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As luzes estavam apagadas. Acordou meio atordoada não sabendo direito se foi um sonho ou se realmente ouvira um barulho estranho vindo da sala. Tudo parecia normal. Então, por ser o mais cômodo a fazer naquela madrugada fria, decidiu que havia tido um sonho barulhento, virou de costas para a porta, se ajeitou bem embaixo das cobertas e tentou voltar a dormir. Poucos minutos haviam se passado, quando ouviu outro barulho, este bem mais perto. Abriu os olhos, tentando se acostumar com a escuridão, coração disparado. Antes que conseguisse organizar suas idéias e se virar, sentiu um corpo pesado caindo sobre o seu, e mãos fortes lhe tapando a boca. Tentou lutar, mas logo percebeu que era inútil. O coração batia tão alto e descompassado que a impedia de raciocinar. Começou a respirar fundo, para tentar recuperar o controle. Havia um perfume diferente no ar. Meio amadeirado. Ouviu então uma voz grossa que lhe sussurrava no ouvido. Não conseguia ouvir direito todas as palavras, mas entendeu algo como não gritar, ficar quieta, machucar. Sentiu então um objeto pontiagudo em seu pescoço, que identificou como sendo uma faca. O medo paralisou cada célula de seu corpo. Lembrou dos conselhos de sua irmã, que lhe havia pedido para não ir sozinha para a chácara, pois era uma região perigosa e isolada. Lembrou da risada de deboche que havia lhe devolvido em troca do conselho. Nem teve tempo de se arrepender, pois foi trazida de volta à realidade aterradora quando suas mãos foram bruscamente amarradas às costas. Depois, se viu amordaçada e vendada. As cobertas que lhe protegiam o corpo, arrancadas. E agora? O que iria acontecer? Percebeu quando seu agressor se levantou da cama, caminhou até o interruptor e acendeu a luz. Depois... nada! Um silêncio estranho pairou no ar. Não havia barulho de gavetas sendo abertas ou da casa sendo revirada, como era de se esperar em caso de roubo. Sentiu então o cheiro adocicado de um charuto. Ficou mais confusa. Parecia que o estranho que invadira sua casa estava sentado calmamente na poltrona em frente da cama, fumando e a observando. Esta idéia lhe encheu de pânico. Se não era um roubo, o que ele queria. Tentou não pensar em nada trágico, mas começou a tremer. Não sabia se era de frio ou de medo, mas saber isso já não era importante. Ao ouvir passos vindo em sua direção passou-se a se esforçar ainda mais para se livrar das cordas que lhe apertavam os braços e pulso. Parou. Sentiu então o calor da brasa do charuto se aproximando de seu rosto. Pânico. Encolheu-se em um canto da cama, mas foi puxada com facilidade. Com certeza estava diante de um homem muito forte. Perguntou o que ele queria, disse onde estava o dinheiro, mas ele parecia não lhe ouvir. Então, sentiu a ponta da faca riscando o seu corpo, descendo pelo seu rosto, pescoço, colo. Percebeu que sua camisola estava sendo cortada. Tentou se mexer, se esquivar, mas levou um forte tapa na coxa e ouviu uma ordem para ficar quieta, ou iria se machucar muito. Começou a tremer mais, sabendo agora que não era de frio. Retalhada, a camisola foi retirada de seu corpo. Como nunca usava calcinha para dormir, deu-se conta de que estava totalmente nua diante de um estranho. Encolheu-se um pouco, tentou se virar, se proteger de alguma forma, mas toda vez que se mexia, levava um tapa forte, nas coxas ou na bunda. Parou então de se mexer, mas em vão. As palmadas não cessavam. Após um breve intervalo, como se quem estava diante dela precisasse de um tempo para tomar uma decisão, foi bruscamente virada de costas e sentiu o contato de uma mão rude e forte colocando o travesseiro sob seu ventre, deixando sua bunda estrategicamente mais elevada, acessível. Aí, seu traseiro passou a ser espancado sem piedade. Sentia sua pele