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Ângela Sob o Domínio de Madalena

Depois de iniciada, Ângela entregou-se, inteiramente,ao seu amor. As duas deixavam-se ficar encerradas no apartamento e ela era toda solicitude para a sua imperiosa amante, que nada mais fazia além de se deixar idolatrar. Durante meses viveram no mais estreito contato e nada era feito pela apaixonada menina que não tivesse a outra como centro. Madalena absorvia por completo o pensamento e os sentimentos de sua conquistada. Uma, jamais se cansava de ser acariciada e a outra, jamais se cansava de acariciar. Foram meses que mudaram Ângela por inteiro: não foi apenas o delineamento servil de sua personalidade, porém, acima de tudo, a sua vida passou a ser Madalena, e só ela. O mundo passou a ser visto através da sua rainha e nada mais havia a fazer do que procurar sentir o que a rainha estava querendo. Ângela não tinha mais vontade, ela não significava mais nada para si mesma, pois dentro de si só havia espaço para a amada. Madalena sabia muito bem do seu completo domínio e chegou a certeza de que ele era definitivo: a escrava não mais se libertaria de seu poder, pois que se anulara como pessoa e passara a existir em função de sua dona. Agora poderiam sair daquele isolamento e buscar experiências renovadas e mais extensas. Ângela já estava em condições de ser levada às suas amigas a fim de mostrar toda a docilidade e subserviência que aprendera. Madalena sabia que ia ser invejada quando demonstrasse o domínio que tinha sobre a aquela linda jovem loura. Seria um belo espetáculo para as degeneradas: a negra sádica espancando a terna escrava branca. E haveria o prazer de emprestá-la para os mais corruptos gozos e, em conseqüência, o de poder assisti-la quando usada e abusada pelas viciosas mulheres. Certa vez, depois de ter falado ao telefone, Madalena comunicou a Ângela que, a partir do dia seguinte, voltariam a ter uma empregada na casa. A nova doméstica era uma sua prima, que se despedira de um antigo emprego, e telefonara para saber se poderia vir trabalhar no apartamento. Não haveria qualquer problema, pois ela já estava a par do que se passava entre as duas. Apenas, Ângela deveria contar com a possibilidade de ser cortejada pela nova doméstica que, quando se encanta com alguma mulher, torna-se terrivelmente insistente. Madalena não via qualquer mal nisso. A chegada da nova empregada tornou Ângela mais disponível para a sua amante. Apesar de não mais ter que se ocupar com os afazeres da casa, pois Dagmar, realmente, dava conta de tudo, as pequenas ocupações ligadas a Madalena, como preparar os seus sucos, levar o café na cama, servi-la com as bebidas preferidas, todas estas pequenas coisas Ângela insistia em continuar fazendo. Dagmar teve um significado muito especial para a menina : foi a primeira pessoa a testemunhar o seu amor por Madalena, a sua absoluta submissão àquela dominadora tão altiva. A empregada, depois dos trabalhos, convivia com as duas, ficava na sala da televisão, e via toda a devoção da moça apaixonada , os afagos, os beijos, as carícias nos pés exigentes da soberana. Assistira aos momentos em que a prima , possuída por crescente e furiosa excitação, se comprazia em esbofetear sua serva, em pisá-la, para depois de alguns minutos, irem para o quarto. Mesmo da sala, era possível captar os sons da continuada violência e depois os dos vários gozos, com as imprecações de uma e os deliciosos gemidos da outra. O desejo de Ângela, exposto à sua dona, era o de que Dagmar pudesse ver tudo que faziam às portas fechadas. Ângela desejava ardentemente que outra pessoa conhecesse por completo toda a extensão do seu louco amor. Queria que, numa das ocasiões em que Madalena fosse tomada pelas costumeiras necessidades de ser brutal, não saíssem da sala e permitissem à empregada presenciar todo o castigo, constatar o prazer da rainha em machucar, em ferir, e o prazer da escrava em se entregar, sem qualquer protesto, às sevícias que lhe seriam impostas. A menina preferia que, neste dia, a amante fosse mais selvagem do que nunca, usasse o chicote e a golpeasse