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passei toda a semana sem quaisquer notícias da minha Dona. a única sms que Lhe enviei, onde dizia: [minha majestosa Dona e Senhora, esta manhã solarenga fui eu que fiz para Si!], ficou sem resposta, o que não é habitual Nela. sexta-feira. hora do almoço. o meu telemóvel dá sinal. com pouco entusiasmo dirijo a mão àquele dispositivo do demo para saber quem ousa perturbar-me a refeição. impossível esconder o sorriso que naquele momento me iluminou o rosto, era ELA! "hey furry! planos para amanhã?". adoro quando me chama "peludinho", especialmente porque significa que está bem disposta, mas nunca se sabe... não perdi um segundo que fosse a responder: [Senhora, ainda não tenho planos. aguardo instruções!]. a resposta Dela também não se fez esperar: "a partir das 16h és MEU! vem de fato de treino ;)". fato de treino? ena! sou muito preguiçoso, mas uns pulos ao ar livre com a minha Dona são uma delícia a que não consigo resistir! sábado. 16h. batia-Lhe à porta pontualmente. ouvi-A dizer qualquer coisa que não consegui decifrar e pouco depois ali estava Ela – encantadora como sempre – equipada a rigor com um fato de treino tricolor: vermelho, azul e branco – uma autêntica wonder woman, mas mais compostinha(1)... "DD! pronto para sacudir essas pulgas?", disse cheia de energia enquanto trocávamos dois beijinhos. [wonder Mistress, Consigo estou sempre pronto para tudo!]. [está muito catita! é novo não é?], disse enquanto Lhe piscava o olho. "estou, não estou?", gracejou Ela rodopiando. "é, comprei-o hoje, depois do almoço!". "vamos no Meu", disse enquanto descíamos as escadas rumo ao piso -1. chegados ao carro Dela atirou-me as chaves: "conduza-Me!". eu, distraído que estava a apreciá-La na Sua nova roupagem, quase levo com elas no focinho mas, desajeitadamente, lá me consegui safar. "mau! o menino estava distraído com quê? à procura dalguma ratazana morta para o lanche?". [a bela criatura que povoa a minha mente neste momento não é nenhuma ratazana, e é bem vivaça], atrevi-me a replicar. "não te estiques, rafeiro! aqui já!", respondeu-me muito séria. [[ups!... já te calavas... rafeiro]], pensei. fui rapidamente até junto Dela e ajoelhei-me a Seus pés. "respeitinho!", disse, enquanto me dava uma palmada na cabeça, para que eu me baixasse. assim fiz. [perdão Senhora], disse depois de Lhe beijar os ténis. rapidamente a unha do Seu polegar se cravou na minha pobre orelha esquerda, puxando-me para cima. "mas Eu, por acaso, ordenei que me sujasses os ténis novos?! ou que abrisses essa bocarra nojenta?!". naquele momento fiquei sem saber se Lhe respondia ou se me reduzia à minha insignificância. "atento, DD! atento!", dizia Ela enquanto me dava umas palmadas nada meigas no focinho. olhou-me nos olhos um segundo e soltou-me dizendo: "não façamos as gaivotas esperar!". entrou no carro e sentou-Se no lugar de trás. dirigi-me ao lugar do condutor e arrancamos. um dia cinzento de outono, mas que não ameaçava chuva: esperava-nos, com certeza, uma praia deserta! andados um ou dois quilómetros, e para sondar o ambiente, atrevi-me com uma pequena graçola: [a Senhora deseja um ferrero rocher?]