Back to Browse

O Sol e a Lua - A Primeira Vez

Tinha sido uma bela quinta-feira, e como sempre, depois de um dia muito agitado, cheio de compromissos e afazeres, Maria chegava em casa no final da tarde, já pensando no dia seguinte, mas agora só queria ver seus recados e descansar o máximo que pudesse. Depois de arremessar suas coisas em cima da cama, ela sentou em frente ao seu computador, e abriu suas mensagens. Pode observar que aquele rapaz estava on-line. O nome dele era Antonio, e o havia encontrado num discreto grupo de discussão sobre bondage, na internet. Assunto que a intrigava demais, mas não tinha coragem de buscar respostas. Dessa vez, havia criado um pseudônimo para ingressar nesse mundo, conhecer alguém que pudesse ajuda-la a compreender seu fascínio e atração por aquilo. Agora era Vênus. Só havia trocado e-mails com algumas pessoas, até então nada de conversas diretas. Mas algo a tinha feito adicionar aquele rapaz em sua lista, mas ainda não tinha coragem de falar com ele, apesar de querer saber o que ele tinha de tão diferente que chamava sua atenção. Era a hora, preparada ou não, ela chama a atenção dele: - Olá! - Olá moça! Que milagre! - Pois é. - Recebo seus e-mails Vênus, mas sempre tive vontade de conversar com você. Obrigado por ter me chamado. - Que é isso? Adoro poder trocar mensagens com você, só não tenho muito tempo para ficar aqui. Quase não paro, mas queria muito conversar com você também. A partir dali, começaram a trocar informações, não só sobre bondage, mas sobre suas vidas. Ambos percebiam que, a cada novo assunto, tinham a sensação estranha de se conhecerem a muito tempo. Falaram sobre profissão, sobre familia, sobre si mesmos. Maria, sempre mais reservada, afinal, era algo novo aquele assunto, e mais nova ainda, a estranha confiança instantânea que sentia com aquele estranho. Mas algo dentro dela não o via assim. Como isso era possível? Em tão pouco tempo, poder saber tanto de alguém que nunca vira, e o pior, contar intimidades, coisas tão suas. Que feitiço era aquele que a deixava tão a vontade, sem pudores, sem desconfiança. Queria conhece-lo, além daquela conversa, além do virtual. Sentia-se atraída pelo mistério, o desejo da aventura se tornara maior que seus receios e medos. E aconteceu: - Por que não nos vemos para nos conhecermos melhor? (disse Antonio) Maria começou a deixar sua cabecinha rodar, onde, no mesmo tempo que, procura um espaço em seus compromissos, procura uma desculpa para prorrogar mais ainda este encontro. - Hoje não posso! - Amanhã vou estar perto de você. Tenho um compromisso profissional. Não quer me encontrar? Tomamos um café. Sei lá! Poderemos conversar, nos conhecer e quem sabe ... (?) Aquela proposta era tentadora. Por algum motivo, não conseguia recusar. - Esta bem Antonio. Acho que no final da tarde estarei livre. Podemos combinar. - Ok! Ficarei ansioso até amanhã! Quando desligou o telefone, após ter combinado aquele encontro, Maria começou a pensar no que tinha acabado de fazer. Não sabia se seu desejo era maior do que seu medo. Afinal, não conhecia aquela pessoa, apenas o que ele havia contado. Passou o dia pensando se estava fazendo a coisa certa. Mas algo dentro dela a fazia não voltar atrás, como se a incentivasse a tomar essa atitude imprudente. Seu coração acelerava só de pensar naquele encontro. Tentava juntar tudo que já sabia até então daquele forasteiro. Achar um motivo para sua euforia. O que estava fazendo? Mil coisas passavam por sua cabeça, até que resolveu aquietar seus pensamentos. Seria somente um café, num lugar público, não prometera nada. Poderiam conversar bastante, e somente ajudaria a reforçar a imagem que tinha de Antonio, ou poder ter certeza se ele era uma farsa. Bastava