arder, a bunda queimar. Em alguns momentos, ele parava de bater e passava a examinar o resultado de sua ação, passando a mão, correndo os dedos pelo vão de sua bunda. Depois, recomeçavam os tapas, cada vez mais fortes. Certamente sua bunda deveria estar muito vermelha e marcada. Já não se esforçava tanto para se esquivar. Já não tentava entender o comportamento daquele estranho. Estava exausta, com medo e sem ânimo para lutar. Pensava apenas no que mais poderia lhe acontecer depois. Quando não recebeu uma próxima palmada, chegou a pensar que ele poderia se cansar de bater e ir embora, deixando-a daquele jeito e naquela posição até que fosse encontrada por alguém. Mas não, ele ainda estava lá. O silêncio agora era tanto que chegava a distinguir sua respiração descontrolada e forte daquele que estava por perto. Novamente foi pega com força e virada de barriga para cima. Apavorada, sentiu suas pernas sendo amarradas na cama, uma em cada ponta. Suas mãos também foram desamarradas das costas e imediatamente amarradas da mesma forma que as pernas. Estava totalmente exposta e vulnerável. Seu agressor parecia não ter pressa. Deleitava-se em observá-la, em ver que ela, em alguns momentos, agitava-se com força, como se fosse realmente possível se soltar daquelas cordas. O silêncio que se seguiu era pior que qualquer barulho, que qualquer agressão. Onde ele estaria? O que estaria fazendo? O que estaria pensando em fazer? E a faca? Será que ele iria usá-la? Sabia que não adiantava gritar, ninguém a escutaria. Havia dispensado o caseiro e sua mulher, pois não queria ser acordada com o barulho das crianças correndo pelo terreiro. Estava completamente sozinha pelos próximos 20 dias. Novamente percebeu o quanto fora imprudente. Os cachorros estavam presos. Como fora imbecil. O tempo estava passando. Já teria amanhecido? Seu agressor já teria ido embora? Se não, poderia ter adormecido. Assim pensando, animou-se com a idéia de conseguir afrouxar as cordas, bastando para isso se contorcer mais decididamente. Mal começou a tentativa foi paralisada por ruídos vindos da cozinha. Então, ele ainda estava na casa, mas não estava no quarto. Ah, se pudesse soltar ao menos uma das mãos. Estava quase conseguindo, bastava se esforçar mais um pouco...Tarde demais. Ouviu os passos apressados do invasor correndo na sua direção, e a voz de enérgica de reprovação à sua tentativa de fuga. Ele sentou-se ao seu lado na cama e novamente refez os nós que a prendiam, não sem antes lhe aplicar um forte tapa na coxa esquerda, este bem mais forte do que os outros. Ela soltou um longo gemido de dor. Após verificar que suas mãos estavam novamente amarradas de forma firme, o estranho, era assim que havia decidido chamá-lo, sentou-se na direção de sua coxa, e a segurou com as duas mãos. Ela tremeu ao antever a dor que iria sentir, com o castigo que certamente ele iria lhe aplicar. Mas, surpresa, ao invés de outra agressão, sentiu uma lambida, quente, demorada, e uma boca habilidosa percorrendo o lugar onde minutos antes havia aplicado o tapa. Confusão mental. As carícias que estava recebendo eram tão intensas e gostosas... Assustada, inquieta, percebeu que, se não estivesse com as mãos amarradas, estaria acariciando os cabelos de seu agressor, pois estava realmente muito excitada. Não teve como conter outro gemido, mas este, de puro prazer. O estranho, ao ouvi-la gemer, interrompeu bruscamente suas carícias, levantando da cama emitindo um tênue e sarcástico riso. Sentiu seu rosto corar. Uma vergonha imensa invadiu seu ser. Neste momento, sentiu-se mais nua do que antes, pois o estranho, além de suas roupas, a havia despido de seu pudor. Censurava-se por ter gemido e se contorcido de prazer diante de seu algoz que, agora, voltara a ficar em absoluto silêncio. Certamente a