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G E W Ü R G T (Última parte)

Depois de almoçar, o homem arrasta seu colchão e um ventilador para um cômodo menos quente e claro. Fecha a porta, liga o ventilador e dorme pesado. O que nunca acontece sem remédio. Dorme apesar do barulho, do calor e do colchão ordinário. No outro cômodo, o rapaz consegue acordar o refém e diz que vai soltá-lo para tomar banho e almoçar. E, mostrando a arma na cintura, diz também que se ele tentar qualquer coisa, será a última. Pelas sete ou oito da noite, o outro homem acorda. Molhado de suor e ainda sonolento, abre a porta e volta para o cômodo principal da casa. Não vê o rapaz e isto quer dizer que terminou o serviço e foi embora, como o combinado. No banheiro, urina forte e fora do vaso. A cabeça vermelha e esfolada do seu pau dói de um jeito gostoso. E ele pulsa de tão duro. Nem sabe dizer a quanto tempo não sente tesão deste jeito. Ele tem cinqüenta e seis anos e, há uns cinco, sente o corpo falhando. Primeiro, com a mulher. Depois, com a secretaria. Na época, achava que havia enjoado de mulher e que precisava procurar outra coisa. Passou a sair com um rapaz que estagiava na empresa, filho de um amigo. Dezenove anos, bonito e lutador de uma arte marcial qualquer. Ficaram algumas semanas juntos. Depois o garoto ficou tão rotineiro quanto sua mulher e secretaria, com a diferença que ele não tinha nenhuma utilidade além do sexo. Dispensou-o e arrumou outros rapazes. O negócio, imaginava, era bunda. As da esposa e da secretaria foram incluídas, apesar delas não gostarem muito. Porém, nos últimos meses, sem conseguir ereções firmes, se aliviava no oral. Mas o problema é que poucas pessoas sabem e gostam de chupar de verdade. “Você é um homem muito interessante!”, ele ouve isso com freqüência e sabe exatamente o que acontece depois desta frase. Tanto com mulheres quanto com homens. E, numa dessas saídas para beber, depois de falar que ele era interessante, um rapaz loiro o convidou para ir a seu apartamento. Ele aceitou. E, lá pelas tantas, como a conversa não esquentava nem nada mais, o rapaz colocou uma fita de vídeo. “É uma fita alemã incrível!”, disse, entregando-lhe o estojo. Na capa, três homens musculosos de sunga e quepes de couro. Dois deles seguravam os braços do terceiro, imobilizando. “Gewürgt é fúria em alemão”, o rapaz explicou o título. O homem sabia. Só não sabia porque ainda não havia indo embora. Cansado de ver filmes pornográficos de todos os tipos, o homem estava se vestindo quando ouviu o primeiro gemido e seu pau endureceu. Não era um gemido de prazer, mas de dor e humilhação. Amarrado e amordaçado, um homem era violentado por outro mascarado. Depois, por vários outros. Além de estuprado, ele também era espancado, torturado, queimado por velas, asfixiado, esporrado e mijado. E não era nenhum dos homens da capa nem da contra-capa da fita. Eram outros. Homens comuns. Alguns bem jovens, outros nem tanto. E todos muito empenhados no que faziam. A câmera trepitava um pouco e, às vezes, ficava fora de foco, mas isso não tinha importância nenhuma. “São cenas reais. Ninguém é ator. São garotos de programas, operários, imigrantes ilegais do Leste. Eles mesmos filmam e vendem as fitas.Conheci um deles em Berlim, no ano passado.”, o rapaz explicou, percebendo o interesse do homem. Vendo aquele filme, o homem entendeu o que faltava para seu tesão: a relutância de alguém. Desde sempre dormia com quem quisesse. Mesmo quem não o suportava, transava com ele do mesmo jeito. Tudo era muito fácil. Foi fácil com as mulheres. Era com os homens. E ele soube que o problema era mesmo essa facilidade quando o rapaz que colocou a fita de vídeo aceitou ser amarrado com cadarços de sapatos e amordaçado