dizer-lhe que tinha outro compromisso, caso não fosse nada daquilo, e simplesmente se despedir, sem culpas. Acalmou-se então, apesar de ainda estar confusa com aquilo tudo. Chegou o dia seguinte. Maria acordou depois de uma merecida noite de descanso. Exerceu seu ritual de todas as manhãs. Arrumou suas coisas, olhou suas mensagens, reviu seus compromissos. Voltava agora em sua mente aquele encontro. Tentou ser prática e decidida como sempre. Iria sim! Não iria voltar atrás. Só precisava deixar as coisas bem esquematizadas para que pudesse ter um pretexto convincente para ir embora. Apesar de que queria ver até onde essa aventura poderia ir, o que poderia aprender e descobrir com ele. Pensava o quanto suas palavras eram seguras, objetivas. O quanto era simples para ele falar de si mesmo, de sua vida, e principalmente, como tornava aquela experiência extremamente apaixonante, diferente de tudo que já vivera. Falava com propriedade, com paixão. Não fazia que fosse algo estranho ou vulgar. Tinha que viver tudo aquilo. No fundo, Maria sabia que ele falava exatamente tudo que ela queria ouvir. Expressava todas as sensações que ela queria sentir. O dia foi passando. Chegava a hora do encontro. O coração batia mais forte. Numa atitude quase automática, fez questão de que algumas pessoas que conversara durante o dia, soubessem de seu encontro. Não seu teor, mas simplesmente sua existência. Era sua razão agindo de forma a fazer o máximo que pudesse para garantir sua segurança. Mas estava centrada, decidida, não desmarcaria. Saiu caminhando de sua casa em direção ao local combinado, que era ali perto. No caminho, procurava nem pensar em qualquer possibilidade de acontecer algo entre os dois. Passava a ter as preocupações naturais de mulher. Será que estou bem assim? O que será que ele achará de mim? Caminhava em direção ao local, perto de um museu, e a cada passo que a aproximava mais daquele homem, que nunca houvera visto em sua vida, a deixava mais apreensiva com sigo mesma. Olhava para cada detalhe do caminho, como se quisesse marcá-lo com farelos de pão, a fim de marcar seus passos de volta. Observa diretamente o rosto das pessoas, como querendo ser notada, até procurando um rosto conhecido naquele momento, ter certeza que alguém seria testemunha de sua jornada. Talvez, até tentasse encontrar um pretexto para não prosseguir com aquilo. Poxa! Por que tanta preocupação assim? Era somente uma situação corriqueira de conhecer uma nova pessoa, um possível amigo, dividir uma mesa para um bom chocolate quente, um gostoso papo de fim de tarde. Por que se via tão nervosa assim? Faltavam poucos metros. Seu olhar já tentava localizar a figura de seu misterioso cavalheiro entre as pessoas que estavam circulando pelo lugar. Prontamente o avistou, no mesmo instante que ele também olhou para ela, como se pressentisse sua chegada. Caminhou em sua direção exibindo um sorriso meio que natural, meio que nervoso. Mas, agora que, estava em sua presença, era esquisita a forma como estava mais tranqüila. Era como se realmente a sensação de conhece-lo há mais tempo, muito tempo, fosse ainda maior. Aproximou-se de Antonio num carinhoso abraço: - Viu? Estou aqui! - Realmente Maria, você é uma pessoa de palavra e pontual, também! - Que bom! - Você é mesmo mais bonita do que as fotos deixam transparecer. Um pouco sem graça e acanhada, Maria agradece. Estava mais surpresa ainda por estar sendo um encontro tão natural. Se ria por dentro, naquele instante, pensando no bicho-de-sete-cabeças que havia formado até ali. - E para onde vamos? Você manda! - Tem um lugarzinho gostoso onde podemos sentar para conversar e tomar um café! - Então vamos! Você me mostra o caminho então. Maria estava imensamente curiosa