estava observando, e debochando de sua fraqueza. Gritou para ele a soltar, para ir embora e a deixar em paz, ou para dizer o logo o que queria dela. Novamente o som de uma risada, desta vez bem mais alta. Passos se afastando da cama. Ele voltara a se sentar na poltrona. Aí se deu conta de que ela era a atração principal daquele circo. Estava envergonhada. Parou de se debater. Decidiu não mais chorar ou gritar. Sabia que, no fundo, estava gritando consigo mesma, por se sentir a única responsável pelo que estava lhe acontecendo. E por não ter conseguido controlar sua libido naquela situação. Que poder aquele homem estava exercendo sobre ela? Que sensações estranhas eram aquelas que ela estava sentindo? Uma mistura de pavor e excitação que resultava em umidades em seu sexo. Ansiosa, tentou imaginar o que mais aquele estranho havia planejado fazer com ela para se divertir. Sim, porque agora ela sabia que ele não era um simples assaltante e que estava ali para se divertir com ela ou para seguir a risca, até o fim, algum rígido ritual cuidadosamente planejado. O pior é que ela já não sabia se devia temer a ele, ou a ela mesma. O tempo passou. Suas pernas e braços começavam a formigar. Estava cansada daquela posição e não adiantava se contorcer, pois estava amarrada bem mais forte desta vez. Então, ouviu os passos do estranho vindo em sua direção. Novamente sem falar nada, colocou algo em torno de seu pescoço e soltou suas mãos. Instintivamente ela levou as mãos ao pescoço e percebeu que se tratava de uma coleira, com uma corrente. Um forte tapa a alertou para não tocá-la. Ele soltou seus pés. Ela se encolheu e se esticou toda algumas vezes, tocando suas pernas e braço, alegre por senti-los livres, e fazendo o sangue circular. Estava feliz e, por alguns segundos, se esqueceu do estranho. Somente quando tentou tirar a venda e recebeu uma chicotada nas pernas, lembrou de sua atual realidade. Ele estava lá, ao lado da cama, a observando. Ficou então imóvel, sem saber o que fazer. O estranho então a segurou pelo braço e a ajudou a se levantar da cama. Só a soltou após se certificar que ela já podia andar sem problemas. Ela então, timidamente, pediu para ir ao banheiro. Como resposta, sentiu uma mão forte em seu ombro a obrigando a ficar de joelhos, e depois, de quatro. Ouviu a voz grossa e rouca do estranho dizendo - vamos passear, e um forte puxão em sua coleira a fez começar a “andar”. Logo percebeu que estavam saindo da casa. Estava um dia quente, e ele andava com passos firmes e largos. Certamente deveria saber que os caseiros haviam viajado. Não, decididamente não fora uma invasão casual. Há quanto tempo será que ele a estaria observando? Ele devia ter planejado tudo, mas, o que exatamente seria este “tudo”? Ela tentava acompanhá-lo da melhor forma, mas as pedrinhas e irregularidades do terreno começavam a lhe machucar as mãos e os joelhos. Cada vez que parava, levava uma chicotada na bunda ou pernas, e um puxão forte em sua coleira a obrigava a continuar seguindo o estranho. A vontade de urinar era cada vez maior. Começou a ouvir barulho de água. Nos fundos da chácara existia um regato natural, onde ela havia mandado instalar uma cachoeira artificial. Era o seu lugar preferido, e o barulho da água caindo sempre a acalmava... Mas não desta vez, quando a vontade de urinar era tão grande. Nunca pensou que aquele barulho a deixaria aflita. Pediu novamente para fazer xixi, e levou outra chicotada, e uma ordem para ficar quieta. Andou mais um pouco. Então, o estranho parou. Agachou ao seu lado e, como se faz com cachorros em competições, arrumou suas mãos, deixando-as separadas na distância dos ombros, endireitou o seu tronco e suas pernas, deixando-as um pouco mais afastadas. Alinhada daquele jeito ouviu passos ao seu redor. Ele a estava