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Lembranças do Calabouço - Cap 5
Era um quarto grande e espaçoso, com muitos instrumentos de tortura bem posicionados. Assim que entrei, vi aquela múmia presa numa espécie de sarcófago. Era uma pessoa presa totalmente, que vestia uma apertada roupa preta de couro. Na cabeça, uma máscara com um grande e longo cano que se prolongava até o chão.
Me assustei quando vi aquilo e mestre Frederico percebeu. Ele me olhou e disse:
- Não se preocupe, escravo. Hoje você não será mumificado.
Hoje? A idéia de ficar totalmente preso me deixou com medo. Ainda andando, ele apontou para um cavalete.
- Suba.
Eu fiquei imóvel. Ele então me empurrou e eu, com dificuldade, subi naquele móvel de madeira. Mestre Frederico amarrou minhas mãos e meus pés, de modo que fiquei com nenhum movimento. Em seguida colocou em minha boca uma mordaça. Era uma bola tipo de ping-pong, mas com furinhos. Depois pegou o que parecia ser um pregador de roupa e prendeu em meu nariz.
Ofegante, eu respirava com dificuldade, fazendo um som estranho quando o ar passava pelas pequenas bolinhas da mordaça. Meu mestre, vendo aquilo, deu um sorriso malvado e se aproximou de meu rosto. Com o que parecia ser um beijo, ele encostou seus lábios nos meus, tapando com a língua as únicas entradas de ar.
Tentei me mover, nervoso, enquanto ele me olhava fixamente. Tentei me libertar, sem sucesso. O desespero da asfixia já estava me deixando preocupado, quando ele tirou a língua e soprou seu hálito para dentro de mim. Respirei, aliviado, numa experiência muito íntima. Sentindo aquele aroma quente de sua respiração, eu sobrevivi. E percebi como minha vida dependia da sua.
Ele continou brincando da mesma maneira, cada vez aumentando mais a duração. E eu tive de me acostumar com aquilo, embora não tenha sido fácil. Até que chegou o momento que eu já não me desesperava tanto, apenas olhava em seus olhos também de modo fixo, tentando compreender dentro deles o que se passava entre meu mestre e eu...
- Bom, eu preciso tomar banho. - disse, levantando-se. - Espero que fique aí. Eu já volto.
Mestre Frederico levantou-se e saiu do quarto. Fiquei parado, ansioso. Não demorou muito para que ele voltasse, com passos ligeiros. Com um sorriso maroto, eu já imaginava que ele tivesse tido alguma idéia. E eu estava certo. Pronto para colocá-la em prática, ele retirou uma grossa vela vermelha de dentro de um armário. Então disse:
- Pensando bem, seria injusto te deixar sem nenhum divertimento. Enquanto eu me refresco, você vai me aguardar com algo para lhe entreter... - disse, com sua voz grave.
Senti alguma coisa gelada em contato com a minha pele. Após isso, o contato de um objeto duro, tentando me penetrar. Era a vela. Ele a enfiou na minha entrada rapidamente, com o cuidado de deixá-la não muito enfiada, mas segura o bastante para não sair. Fiquei incomodado com aquela situação, mas logo esses sentimentos se transformaram em horror quando ele acendeu a vela.
Rapidamente senti um forte calor. Ele disse para eu me divertir, depois saiu do quarto, me deixando como um castiçal. Fiquei imóvel como um objeto, e cada vez que a cera escorria, encostando em mim, eu pulava de dor. Não me lembro exatamente quanto tempo, mas sei que demorou quase uma hora aquele banho.
Quando voltou, eu já estava em pânico. Eu tinha medo que a vela acabasse e pudesse me queimar por dentro. Por isso estava tentando apaga-la com movimentos que fizeram meu mestre sorrir. Ele viu que eu estava desesperado e sentou-se num banco, apenas a me observar. Vendo que, de fato, a vela poderia terminar, ele levantou-se e a apagou. Fiquei aliviado, mas as torturas estavam longe do fim.
Ainda amordaçado, senti uma chibatada em minhas costas. Seguida de outra e mais outra. Ele queria me bater até que toda a cera da vela saísse de minhe pele. E isso não foi fácil. As manchas vermelhas estavam grudadas em minha pele como uma casca e só depois de muitas chicotadas que elas saíram.
Eu estava exausto. Arfava, com muito cansaço. Minha boca estava seca e eu morrendo de sede. Como meu nariz estava preso, eu respirava apenas pela boca, o que deixou minha garganta seca. Mestre Frederico sabia disso. Como um experiente mestre que era, ele sabia exatamente o que cada escravo estava sentindo. Ele conhecia bem as sensações, as dores e os alívios que seus servos sentiam. Depois de terminadas as chicotadas, ele foi até um armário e pegou um saco. Dentro dele, vários prendedores.
Ele começou por prender vários em mim. Puxava a pele e o prendia. Meus olhos enchiam-se de lágrimas e parecia que ele possuia milhares de prendedores. Por mais que eu tentasse me acostumar com a dor, ela palpitava e eu sentia que começava a inchar. Aquela posição já estava me causando dores nas costas e os prendedores só fizeram com que eu me sentisse ainda mais desconfortável.
Não sei quantos prendedores foram usados, mas depois de usar todos, mestre Frederico sentou-se em sua poltrona. Acendeu um charuto e ficou me observando. Enquanto eu me contorcia, tentando amenizar aquele sofrimento, ele apenas me olhava, com um meio sorriso entre os lábios. E toda aquela situação me fez ficar pensando no poder que ele exercia sobre mim. No seu controle sobre a minha vida.
E isso me fez o amar como nunca. Eu não existia sem mestre Frederico. E não era uma simples paixão como aparecem em histórias comuns. Era algo mais intenso, mais vivo. Eu respirava por sua causa e só ele podia fazer no meu corpo o que quisesse. Cada vez fiquei mais dependente de seu poder, mais interessado em como ele podia me usar para seu próprio divertimento. E do salgado das lágrimas, brotou em mim um desejo forte de submissão. Naquele dia, eu havia me conformado com tudo. Não haveria outra verdade, se não suas palavras. Eu era um escravo. E ele, meu mestre.
continua...