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Seu Dono é Bom, Cadela
Caiu na água jurando que poderia ser a última coisa que ela faria, e não está nem ligando se fosse.
Colocou a prancha no meio das pernas e foi ganhando metros apenas com as braçadas no estilo livre. Deixou o pensamento nadar também, ganhar dimensão a cada braçada dela.
As pernas imóveis segurando a prancha, os braços e os pensamentos à mil. Ficou ali sentindo a prancha roçar sua buceta, e imaginou ele dizendo:
- Ah cadela, você sempre com algo no meio das pernas.
Virou o rosto para o lado direito para puxar o ar e, aproveitando, proferiu um palavrão.
- Cacete. não queria pensar nele, queria por a casa em ordem, queria pensar nela e em como estava se sentindo.
Tudo ele, sempre a vontade dele. Mas agora estava cansada, não entendia porque às vezes não podia ser romântico, porque às vezes não podia ser só os dois, porque às vezes não podia ser NORMAL.
Quando pensou na palavra normal, ela se alarmou, jamais tinha qualificado a relação dos dois como algo ANORMAL, e não era.
Ela gostava do que tinha, amava André, sabia que no mundinho criado por eles não existia nada mais do que os dois e tudo que lhes dava prazer. O que eles tinham era mágico, era lindo. No começo, um completava o outro perfeitamente.
Ele o dono, ela a cadela. Ele o namorado, ela a apaixonada. Ele o ácido, ela a terna. Mas o que estava acontecendo? Porque esses tipos de pensamentos agora?
Quando ela puxou o ar pela última vez e fez a virada olímpica para ganhar mais 50 metros, respondeu a própria pergunta.
- Porque quero carinho.
Intensificou o ritmo das braçadas e a acidez do pensamento.
- Sexo e reclamar, é só isso que ele faz.
Lembrou-se da última noite, ela querendo um banho juntos, aromas pelo quarto e ele...
- Vem cadela, chupa o pau do seu dono.
- Quer que eu me enfie ai?
- Pietra, não te faz, quantas vezes tu já se enfiou embaixo da mesinha do computador, para chupar meu pau, ou para sentar no chão e colocar a cabeça no meu colo?
Ela soltou um suspiro profundo, se colocou de quatro no chão e foi exatamente nessa posição para debaixo da mesa.
- Dé, quero banho.
- Claro cretina, assim que eu gozar na tua cara, agora Pi, chupa.
Se ajoelhou como pode embaixo da mesa e começou a chupar-lhe o pau. Fazer aquilo lhe dava satisfação mesmo quando contrariada.
Chupava e ouvia os dedos dele tocando o teclado, aquilo a irritava de forma descomunal. Segurava as pernas dele e já começava a apertá-las com a força proporcional à raiva que sentia.
Por um breve momento achou que ele pouco ligava para os apertões, mais foi por um breve momento.
Sentiu um puxão de cabelo e na seqüência estava sendo arrastada.
- Não queria seu banho cadela? Pois vai tomar.
Arrastou-a para o banheiro empurrando sua cabeça para baixo impossibilitando-a de levantar. De quatro estava, de quatro ficou.
Quando chegaram ao banheiro, ele despiu a roupa rapidamente, ela que começava a fazer o mesmo, ganhou um olhar de reprovação. Já tinha entendido, deveria permanecer de roupa.
- Abre a boca.
E na seqüência, esperando o pau pulsando na boca, ela sentiu o jato da urina no rosto.
Susto. Como reagir agora? Assim sem aviso? Ele nunca tinha feito antes.
Fechou a boca e os olhos e continuou sentindo o líquido quente molhar seu rosto e seu cabelo.
Raiva? Não mais do que ela já estava sentindo.
Quando ele terminou, abriu rapidamente o chuveiro, enfiando-a de roupa e sapatos embaixo da água.
- Agora Pietra chupa. E toma cuidado com os seus suspiros cadela, eles denunciam seus pensamentos. Ou acha que eu não te conheço?
Ela não respondeu, chupava o pau do dono e sentia a água quente do chuveiro cair em seu corpo, não mais quente do que os tapas que ele lhe dava no rosto.
