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G E W Ü R G T (4ª parte)
Quase três da tarde, o mascarado volta ao cômodo que passou a noite. Não está cansado. Pelo contrário, poderia continuar por horas. Mas seu prisioneiro, desmaiou. Ele não sabe se de esgotamento, desidratação ou fome. Nem se importa. O fato é que, mesmo não querendo, é obrigado a fazer um intervalo. Tirando as camadas de fita adesiva que amordaçam sua boca, telefona para o rapaz que contratou para lhe ajudar. Manda comprar comida e água. Depois tira a roupa de couro e toma um banho frio.
Uma hora e meia depois, o rapaz chega de moto. Por um buraco no papelão que cobre a janela, o homem o vê escondendo a motocicleta nos fundos da casa. Dentro da calça jeans, seu pau do dói de tesão. Tudo o que ele quer é voltar logo para seu refém, mas, antes, precisa que o rapaz o prepare. Nada muito complicado. Dar comida, água, banho e deixá-lo algemado e amordaçado com silver type. Serviço para, no máximo, uma hora. O problema é que ele não quer esperar tanto assim. Quanto mais rápido o rapaz começar o que tem que ser feito, mais cedo terminará.
Tirando o capacete, o rapaz pede desculpa pelo atraso e explica que o mercado estava cheio, que precisou fazer um desvio por causa de uma blitz da polícia, que o trânsito na marginal estava lento... Passa minha comida!, o homem o interrompe, sem nenhuma paciência para esse tipo de história. É a melhor da região!, o rapaz fala, entregando-lhe a marmita.
A primeira coisa que o homem perguntou para o rapaz quando o encontrou foi quantos anos você tem?. Vinte, ele respondeu. Parecia menos. Talvez por ser magro e baixo. Ele o encontrou pela indicação de um amigo, que havia contratado o rapaz para um serviço, meses atrás. Não é muito inteligente, mas é esforçado!, explicou. E é verdade. Ele não é muito inteligente. Exceto por não fazer perguntas. Mas é esforçado e diz sim, senhor para tudo.
Ontem, o rapaz recebeu mais uma parte do valor acertado. Não era grande coisa como também não foram as parcelas anteriores e como não será a última. Mas, para ele, devia bastar. Hoje, suas roupas e tênis cheiram a novo. Está arrumado. Ou, pelo menos, pensa que está. Usa um brinco de vidro imitando diamante, o boné virado para trás e transpira um desodorante de supermercado, nauseante.
Semanas atrás, quando parou o carro no centro velho para encontrá-lo, notou que o chinelo dele estava remendado e que suas roupas estavam frouxas e desbotadas de tanto lavar. Desde o primeiro instante, soube que ele não era esperto e que era, portanto, a pessoa ideal para o serviço.
O senhor vê, aí, quando pode pagar, o rapaz disse, olhando para o chão. Com vidro do carro abaixado e ar condicionado no máximo, o homem ofereceu quase nada e ele aceitou. Mas do que isso, ficou grato. Nas semanas seguintes, além de vigiar o homem que seria seqüestrado, ele conseguiu a casa para o cativeiro e um outro rapaz para ajudá-lo no seqüestro.
Vai cuidar do cara!, o homem manda, irritado de vê-lo parado com tanta coisa para ser feita. Ele sabe que o rapaz não tem iniciativa própria e que isto é uma boa qualidade, mas, às vezes, descontrola os nervos. Sobretudo, comendo aquela comida que bate no estômago como concreto. A melhor da cidade, resmunga, imaginando que tipo de lavagem deve ser a pior.
Apressado, o rapaz tira o boné e coloca uma das máscaras de couro da caixa. É a primeira vez que ele usa uma e que o homem o vê assim. Gosta. O pau endurece sob a calça. O rapaz não é bonito nem feio. Parece índio. Tem olhos meio puxados e cabelos, grossos e lisos. Percebendo o pau dele se avolumando na bermuda nova, o homem vê que ele também está excitado.
Tirem as roupas! Quero ver se o corpo de vocês é forte!, o homem mandou, antes de contratar o rapaz e seu amigo para seqüestro. Estavam, os três, nos fundos de um bar. O dono disse que ali poderiam conversar sem que ninguém os interrompesse. E entre engradados de cerveja e varais pesados de cuecas amareladas, o rapaz tirou a camisa e abaixou as calças. O amigo dele fez o mesmo.
Não precisa!, falou quando eles estavam abaixando as cuecas. Queria apenas ver se eles eram fortes e se teriam força para fazer o que precisava. Não teriam. Eram muito magros. Braços e pernas finos. E pior, não davam medo nem inspiravam respeito em ninguém. Por exemplo, se quisesse, não teria receio nenhum de mandá-los se ajoelhar e chupá-lo. Nem tinha dúvida que eles fariam isso e qualquer coisa que mandasse. Mas, não teve vontade. Aqueles dois rapazes miúdos com suas cuecas esfarrapadas não despertavam qualquer desejo. Indo embora, ele mandou que se vestissem e os contratou mesmo insatisfeito.
Está armado?, ele pergunta e o rapaz põe a mão na virilha, querendo esconder o pau duro. Falo do revólver!, o homem explica, sério. Sim, se-nhor, ele ri sem graça e, levantando a camisa, mostra a arma presa no cós da bermuda. Ótimo!, o homem sussurra, voltando a comer sua marmita.
Dias atrás, quando o homem foi entregar aquele o revólver, apontou-o para o peito do rapaz e disse, Mãos ao alto!. Era uma brincadeira. Mas o rapaz não entendeu. Levantou as mãos no mesmo instante, assustado. O homem riu e continuou: Tire a roupa! E ele tirou. Ajoelha no chão e põe as mãos para trás, agora!. O rapaz obedeceu. E, quando ia algemá-lo e amordaçá-lo, desistiu da idéia. A brincadeira acabou. Se veste!, ele disse, entregando a arma. Trêmulo e pelado, o garoto pegou o revólver. O tambor estava cheio. O senhor me assustou, ele ria, levantando-se do chão. Continuava sem roupas. Mãos ao alto!, disse, mirando o revólver na cabeça do homem. Sem chance, ele resmungou, indo embora.
(continua)