fugindo, o homem nu algemado de joelhos. Havia uma moça estendida numa cama tosca, acorrentada, tinha os seios machucados, o homem alto de cabelos brancos aplicava-lhe choques. Eu ouvi os gritos horrendos e despertei completamente. Levantei, tomei um banho rápido e me vesti, eu não devia dormir.
Conheci Roberto numa madrugada fria no aeroporto de Montevidéu. Conversando descobrimos que estaríamos no mesmo hotel. Eu estava tremendo de frio, saí só com um jeans, um blusão de lã por cima do sutiã, carregava uma pelerine e a frasqueira.
Ficamos retidos na alfândega, detidos como criminosos, passaríamos pela revista. Eu estava coberta de coragem, disposta a enfrentar qualquer general que parasse na minha frente, nada temia. Aprendemos a tolerar e a ser fortes na dor.
Eu e Roberto tínhamos muito em comum, com tristeza no olhar ele falou-me da irmã, vítima da repressão, que virou freira depois de ter sido torturada, falou da mãe submissa. Trocamos confidências sem sermos íntimos, estávamos atrelados pela dor, isto nos aproximou. Havia em Roberto um certo mistério, um olhar inteligente, era tranqüilo, era espirituoso e intelectualizado.
Roberto viajou por turismo, queria descansar, eu por curiosidade queria ver de perto o que aconteceu com minha irmã mais velha, rastrear os passos dela antes até do desaparecimento. Anos duros, a repressão, os seqüestros, a insegurança.
Procuramos um café, faltava pouco para amanhecer.
Uma escolta da polícia desembarcava com um jovem com cabelos muito curtos, barba por fazer, pouco agasalhado, parecia ter as mãos algemadas. O jovem devia ser vítima do regime, era mais um rebelde que lutava contra a ditadura no seu país. Os olhos de Roberto se arregalaram diante daquela figura que passou por nós. Desejei que aquele moço, de aspecto tão frágil, não tivesse o mesmo destino da minha irmã. O grupo desapareceu no saguão.
Roberto perguntou se eu vi as algemas nos pulsos de rapaz, assenti. Debilmente ele falou que queria ter aquela sensação, estar preso, subjugado, apertou minha mão. Naquele instante eu já sabia onde ele queria chegar. Intuitiva, percebi neste Roberto, de olhos vivos e sorriso largo, farpas de fantasias. Com os olhos marejados perguntei num ímpeto: queres experimentar? Ele disse que sim, tomamos outro café e saímos.
Na alfândega não foi tão ruim como eu esperava, eu tinha uma carta de apresentação de um adido amigo da minha família que me possibilitava vasculhar parcos terrenos. Roberto era um mero turista.
Fui revistada por guarda feminina, eu diria pouco feminina, ela tinha um olhar cruel. Quase fui desnudada, a agente levantou meu blusão e passou as mãos pelas minhas costas, pela cintura, deteve os dedos no meu sutiã. Tentei me esquivar e recebi um sorriso zombeteiro e cínico, ela passou os dedos pelo cano da arma que estava na cintura. Por sorte foi uma revista breve.
Nos juntamos ao grupo e seguimos para o hotel. O dia estava cinza sobre Montevidéu. Pelas ruas, grupos de pessoas gritavam palavras de ordem, bombas incendiárias eram rechaçadas pela polícia; havia muitos cães e canhões.
No avião, eu estava encolhida no banco, meus pés estavam gelados, por vezes o olhar de Roberto se cruzava com o meu, pensávamos a mesma coisa, tenho certeza. Ele tirou minhas botas, as meias de lã e começou a massagear meus pés. Massageava cada dedinho como um especialista, sem tirar os olhos dos meus. Roberto me tocava com carinho, nem piscava, botou meus pés dentro do seu pesado casaco de lã. Em minutos eu estava toda quente, agradeci o toque com um beijo.
Ficamos no mesmo andar, nossos quartos eram quase de frente. Encontrei um bilhete embaixo da porta com os dizeres: fielmente, beijo os seus pés.
Não nos vimos durante o dia, a todo instante me vinha a imagem de Roberto tocando meus pés, o contato da mão quente me deixava inquieta. Resolvi fazer parte da fantasia dele, entrei num antiquário e percorri muitas estantes e armários. Achei um par de algemas enferrujadas, o dono da loja um homem calvo, de baixa estatura e olhos apertados quis saber o que eu faria com as algemas, eu disse que era para uma peça de teatro. Os olhos dele estavam fixos nos meus seios. As algemas eram muito caras. Eu trazia no pescoço um grosso cordão de aço e ouro com um pendentiff de marcassita, uma peça linda, perguntei, sem pensar, se ele queria fazer uma troca, os olhos do vendedor se iluminaram, arranquei o cordão do pescoço e saí.
Caminhei pelas ruas acinzentadas da cidade e rumei para a embaixada brasileira. Conversei por mais de duas horas com o embaixador, ele concluiu que eu não deveria peregrinar pelos obscuros caminhos da repressão, não era o momento. Desanimada, saí a esmo, visitei alguns museus sempre sob a mira de algum fuzil e comprei uma bolsa e uma bota.