cruelmente. Depois Dagmar assistiria à prolongada união dos sexos , com os alucinados orgasmos das duas amantes e, por fim, a absorção da urina. Ângela queria ver na fisionomia de Dagmar os resultados de tal contemplação. Todo este depravado desejo foi transmitido em detalhes à feroz negra, no momento em que ela lhe espremia com os fortes dedos os róseos bicos de seus seios. O desejo perverso de Ângela foi logo realizado. Numa noite em que as três se encontravam na sala e a menina, estendida no chão, proporcionava com os seus rubros e carnudos lábios os mais voluptuosos beijos nos rudes pés de sua dominadora, esta, dobrando um dos joelhos, retirou aquele pé da boca sequiosa, ergueu-o e, logo retornou com ele, violentamente, à posição que abandonara, pisando com brutalidade a boca que o acariciava. Era o começo do espetáculo em que a ferocidade dos castigos impostos à degenerada menina se realizaram num clima da mais intensa excitação, que só os mais licenciosos atos são capazes de produzir. Ofensora e ofendida usufruíam, libidinosamente, da bestialidade do espancamento. A escrava gemia e gozava com o rosto pisado pela rude amante, enquanto a chibata recaía com ímpeto em seus seios. As três viviam as delícias do ultraje. As amantes excitavam-se ainda mais ao se mostrarem tão capazes de transgredir. A consciência da transgressão e sua exposição eram os fundamentos do indescritível prazer das duas. O ultraje sofrido por Ângela era a sua felicidade. Ela implorava mais rudeza, mais violência, e jurava um descomedido amor. O ultraje imposto por Madalena era um constante gozo. O olhar de Dagmar brilhava de prazer com o espetáculo que lhe era proporcionado. Ela se desnudara e se acariciava. E, quando as duas pervertidas, impelidas pela excitação, foram para a cama a fim de poderem sentir o contato estreito de suas vaginas, Dagmar foi convidada para ficar ao lado delas e só se permitiu gozar quando os orgasmos das amantes se completavam em luxuriosas sonoridades. Com o corpo todo macerado, cheia de dores e de sangue, Ângela constatou que não há limites no ultraje e que o vicioso ultrajado, para satisfação de seu mestre, quer sempre se aprofundar na violação. E ali estava uma imagem disto : ela própria pedia a Madalena para urinar em sua boca, antecipando-se a uma ordem da amante que sabia inexorável. Ser vista, naquela posição, ajoelhada, com a cabeça encostada no vaso sanitário, com a boca aberta, ansiosa pelo jato que a inundaria de humilhação, era o complemento necessário para a festa que viveram. No primeiro ano do desenfreado amor, por duas vezes, Ângela, com a concordância de sua amante, teve que se ausentar para visitas ao pai que morava em São Paulo. Era importante fazer estas viagens para mostrar que tudo ia bem, dizer que não se sentia só, pois a governanta era uma boa companheira e, além de tudo, possuía excelentes amigas , colegas de curso, pois projetava entrar numa faculdade. Afirmou que tinha um cotidiano repleto de ocupações e, grande mentira, que estava sempre em contato com os parentes da falecida mãe, os únicos que moravam no Rio. Na realidade, ela perdera o contato com as duas tias solteironas que, por sua vez, odiavam seu pai e nenhuma simpatia mostraram pela sobrinha, nas poucas vezes em que esta as visitara. Ângela, de fato, só tinha Madalena. Fora uma escolha, pois se quisesse estaria morando perto do pai, cercada de parentes. Sentira, também, o que achou excelente, que a nova mulher de seu pai não revelara qualquer simpatia em tê-la por perto. Na verdade, a filha viu, com satisfação, que a madrasta não gostara dela e que, possivelmente, desanimaria qualquer tendência do pai em chamá-la para São Paulo. Era bom para todos que as coisas continuassem assim. Antes de concretizar o novo casamento, o pai passara para Ângela a propriedade do apartamento em que ela morava e prometeu manter o mesmo nível de vida a que ela estava acostumada desde que saiu do internato. Assim, nenhuma dificuldade se mostrava para as duas amantes e poderiam viver o seu amor com tranqüilidade. Madalena ficou felicíssima quando a propriedade do apartamento passou para a sua