. riu-Se. adoro quando Ela se ri assim, espontânea, solta. "um bom ferrero vais ter tu quando chegarmos! vais vais!", respondeu-me com um sorriso, enquanto abanava ritmadamente a cabeça ao som do 'fluke – risotto' que bradava no leitor de cd. chegados à praia – povoada apenas por umas poucas gaivotas – descalçámo-Nos e fomos logo molhar as patinhas. perdão!... eu fui molhar as patinhas, Ela foi banhar os Seus formosos pés de deidade. depois de uma enérgica batalha de 'foge que te molho!', que serviu de aquecimento muscular, fizemos uns ligeiros alongamentos e... toca a correr! e a correr... e a correr... e correr ainda mais... [[caramba! vamos jantar ao algarve?]], pensei. limitei-me a pensar, porque já tinha a pleura quase a sair-me pela boca, não me sentia capaz de soltar um latido. mais umas passadas e as minhas pobres patinhas não aguentaram mais: prostrei-me na areia, exausto como um náufrago. "então sua carcaça preguiçosa? já?!". a custo, lá consegui erguer uma pata um palmo acima da areia e deixá-la cair. "estás fraco hoje!", disse Ela enquanto Se aproximou e Se sentou junto a mim. "não dás luta! vou devolver-te e trocar-te por um galgo!", disse, deitando-Se para trás e dando leves pedaladas com as Suas pernocas de sereia(2), para relaxar. pouco depois estávamos deitados lado a lado: eu preguiçosamente – como sempre – de barriga para baixo, Ela de barriga para cima, com as mãos a servir de travesseiro. enquanto recobrava do esforço, deixei-me levar no ondular do Seu peito, então sereno – como o mar aos Nossos pés. atraquei, depois, no Seu pescoço alvo e suave como uma maçã, que naquele momento instigava fortemente os meus instintos predadores. num pulo, tomei-A de assalto e imobilizei-A sob mim. inspirei demorada e profundamente enquanto o meus lábios percorreram o Seu pescoço até à orelha: os meus dentes de sabre cresceram – firmes – em toda a sua extensão. cravei-Lhos lentamente, sentindo-os perfurar – cada vez mais fundo – a carne tenra. Ela gemeu – lânguida – enquanto o sangue, morno, denso, me inundava a boca... volvido à realidade, sobrevoei o Seu rosto rosado e pousando-Lhe nos olhos: [estiveste muito silenciosa esta semana...]. "é verdade, desculpa. nem respondi à tua mensagem tão linda!", respondeu devolvendo-me o olhar. "tenho andado stressada com a promoção, tu sabes". anuí, com um ligeiro aceno de cabeça. "houve alturas em que bem Me apeteceu mandar-te uma sms a pedir-te que Me viesses fazer uma massagem, mas nem tempo tive para uma massagem, acreditas?". [mas podias ter mandado, eu ia ter gostado de saber que tinhas pensado em recorrer a mim, mesmo que não fosse possível estarmos juntos]. "tens razão DD, devia ter partilhado os Meus desejos contigo", disse-me enquanto Se erguia e Se chegava a mim. pousou em seguida a cabeça na minha barriga e afagando-me o peito disse baixinho: "perdoas-me?". naquele instante o que me apeteceu foi acolhê-La nos meus braços e beijar-Lhe ternamente os lábios. mas aqui o DD não é assim tão corajoso, nem estúpido... submergi a mão na sua cabeleira farta e disse-Lhe com suavidade e firmeza: [claro que sim. mas que não se repita!]. Ela sorriu, fechou os olhos e deixou-Se ficar... imitando-A, entreguei-me à preciosidade daquele idílio, embalado pelo brando marulhar – a Sua cabeça pesando-me no ventre. passados uns minutos, o momento pareceu-me o oportuno para Lhe revelar um detalhe que há muito me incomodava. [sabes?...], "hum?". [tenho uma confissão a fazer...], "sim? diz lá", continuou, mantendo os olhos fechados. [mas se eu disser, não me vais ralhar muito, pois não?]. aí dirigiu-me o olhar: "bom, tu dizes o que tens a dizer, e se se impuser um castigo, tens que saber aceitá-lo". fiz uma pequena pausa para me encher de coragem e comecei: [sabes quando me deixas preso no Teu quarto, deitado no tapete? é muita generosidade Tua, como já Te disse, e eu acho que me tenho mostrado merecedor desse mimo...]. "sim?...". [às vezes deixas até a corda com um pouco mais de folga, para que eu possa esticar as minhas patinhas, se me apetecer...]