Quando ele gozou foi sem gemidos, ela engoliu tudo mas se sentiu frustrada.
- Tira essa roupa, toma o seu banho e vai para cama. Eu vou ver um filme.
E antes de sair, parou na porta do banheiro e disse sem olhar para trás:
- Seu dono é bom, cadela.
Ela fez o que ele mandou e...
...dois segundos depois estava de volta à piscina, mais uma virada, mais 50 metros e o relógio apitando os 10 minutos nadados.
Soltou a prancha e liberou as pernas, a mente exausta, o corpo, nem um pouco.
Juntou as duas pernas, fez o movimento com os dois braços e começou a nadar borboleta. Enquanto os braços cortavam a água em um movimento para baixo, o seu quadril subia e sua bunda se arrebitava saindo fora da água.
Sentiu o tapa das noites anteriores e mergulhou novamente. Na água? Sim, e igualmente em seus pensamentos.
- Levanta.
- Dé, esta doendo.
- Eu sei o quanto bati, agora levanta esse traseiro antes que eu o faça.
Ela ergueu o quadril, o rosto colado à cama, as mãos ao lado do rosto.
Na mesma proporção que as mãos dele tocavam-lhe a bunda em tapas barulhentos, suas palavras a machucavam.
- Eu não posso te tratar bem cadela. Você fica insuportavelmente chata.
Dois, três tapas no mesmo lugar. Ela se agarrava ao lençol, gemendo e gritando quase descontrolada.
- Você desaprende, Pietra. Na mesma proporção que aprende. Sua rapidez para me entender é algo só superável pela sua capacidade de esquecer as coisas e me contrariar.
E batia na lateral das coxas enquanto ela gritava e abaixava o quadril.
- Levanta.
Ela não agüentava, segurava o choro e temia. Se levantasse o quadril apanharia, se não levantasse apanharia. Resolveu não contrariar, levantou o quadril hesitante. Empinou a bunda e ouviu:
- Seu dono é bom, cadela.
Antes de terminar a frase sentiu o pau do dono entrando sem dó buceta à dentro. Gemia com mais vontade agora. A buceta completando a última parte do corpo a arder.
O alarme do relógio à trouxe de volta. Vinte minutos nadados e ela queria pelo menos mais meia hora. Fez a última volta sentindo as nádegas saindo da água e completou os últimos 50 metros de borboleta.
Tinha raiva, a última lembrança só a deixava mais irritada. E como se não pudesse piorar mais, se lembrou da noite que mais a deixou irada.
Começou o Costas lentamente, levava os braços atrás da cabeça com uma paciência invejável, com a calma de quem não tinha problema nenhum e era a pessoa mais feliz da vida.
A última frase martelando seus pensamentos.
- Chega dos seus medos nena. Já estou cansado de todos eles, te serviram de desculpa durante muito tempo.
- Você não entende André. Você não me conhece uma vírgula.
- Será que não, chatinha? Será que não te conheço, será que não conheço seus comodismos? Sua falta de querer mais? Será que não te conheço, Pietra?Te digo pela última vez benzinho, seu dono é bom.
A conversa acabava ali, a porta se fechou atrás dela e ele saiu para rua. Ela ficou ali, a olhar para o nada.
Brincava consigo mesma que se existia uma crise dos sete, então eles deveriam estar passando por uma crise parecida. Porque era tão difícil que ele fosse um pouquinho mais sensível? Estava cansada das risadas debochadas, estava cansada de conversar com ele e ele desconversar. Estava cansada de ouvir só o que convinha a ele.
Ficou brincando de ir e vir em seus pensamentos, os braços puxando a água da cabeça em direção às coxas.
Seria pedir demais? Será que ela estava errada? De quem era a culpa? Estava sendo injusta? E como se começasse um diálogo com ela mesma parou para pensar que talvez ele a cobrasse mais, por achar que ela podia cada vez mais.
Ela sabia que podia mais, mas ele também era capaz de mais. Porque às vezes ele tinha que ser tão cínico, tão ríspido, tão chato e irritante? Porque às vezes, mesmo quando os olhos dela imploravam por carinho ele fazia questão de não entender?
