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A Nova Sociedade Feminina

Na verdade, 2307 havia sido um ótimo ano. Talvez porque, nos últimos cinco anos, havia se consolidado um fato novo e inconteste, o da gravidez masculina. Embora a própria palavra masculino já estivesse em desuso há algumas décadas, o termo ainda se reportava aos machos reprodutores que eram propriedade das dominas. Não servia, por exemplo, para denominar os escravos submissos, denominados escravas, que também eram de propriedade feminina, das suas dominas. Mas, ate então, as experiências com a gravidez masculina não tinham sido bem sucedidas, o que agora já se tornara comum com a substituição da próstata, resíduo do antigo ser masculino, por um útero artificial. Desse modo, e após um adequado preparo com hormônios femininos do tipo estrogênio em altas doses, seguida de inseminação artificial dos machos, podiam ser gestadas crianças saudáveis pelas escravas que, alem disso, cuidavam delas e as amamentavam. A feminilidade dos escravos chegou ao maximo para maior prazer das suas dominas que se orgulhavam dos seus encantos durante a gestação. E se esmeravam para lhes dar tudo que fosse necessário, pois agora o sexo feminino estava finalmente livre da obrigação milenar de parir filhos para continuar a espécie. Como era tradicional, na nova sociedade, a criança eram criadas conjuntamente, meninos e meninas, recebendo educação semelhante do tipo feminino, pelo menos ate a puberdade. Nesse ponto, eram pratica comum e obrigatória para os meninos, dos chamados ritos de passagem. O menino tinha seus testículos extirpados por um simples procedimento a laser, feito por uma medica ou centro medico especializado, o que impedia o desenvolvimento das características sexuais secundarias, tais como barba, pelos, agressividade e a mudança da voz. Evidentemente, o pênis se mantinha de tamanho mínimo, quase imperceptível, mesmo na idade adulta. Esta conformação feminina era adotada em mais de 90% dos meninos, que passavam a se portarem e vestirem de acordo com o universo feminino, sendo os 10% restantes mantidos na sua forma original, sem lhes alterar o desenvolvimento sexual, para que pudessem servir como machos reprodutores, sob rigorosa supervisão de suas dominas, sendo dirigidos para as tarefas mais pesadas e para a ordenha de colheita de sêmen que garantia a continuação da espécie. Exatamente como se fazia em fazendas, nos modelos de criação de rebanhos de gado ou cavalos. Num mundo dominado pelo feminino, não havia mais guerras nem disputas inúteis, sendo os homens, agora denominados escravas, instruídas, desde a adolescência, para agradar suas respectivas dominas a quem pertenciam e deviam obediência. Em geral, cada domina possuía ate quatro escravas e um reprodutor, que viviam mais ou menos isolados nos androceus, espécie de gineceu invertido da era antiga da humanidade. Somente podiam sair na rua todas juntas e se exporem aos olhares do publico acompanhadas de suas dominas ou, pelo menos, de um macho reprodutor. E mesmo assim, eram obrigadas a portar véus e vestidos longos de modo bastante recatado, o que, de certa forma, contribuíam para lhes acentuar a feminilidade. Alias, a questão dos trajes, havia sido resolvida há muitos anos, sendo absolutamente desnecessário qualquer outra fabricação de roupas que não fossem batas, blusas, saias, vestidos, corpetes, maiôs, lingerie e sapatos de salto alto ou sandálias para ambos, escravas e dominas. Os conjuntos de maquiagem eram muito apreciados por ambas, embora os antigos homens, agora transformados em escravas, por serem mais destinadas à sedução e prazer de suas dominas tivessem maior gosto pelas roupas elaboradas, lingeries delicadas e provocantes, penteados exóticos, e pelos salões de beleza. Quem se lembrasse do homem de alguns séculos atrás, vestindo camisas, calças, cuecas, gravatas, ficaria surpreso com os atuais, escolhendo calcinhas