rodeando. O barulho da água... Suas pernas afastadas... Não deu para segurar por muito tempo, e ela começou a mijar. Naquela posição, sabendo-se observada, abaixou a cabeça de vergonha. Droga, sua bexiga estava realmente cheia, porque não conseguia mais parar de urinar. O estranho deve ter gostado do espetáculo, porque, quando ela terminou, recebeu um afago na cabeça. Um forte puxão na corrente a fez entender que devia continuar o caminho. Sentia que estava mais perto do regato e da cachoeira. Ele parou novamente. Desta vez a colocou de joelhos, sentada sobre as pernas. Corpo erguido, com as mãos postas na altura dos seios. Cotovelos junto ao corpo. Ficou assim por algum tempo, quando começou a sentir um líquido morno cair em seu ventre, seios, coxas. Virou a cabeça para o lado. Ele estava urinando nela. Já havia ouvido falar na tal chuva dourada, mas nunca sequer havia cogitado a idéia de, um dia, praticá-la. Estranhou, porque não sentiu asco. Aquele líquido morno caindo em seu corpo lhe dava uma sensação agradável. Era como se estivesse recebendo um abraço quente, um carinho. Não conseguia entender mais seus próprios pensamentos... Acabou. Ficou ainda parada na posição que o estranho a deixara por um bom tempo. Segurou o desejo que sentiu de se tocar. Tocar seus seios, seu corpo e o líquido nele. Definitivamente não conseguia entender esses novos sentimentos que estavam despertando dentro dela. Estava assim pensando, quando um puxão forte em sua coleira a colocou em pé, e a conduziu para dentro do riacho. O dia estava quente. Sentiu um cheiro agradável no ar. Erva doce. Sim, se lembrava de quando havia comprado aquele vidro grande de sabonete líquido. Estava em Portugal. Quase 2 litros. Sua irmã havia rido com ela dizendo que era banho para toda a vida. Deixara na chácara para enfeitar o banheiro. Usava pouco... O líquido frio sendo derramado em seu corpo a trouxe de volta para a realidade. Sentiu um arrepio. Depois, mãos habilidosas começaram a espalhá-lo. A massagear seu ventre, seios, tórax, pescoço, costas, bunda, pernas, coxas, mas não tocavam em seu sexo. Abriu as pernas, desejando ser tocada, mas isso não aconteceu. Bom, esfregada, ensaboada, enxaguada e depois, retirado da água. Estava se sentindo bem limpa e cheirosa novamente. Ele então a posicionou em pé, mãos na nuca, pernas afastadas. Sentia o sol secar as gotas de água em sua pele. Gostava daquela sensação. Novamente ficou assim por um bom tempo, apenas imaginando o que poderia acontecer dali para frente. Já não sentia medo, mas ansiedade. Sua curiosidade a respeito daquele homem aumentara. O estranho, então, se aproximou dela por trás. Seu corpo ficou bem junto ao dele. Realmente ele era uma pessoa alta. Pelo cheiro, ele também havia tomado banho. Seus cabelos molhados roçaram levemente seu rosto. Mas ele não estava nu. Um arrepio a fez tremer ao ouvir a nova ordem. Desta vez, sussurrada em seu ouvido de forma firme e autoritária: - Vou tirar sua venda, mas você deve olhar apenas para o chão. Se levantar os olhos, será a ultima coisa que verá. Não estou brincando. O medo voltou. Abaixou a cabeça rapidamente, e lembrou onde e com quem estava. Venda retirada, porém, a claridade a obrigou a fechar os olhos. Aos poucos foi se acostumando com a luz. Olhou o chão a sua volta e, ao seu lado direito, um pouco atrás, viu o estranho, ou parte dele. Pode distinguir um par de tênis de couro marrom, destes que se usam para fazer trilha; uma calça jeans, desbotada, rasgada na altura do joelho. Subiu mais um pouco o olhar, até as coxas do estranho, grossas e bem delineadas sob a calça justa. Uma chicotada a fez abaixar mais a cabeça e fechar os olhos. Não se atreveria a tentar olhar seu algoz novamente. Então, recomeçaram as ordens. Estava nos fundos de sua isolada