agora. Até ali, Antonio era tudo que realmente demonstrava na internet. Não havia surpresas. Demonstrava ser uma pessoa normal, calma, tranqüila, educada. Agora, começava a sentir um pouco sem graça perto dele, como se achasse que ele pudesse saber tudo que ela já havia pensado. Mesmo assim, ainda estava insegura, e tratou logo de informa-lhe que teria pouco tempo para conversarem, pois teria um compromisso com amigos, algo que havia esquecido, mas que não poderia deixar de comparecer. Notou que Antonio não se decepcionou tanto com aquela informação, e que simplesmente demonstrou que queria aproveitar cada minuto que fosse possível. Ele era uma pessoa muito solta. Durante a conversa, fazia questão de revelar vários episódios de sua vida, coisas mais íntimas, traços de sua personalidade, ao mesmo tempo que, brincava bastante. Parecia que alcançava o fundo das preocupações de Maria, por estar ali, e queria muito fazer com que ela tivesse certeza de saber com quem estava. Estava conseguindo. Maria ficou completamente relaxada e a vontade com aquele, agora, amigo. Maria também começou a contar algumas de suas particularidades, mas não esquecia a razão pela qual haviam se conhecido. Estava confusa de, até então, ele não ter tocado no assunto. Não sabia qual seria sua reação assim que começassem a entrar neste assunto. Principalmente depois de conferir que Antonio parecia, pessoalmente, a mesma imagem que havia formado em seus bate-papos. Num determinado momento da conversa, Maria começou a prestar mais atenção em Antonio. Tentava captar e entender o que o atraia nele, por que tinha tanta afinidade e sentia tão bem com ele. Alguns pensamentos se entrelaçaram, e começou a imagina-lo como seu raptor, na emoção que poderia sentir, tudo que ele poderia proporcionar a ela. Queria afastar essas ideais, por mais que se formavam em sua mente. Tentou voltar a sua atenção ao assunto, e a idéia de ir embora. Mas não conseguia mais esconder sua inquietação. Deixava transparecer em seus gestos e tiques algo que a incomodava. E aconteceu o que temia. Antonio, sem mais nem menos, tomou a iniciativa de, não só propor o assunto, mas ser direto quanto a realizarem algo juntos. Ficou espantada, ao notar, o quanto ele pudera absorver dela em tão pouco tempo, parecendo conhece-la melhor que ela mesma. Eu sou isso: - Gosto de seu jeitinho quando fica sem graça! - Ah, é? E como é esse jeitinho? - Você franze os olhos quando sorri, e ao mesmo tempo morde a pontinha da língua Passa as mãos na lateral da cabeça, penteando seus cabelos pra trás com a ponta dos dedos. (Antonio expressa um sorriso) Imediatamente, Maria faz exatamente o que ele acabara de descrever. Começa a sorrir e ficar mais sem graça ainda. Como ele podia fazer isso? - Você me passa ser uma mulher decidida, determinada, dona das situações. Não me parece ser alguém que se tenha que pegar na mão para mostrar os caminhos. Será que estou enganado! - Não sou tão assim não! Mas você tem razão! - Então? Para onde vamos? - Tenho pouco tempo. Pensei num lugar que conheço, aqui pertinho! Mas só tenho meia hora. Pelo menos poderemos ficar em algum local mais tranqüilo pra conversarmos mais à vontade. - Concordo! Mais uma vez estou em suas mãos. Vamos!? Agora sim a cabeça de Maria tinha dado um nó! Levantaram para sair do Café. E Maria foi explicando o caminho. Caminhavam devagar em direção ao local que ela havia sugerido. Parecia tranqüila, mas por dentro, seu corpo se agitava por vários terremotos, tufões, furacões. A partir dali, resolveu que entraria de vez nessa aventura. Só precisava convencer seu coração, que batia descompassado. Chegaram a um pequeno e simples Hotel, alguns quarteirões de onde estavam. Foram até a recepção, onde Antonio