e soutiens que se adaptavam perfeitamente ao seu novo corpo e discutindo novas tendências da moda da próxima estação. Este era um assunto tipicamente das escravas que, para deleite das dominas, competiam entre si na intimidade, trocando roupas e fazendose mais sedutoras para suas dominadoras. Promoviam desfiles de moda com as amigas e expunham seus seios perfeitos e os traseiros arrebitados a custa de exercícios femininos próprios cultivados desde o ingresso na vida adulta quando eram adquiridas pela dominas em movimentados leiloes. Mas, em publico, sentiamse constrangidas de serem observadas, e preferiam usar véus sobre o rosto, disfarçando uma elaborada maquiagem e vestidos coloridos e longos, sob os quais usavam sensuais lingeries, que deixavam apenas entrever suas formas femininas. Quando autorizadas por suas dominadoras, podiam usar biquínis de tamanho reduzidos nas praias freqüentadas somente pelas dominas e suas escravas, mantendose os reprodutores a uma distancia prudente que não excitassem demasiadamente as escravas. Alias, eram comuns os casos de romances e paixões por outras dominadoras que surgiam nessas ocasiões, o que muitas vezes levava ao comercio ou a troca de escravas mais cobiçadas que atingiam altos valores no mercado. Na sociedade feminina atual, as profissões foram redistribuídas de acordo com a capacidade de cada um. Tomando como exemplo a sociedade de Platão, as dominas detinham todo o poder nas mãos femininas, que eram as lideres admiradas por todos, sendo advogadas, engenheiras, empresarias, medicas e dirigentes, em geral, pois recebiam instrução especializada de nível superior. Os machos reprodutores constituíam a classe intermediaria, eram os guardiões que protegiam as escravas e faziam os trabalhos mais pesados, como vigilância, mecânicos, trabalhadores braçais, motoristas, e outros. |E, naturalmente, doavam sêmen a intervalos regulares e obrigatoriamente, através de um processo de ordenha em laboratórios, que exigia a estimulação prostática por correntes elétricas. Eram obrigados a portar sempre, sob suas roupas masculinas, um plug anal e um cinto de castidade cuja chave ficava em poder da domina como forma de lembrarlhes sua submissão masculina incondicional e desestimula-los de qualquer excitação erótica por quem quer que fosse. Em alguns casos, esta podia utilizar seus serviços sexuais quando melhor lhe aprouvesse, podendo ainda troca-los ou aluga-los para outras dominas, caso lhes parecesse interessante. Finalmente, as escravas, antigos homens, se dedicavam ao lar, a limpeza e manutenção da casa e a satisfazer todos os caprichos sexuais das suas dominadoras ainda que fossem impotentes e incapazes de penetração genital ativa, embora pudessem ser utilizadas passivamente. Como não recebiam educação formal alem da básica, somente podiam exercer funções tipicamente femininas, como estilistas, modistas, maquiladoras, manicures, cabeleireiras, babas. E algumas delas eram escolhidas para uma feminilizaçao intensiva, através de hormônios e orientação psicológica, submetendose a cirurgia de implantação do útero para, depois, serem fecundadas, reservandose a elas, o papel de mães em tempo integral de filhos que, por direito, pertenciam apenas a sua domina. Quem procurasse nos livros de historia, certamente ficaria surpreso com um tempo em que os machos dominavam as fêmeas e não lhe outorgavam praticamente nenhum direito alem da maternidade. Hoje, estes homens submissos e dominados, tornados escravas, eram iguais às mesmas fêmeas do passado, inclusive gerando, amamentando e criando filhos; Tinham gostos, preferências e tendências nitidamente femininas, emocionavamse, choravam com facilidade, tinham distúrbios hormonais característicos da tensão menstrual apesar de não menstruarem ainda. Algumas pesquisas já estavam sendo conduzidas por importantes mulheres cientistas que possibilitariam este fato biológico num futuro próximo, principalmente