obediente menina e disse mesmo que isso era uma garantia para uma eventual dificuldade que o pai pudesse colocar à relação existente entre elas. Garantida a moradia, caso fosse preciso, Ângela teria condições de arranjar um bom emprego que sustentasse as duas e, de qualquer modo, ela saberia fazer com que a submissão de Ângela fosse bem remunerada por certas pessoas. De fato, Madalena poderia mesmo estar segura de sua situação. Só depois que completaram três anos de feliz união é que o caso entre as duas foi descoberto e, mesmo assim, como se fosse um simples relacionamento lésbico. Houve solicitações para que a menina abandonasse a negra, e a resistência encontrada foi uma oportunidade para a madrasta afastar, de vez, a presença da enteada. Pai e filha se distanciaram e, breve, como há muito desejava, ele terminou por aceitar um cargo de direção da firma no exterior. A mesada de Ângela continuou a ser enviada pelo mesmo banco. Isso e as economias de que as duas dispunham garantiam uma vida tranqüila. Mesmo assim, Madalena pensava emprestar sua submissa amante às numerosas libertinas de seu conhecimento e arrecadar o dinheiro do vício. Ela tinha a certeza de que todas ficariam ansiosas para fruir daquela bela moça dócil e de que pagariam caro para submetê-la as extremadas punições. Já há muito preparava o espírito de Ângela para apresentá-la às suas amigas. Pouco antes de ser recebida pela Dra. Cristina, amiga da qual Madalena muito falava, pelas grandes afinidades que possuíam, e com quem mantinha freqüentes e longas conversações telefônicas, Ângela fez a sua primeira experiência com outra mulher. Foi, evidentemente, com Dagmar. Dagmar tinha, na visão da submissa menina, um tipo físico impressionante. Era uma negra mais clara do que Madalena, também já entrada nos quarenta anos, alta e cheia de corpo, com os cabelos bem esticados para trás, como os da prima, presos num coque, com um rosto belo e duro, nariz aquilino e sobrancelhas como dois traços ascendentes. Usava, invariavelmente, tamancos de saltos altos, com os grandes pés sempre cuidados e com as unhas pintadas de um rubro escuro. Trazia num dos tornozelos uma corrente de ouro, presente de uma patroa e amante. Vestia-se de uma maneira que despertava atenção: calças compridas sempre muito apertadas ou shorts bem ínfimos, tudo para exibir sua voluptuosa plástica. Seu ar evidenciava, de imediato, a dominadora que era. A empregada obteve o beneplácito da prima para possuir a jovem patroa que já há muito desejava. Sentia uma violenta atração para beijar aqueles lábios suculentos da lourinha, para esfregar sua língua naquela deliciosa língua, para sentir a terna e obediente boca em seu sexo, percorrendo os seus recantos mais íntimos, e somente desligando-se de seu corpo quando fosse levada à exaustão e não mais pudesse prosseguir na sucessão de orgasmos. Queria também submetê-la, sentir toda a docilidade da fêmea disponível, bater-lhe no lindo rosto, colocá-la de joelhos, machucar os perfeitos seios tão alvos, pisá-la, fazê-la também acariciar com a boca os seus pés e, afinal, fazendo como a prima, encostar o seu clitóris na suave vagina para, depois de totalmente satisfeita, fazê-la beber sua urina como prova final da plena entrega . Dagmar realizou, integralmente, a sua grande ambição e, por várias vezes, sempre assistida pela dona de sua condescendente patroazinha, dispôs impetuosamente do tenro corpo de Ângela e de sua inexcedível permissividade. A menina se surpreendeu com a possibilidade de gozar com uma outra amante. Até, então, pensara que só o fascínio que tinha por Madalena permitia o descomedido prazer em sentir-se possuída, insultada, vilipendiada. Mas a própria Madalena quis que Ângela se experimentasse como fêmea disponível para uma outra amante e compreendesse o quanto estava desembaraçada de qualquer exigência pessoal e, por isso mesmo, disposta a se entregar ao jugo de quem quer que fosse, sempre obtendo prazer desmedido na própria degradação, no absoluto servilismo. O importante é que a vontade férrea de quem a ultraje se faça sentir. Chegara o dia de conhecer a Dra. Cristina. Os