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O Presidiário
Após dezessete meses de investigações, interrogatórios, audiências, toneladas de papel e muita propina, o veredito: trinta anos de prisão em regime fechado, por homicídio. Um crime motivado por uma antiga disputa de terras entre duas famílias, tendo como atores dois fazendeiros: um latifundiário explorador da cultura de fumo e um pequeno criador de bovinos de corte. Este, chefe de uma família que já teve muito dinheiro no tempo das charqueadas, mas que hoje luta para sobreviver; aquele, um sujeito ambicioso e mau, que ignorava qualquer senso de justiça quando o objetivo era aumentar suas posses. Para não se dizer que a presente história é conhecida de todos, no país do coronelismo e do latifúndio, aqui o desfecho foi outro: quem desceu à cova foi o poderoso, o latifundiário.
Um tiro de espingarda, dado em legítima defesa (fato ignorado pelo júri), contrariou a tendência natural dos acontecimentos no nosso país.
O julgamento foi um verdadeiro circo, e não era de se esperar que nosso código penal proporcionasse outra coisa. Júri, testemunha de acusação, promotor, tudo carta marcada. Jornalistas escarniçando-se por uma declaração, platéia em polvorosa, partidários deste ou daquele... um circo de horrores, enfim. E coroando tudo isso, como uma cereja no sundae, a advogada de acusação: vinte e quatro aninhos, um metro e setenta, cabelos castanhos compridos e lisos, rosto de feições delicadas e um belo corpo; recém-formada, na sua primeira grande atuação. E que atuação... apreciável talento argumentativo tinha a moça. Seria até mesmo capaz de convencer a própria mãe do réu. Provavelmente muito elogiada pelos mestres na academia, que a ela prestariam homenagens, explícitas ou não. Sem dúvida, já fizera subir o pau daquele velho babão que ocupava a cadeira do juiz. Nas partes mais emotivas do seu discurso, dava um timbre estridente à sua voz, empinava o narizinho e injetava olhos de ódio no nosso pobre condenado, do qual todos já sabiam o destino. Dispensava o mesmo tratamento aos rapazes inconvenientes nas danceterias da moda, decerto. Gesticulava, apontava-o, gritava, batia o pezinho de salto alto no chão, representava a atriz principal no palco constituído pelo tribunal.
"Esses pezinhos nunca pisaram a terra, nunca criaram calo por caminhar o dia todo numa colheita de milho, devem ser lisinhos como bunda de bebê; e essas mãos, o trabalho mais duro que tiveram, por certo, foi punheteando aqueles mancebos afrescalhados da capital, dentro dos seus carros presenteados pelo papai", pensava o nosso culpado. E esses mesmos pezinhos sensíveis, que render-se-iam a uma simples roseta, fizeram o salto daquele sapato de couro importado produzir o 'toc toc toc' que equivalia às batidas na porta do inferno para o pobre réu.
Fôra perfeita a mocinha na arte de articular todas as mentiras que aquela boquinha carnuda espalhava pelo tribunal. Palavras proferidas, flechas lançadas. Irreversível. A advogada de defesa, também linda, mas que será descrita mais adiante, não pôde fazer muita coisa nesse jogo de cartas marcadas. O veredito, proferido pelo velho babão, já louco para descarregar toda aquela porra que já subia ao cérebro, caiu como uma bomba na cabeça do nosso desafortunado personagem. Este, durante a palestra do juiz, não desviou por um segundo sequer os olhos do rosto de Sônia, a acusadora, a estrela do julgamento, e experimentou um prazer mórbido com o sorriso de satisfação dela induzido pelo desfecho do discurso do velho. Daria a vida pela oportunidade de tocar aquela bucetinha e sentir se estava úmida. O tribunal virou uma festa; toda a família de Sônia queria abraçá-la, sua mãe elogiava a promissora filhinha e a chamava por apelidos de infância, o namorado cochichava ao seu ouvido o que estava preparando para a noite: os pezinhos, cansados de bater no chão para impressionar o júri, ganhariam uma massagem, e a bundinha, que sempre levou seus professores quase ao desatino, desde o primário, ganharia um carinho e um banho todo especial. Para a artista da mentira, todos os mimos e carinhos; para o condenado, adeus vida em sociedade, adeus sonhos, adeus tudo. Sônia lembrava dele tanto quanto dos sapatos que tirara assim que terminou o julgamento, e eram levados pela irmã. Amanhã, teria já esquecido desse verme, com idade pra ser seu pai, mas um verme. Que apodrecesse na cadeia, assim como muito outros que a 'Linducha da mamãe' mandaria para lá, com os gritos de menina birrenta e os pezinhos bravos a bater no chão.