com meias. Ao vê-lo tão indefeso quanto o homem da fita de vídeo e poder fazer com ele o que bem quisesse, não sentiu o mesmo tesão. E não sentiu, porque aquilo era o que aquele rapaz queria. Ele não se debatia ou gemia com medo, como também não se debateram e gemeram sua esposa, sua secretaria, os garotos de programa ou o vendedor do sex shop alemão. Só o homem preso no outro cômodo. E quem não conhece o prazer de violar alguém contra sua vontade, não conhece muito de si mesmo. Novamente se amordaçando com silver type, colocando a máscara e o tapa-sexo de couro, o homem percebe, pelos gemidos cada vez mais desesperados do seu refém, que ele acompanha seus movimentos e sabe o que o aguarda. Abrindo a porta e encontrando o cômodo completamente escuro, ele tateia a parede até achar o interruptor e acender a luz. O clarão amarelado da lâmpada ofusca os olhos dos dois homens. Segundos depois, acostumados com a luz, os homens se encaram, sem reação. E, então, o mascarado urra de raiva, chutando tudo o que encontra pela frente. Com as mãos algemadas para trás e os pés atados por cordas, o rapaz treme de medo. Ele está apenas de cuecas, a máscara levantada sobre o rosto e a boca excessivamente amordaçada de silver type. O homem seqüestrado havia fugido. As cordas que o amarravam estão no chão e amordaça “ball gag”, jogada perto da parede. Tirando a máscara e as voltas de fita adesiva que amordaçam sua boca, o homem se aproxima do rapaz e o chuta com força no estômago. Ele se dobra de dor, caído no chão. “Que porra aconteceu aqui?”, ele pergunta ao rapaz, sem desamordaçá-lo. E ele geme, tentando explicar. Sem saber o que fazer, o homem sai do cômodo, veste uma calça jeans e vai para a rua. Não vê nada. Nem a rua de terra em frente à casa. Tudo é muito escuro e silencioso. Ao longe, brilham as luzes de uma meia dúzia casas e dos carros na marginal. Poderia soltar o rapaz, chamar o amigo dele e saírem para caçar o refém foragido. Mas, sabe, que isto é inútil. Ele pode estar em qualquer lugar. Tanto correndo no acostamento da rodovia quanto escondido no mato. Cerrando os dentes de raiva, ele tem certeza que nunca mais voltará a vê-lo. Tem certeza também que não precisa se preocupar com nada. Ele não irá à polícia nem pode reconhecê-lo mesmo que fiquem cara a cara. Voltando para casa, o homem se vê obrigado a arrumar suas coisas. Havia se preparado para três dias e não chegou a desfrutar o primeiro inteiro. Em cima da mesa, a mochila do homem seqüestrado continua do mesmo jeito. Na fuga, ele não a viu. Não deve ter visto nada além da porta da frente. Fugiu com as roupas e o tênis novo do rapaz. Como aquele seu amigo havia comentado, ele não é mesmo nada esperto. E como havia visto no dia que o contratou nos fundos daquele boteco, também não é forte. No meio da sala, o homem imagina que, quando o rapaz desatou as mãos do refém, ele tomou seu revólver, mandou-o ficar quieto, tirar a roupa e depois o algemou e o amordaçou. Desesperado, rapaz deve ter se debatido e gemido por socorro a tarde inteira, mas não teria como ouvi-lo no outro cômodo com a porta fechada e com aquela porcaria de ventilador, rangendo. Abrindo a mochila, o homem olha as roupas deixadas. Pega as cuecas. Todas baratas e muito ordinárias. Os elásticos frouxos, as cores desbotadas e o algodão puído e marcado de urina, suor e porra. Elas cheiram forte. Apertando-as, o homem lembra do refém gemendo e se debatendo, em pânico. Tanto o suor quanto gozo dele foram arrancados à força e cheiravam forte como as cuecas em suas mãos. Querendo matar o rapaz que o deixou escapar, sua raiva explode. Ele volta para cômodo sem janelas e espanca o rapaz até cansar, ter uma idéia e pegar dois cavaletes dos muitos espalhados pela casa. Pega