. [pois eu às vezes... ultimamente... tenho aproveitado essa folga... salto do tapete para a cama, afasto a travesseira e deito-me com a cabeça no Teu pijama]. Ela ergueu-Se num ápice e cravou os olhos nos meus: "SAFADO!". tentei explicar-me: [sabes bem que eu adoro o Teu cheiro, e assim sinto-Te mais perto, quando sais de casa]. "hum...". os Seus olhos brilhavam nitidamente, mas o Seu rosto manteve-Se sério. [desculpa], disse timidamente, com um nó na garganta. "vou ter que reflectir sobre esta tua revelação. mas aprecio a franqueza". olhou por uns instantes o mar e voltou a deitar-Se com a cabeça apoiada na minha barriga. eu passeava-me pelo cinzento homogéneo do céu enquanto meditava: [[estou agora um bocadinho apreensivo mas com o coração mais leve. não sei como vai Ela digerir a minha confissão nem qual será o meu castigo. seja ele qual for, será – como sempre – justo. a minha confiança nas Suas decisões é total, e eu cá estarei, firme nas minhas 4 patas, para enfrentar a sentença: sem dúvida menos penosa do que o espinho que trazia cravado no coração]]. a nossa relação, tão única, tem sido construída a passos lentos mas seguros, com base no diálogo constante e franco. e perder o direito a um mimo tão especial – já que tive o atrevimento de abusar do privilégio – parece-me um pequeno preço a pagar por manter aqueles dois princípios imaculados. despertando de um leve sono, levantou-Se, sacudiu-Se e disse: "já chega de preguiça! toca a mexer!". incorporei-me e inspirei fundo, preparando-me para a sequência de exercícios que se seguiu: abdominais, dorsais, flexões variadas, exercícios de pernas, de braços, alongamentos e exercícios de respiração. efim, como na tropa! e eu encantado, por sacudir o pó das minhas articulações às ordens – e na companhia – de tão sabedora e motivadora Generala. Enquanto repousávamos lembrei-me: [Senhora, agora um frisbee é que era!]. "oh! se era! para a próxima temos que trazer um!". ficámos ali uns minutos, sentados, lado a lado, a olhar o mar e a sentir a presença um do outro – a recarregar as pilhas. depois Ela levantou-Se, e com um sorriso malandro disse-me: "o último a chegar é um cão tinhoso!". mal havia terminado a frase já estava Ela a correr em direcção ao carro! [ei!]. levantei-me tão rápido quanto pude e pus-me no Seu encalço. [[bitch!]], pensei. quando cheguei junto ao carro atirou-me um "só agora?!" ao qual respondi [pois, com batota também eu!]. "uma Mistress não faz batota, estimula o desenvolvimento do Seu submisso apresentando-lhe novos obstáculos". Ela cortou-me prontamente a reacção entendendo o indicador na minha direcção: "manso!". contrariado, baixei a cabeça, rosnando silenciosamente. depois de Lhe ter limpo cuidadosamente os pés com uma toalha – e depois os meus – fizémo-nos à estrada. no caminho de regresso, indicou-me que parasse no clube de vídeo onde escolheríamos um filme para o serão. home cinema! adoro! vagueamos pela secção das novidades sem que nenhum dos exemplares cativasse a Nossa atenção, pelo que Nos decidimos por um título antigo que tínhamos ambos em mente rever: o belíssimo 'out of africa'. chegados a casa – fechada a porta – Ela foi bem firme: "assume the position!". assumi de imediato a minha posição natural – de quatro – e dirigi-me à despensa para despir a réstia de humanidade. "vem ter comigo ao wc". quando entrei no wc – de coleira na boca – já Ela tomava o Seu duche. sentei-me no tapete e aguardei. passado um pouco Ela chamou-me: "DD!", [auf!], "vem massajar-Me as costas". obedeci prontamente, e quando afastei a cortinado plástico para entrar na banheira, o meu lombo foi atingido por um relâmpago: Ela estava de pé na minha frente, de costas para mim, com as mãos apoiadas na parede, e o jacto de água