solicitou um quarto para um período. Entregaram suas identidades e, Antonio pegou a chave de um quartinho no primeiro andar. Subiram as escadas devagar e encontraram a porta. Maria entrou na frente, enquanto Antonio fazia alguns comentários engraçados, tentando descontrair um pouco. Naquele momento, ambos pareciam nervosos e deslocados. Maria colocou suas coisas em cima de uma mesinha próxima da janela que dava para a rua na frente do Hotel. O dia estava claro ainda, e um pouco frio. Antonio colocou sua maleta no chão, ao lado da cama. Alias, um objeto que só passou a chamar a atenção de Maria naquele instante. Que ele carregaria ali? Ambos se sentaram, cada um de um lado da cama que tomava quase todo o pequeno quarto. Passaram a se olhar numa atitude que expressava um “ ...e daí, e agora?”. Antonio passou a olhar para Maria com admiração, apreciando cada detalhe dela, como não acreditando que ela existisse, e que estavam juntos ali. Maria, por sua vez, não parava de lembrar de seu compromisso, e como já identificado por Antonio, mordia a ponta da língua não sorriso nervoso, e suas mãos não paravam num único lugar mais que alguns segundos, demonstrando, o tanto que estava apreensiva, com o que estavam prestes a fazer. Enquanto Maria falava sem parar sobre qualquer assunto que não fosse o que estava acontecendo, e claro, reforçando, sempre, seu tempo curto. Antonio agachou-se do lado da cama, onde estava sua maleta. Abriu o zíper e retirou dois pares de algemas prateadas, colocando-as em cima da cama, entre os dois. Aquilo fez com que a respiração de Maria se alterasse rapidamente. Seus olhos alternavam entre os objetos e o rosto de Antonio, que se mantinha tranqüilo. Ele, prontamente, percebendo o receio estampado nos olhos de Maria, pegou uma das peças, e começou a mostrar os detalhes, principalmente que existia uma pequena trava de segurança que ela poderia acionar a qualquer minuto, se caso se sentisse desconfortável. Delicadamente colocou uma das algemas no pulso direito de Maria, enquanto ela observava atentamente, e sua respiração ia aumentando ainda mais, já quase no ritmo de seu coração aceleradíssimo. Antonio colocou braço dela para trás, e conversando calmamente juntou a outra algema, fechando-a no pulso seu esquerdo, e prendendo suas mãos nas costas. - Está confortável? (pergunta Antonio bem calmamente) - Sim! (Maria responde, ao mesmo tempo balançando a cabeça) - Que bom! - Vá devagar comigo, por favor! Tenho medo! - Não precisa se preocupar. Nós vamos até onde você quiser. Confia em mim? - Han!...Han! Então Antonio vai deitando-a suavemente na cama, enquanto continua a acalma-la, explicando varias coisas. Olhando sempre fixamente nos olhos dela para não perder suas reações e saber quando parar. Pegou o outro par de algemas e colocou-as prendendo os tornozelos de Maria. Assim que fez isso, percebeu que Maria ficara novamente esbaforida. Sua respiração transmitia um misto de excitação e medo. Antonio se afastou um pouco dela, sentando na beirada da cama, com a intenção de ajudar a tranqüiliza-la mais rapidamente. Na distância que estava, se pôs a passear seus olhos pelo corpo inteiro de Maria, deitada e algemada. Observa como ela se mexia lentamente querendo se sentir naquela situação, presa, indefesa. Respirava fortemente, e entre alguns curtos gemidos, exibia um gostoso, mas ainda nervoso sorriso. Ela vestia uma mini-blusa branca, colada ao corpo, que deixava notar o formato bem desenhado de seus pequenos e belos seios; uma calça jeans de cintura baixa que delineava caprichosamente um maravilhoso par de pernas: calçava um par de sandálias de salto que a tornavam bem feminina e serviam como um pedestal para seus lindos e delicados pesinhos. Era um conjunto