também um cobertor que trouxe sem necessidade. Colocando os cavaletes alinhados, escolhe uma viga de madeira forte e a enrola com o cobertor e com silver type. Depois a coloca entre os cavaletes. Constrói uma espécie de pau-de-arara. Aproximando-se do rapaz, solta suas mãos. Ele se debate querendo fugir, tentando se desamordaçar, mas o homem o acalma, asfixiando com uma chave-de-braço. Deixando-o entorpecido, ele o vira de barriga para cima e o arrasta para debaixo da viga de madeira. Sem forças para reagir, mas entendo o que vai acontecer, o rapaz geme o mais forte que pode: GGGGGGGGGGGGMMMGOOODDDDDMMMM! Sem prática real em montar o pau-de-arara, mas tendo visto muitas fotos, o homem ergue as pernas do rapaz sobre a viga, dobrando-as. Como os tornozelos dele já estão amarrados, precisa apenas atá-los aos pulsos. Segurando-os bem firme, passa os braços dele debaixo da viga, ao longo das pernas. Obrigando os pulsos dele a se encontrarem na altura de suas canelas, os amarra bem apertados. Chorando, o rapaz sacode a cabeça e implora para que não o machuque mais. O pau-de-arara está bem-feito, mas ficou muito baixo. As pernas e os braços atados para o alto não sustentam o peso do corpo como deveriam. Encontrando cavaletes mais altos, o homem substitui os anteriores, um por um. Um trabalho difícil e exaustivo, porque tem que tirar um por vez e levantar a viga e o rapaz preso a ela. Mas, apesar do trabalho, agora o rapaz está suspenso no ar. O peso dele pende, dolorosamente. E ele solta um longo uivo de dor: MUPFHUMMMMMMMmmmmmm... “Você vai me pagar...”, o homem sussurra do rapaz, tirando a calça jeans que veste. O pau lateja de tesão vendo-o nesta posição humilhante e dolorida. Em algum momento desde que fora amarrado ou enquanto era espancado, o rapaz mijou na roupa. Sua cueca nova e branca, está encharcada e amarelada na parte da frente. Apertando o sexo dele, encoberto e molhado, sente o mijo já frio. E, tendo vontade de mijar, o homem o faz sobre o rapaz. Depois de urinar no rosto, no cabelo e todo corpo do rapaz, o homem pega um canivete e corta a cueca dele, deixando-o pelado. Com as pernas atadas para o alto, o sexo dele fica totalmente exposto. Aproveitando o canivete, o homem risca a região do ânus dele com a ponta da lâmina. Faz pequenos riscos esbranquiçados naquela área de pele tão escura, áspera e quase sem pêlos. O rapaz chora de dor, de medo e também de cócegas. Quando alguns destes riscos sangram, o homem pára. Afasta as bordas da bunda do rapaz e entra nele, secamente. Como havia entrado no outro homem. Dói para os dois. O rapaz esperneia e chora. Mas, quando o homem goza quente e forte dentro dele, ele também goza. Sentando-se no chão, o homem fecha os olhos, cansados. O rapaz continua a gemer. Amarrado como está, seus braços e pernas vão doer cada vez mais fortes. O homem sabe disto e rindo, sente tesão por ele. Lembra do dia que o fez tirar a roupa e se ajoelhar com as mãos para trás no meio da sala. Era só algemá-lo e amordaçá-lo. Chegou a pegar a algema na caixa, mas desistiu e mandou que se vestisse. Desistiu porque viu o pau dele estourando de tesão. Desde que o conheceu, sabia que poderia fazer com ele o que bem quisesse. E tudo que não queria era isso. Apoiando as costas naquela parede áspera, o homem vê, entre as pernas atadas do rapaz, o pau dele, escuro e pequeno. E é o primeiro que ele tem vontade de chupar. Mas não vai chupá-lo. Não, agora. Eles têm mais dois dias e nada fará que ele não os aproveite bem. “Você tem muito que me pagar...”, o homem sorri, acariciando o pau, duro e melado. Chorando o rapaz, se encolhe de medo e dor. Ele sabe o que o espera, mas não se arrepende de ter soltando o antigo refém para tomar seu lugar. Não mesmo. Nem um pouco. Fim