Assim iniciou-se a nova fase na vida de Pedro, nosso protagonista. Graças ao curso superior, concluído a duras penas, teria direito a cela privativa e certas regalias. Sua advogada, Mônica, o visitava com freqüência, para inteirá-lo do andamento da apelação. Era uma bela mulher, uns cinco centímetros mais alta que Sônia, cabelos ruivos e lisos na altura dos ombros, um busto mais expressivo, afinando na cintura, coxas e panturrilhas grossas, e salto alto. Só este último detalhe a assemelhava à outra. Os 'toctocs' dos saltos finos, que significavam a desgraça e a esperança de Pedro, jamais o abandonariam.
- Temos boas chances de recorrer, Pedro, o processo tem várias falhas...
- Isso não me interessa! Sempre soube como tudo seria a partir do momento que disparei aquela arma. Não há saída pra mim. A realidade não é o que você leu nos livros nem o que viu nos filmes americanos!
- Qual é a realidade, então? - Mônica se impacienta.
- A realidade é um código penal mais furado que um queijo suíço, juízes comprados,
uma estrutura corrupta entranhada até no centro do poder, e sujeitos como eu, que não servem a essa máquina e devem ser eliminados!
- O que eu, como sua advogada, devo fazer, então?
- Aproximar-se de Sônia, minha algoz, por meio de uma amiga comum, que deve ser ultra-discreta, e me transmitir todo tipo de informação sobre ela, mas só coisas irrelevantes, como o que se lê em revistas de fofocas. Por exemplo, a nova roupa que ela comprou, o restaurante onde jantou, fotos tiradas nas férias, relacionamentos, opiniões dela sobre os mais insólitos assuntos, conquistas na carreira, audiências onde ela teve destaque, etc. Depois de um tempo, estando íntimas, Sônia e sua amiga, esta deve fazer o possível para conseguir objetos de uso pessoal daquela, principalmente roupas, sapatos...
- Mas por que você ia querer isso?
- Nesses relatos e objetos estará o meu prazer, o refúgio dessa minha nova realidade, o que me manterá vivo nesse lugar dos infernos. Instruindo-se com essa amiga, então, você vai me transmitir essas informações todas as vezes que vieres aqui, assim como entregar-me-ás os objetos. Não se preocupe, serás bem recompensada.
E passou a Mônica um papel com telefones de pessoas que a pagariam.
- Isso te daria prazer? E logo com ela, que foi co-autora da tua desgraça? Você está louco?
- E que diferença faz eu estar louco ou não? É exatamente o que você ouviu, e serás bem paga pelo serviço, você e a intermediária. Sei que é improvável que eu saia vivo daqui, e mesmo que saísse, seria morto lá fora. O jogo está armado, sempre esteve. Agora, esqueça esse negócio de apelação, é inútil. Queres me fazer um bem? Satisfaça-me com o que te peço. É o melhor que podes fazer por mim.
Após alguns instantes, para se recuperar do espanto, e algumas perguntas incrédulas, Mônica acabou aceitando a insana proposta. Convenceu-se de que, pelo menos naquela região, as portas estavam mesmo fechadas para Pedro, mas quis aplacar seu sofrimento de alguma forma.
E assim os dias, as semanas, os meses foram passando. Mônica visitava Pedro uma vez por semana, duas quando dava; no pior dos casos, uma vez a cada quinzena. Dissera ter conseguido a intermediária, Mauren, que tornara-se íntima de Sônia. Assim, sempre trazia novos relatos, os quais Pedro sorvia com prazer, sem perder uma vírgula sequer. Fazia questão dos detalhes:
- Mas peraí, quero saber exatamente o que ela falou, cada palavra. E o que a testemunha de defesa respondeu? Como Sônia a fez entrar em contradição, quais truques usou? Qual foi a reação dela ao veredito, foi igual à que teve no meu julgamento?
Mônica transmitia as informações coletadas durante cerca de uma hora, enquanto Pedro, dentro da cela, excitava-se a cada palavra, a cada descrição pormenorizada dos atos de Sônia. E masturbava-se. Mônica demonstrou desconforto no início, mas depois foi se acostumando. Sabia-se responsável pelos escassos momentos de alegria do condenado. Tudo fôra arranjado para que eles pudessem ficar a sós. Não havia celas vizinhas e o guarda aceitou de bom grado o dinheirinho semanal para se ausentar durante as visitas.