Talvez porque realmente não entendesse.
Nesse momento novamente a raiva lhe subiu à cabeça. Ela beirava o ódio, como se Poseidon em pessoa a tivesse transformado no pior dos monstros aquático sobre a face da terra.
Como podia alguém ser tão cego? E como se as lembranças se clareassem à medida que ia passando pela água, ela se lembrou de um momento.
Ele havia preparado tudo, quando ela chegou em casa e leu nos seus olhos que algo estava para acontecer, gelou dos pés à cabeça.
Ele tirou-lhe a bolsa das mãos, conduziu-a para o quarto e parando na porta, segurou seu rosto com as mãos e lhe disse baixinho.
- É cadela, vai doer.
Ela mordeu os lábios, viu o chicote, as velas, viu a escova de cabelos.
Ele podia ler o medo em seus olhos.
Perto da cama o plug e o vidro de lubrificante.
Ela não sabia o que dizer, ficou parada, de boca aberta olhando para ele, sentido suas mãos segurando-lhe o rosto.
Ele sorriu. Levou-a para cama e colocou-lhe as algemas e a venda.
Colocou-a deitada na cama, as pernas abertas, a buceta exposta. Ela esperando, ele apenas passando as tiras do chicote pelo seu corpo. A intensidade do toque não mudou. Apenas o percorrer do couro na buceta, na barriga, nas coxas.
Em seguida sentiu a língua tocar-lhe o sexo, se segurou como pode na cama e gemia baixinho, como se fosse um tremendo abuso fazer qualquer tipo de barulho naquela hora. Gozou quase quietinha na boca do dono e prendeu a respiração pensando: Agora.
Mas nada aconteceu, ele a virou de barriga para baixo, segurava seus cabelos mansamente e comia sua buceta com calma, beijando seu pescoço. O gesto mais pesado da noite foi a voz dele, MANDANDO:
- Goza neném.
Ela se controlando para gozar junto com ele, os dois gemendo juntos.
Quando a calma foi tomando conta da situação, ela perguntou deitada do lado dele na cama:
- Porque mudou de idéia Dé?
Ele riu alto, beijou-lhe a ponta do nariz e disse:
- Porque você precisava que fosse assim hoje. Seu dono é bom, cadela.
Quando o relógio marcou os 40 minutos nadados ela parou. Sentou-se na borda da piscina e fechou os olhos lembrando as coisas boas que já tinham feito juntos.
Lembrou-se do jeito dele, estourado, mas meigo. As palavras no diminutivo que usava e de como era interessante ouvi-lo chamá-la de benzinho no meio de uma de uma briga.
Lembrou-se dele valorizando cada qualidade que ela tinha. Sim, ele fazia isso. Ele adorava sua voz, deixava isso claro milhões de vezes. Ele adorava o seu jeito moleca, e ele tinha certeza que ela podia ser bem mais do que era. Bem mais como cadela, bem mais como profissional.
Ela sorria calmamente sentada, a água amiga, tocando os pés e as panturrilhas, lembrava:
- Você já agüentou muito mais que isso neném, deixe de manha.
A vela pingando no seu corpo, e ela se contorcendo, segurando os gritos. Com a vela, era assim, nada de gritos.
Ele fingindo não se importar continuava pingando a cera da vela no corpo dela, olhando cada reação do seu rosto para saber o seu limite.
Ou quando os projetos no trabalho eram maiores, e ela achava que não ia conseguir sem ter que passar noites e noites em claro, quem levantava sua moral?
- Neguinha, não sei porque esta preocupada, você tira isso de letra em menos de um dia.
Levantou-se do chão com o corpo todo molhado e a mente leve, segurou a toalha passando pelo corpo, como se enxugasse até a alma. Sorria e andava em direção à suas coisas, colocada na cadeira mais próxima à água.
Não teve dúvidas, pegou o celular e ligou para André.
- Dé?
- Oi cadela.
- Dé, meu dono é bom.
Do outro lado da linha ele gargalhava. Ela, satisfeita desligou o telefone, e caiu novamente na água.