a partir da implantação do útero materno junto com os ovários e uma vagina artificial. Se isto fosse realmente conseguido, apagariam se quaisquer vestígios de uma presença masculina definitivamente superada pelo predomínio total do feminino. A transformação dos homens nas atuais escravas levou décadas e varias gerações para ocorrer. Primeiramente, devido a maior instrução adquirida pelas mulheres ao longo dos anos, os homens perderam progressivamente os melhores empregos e, ao mesmo tempo, foram lhe retirados todos os instrumentos do seu poder, e as mulheres passaram a comandar os principais postos de emprego e o próprio lar. A dominação feminina acabou por lhes destinar funções subalternas ligadas ao lar, como a manutenção da casa e o cuidado dos filhos. Com o passar dos anos, foram se sentindo cada vez mais dependentes das suas dominadoras, impotentes para comandar e até para satisfazer as mulheres como parceiras sexuais, e num tipo de comportamento mimético estimulado pelas mulheres mais poderosa e já dominantes, passaram a imitar as atitudes do sexo predominante. Começaram a imitar os trejeitos femininos, abandonaram as atividades ditas masculinas, como os esportes competitivos, e começaram a apreciar e discutir as modas, a decoração, o ballet e as novelas. Tornaram se mais críticos do modo de vestir de outros homens e passaram a usar as mesmas roupas para ambos os sexos, abandonaram seus antigos calções, cuecas, gravatas e os trocaram por delicadas calcinhas e soutiens, vestidos e saias graciosas, e jóias e perfumes suaves de todo o tipo; Ficaram sentimentais, românticos, seus modos tornaram se suaves e estudados, abandonaram definitivamente a agressividade masculina e dispuseram se alegremente aos tratamentos com hormônios femininos orientados por medicas endocrinologistas, que lhes acentuaram as curvas, afinaram a voz e os mantiveram dóceis e obedientes aos caprichos das verdadeiras mulheres suas chefes e dominadoras. Eram agora diferentes e podiase dizer, um novo sexo construído e supervisionado sob a superioridade feminina. No sexo propriamente, perderam toda a iniciativa, tornaram se passivos e ficaram todos impotentes. Em conseqüência desse fato, praticamente desapareceu o homossexualismo masculino, o que muito agradou as dominas. Adoravam ser cortejados e guiados pelas mulheres dominadoras que, percebendo a mudança, passaram a tratá-los como fêmeas e amigas, nada temendo deles. Como as mulheres eram agora as únicas provedoras e responsáveis do lar, estas os reeducaram desde a infância para que fossem úteis como objetos de dominação e servissem aos propósitos e desejos das dominadoras, passando a denominá-los de escravas e cassando todos os seus direitos, mesmo ao prazer sexual que agora era exclusivo das dominas. A palavra masculino foi praticamente riscada do dicionário, e o mundo se tornou realmente unissexual em muitos aspectos. A superioridade feminina era irreversível, e os homens, ou escravas, deviam obedecer por muitos séculos vindouros. As escravas viviam felizes como desejavam, dominadas e feminizadas por uma classe superior que lhes deixava espaço somente para discutirem coisas mais triviais, como culinária, moda e a educação dos filhos. Os modelos civilizatórios eram as mulheres poderosas, bem sucedidas e com muitas escravas para seu serviço. A sociedade não podia ser dita matriarcal, pois as mães também eram agora escravas ainda mais femininas e que pariam filhos que não lhes pertenciam. Alias, todo o dinheiro que recebiam para seus gastos era dado por suas dominas, pois não tinham nenhuma independência financeira, a não ser quando as dominadoras consentiam que trabalhassem fora de casa em ambientes exclusivamente femininos. A vida diária transcorria com tranqüilidade, o que podia se perceber pela leitura dos jornais e revistas. Enquanto as domadoras se interessavam por assuntos como política, economia, e principalmente, esportes