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Reencontro III
Não imaginava como daríamos seqüência ao que iniciara. Apesar de toda distância que nos impomos nos últimos anos, a torrente de emoções que aflorara desde nosso encontro fora muito maior do que ambos esperavam. Na verdade não sei se imaginávamos que algum dia seria assim. Durante o curto espaço de tempo que estivemos junto a longos dezessete anos atrás já demonstravas tua possessividade... Jamais vou esquecer a surra que levei na frente de todos os meus amigos por estar com uma saia muito curta e ter te desafiado a me fazer ficar quieta quando iniciamos uma discussão por isso. Eu tinha quinze anos e fazia muito tempo que não sabia o que era levar uma tapa. Confesso que senti um prazer que se prolongou por muitos anos e relacionamentos depois. Uma tendência à submissão aflorada no meu primeiro amor. Quanto eu teria disso ao longo de minha vida? Nunca. Relacionamentos pela metade, um medo permanente de assumir meus desejos e as lembranças de nossas brigas bobas e os motivos que te levavam a me castigar. Uma brincadeira com prazer, que levei anos para descobrir o que significava realmente. E, agora, a surpresa do reencontro... E a grata descoberta que um relacionamento pode amadurecer o suficiente para ser ainda melhor que tudo do qual eu me lembrava.
Eu sabia, no entanto, que finalmente minha vida voltava para seu eixo. Escolhas que não deviam ter sido feitas tinham que ser repensadas e atitudes que muito exigiam de mim também deviam ser tomadas com urgência. Prolongar um casamento falido não podia seguir em meus planos.
Três dias se passaram sem que eu sequer ouvisse tua voz.
Três dias de angústia, acreditando que cada toque de telefone podia ser o teu.
Finalmente uma mensagem... Oi lindinha! Tô com saudades... Quero te ver, hoje! Onde eu te encontro? Segundos depois o telefone já tocava e me exigia presente, no seu escritório, às seis da tarde. Vestido longo, sem lingeries, sapato de salto fino. Conferi todos os detalhes mil e novecentas vezes: roupa, creme, depilação, sapatos, unhas. Deixei meu carro num estacionamento fechado próximo e subi ao último andar de um prédio comercial, vazio num sábado naquele horário. Desci do elevador com a sensação que qualquer pessoa podia perceber a falta de minhas calcinhas, um prazer pungente de ser descoberta. Entrei na sala sem pedir licença... Gostar de ser submetida não significa ser submissa: aprendi isso com as experiências com ele. Meu prazer maior muitas vezes havia sido justamente desafiá-lo. Casei para isso. Esperando que ele virasse o jogo na última hora, o que ele não fez. Cansei de tentar te fazer entender que as coisas não podem acontecer sempre como tu desejas. Tens que saber o tempo certo de cada atitude. Foram as palavras que eu ouvi ao perguntar o porquê de seu aparente descaso com o abandono de nossa relação e o casamento logo depois. Uma indiferença indigesta nestes anos todos. Uma ação que gerou tudo que me aconteceu agora.
Não tive tempo de sequer lhe cumprimentar. Uma sonora bofetada me fez quase perder os sentidos e o estrondo da porta sendo fechada e chaveada que me fez voltar a si. Como ousa chegar e nem pedir licença para entrar? Como entra sem se anunciar e vai se aproximando de mim assim? Não somos namorados... As poucas palavras foram muito mais doloridas que o tapa. Lembrar a precariedade de um relacionamento inexistente foi ainda mais difícil que encarar a dor.
Meu Mestre me agarrou pelos curtos cabelos que mantenho agora e me jogou em cima da mesa fria de mármore, afastando todas as coisas que mantinha ali. Em segundos meu vestido esta no chão e eu estou completamente nua e a mercê de seus desejos. Apesar de tudo, confio plenamente naquele que por dezessete anos esteve em meus pensamentos todos os dias de minha vida. Pensou que iríamos voltar ao que um dia já fomos? Nunca...nem em mil anos voltaria a confiar em ti para expor meus sentimentos... O gosto amargo da decepção foi mais forte que tudo... Sempre amei este homem com todo meu desejo e descobri, depois de um longo tempo, que ele só amadurecera para ficar ainda mais desejável e sedutor. Em longos minutos que ele fez questão de sustentar comigo o olhar tentei lhe dizer através dos olhos tudo que sentia. Inútil... Amarrou primeiro um pulso na lateral da mesa, depois o outro, deixando-me com os braços abertos. Depois fez o mesmo com os dois tornozelos, um em cada pé da mesa. Braços abertos, pernas abertas, totalmente exposta. E presa. À disposição dele para fazer o que quisesse com o meu corpo. E fez! Cuidadosamente, num trabalho elaborado e metódico, pegou uma das cordas sobre a outra mesa, juntou as pontas e correu os dedos por todo comprimento, até chegar ao centro da corda. Deixou um espaço de um palmo, e deu um nó. Mais um espaço de dois palmos, e outro nó. Depois, fez mais cinco nós a cada palmo, e então colocou a cabeça através do vão maior. Passou o resto da corda por entre as minhas pernas e com passou as duas pontas na corda que sobrara no meio das costas. Esticou a corda, de modo que eu pudesse senti-la apertando a pele, principalmente os nós, e voltou às pontas até o último nó, que ficara abaixo da cintura. Ele havia prometido fazer algo completamente diferente hoje. E realmente fez. Tocou-me de todas as formas, levando-me ao limite de excitação. A excitante mistura de dor e prazer fazia com que, mesmo sem querer, eu me mexesse, gemesse, tentasse inultimente me soltar das cordas para tê-lo dentro de mim, mas era impossível. Depois de muito tempo, aonde ele ia ao limite do orgasmo e parava, observando freneticamente meu desejo insatisfeito, ele voltou a me tocar até que eu finalmente chegasse ao orgasmo. Uma explosão delirante onde mil fagulhas elétricas percorreram cada centímetro do meu corpo. E ainda mole pela descarga de prazer, ainda trêmula, de olhos fechados, senti ele sobre minha barriga, friccionando seu pau entre meus fartos seios, e tive tempo apenas de levantar um pouco a cabeça e abrir a boca para receber o jato do seu líquido quente na minha língua, no meu rosto e nos cabelos.