harmonioso, uma bela mulher, de cabelos longos, cheirosos e macios, pele delicada e suave. Seria impossível para Antonio não estar encantado, ainda mais com toda a sensualidade que ela exprimia naquela situação. Antonio deitou-se ao lado de Maria, e enquanto reparava na maneira com que ela ia tentando se ajeitar, se aninhar talvez, começou a passar levemente sua mão espalmada sobre sua barriga, acariciando bem devagar. Ficou assim por uns minutos, num ato a fim de fazer a calma de Maria se restabelecer, faze-la ter confiança nele a cada passo daquela experiência que estavam vivendo. Colocou sua outra mão alisando os cabelos dela, fazendo um gostoso carinho que passava pela sua nuca, pelo seu rosto, e faziam com que os olhos dela se fechassem como aprovação. Antonio colocou seus pés sobre os pés de Maria, e também começou a fazer movimentos circulares e suaves com as pontas de seus dedos. Era gostoso vê-la, não só se aquietando, mas sentindo uma enorme satisfação, pois seu corpo não negava isso. Antonio ficava cada vez mais fascinado com tudo em Maria. Depois de algum tempo, Antonio vai até sua maleta e retira uma pequena bolsinha que guardava um lenço estampado. Pega algumas cordas, também, e coloca tudo em cima da cama, aos olhares curiosos de Maria. Ele a levanta gentilmente, a colocando sentada na cama, ao seu lado, e vai enrolando aquele lenço na intenção de utiliza-lo como uma venda. Posta-o sobre os olhos de Maria, circundando sua cabeça, de forma que pudesse amarra-lo atrás, não muito apertado, para não incomoda-la, simplesmente pra priva-la da visão. Notando um novo nervosismo de Maria, ele solta as algemas de suas mãos. - Que vai fazer? Já vai me soltar? (pergunta Maria agitada) - Calma! Vou apenas prender suas mãos para frente. Acredito que se sentirá mais segura e confortável assim! - Você já fez isso com alguém antes? - Não como estou fazendo com você! - Como assim? - Não sei explicar! Sinto prazer em estar explicando passo-a-passo pra você! E a segurança que me dá, isso é gostoso! Antonio pode notar um sorriso nos lábios trêmulos de Maria. Era aquele sinal que sempre procurava para prosseguir sem receio. Não queria sentir que estava fazendo algo que ela não quisesse, que não trouxesse prazer para ambos, nem principalmente, parecer que estaria traindo aquela confiança. Precisava sentir Maria totalmente entregue a fantasia, e em suas mãos. Pegou um dos pedaços de corda e amarrou os pulsos de Maria, juntos, e dessa vez para frente de seu corpo. Ainda sentia sua respiração ofegante. Soltou as algemas de seus tornozelos. Pegou mais dois pedaços de corda e amarrou, não só seus tornozelos, como também, suas pernas, um dedo acima dos joelhos. A cada volta, a cada nó, prestava atenção nos movimentos de Maria, que aparentava , apesar da respiração forte, uma imensa excitação, como se estar vendada, multiplicasse , de forma tão desmedida, todos seus sentidos. Passava a sua boca pela sua barriga numa serie de pequenos beijos, que logo iam subindo até atingir a região do seu pescoço, sua nuca, próximo de sua boca. Antonio queria testar ainda mais os limites dela. Começou a acariciar suas pernas, fazendo as pontas de seus dedos passearem por suas coxas num delicado balet, procurando atingir alguns pontos que aumentassem ainda mais a excitação de Maria. Os gemidos dela eram como musica. E a cada movimento saltitante de seu corpo, Antonio sabia que tinha encontrado o que procurava. Até ali, o enredo daquela fantasia era inteiramente mágico. Cada passo era executado com muito cuidado. Nunca poderia esquecer nem um segundo que se tratava de uma experiência nova para Maria. Na verdade, não podia esquecer, pois passava a ser uma experiência nova para ele também. Passado