morna a escorrer-Lhe pelas costas abaixo. o meu olhar uniu-se à corrente de água e fluiu – contínuo – por toda a Sua pele. engoli em seco e quando as palmas das minhas mão tocaram naquela planície, foi como se um magnetismo desmedido me impedisse de as retirar. comecei a massajar-Lhe os ombros, os braços, e as costas em toda a sua extensão. a minha erecção tocou-A algumas vezes – ao de leve – sem que Ela se manifestasse. "basta". saiu da banheira, estendeu o braço e disse em tom provocatório: "é a sua vez, senhor". enrolou-Se no toalhão de banho e disse: "quando terminares vai para a cozinha. acabaste de ser promovido". era a indicação de que eu deveria começar a preparar o jantar. saiu levando Consigo a minha coleira. ouvi-A entrar na cozinha e virei-me ao Seu "DD!" – vestia uns jeans, uma sweat shirt branca, e uns chinelos. levantou a coleira que trazia na mão e eu ajoelhei-me de imediato junto a Ela, para que ma pusesse. baixei-me e beijei-lhe cada um dos pés – cheiravam a ervas. "quando o jantar estiver pronto, põe a mesa e vem ter Comigo à sala". terminadas as tarefas que tinha em agenda, fui encontrá-La entendida no sofá a curtir a Sua VH1. "senta". fiquei ali – a uns 2 metros dela – expectante. o meu instinto animal dizia-me que algo não estava bem. Ela permanecia imóvel e silenciosa, absorta no ecrã. passados uns 10 minutos a campaínha toca. eu abri bem os olhos, que fixei nos Dela. "então palerma? não abres?". fui abrir a porta – nu – e reconheci de imediato o coelho(3)! [[mau mau...]]. ele entrou e saudou-me com um sorriso forjado, estendeu-me a mão: 'boa noite DD, como vais?'. [[DD? mas que abuso!]], pensei. [boa noite, senhor], retribuí. ele tirou o casaco, entregou-mo para que o pendurasse e dirigiu-se à sala. foi recebido pela minha Dona, que já se encontrava de pé: "olá como estás?". trocaram mais umas palavras de circunstância. "com fome?". 'sim, por acaso...', respondeu o intruso. "temos jardineira de soja, gostas?", 'sim, muito bom', "vamos", disse-lhe, encaminhando-o para a cozinha pelo braço. "DD!", chamou-me. entrei na cozinha de quatro e Ela apontou para o canto junto à máquina de lavar roupa: "senta". deram início à refeição. uns minutos depois Ela levantou-se, dirigiu-Se ao armário e tirou um pacote de bolachas maria que levou Consigo para a mesa. abriu-o e atirou uma bolhacha para perto da porta da cozinha: "busca". ele riu-se – riram-se ambos. eu lá fui abocanhar o que pelos vistos seria o meu jantar. pouco depois Ela aproximou o pacote de bolachas dele: "diverte-te". a criatura foi diligente: tirou uma bolacha e atirou-a para o fundo da cozinha: 'DD, busca!'. a cena foi-se repetindo, e eu ia andando de um lado para o outro da cozinha às ordens dum coelho nojento! às tantas a minha Dona reparou que eu A olhava insistentemente. "DD?...", [Senhora, por favor, um pouco de água]. Ela acenou em concordância e segredou qualquer coisa ao Seu acompanhante, que lhe respondeu: 'ok, pode ser'. "DD", chamou-me, indicando-me que me sentasse junto a ele. o meu pedido foi satisfeito: levei uma valente cuspidela no focinho. "estás melhor agora?". [sim, Senhora]. "podes voltar para o teu canto". quando terminaram, levantaram-Se e antes de sair a minha Dona atribui-me novas tarefas: "levanta a mesa, lava a louça e faz pipocas. estamos na sala". entrei na sala com a taça das pipocas na mão. "pousa-a aqui na mesinha e vai buscar uma vassoura". [[vassoura?!]]