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Pedra Moura 3º lugar no I Concurso de Contos e Poesias BDSM - Votação dos Leitores
Me lembro que olhava com estranha fascinação os couros esticados ao sol e acompanhava com curiosidade o trabalho de limpar, cortar, transformar em loncas e tentos. Depois, para mim, acontecia uma certa mágica. O couro crú, transformado em finos tentos, tomando a forma de laços, arreios e relhos através dos dedos rudes de meu velho avô. E ele dizia: Senta aí, olha e aprende. Um dia quero te ver domando potros com os arreios que tu mesmo vais fazer. E eu sentava, olhava, entendia e repetia. Copiava o movimento dos dedos e o modo de apertar os nós. E surgiam das minhas mãos de criança tranças de três, quatro e até seis tentos. O velho apenas sorria e balançava a cabeça em sinal de aprovação. E assim entre tentos, lambaris, bergamotas, banhos de sanga e correrias sem fim passei a infância.
Mas veio o tempo de crescer, estudar e trabalhar. Construí uma carreira, ganhei dinheiro para viver confortavelmente, conheci alguns recantos do mundo, fiz amigos e inimigos. Encontrei meu amor, minha mulher, minha companheira. Loncas e tentos ficaram no passado. Minha faca de menino trançador ficou esquecida no fundo de alguma gaveta. Mas às vezes imaginava arreios impossíveis e me pegava distraído fazendo movimentos com os dedos como se estivesse trançando. E nunca domei um potro.
Voltando de minhas reminiscências percebo que uma lua cheia avermelhada começa a brotar nos horizontes do pampa iluminando o campo neste mês de julho. O calor da lareira aquece e ilumina a casa. Isadora está sentada no tapete segurando com as duas mãos uma grande xícara de chá. Conheço esse sorriso e esse olhar. Sei o que ela imagina quando parece apenas olhar as chamas na lareira. Sento ao seu lado e acaricio seu braço e ela se move num jeito de gata que só ela tem. Seus lábios ansiosos procuram a minha boca. A língua úmida, quente, as mãos pequenas e hábeis. As minhas buscam a sua pele clara, os seios macios de mamilos duros, as coxas e seu calor. Gemidos deliciosos saem da boca entreaberta do meu amor. Seguro firme seus cabelos, gesto que ela entende imediatamente. Sinto sua língua no meu peito, nas minhas coxas e, finalmente, no meu pau duro, grosso, pulsante. Amo o jeito molhado e quente com que ela me chupa. Enfio forte na sua boca segurando seus cabelos. Sei que ela adora desse jeito. Isso é muito bom, mas não posso permitir que ela continue. Ainda segurando seus cabelos a afasto de mim e dou um tapa em seu rosto. Fico de pé na sua frente. Ela aguarda com os olhos brilhantes e a face corada. Nua eu digo. Apenas de botas e com a coleira que sempre usa comigo ela, obediente, fica com os joelhos no chão, pernas abertas e o rosto quase entre meus pés. Por alguns instantes fico somente olhando para seu corpo arfando em expectativa. Isadora é linda. Sempre foi linda. E os anos a deixaram ainda mais sedutora. A pouca luz ilumina suas curvas, as costas, os ombros que amo, a cintura, as marcas da noite anterior que ainda não desapareceram do seu corpo. Num gesto mais do que natural meus dedos correm pela aspereza da parede revestida de pedra moura e encontram, pendurado em uma argola de metal, o velho relho de couro crú. Ele sibila no ar guiado por minha mão e deixa mais uma marca na sua pele. Depois outra e outra. Os gemidos de Isadora me estimulam ainda mais e meu braço se torna mais pesado. O efeito que isso causa no corpo dela e no meu é incontrolável. Com ela ainda na mesma posição invado seu corpo segurando firme sua cintura, apertando seus mamilos e fodendo com força sua buceta quente e molhada. Ouço, entre gemidos, a sua voz entrecortada, Me fode, meu dono. Come tua puta. Tiro de dentro dela para que ela sinta o gosto de seu próprio prazer no meu pau. Ela lambe ávida e eu beijo sua boca. Ordeno que se levante e, vendada, amarro-a pelos pulsos na argola da parede. Desta vez sou eu que me ajoelho e começo a beijar sua bundinha vermelha de apanhar sentindo as saliências das marcas que meu relho deixou. Minha língua quente lambe seu cuzinho e buceta recolhendo com sede seu gozo molhado. Meus dedos dentro de sua buceta fazem ela gemer alto e gostoso. Enfio um dedo no seu cuzinho e aperta meu dedo gemendo de prazer e dor. Novamente ela sente a força do meu relho marcando sua pele. Confiança. Submissão. Mando que ela se vire. Ela sente a parede áspera roçando em suas costas e em sua bunda marcada. Ela adora o gosto da sua buceta na minha boca. Mando que ela abra a boca e cuspo em sua língua. Outro tapa no rosto faz com que ela fique ainda mais excitada. Esfrego meu pau duro na sua buceta e começo a comê-la novamente. Sem parar de beijar sua boca, com força e suavidade deixo meu pau bem fundo dentro dela sentindo suas contrações de prazer e gozo. Sinto meu gozo também crescendo dentro de mim, um prazer imenso, quase incontrolável. Solto suas mãos da parede e ela se ajoelha novamente. Com as mãos de pulsos amarrados ela segura meu pau e chupa com tesão guiada pelos meus gemidos. Meu gozo vem forte e abundante na sua boca, lambuzando seu rosto e seios. Abraço minha amada, minha puta, ainda de joelhos e beijo sua boca sentindo o gosto do meu gozo e o dela misturados. Agora o silêncio. Só o crepitar de um tronco de angico queimando na lareira. Carrego Isadora até a cama e ainda a vejo adormecer exausta e feliz. Vigio seu sono até que o cansaço também me domina e durmo sonhando com uma lua cheia enorme, cor de fogo, no céu limpo de inverno.
Ainda é noite quando começo a revirar gavetas e baús procurando meus tesouros perdidos. O sol nascente me encontra sentado na varanda trabalhando concentrado. Este por cima, este tento por baixo, este nó um pouco mais apertado. Está ficando muito bom penso - apesar da ferrugem que os anos puseram nos meus dedos.
O sol já vai alto e a geada quase sumiu dos baixios quando Isadora aparece com o chimarrão, a cara de sono e arrastando um pelego num jeito engraçado de menina-mulher que só ela mesmo podia ter conservado. Ela senta no chão e corre os dedos delicados no trabalho que faço. O que é isso? Uns arreios, minha linda, um presente que estou fazendo. Para mim, meu dono? Para nós, meu amor, para nós. Enquanto a beijo meus dedos tocam o trançado do velho relho ao meu lado. Chegou a minha vez de domar potras.