um tempo entre tantas emoções, carícias e palavras. Maria pede a Antonio: - Preciso ir ao banheiro! (fala Maria meu sem jeito) - E como vamos fazer! - Terá que me soltar, acho! - Quer que eu te leve? - Sim! (Maria responde, quase sussurrando) Antonio senta na beira da cama. Poe suas mãos em volta da cintura de Maria e a puxa para seu lado, colocando-a sentada com os pés amarrados tocando o chão. Ajeita cuidadosamente sua raptada e em seguida a toma nos braços, carregando no colo e levando-a com dificuldade, tendo que desviar dos obstáculos daquele pequeno ambiente de portas estreitas. Conseguindo entrar no banheiro com Maria em seus braços, a coloca em pé bem sutilmente, mantendo seu equilíbrio. Vendo que ela esta assustada, Antonio resolve provocar mais um pouco os limites dela. Começa a soltar os botões de sua calça. Aquilo deixa Maria extremamente ofegante novamente. - Não, por favor, não faz isso! (Maria pede com um tom de desespero) - Calma! Não confia em mim? - Confio, mas não quero. Por favor! Antonio desabotoa as calças dela completamente, abre o zíper, solta a corda que prende suas pernas, e começa a baixa-las, deixando Maria cada vez mais agitada e nervosa. - Não! Não, por favor! (Maria pede quase suplicando com a voz baixinha) Assim que as calças dela estão na altura dos joelhos, ele para. Agacha desamarra seus tornozelos e a deixa perceber que esta se levando, bem junto ao seu corpo. Maria só pode notar seus movimentos. Ele, então, desamarra suas mãos. - Pronto! (Antonio diz com um pequeno sorriso nos lábios) Antonio sai do banheiro antes que Maria tirasse a venda, satisfeito com a sensação que tinha certeza ter provocado nela. Maria só percebeu mais tarde que ele nunca pretendia ultrapassar os limites, conforme combinaram, mas havia consigo surpreende-la, faze-la pensar, por um minuto, que estava indefesa, nas mãos de alguém que acabara de conhecer. Que loucura! Depois do susto, passou por sua mente todas as barbaridades que Antonio poderia ter feito com ela. Mas o que mais a deixava confusa é por que ela estava tão bem. Por que aquilo, aquela situação a excitava tanto. Entendia agora o que lera sobre “querer se libertar, e ao mesmo não pensar em estar em outro lugar”. Era uma loucura gostosa, uma sensação inexplicável, incomparável. Até onde poderia chegar? Maria voltou para o quarto como que não querendo demonstrar novamente toda aquela insegurança que a surpresa lhe causou. Antonio a esperava, com as cordas em cima da cama, e um olhar claro de admiração. Ela sentou-se na cama, colocando-se a disposição de seu doce raptor. Parecia que aquele susto tinha sido o rebente da ultima barreira de dúvidas e medos que faltava ser derrubada naquele instante. Passara a confiar mais estranhamente ainda nele. Estava pronta para mais um passo, para mais emoções boas. Pronta a se entregar àquela fantasia como nunca nem tinha sonhado. Se aquilo era loucura, desejava ser completamente insana, pelo menos naquele momento especial. Antonio se aproximou dela, sempre com muito carinho e atenção, como se estivesse manuseando um objeto extremamente frágil, uma delicada boneca de porcelana. E, talvez, fosse assim que ele a enxergasse. Com um pedaço de corda, agora maior, da algumas voltas no corpo de Maria, um pouco acima da altura de seus seios e abaixo dos ombros, prendendo os seus braços colados ao corpo. Nas voltas seguintes, faz com que a corda passe abaixo de seus seios dessa vez, acima da barriga. Alias, entre os vários elogios que já havia feito a sua cativa, deixava claro o quanto achava linda e atraente aquela região de seu corpo. Dando seqüência a sua amarração, Antonio uniu as pontas da corda nas costas dela, juntando seus pulsos e deixando-os presos aquela corda