. voltei com a vassoura, e como Ela me estendeu a mão, fui entregar-Lha. "senta-te ali junto à televisão". ocupada a minha posição, Ela tirou uma pipoca e atirou-ma. "então palhaço, não a apanhaste? vá! que esperas?". avancei em direcção à pipoca, e quando a sorvia do chão levei com o cabo da vassoura na cabeça! ele riu-se alto. "isso. agora vê lá se voltas a falhar!". atirou-me outra pipoca que, felizmente, consegui abocanhar no ar. "muito bem! outra vez!". falhei. nova vassourada e nova risada. passou a taça ao coelho. ele atirou uma pipoca certeira, que eu apanhei quase sem esforço. "golo!". novamente a brincadeira foi-se repetindo, e a minha cabeça começava a doer-me de tantas vassouradas. às tantas ele olha-A e atira uma pipoca que foi parar ao corredor. [[fdp!]]. a minha Dona olhou para mim e eu lá fui recolher o projéctil. voltei, com um ar de chateado estampado no focinho, e Ela provocou-me: "o menino está a ficar chateadinho, está? se quiser ir-se embora...". sentei-me – mudo. na jaula do meu peito, um lobo contorcia-se, furioso. [[quem deveria ir-se era aquela criatura reles!]]. "bom, vamos ao filme". pus o dvd ao trabalho e dirigi-me à minha Dona, que me havia chamado. Ela pousou a vassoura no chão, paralela ao sofá e a meio metro deste. "DD, de joelhos", ordenou-me, batendo com o chinelo no cabo da vassoura. eu acomodei os joelhos na madeira incómoda, virado para a tv. PLAY. as pipocas iam desaparecendo, e os meus joelhos começavam a fraquejar. para me motivar a suportar o castigo recorri à recordação do cheiro morno do pijama da minha Dona: tão nítido, tão inebriante, que por momentos me fez esquecer o desconforto. o filme desenrolava-se lentamente, e o desconforto – que eu teimava em suportar estoicamente – ia aumentando. a minha Dona, reparando na minha hesitação em sentar-me nos calcanhares, avisou-me: "nem penses!". pouco depois atira-me nova provocação: "DD, apetece-te um ferrero? tens um na tua caixa, redondinho, bem ao teu gosto...". naquele momento era-me indiferente a adição da ball gag ao meu tormento, e muito provavelmente a Ela também, só queria irritar-me. ainda assim, declinei: [não, Senhora, obrigado]. Ela continuou: "talvez prefiras algo verdadeiramente excepcional... hum... no teu cuzinho de puta! quiçá o Nosso convidado possa satisfazer o teu desejo de requinte...". ele não se manifestou. nem eu. limitei-me a baixar a cabeça enquanto tentava esquecer-me da dor que me subia já pelas costas. eis que o filme chega ao fim. "um baileys?". 'aceito, sim'. "DD, ouviu o Nosso convidado". [[nosso, pois sim]]. a custo lá me levantei e servi-Os. Ela apontou para o canto do sofá, a Seu lado: "senta". ali fiquei, a aturar a cavaqueira de circunstância e as manobras de sedução nada subtis dele. Ela tirou um dos chinelos e comentou: "fomos à praia sabes? mas acho que ainda aqui tenho umas areiazitas. DD!". eu sentei-me a Seus pés e comecei a lamber minuciosamente cada dedo Seu, bem como o pé. Ela sabe que eu não sou particularmente amante de pés, nem mesmo dos Dela – que, não obstante, fui aprendendo a apreciar. Ela continuou com a conversa e quando deu por concluída a limpeza, virou-Se para ele: "também foste à praia esta tarde, não foste?". esta frase despoletou instantaneamente a palavra 'NÃO' em todo o meu corpo. ele ficou nitidamente confuso, mas reagiu agilmente: 'hum, fui, claro!', disse, ainda sem perceber a jogada. [[tsc tsc]]. "DD, queres ter a gentileza de verificar se o Nosso amigo também tem algumas areiazinhas teimosas?". aproximei-me do pé que ele havia estendido, tirei-lhe o sapato, a meia, e fiquei imóvel... a minha Dona esperou uns custosos 30 segundos e disse finalmente, num tom frio: "decida-se!". engoli a safeword que tinha já na ponta da língua e avancei. ele riu-se: com cócegas, para disfarçar o embaraço, ou por puro divertimento, não consegui perceber – nem me interessa agora. o que