como futebol, basquete, lutas, automobilismo e motociclismo, que antes eram ditos masculinos, e agora, somente eram praticados pelas dominadas bem treinadas e campeãs, os homens feminizados, ou escravas, em virtude sua menor capacidade intelectual, liam os cadernos e revistas de assuntos tipicamente femininos. Assim é que se interessavam, por exemplo, por um novo desodorante intimo perfumado recem descoberto para sua higiene, um novo modelo de malha de fibra transparente que realçava a simetria dos corpos e resumos de novelas ou fofocas da sociedade. Mais estimulante, era o caso intrigante e muito discutido de duas escravas que, após a morte súbita de sua dominadora, foram sodomizadas e penetradas pelos machos reprodutores que conviviam com elas na mesma casa. Evidentemente, o responsavel havia sido severamente punido com a castração cirúrgica de todos os seus genitais e a feminizaçao forçada,sendo depois entregue a outra dominadora extremamente exigente, e era obrigado agora a satisfazela como simples escrava. Entretanto, as escravas ou machos feminizados sentiam uma espécie de frisson so em imaginar que isto poderia ter acontecido a elas, e passavam a olhar os machos protetores da própria casa com medo e respeito, mas com maior volúpia, quase desejando serem tocadas e penetradas apesar da severa proibição de manterem relações sexuais com outra pessoa que não fossem as dominas. Uma palavra sobre o sexo. Era praticado sob a forma do amor lésbico entre dominadoras, ou eventualmente, com machos domesticados que ainda podiam copular, mas apenas por requisição das dominas, jamais com escravas, embora muitas destas suspirassem por aqueles, sem poderem ir alem da paixão platônica com seus guardiões que usavam cintos de castidade impedindo qualquer ereção ou coito anal com as escravas. Estas se satisfaziam com o prazer que podiam proporcionar as suas donas que as usavam para permanecerem excitadas ou se masturbarem com consolos aplicados pela domina ou por uma ou muitas escravas, ate ficarem exauridas de cansaço; os homens transformados em escravas sequer conseguiam obter prazer para si mesmas, pois sua libido apenas obtinham prazer após a castração cirúrgica através da penetração por consolos especialmente desenhados para cada tipo de orifício anal e escolhidos cuidadosamente por elas e suas dominadoras. Neles, ou nelas, não mais se desenvolvera a função genital e seu órgão sexual regredira quase totalmente, fazendo parte da cavidade abdominal, o que, para sua maior alegria, também as obrigava a fazerem as necessidades sempre sentadas como as donas e usarem minúsculas calcinhas e protetores para higiene íntima, em tudo semelhante às verdadeiras fêmeas. De fato, suas médicas eram sempre ginecologistas ou obstetras, que as ajudavam a cumprir a função biológica e reprodutora de fêmeas e mães a que estavam destinadas. Era a maior glória que poderiam esperar em toda a sua vida, a de serem operadas para receber um aparelho reprodutor feminino ainda que incompleto, mesmo que algumas se submetessem, por imposição das donas, a uma cirurgia mais complexa que lhes implantava uma pseudovagina, e que era motivo de orgulho para a escrava, agora uma fêmea total. Depois, suprema glória, eram inseminadas artificialmente pelo sêmen de um macho reprodutor saudável e cuidadosamente escolhido que nelas gerasse muitos filhos que viriam a ser outras escravas submissas e protegidas pelo poder das dominadoras. Tal e o nosso mundo em 2307, como jamais poderíamos supor que ocorresse no passado, nos longínquos séculos XX ou XXI, em que a superioridade e dominação feminina se estabeleceram definitivamente sobre a terra, sendo os homens do passado docilmente domesticados, reeducados, feminilizados, e, finalmente, assimilados ao sexo único e dominante, depois escravizados pelo sexo superior e mais poderoso que estabeleceu as bases de uma nova sociedade mais justa e progressista.