que já imobilizava os movimentos de seus braços completamente. Ao terminar, pousou seu queixo sobre o ombro de Maria, em vários gestos de carinho. Fazendo com que ela se arrepiasse inteira. Pegou os mesmos pedaços de corda que prendiam seus tornozelos e coxas, e voltou a amarra-la da mesma forma que antes. Sempre olhando para as feições de sua raptada. Queria ter sempre a segurança de estar atendendo os desejos de Maria, e não deixando a entender que lhe impunha os seus. Podia ver que ela estava tranqüila agora, e decidiu partir para mais um passo. Foi até sua famosa maleta e retirou um rolo de silver-tape. Aquilo fez com que os olhos de Maria se arregalassem, numa expressão de total surpresa. Não esperava isso! Antonio pressentia uma nova seqüência de descompassos na respiração de Maria assim que partiu um pedaço daquela fita, Notou que seus batimentos estavam aumentando, somente em pensar o que ele faria. Maria sabia que era para amordaça-la, mas nunca tinha estado nessa situação. Ao fato de suas mãos e pernas estarem imobilizados, já tinha se adaptado, mesmo a questão de não poder enxergar, mas agora percebia que não iria poder falar, gritar. Na melhor das hipóteses, se preocupava em saber como ele saberia que ela não estava bem, que queria que parasse. Ele poderia agir como quisesse agora, que bastava nem olhar pra ela, e ela não conseguiria chamar, nem a atenção dele, nem muito menos de ninguem. Mas precisava saber o que isto provocaria. Tinha que confiar em seu raptor. Afinal, até ali, mesmo sem seu consentimento, ele já poderia tê-la dominado facilmente. Mesmo assim, o pavor tomou conta de seu rosto, por mais que tentasse disfarçar, não deixar Antonio inseguro, achando que ela queria parar. Não queria. Não ainda. - Você vai me amordaçar? (pergunta Maria com ar de inocente) - Sim! - Promete uma coisa? (olhando para Antonio com olhos infantis) - Claro! Fala! - Se eu pedir você tira? Sinto-me aflita não podendo falar! - Prometo! Não se esqueça o que te falei: Nós iremos até onde você quiser! - Obrigada! (desfecha Maria seguindo de um belo e gostoso sorriso) Antonio pede para que ela junte os lábios, e coloca delicadamente aquela fita, selando sua boca. A respiração de Maria nunca foi tão alterada. Parece que aquela simples mordaça havia provocado uma revolução em todo seu corpo. Antonio, encantado, mirava todas aquelas reações, tão intensas de Maria. Enquanto ela se mexia de forma sensual, decidiu complementar unindo a ponta da sobra da corda que prendia os braços de Maria num nó transpassado pela corda que prendia os seus tornozelos, evitando assim, que ela pudesse, até mesmo se sentar, limitando o quanto poderia esticar ou movimentar suas pernas. Afastou-se mais uma vez dela. Levantou-se, ficando ao lado da cama, de onde podia apreciar do auto aquela linda mulher se contorcendo de forma tão sensual e feminina, tão provocante para seus olhos, no mesmo tempo que se deliciava com cada gemido abafado que vinha de sua boca amordaçada. Ficou parado ali, não só zelando pela segurança de sua protegida, mas contemplando-a, como uma deusa, como uma obra-prima. Sentia que podia compartilhar de todas as emoções fantásticas que Maria estava experimentando, junto com ela. A cumplicidade era muito intensa naquele momento. Maria estava conseguindo se entregar totalmente àquelas sensações novas, aquela fantasia. A excitava saber que Antonio era seu dono naquele momento, que dependia dele, e que passava pra ele uma condição de desejo, de grande excitação. Que mesmo tão indefesa, podia seduzi-lo com seus movimentos, atrai-lo e ter o que quisesse dele apenas com seu olhar. O cuidado com que ele a tratava, fazia com que os medos desaparecessem, que se sentisse mais mulher que