importava era que eu me sentia em dívida para com a minha Dona e estava disposto a provar-Lhe o meu arrependimento: superando todas as provas que Ela decidisse atribuir-me – desde que eu as considerasse justas. e esta parecia-me justa, no limite – e Ela sabia-o bem – mas justa: Ela merecia este meu sacrifício. quando dei por terminada a tarefa, olhei a minha Dona bem no fundo dos olhos e aguardei. Ela retribuiu o olhar e disse muito serenamente, com um sorriso de satisfação – imperceptível para olhos destreinados: "muito bem DD, bom trabalho. podes ir para a cozinha". agradeci, com um aceno discreto, a oportunidade para me recompor e saí. não muito depois ouvi as vozes Deles que chegavam ao hall, e o chamamento da minha Dona. "o casaco da Nossa visita". obedeci e assisti impávido ao beijo molhado Deles, e ao gemido asqueroso dele, enquanto Lhe apalpava o rabo. 'não queres vir tomar um copo?'. "não, lindo. hoje não". trocaram novo beijo rápido e Ela fechou a porta com um aceno de mão. "DD, vai buscar a tua casota". chegado à sala, onde Ela me aguardava de pé, montei a minha casota de papelão e, seguindo o aceno Dela, deitei-me lá dentro. Ela tirou a manta do sofá, que me entregou. baixou-Se e disse-me: "tinha planeado dormirmos juntos, mas obrigaste-Me a alterar os planos". dirigiu-se depois à despensa e voltou com a ball gag, que me aplicou, em silêncio. trancou-me o cárcere com a fita vermelha e apagou a luz da sala – não se despediu. fui arrancado do meu descanso por umas unhas que, pesadas, se arrastavam pelo meu flanco. incorporei-me, sobressaltado. a sala estava iluminada apenas pela luz amarelada da rua, o dia ainda não havia nascido. "despacha-te!". segui-A até à cozinha. lá chegados, Ela pegou numa pequena caixa de cartão, revestida a papel de fantasia. "já vi que és muito espertinho. vê lá se consegues contá-las todas". dito isto, tirou a tampa da caixa e, despejando-a energicamente sobre a mesa, inundou o chão com inúmeras bolinhas brancas – pareciam contas dum colar. "quando acabares, traz-Mas na caixa à sala". saiu. pacientemente, calcorreei todos os cantos e frinchas da cozinha – sozinho – enquanto ia recolhendo as contas de volta à caixa. terminada mais esta prova, dirigi-me à sala. fui encontrá-La junto à janela – semi-aberta – a fumar, Ela que raramente fuma. sentei-me junto ao sofá e aguardei. terminou o cigarro com calma, sentou-Se no sofá, e ordenou-me que acendesse a luz da sala. obedecendo ao Seu comando, sentei-me junto a Ela: a ball gag foi-me retirada. abrindo a caixa disse: "muito bem. vamos ver se estão cá todas". dito isto, projectou novamente o seu conteúdo em direcção à porta! algumas espalharam-se pela sala, outras chegaram ao hall e ao corredor. "são 38". pus-me ao trabalho, decidido. Ela ligou a VH1 e estendeu-Se no sofá. entretanto eu procurava e entregava-Lhe – uma a uma – todas as 38 esferas, que me ia fazendo contar em voz alta. nova tarefa superada. ajoelhei-me e aguardei. "38, finalmente! mas esta parece-me suja...". pegou na conta, que olhou demoradamente, e projectou-a contra o vidro da janela. fui de imediato recolher a esfera e tornei a devolver-Lha. Ela olhou-me e, lentamente, remeteu-a à caixa. levantou-Se, ajoelhou-Se à minha frente, e chegando-Se bem junto a mim sussurrou-me ao ouvido: "vejo que continuas paciente". quando terminou a frase mordeu-Me a orelha com decisão, fazendo cada vez mais pressão. eu inspirava intensamente e gemia, mas Ela apenas largou a tenaz quando eu verbalizei a minha dor: [Senhora, por favor, piedade!]