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A Leitura I Concurso de Contos e Poesias BDSM - Participante

Dentre as inúmeras lições de My Lord, uma guardo com especial carinho: a lição da leitura, que quero repartir com vocês. My Lord considera a submissão algo entre a elegância e renúncia, regrado a inteligência e discernimento. Dá importância a detalhes sem hipocrisia, a posturas, aos olhares quando permitidos, mas a voz e algo à parte para Ele; desde o silêncio ordenado, até os gemidos de puro êxtase e dor! Com toda a paciência e pulso que um dominador deve demonstrar Meu Senhor tem um “quê” a mais... O bom gosto; apesar de sua simplicidade a princípio enganar os mais desavisados. Sentado confortavelmente na sua cadeira de couro, ouvia M. Butterfly de olhos fechados. O coro enchia de lamentos a sala ampla e arejada de nosso apartamento. Silenciosa no cumprimento de minhas tarefas diárias, em nada atrapalhava sua sensibilidade. Higienização realizada ajoelhei-me para massagear os pés Dele, como sabia ser de seu agrado. - Hoje não gymna. Continuei ajoelhada apenas carinhando seus pés. - Diga-me, que percebe dessa parte da ária? Prestei mais atenção à melodia que nessa hora parecia mais um choro sufocado e respondi: - Alguém sofre Meu Senhor. - Sim, alguém sofre. E o sofrimento é algo ruim? - Isso depende de como está sendo encarado o sofrimento. - Você sofre gymna? - Sim, respondi abaixando a cabeça. - Fale-me de seu sofrimento. Erguendo os olhos para Ele: - Sofro com sua ausência, mas resigno-me por saber que todas as noites terei sua companhia, serei avaliada em minhas tarefas, saberás de minha dedicação e sua nova exigência será um bálsamo, porque terei novo dia para dedicar-me inteiramente, resignadamente, de todo meu coração. - E isso te basta gymna? - Meu Senhor, o que me basta é saber que sou tua de alma e corpo, para realizar todos os seus desejos, todos os caprichos, mesmo que muitas vezes minha carne não suporte, minha alma já está entregue a sua luxúria! ... - Pegue o livro sobre a bancada e abra na página 118. Assim fiz, retornando para seu lado, ele apenas olhou-me: - Mencionei para que voltasse? - Não My Lord. Retornei ao lado da bancada envergonhada pelo deslize. Abri na página; mostrava uma gravura do século XIII, uma mulher sendo amarrada. - gymna, o que vê nessa foto? - Vejo o desespero nos olhos dela... - Você já foi amarrada várias vezes... Já sentiu esse desespero? - Não My Lord, não em suas mãos. - Sente-se aqui minha cadela. Fui para o local indicado com o livro ainda aberto na página... Sentei o mais elegante possível, isso o agradou. Senti um afago nos cabelos e sua mão deslizou até minhas costas e ficou sobre um vergão da cicatriz... - Ainda recorda esse dia gymna? - Cada momento Meu Senhor... Cada momento. - E mesmo assim não sentiu desespero? - Temi não suportar o que ordenava apenas isso. A música ao fundo dava ao ambiente um ar melancólico. Nada dissemos por algum tempo. Continuava lendo sobre aquela mulher, pouco a pouco tomando conhecimento de sua história, também buscando em minhas memórias as mesmas incertezas iniciais, os mesmos temores, os mesmos ais... Ele foi até a cozinha e logo voltou. - gymna! Calmamente olhei para Ele, estava lindo seu olhar, seu sorriso; na mão direita a coleira. - Vem cadela! Fechei o livro, coloquei-o sobre a mesa de centro, fiquei de quatro e me posicionei à sua frente, pescoço à mostra, oferecendo-o as carícias das pontas dos dedos. Sua mão máscula em meu queixo, passando por meus lábios, ensaie um beijo, mas fiquei quieta aguardando apenas seu comando. - Está disposta? - My Lord estou a sua total disposição! - Ótimo! Assim que gosto. Esse adestramento é simples, mas como tudo que é simples... Disse sorrindo. - Sim Meu Senhor. - Vá até o armário, existe uma nova diversão lá... Traga-a! Caminhando delicadamente fui até o armário, abri a gaveta, era um pequeno tapete, todo enrolado; trouxe-o e fiquei segurando. - Abra! Aparentemente não havia nada demais nele... - Sente-se. Sem pressa sentei-me. Tome o livro e comece na página 12, terceiro parágrafo, leia em voz alta. “... sentada sobre o tapete persa com pequenas pontas de metal a machucar minha pele...”