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Irmãs
Fui conduzida por Ele vendada ao aposento.
Estava nervosa, não seria a primeira vez com Ele, mas cada vez era uma nova vez e sempre me sentia nervosa, contudo, dessa vez, estava além... seria minha primeira vez com ela.
Sempre soubemos uma da outra, desde o início quando o conheci, Ele avisou que a possuía e do quanto ela era especial, do mesmo modo ela soube de mim desde o primeiro contato.
Possuíamos de fato uma enorme curiosidade feminina uma em relação à outra, dessas coisas de mulher que passam pela competição, crítica exagerada, deboche, sentimento ora de inferioridade ora de superioridade... mas tudo isso sem nunca termos nos visto, nos falado, nos tocado. Sentimentos quase inconscientes que às vezes, devida nossa condição de humanidade, afloravam e pesavam em nossos estômagos.
Pesava.
Eu era sabedora, tanto quanto ela, que o que realmente importava era Ele, mas por vezes os sentimentos apenas pesavam...
Só sabia quem era ela e como era ela pelos lábios dele sempre elogiosos e da mesma forma ela em relação a mim. Agora estava eu ali. No aposento, vendada, aguardando o que viria...
O toque dele se afastou e um grande silêncio pairou no ar, senti que mãos delicadas se aproximaram de mim, desabotoando meu vestido, as mãos femininas iam me despindo com cuidado, retirando cada peça de minha roupa com movimentos leves como se fosse eu a mais preciosa boneca de porcelana, brinquedo raro do Dono que não poderia ser maculado. Tirou meus sapatos oferecendo seu corpo para que eu me apoiasse.
Senti o cheiro de seus cabelos, gostei... me identifiquei com o perfume suave, nem doce, nem agressivo que me entrava pelas narinas, deve de ser elegante me passou pelos pensamentos furtivamente e senti, sim senti uma ponta de vergonha dela.
Nua, ela enlaçou minha cintura e me conduziu mansamente para outro espaço, subimos escadas e ela punha seu pé em frente ao meu pra que eu soubesse onde pisava e não tropeçasse, me senti privilegiada com esse pequeno gesto e mais uma vez tive vergonha de sentir ciúmes dela.
Ela colocou meus braços para o alto e atou meus pulsos, ficando eu nas pontas dos pés, pernas semi-abertas meio que me equilibrando naquela posição, mas ela não saiu de perto, sentia ali a presença dela.
Eu sabia o que viria, sabia que seria açoitada, seria a minha primeira experiência com aquele tipo de açoite e eu estava com medo. Medo de não suportar a dor, medo de desapontar nosso Dono, medo de não ser tão boa quanto ela é.
Ele disse sem contagens ou agradecimentos, não quero que desvirtue seu pensamento com contagens... apenas sinta.
Demorava...
Apenas demorava a iniciar e eu já estava perdida em meus pensamentos quando ouvi o barulho do ar se deslocando, o barulho e a dor lancinante. Gritei. Eu que tinha tanto me preparado pra não gritar, que havia jurado a mim mesma que não faria isso, fiz. Ela me tocou. Senti o toque suave da mão dela em meu ventre, como quem diz, seja forte. E naquele momento a agradeci em silêncio.
Vinham as dores e eu me segurava e a cada açoite a mão dela pressionava mais e mais forte meu ventre, como se quisesse segurar minha mão e apertá-la, como se dissesse vai passar rose, vai passar.
E a dor apenas doía... às vzs dava tempo pra pensar e eu perguntava, que raios é isso?
Não sei quantas foram, sei que as lágrimas desciam, que eu me segurava pra não gritar mais, embora meu desejo fosse chamar minha mãe. Então cessou. Ele se afastou de mim e ela se aproximou, acariciava meus cabelos, suas mãos subiam delicada e deliciosamente - sim era bom - ventre acima, acariciaram meus seios percorrendo seu contorno, eu sentia o corpo quente dela bem junto do meu ali dependurado e dolorido, sentia suas madeixas de cabelo escorregarem em mim e seu lábios me tocando, mansamente me percorrendo, pequenos beijos em flor, borboletas flutuantes. Suas mãos subiram pelos meus braços e os dela enlaçaram meu pescoço, sentia o rosto dela acariciando o meu e tinha vontade de retribuir, de tocá-la embora eu não soubesse como, nunca toquei uma mulher. Seus lábios foram se aproximando dos meus e eu me preparei para recebê-la, abrindo levemente a boca, como quem espera o sumo da fruta madura escorrer.
O beijo.
Como é diferente e bom. Não há explicação ou metáfora, apenas diferente e bom, calafrios que sobem coluna acima, calor que desce ventre abaixo. Corpo que desabrocha sem pudores ao sentimento primitivo, tesão.
Ela retira minha venda.
Vejo e penso como é linda a minha irmã e sorrio para ela feliz por ter sido bem recebida. Ela sorri. O mundo é bom.