Os relatos abarcavam os mais diversos temas: as festas que Sônia ia, os romances, as audiências, as viagens a trabalho ou férias, a decoração de sua casa, as opiniões de Sônia (principalmente sobre aqueles que ela ajudou a condenar), a ascensão de sua carreira, seus projetos para o futuro (como ele gozava quando os ouvia...), sua intimidade. As histórias que mais rápido levavam-no ao clímax
eram as que envolviam mentiras e armadilhas jurídicas, magistralmente operadas por Sônia. Nada o excitava mais do que saber que ela acabara com o futuro de mais um inocente.
Pedro fez questão de saber, certa vez, a opinião de Sônia sobre ele próprio. Convenceu Mônica a fazer com que Mauren levasse um gravadorzinho escondido quando fosse falar com Sônia sobre isso. O plano deu certo, e ele esporrou como nunca quando o aparelhinho reproduziu toda a fúria de Sônia sobre a sua pessoa:
"Até já tinha me esquecido dele! Na verdade, ele está lá pra ser esquecido mesmo! Que apodreça na cadeia, aquele verme! Pena que não existe pena de morte! Eu mesma toparia dar um tiro na cara dele, com muito gosto!"
Pedro fez Mônica reproduzir a gravação inúmeras vezes, até que não tivesse mais porra para despejar naquele dia. Disse que o que mais o excitava era que o ódio daquela garota não tinha um motivo específico, era puramente obra da natureza, e era lindo vê-la se manifestar no seu estado bruto. "Ocorre-lhe (à
natureza) todos os dias inspirar aos homens a inclinação mais violenta para aquilo que chamam de crime", já dizia Marquês de Sade.
Logo começaram a vir os objetos, para o deleite do nosso presidiário. Chegaram algumas fotos, inicialmente: uma de rosto, linda, outra com o namorado numa praia paradisíaca e uma terceira com trajes de trabalho. Tornaram-se desde então objetos de veneração para Pedro, que as afixou na parede e, todos os dias, rendia-lhes sua voluptuosa homenagem. A de rosto, dormia olhando pra ela, imaginado-a enfurecer-se e dizer-lhe palavras de ódio, ou então cuidando para que ele jamais saísse dali. Nem as mais podres fotos das revistas de sacanagem fizeram-no gozar tanto.
O primeiro scarpin demorou alguns meses para chegar, mas foi recebido com uma alegria tal que Mônica nunca vira em seu rosto.
- Foi bastante difícil pra Mauren convencer Sônia a doar esse sapato para a caridade, viu? Aproveite-o bem!
- Muito, muito, muito agradecido! Vocês não imaginam há quantos anos não sou tomado de uma alegria como a de hoje! Vocês estão recebendo direitinho? - perguntou, ao mesmo tempo que metia o nariz e a língua dentro do calçado.
- Sim, religiosamente em dia.
- Pois saibam que vão ganhar um aumento, já falei com o meu contabilista! E, se me conseguirem o tênis aquele que ela usa na ginástica, ganharão o dobro disso!
- O que ela usa? Vai ser difícil...
- Não me interessa! Contratem um assaltante, culpem a empregada, se virem! Só essa preciosidade poderá me render o orgasmo absoluto. Depois dele, não haverá mais razão de viver, e você estará livre desse aborrecimento.
Mônica sempre se espantava com as palavras de Pedro, mas acabava cedendo. Parecia ter-se afeiçoado a ele, ficava feliz ao ver o brilho nos seus olhos a cada lembrancinha
de Sônia que levava, e mais ainda ao constatar o quanto ele gozava. Era responsável por sua felicidade. Doentia, mas felicidade.
Pedro já contava com um bom número de objetos de fetiche provenientes de Sônia: meias de nylon e soquetes, um chinelinho (muito se flagelou com ele), o scarpin, um soutien e até uma calcinha. Pedro escutava os relatos brincando com eles. O scarpin não saía do seu nariz, e a calcinha, da boca. "Ajuda a vivenciar melhor as histórias, sinto Sônia aqui", dizia. "Este sapatinho já me extraiu porra suficiente para que eu o enchesse com ela...", completava, "mas nunca as perdoarei por não terem conseguido aquele que Sônia usou no meu julgamento! Daria a vida por tê-lo agora! Que meu último suspiro fosse dentro dele!".