. sentou-Se nos calcanhares e olhou-Me. eu, através das lágrimas, consegui distinguir uma pequena mancha de sangue no Seu lábio, que Ela lambeu. levantou-Se e foi à cozinha. voltou com um copo de água que me entregou. bebi-a de um só trago enquanto Ela permanecia de pé, na minha frente. pousei o copo na mesinha da sala. [muito obrigado, Senhora]. Ela entendeu a mão na minha direcção e eu aproximei-me esperando um afago. ao invés disso, Ela agarrou-me pelo cabelo – de lado – e com a outra mão deu-me um estaladão: "já sabes que deves agradecer ANTES, seu burro!". [perdão, Senhora]. "graças à tua burrice não comes mais nada!". conformei-me com a consequência do meu erro. depois disto – ainda na minha frente – desceu as calças do pijama, tirou as cuecas e deu-mas a cheirar com muito cuidado. um odor morno a lavado, a ervas – do gel de banho – misturados com o ligeiro cheiro Dela inundaram-me como uma droga injectada directamente nas veias. dorido, sonolento, saturado e com fome: ainda assim reagi visceralmente. "sabes perfeitamente que se quisesses ter acesso ao Meu pijama, podíamos ter negociado as condições desse privilégio", disse, olhando bem nos olhos do cão-lobo – minúsculo – que tinha na Sua frente. voltou a vestir-Se e remeteu-me à casota, que, mais uma vez, trancou. voltou uns segundos depois e passou-me o meu telemóvel por entre o gradeamento: "acorda-me às 10h. vou querer uma torrada e um copo de leite morno, com canela". recolheu-Se mais uma vez. fui novamente arrancado do meu descanso, mas desta vez pelo despertador. desfiz cuidadosamente o laço que me bloqueava a saída, espreguicei-me um pouco na sala e dirigi-me à cozinha. resisti a tentação – bem forte – de comer qualquer coisa enquanto preparava o pequeno almoço Dela. nem um copo de água bebi: estava determinado a cumprir o meu castigo à risca, para que no fim eu sentisse que o perdão era merecido, e o pudesse receber de consciência limpa. já no quarto Dela, acordei-A com um abanar suave, e saudei-A: [Senhora, bom dia]. "bom dia". espreguiçou-Se. "hum, que cheirinho!", disse enquanto se incorporava e pegava no tabuleiro com o pequeno almoço. quando me debrucei em direcção e Ela senti o Seu cheiro: morno, delicioso, íntimo – o mesmo cheiro que me tinha levado ao abuso que agora estava a pagar bem caro. "certifica-te de que na sala, na cozinha e no wc está tudo arrumado". quando voltei ao quarto chamou-me junto a Si: "vem cá". tirou-me a coleira, que pousou no tabuleiro. "arruma isto também". quando eu saía, rematou: "depois podes sair. acorda-me às 12h30, tenho um almoço marcado". terminados os arrumos, vesti-me e saí. descia as escadas lentamente quando o meu telemóvel deu sinal. era Ela. "o teu calvário ainda agora começou...". eu não tinha dúvidas, mas estava disposto a conquistar a minha redenção – a todo o custo. no caminho para casa, apenas uma pergunta me inquietava: [[um almoço marcado... com quem? algum coelho com aspirações a lobo?...]]. 12h30. novamente arrancado do sono pelo despertador. peguei no telemóvel e liguei à minha Dona, como ordenado. [Senhora? são horas]. "obrigada DD. olha lá, onde vais almoçar?". [Senhora, estou cansado, não vou almoçar... vou ficar por aqui a dormitar]. "DD, isso não pode ser! já perdeste o jantar de ontem. vem cá ter e almoçamos juntos". [mas Senhora...]. "shiu! não é para discutir!". [está bem, Senhora]. "vens bem sozinho ou vou-te buscar?". [eu vou aí ter, estou bem]. "então até já. vem com cuidado". [até já]. vesti-me, passei a cara por água e pus-me ao caminho. chegado a casa Dela fui recebido com um sorriso: "olá! como estás?", [estou bem, Senhora], "não precisas tratar-Me por Senhora, vamos só ali abaixo almoçar", [está bem]. [já comia qualquer coisa, já], "imagino! e querias tu ficar sem almoçar, seu preguiçoso...". sorri-Lhe, e dirigimo-Nos ao café. sentámo-Nos e fizemos o Nosso pedido. enquanto aguardávamos, quem não haveria de aparecer? a criatura da noite passada! dirigiu-se de imediato à Nossa mesa, com um sorriso galante: 'olá menina! então por aqui?', "sim, como vês... viemos almoçar", 'estou a ver'. dirigiu-se depois para mim: 'DD, boa tarde', [boa tarde, senhor]. "sabes bem que o nome dele não é DD", disse-lhe Ela num tom um pouco indignado. 