. Olhei para Ele, ainda sorria... - Continue. ... Ajeite-me melhor no tapete tentando sentir algo diferente, mas não havia nada. “... invadindo ao mesmo tempo meus poros, o sangue brotava parecendo pétalas de rosa vermelha a contrastar com minha pele branca como cera. Ele se aproxima, em suas mãos a chibata". - gymna, você já passou por essa situação, agora lê algo que poderia ser sua própria história, dê sentimento a personagem, dê vida ao sofrimento dessa mulher; volte ao início do parágrafo, darei nova chance. Tentava sentir-me naquela situação, busca do prazer! Lia dando ênfase, mostrando em mim as marcas que ela dizia ter, ansiava por agradá-lo, mas isso não estava acontecendo. Levantou-se e voltou com a chibata na mão. - Sua imprestável! Até mesmo uma simples leitura não consegue fazê-lo? Continue! “... a chibata na sua mão ruborizava minha pele só em olhá-la; ele começou girar, girar a chibata no ar até que veio o primeiro golpe nos ombros. Para ele eu parecia mais um tapete velho, igual ao que a ama leva para o varal e espanca para tirar toda a poeira; meu corpo era açoitado na verdade para retirar de mim toda a dignidade, os vergões eram meus ornamentos e os hematomas, os rubis de minha entrega total, irrestrita, insana!”. Enquanto lia, Ele também usava a chibata, não com violência, mas ardia cada novo golpe, sentia o meu corpo responder com uma excitação maior a cada movimento Dele, já não sabia se era eu que lia ou pedia para Meu Senhor fazê-lo. Larguei o livro e me joguei a seus pés. - Meu Senhor, meus desejos estão à flor da pele, sou tua! Dizia beijando seus pés. Levantando-me pelos braços disse-me secamente: - Você não é minha, nunca foi! - Como My Lord? Que diz? - Isso mesmo que ouviu, você não é minha! Embaraçada pela resposta olhei-o fixamente e disse: - Meu Senhor, que preciso fazer para que me sinta tua? Ele pensou por um instante, soltou-me, saiu, voltando em seguida da cozinha com um marcador de gado numa das mãos... - Ser... marcada! Vi o brilho de seus olhos, sabia que falava sério. Os meus, pobres janelas que me traíam, denunciavam meu pavor diante desta provação, e por mais que já antecipasse, agora caía nesta armadilha, o medo de desgostar My Lord... sem sucesso, disfarcei. Mas ele percebeu quando hesitei: - Onde deseja fazê-lo Meu Senhor? Escolha qual parte do meu corpo quer que carregue para o resto dos meus dias a comprovação que me entreguei de corpo também, já que minha alma é tua! Pena não ter como marcá-la de forma visível Meu Senhor. Ele tranqüilamente começou olhar meu corpo, alisando os pontos vermelhos que a chibata deixara e as cicatrizes nas costas do último adestramento, até que escolheu. - Deite-se e abra as pernas. Ainda olhei o metal incandescente na sua mão e voltei a seus olhos. Deitada sobre o tapete persa todo decorado com rosas, Ele carinhou meu rosto e aproximou o marcador. - E se escolher seu rosto? - Se esse for o local desejado Meu Senhor, faça-o e carregarei mais essa cicatriz com todo orgulho! Ele beijou e disse: - Seu rosto é lindo demais para esse tipo de marca. Sentado a meu lado, deixando o marcador no chão abocanhou meu seio e chupando demoradamente, deslizando seus lábios até o mamilo voltou a dizer: - E se escolher seu seio? - Se isso o agradar, estou pronta! Ajoelhando-se entre minhas pernas abertas, alisando