chácara, perto do riacho. Toda nua, sob o sol do que, pela posição das sombras, julgava ser meio dia, com um completo desconhecido a quem obedecia sem questionar. Pensou que poderia tentar correr, mas como? Para onde? O vizinho mais perto ficava a cerca de 20 quilômetros dali. Tinha que raciocinar direito, porque se ele a alcançasse... Porém, não havia tempo para pensar ou planejar. As ordens eram dadas uma após a outra: Ande até aquela árvore. Abrace a árvore, empine a bunda, abra as pernas, rebole. Recebia chicotadas mesmo obedecendo às ordens. Tentava obedecer rapidamente, mas não adiantava. Andou para a direita, esquerda. Abaixou, levantou. Fora obrigada a contar em voz alta às chicotadas que recebia na bunda e pernas... Mais desfile. Mais posições constrangedoras. Não soube dizer quanto tempo durou tudo, mas o sol já estava fraco, e ela transpirando muito e com a respiração ofegante. Já nem pensava em fugir ou desobedecer. Já não sabia o que era sua vontade, apenas obedecia. Abria e fechava as pernas, andava de quatro ou em pé, recebia sem motivos aparentes chicotadas e tapas em seu corpo, bunda, sexo, pernas, coxas... Estava abraçada com uma árvore, pernas afastadas do tronco e abertas, quando ele se aproximou e a vendou novamente, ordenando que se deitasse no chão, de barriga para cima. Suas pernas foram abertas rispidamente com os pés, pelo estranho que, com um gesto forte segurou o sexo dela com a mão e apertou com força. Mil explosões de luzes e cores ocorreram ao mesmo tempo em sua cabeça. O mundo parou. Gritou alto de prazer, enquanto seu corpo se contorcia. Um grito longo, saído do fundo da alma. Ela tinha atingido o seu limite e ultrapassado. Levantou o quadril, pressionando seu sexo naquela mão de ferro, que a segurava com força. Nunca imaginara que pudesse sentir algo tão intenso. Seu grito foi ficando rouco e, pouco a pouco, se transformando em um gemido. Deixou cair seu corpo na grama, exausta, plena. Sentiu quando o estranho se deitara ao seu lado. Sua blusa estava molhada de suor. Ele também estava ofegante e parecia cansado. A abraçou carinhosamente por alguns minutos. Depois, a pegou no colo e a levou para dentro da casa, onde a colocou na cama. Ela queria fazer-lhe mil perguntas, mas estava tão cansada, e saciada, que acabou adormecendo. Acordou sem saber quanto tempo havia se passado. Já não estava de venda. Não estava amarrada. Olhou em volta, mas estava sozinha. A casa estava em silêncio. A curiosidade dominou o medo e saiu do quarto, mas não havia ninguém na casa. Foi para o quintal. Nada. Onde estaria o... Não sabia o seu nome, mas não queria mais chamá-lo de estranho. Sabia que não havia sido um sonho. As marcas em seu corpo mostravam isso. Não devia ter dormido. Quem poderia ser aquele homem? Não se encaixava na descrição de ninguém que conhecia. Voltou para dentro da casa. Em cima da mesa havia uma rosa, e o chicote. Sorriu. Nunca havia chegado tão fundo em suas emoções, e sabia que, provavelmente, nunca mais chegaria. Este castigo era o pior de todos. Voltou varias vezes para a chácara, sozinha, chegou a dormir com todas as janelas e portas abertas, mas ele nunca mais apareceu. Certamente estaria invadindo a casa e a vida de outras mulheres de sorte. Essa dor que sentia não tinha cura. Dor da ausência. Ter conhecido o paraíso, pelas mãos de um maravilhoso e inesquecível guia, e não ter a chave ou mesmo um mapa para voltar lá. Quanto tempo havia se passado... Pegou em uma gaveta a rosa, agora já seca pelo tempo, e o chicote. Lembrou do dia em que ele apareceu em sua vida, quando ela pensara que ele era um simples ladrão... Bom, ele era um ladrão sim, mas nada simples. E roubara algo muito precioso naquela casa. Roubara sua alma, seus desejos, que para sempre lhe pertenceriam, aonde quer que ele esteja.