'sim, mas... não lhe conheço outro!', "então podes tratá-lo por senhor, que é como ele te trata a ti, não achas?", 'hum... ok, ok', respondeu ele meio embaraçado e surpreso. e ficou ali, de pé, certamente aguardando convite para se juntar a Nós. como não obteve resposta, continuou: 'bom, também vim almoçar. estou cheio de fome!', ao que Ela respondeu prontamente: "está bem, bom apetite!". a criatura reagiu com espanto, e afastou-se depois de um 'obrigado... igualmente'. a minha Dona piscou-me o olho – com o Seu sorriso malandro – e eu respondi-Lhe com um enorme sorriso de alívio. [obrigado], disse-Lhe, baixinho. "ora, não tens de quê, acho que ele já está a querer ultrapassar os limites". [bom, se me permites...], "claro! sabes bem que sim", [também acho que ele se está a tornar um pouco abusador, dirige-se a mim num tom superior, autoritário, como se eu também lhe pertencesse], "estou a ver, também fiquei com essa sensação. por isso decidi cortar-lhe as asas, antes que se esticasse demasiado". [aliás...], continuei, [e para ser totalmente honesto, acho que a nossa relação começa a cheirar muito a coelho. eu sei perfeitamente que consenti em que eles aparecessem, e não é minha intenção querer interferir nas tuas decisões, mas é que... começo a sentir falta de estarmos só nós os dois]. Ela reflectiu uns segundos e volveu: "sim, Eu percebo-te, e acho que tens razão. Eu própria também sinto a falta de umas boas horas passadas só entre Nós". "confesso que na noite passada improvisei um pouco, e talvez não o tenha feito da melhor forma...". [não faz mal, eu não voltaria atrás para mudar o que quer que fosse], "não mudarias nada?", [não]. [sabes que eu estive a ponto de invocar a safe word], ela anuiu com um aceno de cabeça, [mas eu também sei que estava a ser testado ao limite, para saberes até que ponto eu estava, estou, arrependido do meu abuso], "é verdade, e estou muito satisfeita com a tua atitude. estás no bom caminho", [obrigado, é muito bom ouvir isso], "obrigada Eu, pelos teus reparos". nesse momento os Nossos sorrisos e olhares enlaçaram-se e a Nossa união estreitou-se mais um pouco. dedicamos a seguir a Nossa atenção aos pratos que entretanto haviam chegado – dois pregos no prato, tenros, suculentos, e as batatinhas crocantes: au point! enquanto dividíamos uma mousse de chocolate, Ela disse: "sabes o que Me apetece fazer agora?", [não, diz-me!], "apetece-Me passear-Me pelo shopping, entrar em todas as lojas e ver coisas novas, experimentar isto e aquilo, e se calhar não comprar nada, já sabes como Eu sou...", disse com uma gargalhada. "se quiseres vir... ou vais dormir?". [eu? não! vou contigo, claro!]. [ver coisas giras, fruir do teu bom gosto, mostrar àquelas criaturas todas a Dona encantadora que eu tenho... é claro que vou contigo!]. Ela sorriu deliciada com os elogios e com o meu entusiasmo, e devolveu-me um "seu tolo" – numa imitação perfeita de tia coquette, que eu adoro – tocando-me de leve no ombro. [sendo assim, peço também um café]. "dois!". brindamos – a Nós – e depois de pagar lá fomos em direcção ao shopping, como duas crianças em direcção à disneylândia – a minha caudinha abanava tanto que eu mais parecia um helicóptero!