minha barriga: - Tão macia... acho que é um bom lugar. Continuei olhando-o... sua expressão era de felicidade, de satisfação. O metal ainda vermelho fazia-me lembrar que logo seria esfriado em minha pele. Abrindo ainda mais minhas pernas, sugou minha vulva, lambendo os grandes lábios e depois demorando-se no meu clitóris, segurando minhas pernas, explorando minha intimidade com seus dedos, extraindo de minha carne, mais prazer, sem pressa, saboreando e deixando deliciar-me em sua boca, sua língua, seus dedos! Seu corpo agora totalmente sobre o meu, sua boca encontrando a minha, meu gosto sentia em sua língua, chupava-a, entregava-se, carinhava-o, deseja tê-lo dentro de mim, e meu olhar suplicava isso, minha boca pedia, minha intimidade se lubrificava no desejo por Ele, até que o senti invadir-me, gemi de prazer não consegui me segurar... - Você é realmente uma cadela! Segurando minha mãos, estocava cada vez mais forte, me invadia sem cerimônia fazendo-me delirar, demonstrando quem estava no comando e a quem eu deveria satisfazer! E isso, essa sensação me dava mais prazer ainda, e me abria, me entregava sem pudor algum. - Cadela, você quer ser minha cadela? Dizia próximo ao meu ouvido, fazendo-me arrepiadar de tesão. Respondia entregando-me mais e mais... Quando estava próximo nosso gozo ele esbofeteou meu rosto, e tirou seu membro de dentro de mim e trouxe até meu rosto e assim senti seu gozo quente, espesso, saboroso! Obrigando-me a limpá-lo todinho com minha boca, chupando-o e escutando seus gemidos, suas ordens, suas mãos fortes apertando as minhas, tremia de paixão. Ele começou a alisar a parte interna de minha coxa direita... - Aqui! - ... Ele levantou-se, olhei seu corpo todo, lindo! Trouxe as algemas e uma mordaça, ainda tentei dizer que não seria necessário, mas ele respondeu: - Eu o desejo assim, calada! Colocando-me na postura que achava ideal para essa liturgia de entrega absoluta, algemada a um móvel da sala, amordaçada, com a pernas seguras também por cordas ele aproximou-se com o marcador na mão, meus olhos não conseguiram esconder meu medo. - Tem certeza gymna? Acenei afirmando que sim. Alisou uma vez mais a parte interna da minha coxa e aproximou o marcador, o olhava fixamente, até que senti minha pele... Ele havia encostado totalmente, meu corpo todo estremeceu, apesar da mordaça, era possível ouvir meu grito de dor, minha carne tremendo. Chorei envergonhada tentando esconder minha dor, tremia, sentia minha carne pular de dor! Ele jogou longe o marcador e enxugando minhas lágrimas: - Sim gymna, agora será para sempre minha! Meu corpo ainda tremia... Tirou as algemas e a mordaça... Abraçando-me com um carinho visível, ainda disse: - Não pensei que seria capaz dessa entrega minha cadela! Outras muito mais experientes fracassaram, desistiram nessa hora. - Isso só veio provar para Meu Senhor o que sinto e digo... sou tua! Trouxe um ungüento que passou em minha pele sensível, trazendo alívio. A dor é nossa amiga, como ele sempre dizia (e eu nem sempre entendia isso), e a mão que me flagelara agora me reconfortava. Ele sabia o quanto tinha sido difícil aquele adestramento – A LEITURA. A leitura das iniciais L.I., suas iniciais gravadas em meu corpo. Pegou-me em seus braços e levou-me para a esteira ao lado da cama, trouxe a vasilha de água que ficava na cozinha e deitou-me, envolvida em seus braços e abraços de Meu Dono, adormeci gemendo, mas com uma satisfação descomunal, saber que meu Senhor agora tinha certeza de minha devoção, minha entrega! Fiz esse relato carinhando o local onde nunca houve uma cicatriz, (invisível sim em meu corpo, mas indelével em minha alma), sobre o mesmo tapete persa, com My Lord na sua cadeira de couro apreciando seu novo livro e afagando meus cabelos.