Mônica foi compreendendo, aos poucos, por que Pedro tanto falava na morte, no último prazer, essas coisas. Admitiu, enfim, que eram idéias sensatas. Os relatos, proibidos de beberem na fonte da ficção, não trariam novidades indefinidamente, e repetir-se-iam num ciclo; os objetos, ainda que rendessem muita porra derramada e adrenalina do nosso personagem, fatalmente perderiam seus atrativos intrínsecos dia a dia. Pedro, dependendo então da memória, que todos sabemos traiçoeira, ficaria preso à realidade. Estando corpo e mente aprisionados, assim, não teria sentido viver. Ciente de tudo isso, Mônica propôs o que imaginava ser o melhor desfecho para aquela existência:
- Hoje entendo perfeitamente o que você sempre quis me dizer, Pedro, e sei o quanto o futuro te apavora. Só acho que você procura o prazer último e absoluto no lugar errado. Ele não está no salto alto que Sônia usou no teu julgamento, nem nas mais terríveis injúrias que ela poderia proferir contra ti.
- Onde está, então?
- No que vou te relatar na próxima visita, mas o preço é alto.
- Falarei com meu contabilista hoje mesmo!
- Não falo de dinheiro.
- Fala do que, então?
- Você não poderá continuar vivo após o meu relato.
- Tal preço não me assusta, mas... e se o teu relato não me proporcionar o prazer absoluto?
- Terás de pagar o preço da mesma forma. Ou podes recusar agora, eu vou embora pra sempre e a você restará a temida, lenta e medíocre extinção.
Não havendo outras opções, Pedro topou na mesma hora, e combinaram todos os detalhes para o grande dia. E lá se foi Mônica, com o novo apelido ganho de Pedro: viúva-negra.
Chega o dia. O guardinha ausenta-se, conforme combinado, e nossa viúva-negra adentra a carceragem de hóspede único, sua presa. Veste uma saia negra justíssima, um espartilho por baixo da blusa, realçando ainda mais seus belos peitos, e luvas. O 'toctoc' dos scarpins altíssimos denotam a determinação dessa predadora, e já atiça de antemão a libido da vítima.
- Você está linda! - são as primeiras palavras de Pedro.
- Como haveria de estar. Afinal, hoje tudo tem de ser perfeito! - rebate Mônica.
Pedro a espera de pé em cima de um banquinho, com uma corda feita com o lençol amarrada ao pescoço e presa ao teto, conforme combinaram. Traz o almejado tênis de Sônia preso à cintura. A cela está toda arrumada, limpa e com os objetos-fetiche organizados.
- Tens outro lençol? - Mônica pergunta.
- Tenho! Por quê?
- Amarre-o então a uma perna do banquinho e dê-me a outra ponta! Não posso correr o risco de você não cumprir nosso acordo após meu relato.
Assim foi feito. Tudo pronto, Pedro autoriza:
- Comece, por favor, querida!
Mônica ainda caminha um pouco pelo recinto, como que para fixar os 'toctocs' na mente de Pedro por toda a eternidade, sons estes de tanto significado para ele. Então começa:
- Em primeiro lugar, uma revelação que talvez o desaponte um pouco: Sônia tem uma razão, sim, pra tanto ódio. Você matou o pai dela. Sônia é uma filha bastarda que tentava se reaproximar do velho, que nunca a reconheceu. Não carregando o nome dele, ninguém viu problema em nomeá-la para o caso. Ninguém sabia.
- E você sabia?
- Eu sabia. - Mônica responde sem pestanejar.
- E não me disse nada? Poderias anular o julgamento!
- Bom, isso tem a ver com as próximas revelações.
Pedro olha-a incrédulo. Não faz a menor idéia do que Mônica ainda tem a revelar, mas, pelo início, sabe que será pavoroso.
- Continue. - balbucia.
- Segunda revelação: eu não contratei nenhuma intermediária para coletar as informações de Sônia. Fiquei com todo o dinheiro.
- O quê? - Pedro arregala os olhos quase a ponto de expulsá-los de suas órbitas - Você me fez gozar a partir de fantasias?
- Não.
Pedro já está branco que nem papel. Cada palavra da boca de Mônica é um novo fantasma que o assombra.
- Por favor... respeite meus últimos momentos... fale com seriedade...
- Estou falando! - Mônica reafirma, sem demonstrar qualquer piedade - Coletei as informações e objetos diretamente com Sônia. Somos íntimas!
Pedro não consegue articular uma só palavra, apenas olha sua interlocutora, hipnotizado. Começa a tremer em cima do banquinho.
- Terceira revelação: eu e Sônia somos primas de segundo grau, outro fato desconhecido de todos. Por que me ofereci pra ser sua advogada? Para termos certeza de você não teria a menor chance de se safar. Encontrei Sônia no mesmo dia do julgamento, secretamente, e fizemos uma festinha só nossa. Foi uma noite muito prazerosa, regada a champagne. Aquele namorado dela era só fachada. Durante todos esses meses em que você esteve aqui, combinávamos juntinhas, na cama, os próximos passos com o nosso 'presidiariozinho de estimação'. Ríamos muito, você nem imagina.