Almocei na rua, em Pocitos, Roberto devia estar caminhando em alguma praia, comprei alguns jornais e voltei para o hotel.
O fone do quarto tocou pelas 20 horas, era Roberto. Preciso da senhora, ele falou, estranhei o fato de ser chamada de senhora, eu era poucos anos mais velha do que ele.
Ele trouxe com uma garrafa de conhaque e dois copos, relatou os passeios que fez e me mostrou uma série de gravuras belíssimas que comprou.
Tomei alguns goles, a bebida desceu queimando. Em pouco tempo eu estava descontraída. Sentei na poltrona e ordenei: venha até aqui, de quatro!, o jogo ia começar. Prontamente ele rastejou até mim. Acariciei seu cabelo como se afagasse um cão, ele respirou fundo e fechou os olhos. Estendi o braço e lê beijou a minha mão, lambeu meus dedos, um de cada vez.
Olhe nos meus olhos, falei com rispidez, ele me olhou e eu bati forte, o ruído da bofetada ecoou pelo quarto, ele gemeu e manteve a postura; suspirou profundamente. Era muito dócil, beijei-o em seguida. Com a voz muito débil ele dizia: senhora... senhora.... Prepare meu banho Roberto, sussurrei. Em alguns instantes ele me despia. A tortura era minha. Deitei na banheira e fiz com ele ficasse ajoelhado do lado de fora. Devo ter ficado mais de uma hora dentro d´água, ele, como um cãozinho, ficou ali, parado, me dava pequenos goles de conhaque. Reclamou que as pernas estavam doendo, mandei que tirasse a roupa e ficasse junto comigo.
Na banheira ele ficou de frente para mim, pousei os dois pés no rosto dele, apertei, esfreguei, mandei que se tocasse. De olhos cerrados ele obedecia. Passei os pés na boca de Roberto, mandei que ele lambesse, que mordesse os dedinhos. Eu estava excitada ao extremo, deslizei os pés pelo peito dele, pela barriga, comecei a masturbá-lo lentamente com os pés.
Saí da banheira e trouxe uma echarpe de lã muito fina, vendei seus olhos, ele estava dentro d´água, a excitação crescia aparentemente. Mandei que saísse da banheira e me procurasse pelo quarto, tateando no escuro, me encontrou atrás da cortina. Ele me beijou longamente e, em troca, recebeu outra bofetada. O gemido foi mais alto, a ereção de Roberto crescia mais. Ordenei que ficasse de costas para mim e sentasse na cadeira. Obediente ele sentou. Passei as algemas pelo corpo dele, fiz com ele cheirasse. O metal era frio, vi os pêlos dos braços dele se eriçarem. Abra a boca, eu gritei. Passei a corrente pela língua dele, pelos lábios; Roberto estava escandalosamente excitado. Deixei as algemas escorregarem pelo peito até o meio das pernas. Ele gemia alucinado, pensei que ia gozar ali mesmo. Mais senhora, ele ganiu. Algemei-o com as mãos para trás.
Queres saber como é ser torturado, cãozinho?, perguntei, ele assentiu com a cabeça. Com o pé, fazendo muito esforço, derrubei Roberto com cadeira e tudo, deixei-o no chão, ele só podia mexer as pernas e a boca. Calcei as botas novas e comecei a pisar nele. Passei o salto pela boca e fiz com que chupasse, limpe a minha bota, porquinho imundo!, pisei no rosto dele (a vontade era beijar e fazer carinho). Ele passava a língua por onde a boca alcançasse. Mandei que saísse daquela posição. Por muito tempo ele se contorceu no chão, abri as algemas para que pudesse esticar o corpo e tornei algemá-lo.
Ele estava de bruços, peguei o cinto de couro de búfalo e apliquei-lhe uma cintada, a marca ficou nas costas, ele suava, se contorcia. Pisei nas nádegas de Roberto, na cabeça, caminhei sobre o corpo dele. Ele estava proibido de gozar. Sem calcinha montei sobre a bunda dele, havia muitos lanhos nas costas beijei cada um, passei a língua, beijei a nuca, falei no ouvido dele. Derramei conhaque sobre os machucados, fiz ele sentir dor. No ombro, escrevi meu nome pressionando a caneta sobre a pele branca.
Mantive-o no chão, montei sobre ele, as nossas pernas se batiam, esfreguei a vulva molhada na nádegas quentes do meu cãozinho. O conhaque sobre a pele lanhada devia arder muito, ele suava em bicas, se contorcia mais. Com o pé, fiz o corpo de Roberto ficar virado para cima, o pênis se projetava em direção ao teto, me esfreguei nele, passei os seios na sua boca, aos poucos fiz com que se enterrasse em mim. Cavalguei Roberto por algum tempo sem deixar que ele gozasse. Eu estava explodindo, minhas coxas estavam meladas, meus seios estavam muito duros. Beijei Roberto sofregamente e falei no ouvido dele, goza cãozinho, goza; palavras mágicas, senti o gozo explodindo dentro de mim. Deitei sobre ele, só saí quando ele parou de gemer.
Senhora.