nunca. Imaginava até onde iriam esses limites tão descontrolados, sentimentos tão contrastantes. Agora, só existia o medo de continuar, pois não sabia até onde poderiam chegar, e qual seria o grau de emoções mais fortes ainda que aquelas, nem tão pouco suas conseqüências, depois que não estivessem mais ali, fechados naquele pedacinho de mundo só deles. Antonio se aproximou de Maria, e colocando em seu colo, como numa atitude instintiva de protege-la, ou até de não deixa-la fugir. Tudo era um mix de sentimentos, cada movimento, cada toque, cada olhar, cada batida de seus corações, cada palavra de carinho ou gemido. Antonio e Maria, talvez, quase simultaneamente, pensaram que seria a hora de interromper aquela serie de sucessivas quebras de limites, de surpresas que estavam causando, um ao outro, e a si mesmos. Com um simples olhar, onde Antonio quase podia ouvir as palavras, Maria pediu que tirasse sua mordaça. Antonio a removeu com muito cuidado, bem devagar pra que não a machucasse. Aquele gesto, seguido de um gostoso suspiro de Maria, se aproximou de um orgasmo, talvez não interpretado dessa maneira, mas sensação de paz, de conforto que pairava, assim como, a troca de olhares era típica do final de uma prazerosa e intensa relação. - Você está bem? (pergunta Antonio com preocupação, sentindo as fortes batidas do coração de Maria, junto a seu peito) - Estou! Estou sim! (Maria responde, mais uma vez presenteando Antonio com um lindo sorriso de satisfação e agradecimento) - Como se sente? - Não sei! - Você está linda! (exclama Antonio, deixando Maria sem graça mais uma vez) Antonio não se apressou em desamarra-la. Ficaram abraçadinhos, juntinhos ali por um tempo. Quanto mais conversavam, mais Antonio percebia que Maria estava a vontade daquela forma. Ele não queria soltá-la, não por marcar o final daquele encontro mágico, mas por que tinha receio de decepciona-la. Ela estava linda, parecia uma criança, uma maneira de falar doce, seus olhos brilhavam, liberava vários e vários sorrisos cativantes. Antonio também não conseguia esconder o quanto estava maravilhado com tudo, e principalmente com Maria. Chegara a hora de ir, que alias, já havia passado em muito desde que combinaram o prazo que poderiam estar ali. Antonio, antes de desamarra-la, não resistiu ao apelo que seu corpo fazia, e pediu um beijo. Foi algo meio roubado, meio consentido. Os dois então não quiseram mais tentar explicar o que sentiram. Era melhor deixar aquela sensação gostosa que tomava conta deles passar, ai, talvez, tentar entender alguma coisa. Mas naquele momento não. Só tinham uma coisa que não dava pra ocultar, a certeza que havia ficado um gosto de quero-mais. Sabiam que teriam que se ver de novo. Testar mais limites, mais emoções. Só não sabiam quando seria. Assim que saíssem daquele Hotel, e voltassem para suas vidas tão atribuladas, tão diferentes, não poderia se saber quando poderiam viver aquilo de novo. A pouco tão iguais, tão cúmplices, tão dependentes um do outro. Agora tendo que se despedir, onde um simples tchau parecia um adeus. Será que teremos mais histórias de Antonio e Maria? Eu acredito que sim. Apesar de estarem na mesma condição da lenta que paira entre o relacionamento do Sol com a Lua. Ambos tem suas vidas, diferentes lugares, de diferentes maneiras, tendo que brilhar para as pessoas que as rodeiam, tão distantes. Mas no fundo, sabem que, como o Sol e a Lua, terão o momento certo, determinado por Deus, terão seu eclipse, e poderão se encontrar de novo e viver todas as expectativas e os sentimentos que acumularam por tanta ausência. Acredito de teremos mais contos sobre Antonio e Maria, pois sempre haverá um novo eclipse, que sei que eles esperam ansiosamente, assim como o Sol e a Lua.