Pedro estava completamente apático, destruído. Olhava para o chão, naquela posição patética em cima do banquinho. Conseguiu balbuciar um pedido:
- Jogue-me seus scarpins? Só quero brincar um pouquinho, prometo devolvê-los em tempo.
- OK, mas só porque acho que tu mereces. Vejo como minhas palavras estão te atingindo, pobrezinho. Mas me devolve, hein! Não quero voltar descalça pra casa. Confio em ti!
Jogou os calçados, que Pedro segurou por estar com as mãos livres. Levou-os ao rosto, com o mesmo ímpeto com que um drogado busca a próxima dose. Tentava, decerto, reconhecer no cheiro destes aquele dos scarpins de Sônia. Sacou os tênis dela da cintura e começou a comparar. Acreditava-se capaz de identificar o parentesco dessa forma. A clausura o enlouquecia aos poucos. Mônica não se importou com isso, e continuou:
- Quarta revelação: Sônia gozou, sim, com o veredito do juíz no teu julgamento. Não deu pra perceber, pelo rostinho dela? Eheheh! Mais tarde, relembrando, ajudei-a a gozar de novo, bem gostoso. Ela estava elétrica aquele dia...
- Puxe... o... lençol...- disse Pedro, com sofreguidão.
- Mas jááá! - estranhou Mônica - antes do filé mignon?
- O... que mais... falta? - implorava aquele trapo humano.
- Agora tô com inveja da Sônia - continuou - Ela gozou enquanto te mandava pro inferno. Eu, ainda não...
- Então... puxe... a porra... do lençol...
- Nananinanão! Eu e priminha somos perversas mas não assassinas. Apenas ajudamos a mandar vermes como você pro inferno, não sujamos nossas mãozinhas! Se quiser, pula do banquinho, mas antes devolve meus scarpins.
Pedro obedeceu. Sacou da cintura um tênis de Sônia, tirou a palmilha, enrolou-a como se faz com um cigarro e segurou-a entre os dedos. Fez o mesmo com o outro pé. Disse, por fim:
- Estou... às suas ordens. Leve-me... ao... prazer... absoluto...
Mônica sentou-se na cadeira, em frente à cela, abriu as pernas, tirou as luvas e começou a se tocar. Aquela cena a excitava.
- Ahhh... que sensação deliciosa... Desde o dia do julgamento que tenho o desejo de sentir esse gostinho de mandar um homem pro inferno. Agora vou me equiparar a Sônia, que te mandou pro inferno no sentido figurado. Eu vou mandar no sentido real! Você achou que ia escapar dessas priminhas malvadas? Ahahaha! Nenhum malandro escapa! Soninha gozou ao ouvir o veredito do velho babão, e não deu pra ele depois, como prometera! Ahahaha! Comigo vai ser diferente: quero gozar no momento em que ouvir teu pescocinho quebrar! Quando eu estiver quase lá, eu te aviso, tá, seu verme desprezível? E você pula!
- S...sim!
- Ahhh... Aaahhhhh... Aaaaahhhh... olha pra mim, verme! Quero que teus olhos levem pro inferno a imagem do meu gozo.... Aaaahhh... se não for o teu prazer absoluto, será o meu... Ahhh... gostou da surpresa? Aaahhh... Aaaaahhhh... tô quase lá... Aah... Aaaaaahhhh... Aaaaaaaaaaahhhh... PULA!
Imediatamente, o infeliz enfia as duas palmilhas enroladas na goela, pula e chuta o banquinho. O plano de Mônica deu certo: o 'clec' do pescoço quebrado coincidiu com seu orgasmo. A vítima se contorceu por uns segundos ainda.
- Aaaaaaahhhhh... isso é bom demais... aaaaahh... olha aqui, olha - apontava o clitóris - você me fez gozar gostoso, que nem Soninha. Aproveita teus últimos segundos, dedicados a fazer uma mulher feliz. Só não te ofereço o meu licorzinho porque você não teria como comparar com o de Soninha. Mas saiba que o dela é uma delícia, vicia. O que ela dedicou a você, então... Vai, meu fofucho, boa viagem! Adoramos brincar contigo. Beijinhos da Soninha e Moniquinha!
Terminada a orgia, Mônica recompõe-se, puxa o lençol que prendia o banquinho, desata-os e os joga no centro da cela. Calça os scarpins e deixa o recinto, como se nada tivesse acontecido. O 'toctoctoc' ainda se faz ouvir por um bom tempo.