preparativos foram minuciosos, pois Madalena queria apresentar sua amante no brilho de sua beleza. Bem antes da visita, ela suspendeu todos os castigos físicos, proibindo Dagmar de cometer qualquer violência com a jovem. Ângela conhecia por retrato a amiga de sua dona. Era uma mulher alta, forte, os cabelos um tanto grisalhos num corte masculino, uma fisionomia séria, sem qualquer traço de feminilidade. Madalena conheceu a Dra. Cristina há bem mais de dez anos. Na época, Madalena vivia amasiada com uma mulher divorciada e a Dra. Cristina morava com uma amiga desta mulher. Ângela foi recebida pela anfitriã com um abraço e um sensual beijo na boca. Havia no apartamento da masculina mulher uma outra moça, logo apresentada como Taninha, uma morena de olhos verdes e cabelos negros, talvez um pouco mais velha do que Ângela, que logo se apressou em servir as bebidas e os canapês. Tudo que fazia tinha, antes, que contar com o olhar aprovador da patroa, olhar que tudo dizia, sem necessidade de muitas palavras. A moça aguardava as ordens em pé, ao fundo da pequena sala, e quando oferecia algo, era com voz extremamente baixa, verdadeiros cicios. Madalena e sua amiga falavam de pessoas que Ângela não conhecia. A Dra. Cristina contava casos de amigas comuns, de amores lésbicos, de encontros sadomasoquistas na casa uma senhora chamada Abigail. Depois falou de si mesma e de sua nova menina. Foi aí que Ângela teve a sua suspeita confirmada de que a suave Taninha era uma serva. Ela era sobrinha de uma cliente da Dra. Cristina , que a oferecera à advogada como pagamento de uma causa jurídica difícil e de grande montante que esta resolvera em seu favor. Tinha sido educada pela tia, desde menina, num regime de grande disciplina, com castigos freqüentes, e aos doze anos já prestava os favores sexuais exigidos pela viciosa educadora. Aí, o seu caráter submisso já estava consolidado e ela estava, invencivelmente, ligada à cruel mulher, satisfazendo-a em tudo e obtendo enorme prazer com a satisfação que proporcionava. Depois que fora entregue como quitação de tal dívida, a moça se apaixonou pela nova mestra e , agora, estava sendo gabada pela mais completa subserviência. Cuidava da casa e agia como uma secretária doméstica de sua senhora. Era proibida de ir à rua e só saía para acompanhar sua dona a alguma reunião em casa das terríveis amigas. Depois que a Dra. Cristina fez a sua exposição, quis saber sobre a nova menina de Madalena. A negra dominadora expôs todo o processo de conquista e de preparação de sua pupila, e esta somente abandonava o seu silêncio quando solicitada para confirmar o que sua dona contava ou para dar pequenas impressões sobre o domínio que lhe foi imposto. Toda aquela conversa excitara as soberanas e as servas. Não havia mais porque continuar a falar. Então, a Dra. Cristina comunicou a amiga o desejo de logo experimentar Ângela e, em troca, ofereceu-lhe Taninha. Cada par de amantes foi para um quarto. Como boa moça que se antecipa aos desejos das mestras, mal entraram no quarto, Taninha ajudou a rainha negra a se desnudar e a se instalar, confortavelmente, na cama. Logo após, ela própria se desnudou, retirando o leve vestido que a cobria, e revelou para Madalena o seu belo corpo repleto de marcas de recentes e antigos castigos. Recostada nas grandes almofadas que se apoiavam na cabeceira da cama, a negra fez a escrava se aproximar e sentar na beira da cama a fim de que pudesse contemplar os excitantes sinais das várias sessões do mais degenerado erotismo a que a menina se permitiu padecer. As marcas eram as mais diversas : existiam cicatrizes definitivas, provocadas por finos chicotes aplicados com grande ímpeto, existiam longas manchas roxas dos rebenques, algumas ainda bem vivas, sinais visíveis de unhas que se cravaram nas belas carnes, pequenas manchas arroxeadas de cruéis beliscaduras, e alguns poucos pontos que evidenciavam terem sido produzidos por brasas de cigarros que se encostaram na tenra epiderme. Dos sinais definitivos, a vítima conhecia todas as autoras e seus olhos brilhavam de excitação quando, com sua meiga voz, contava as circunstâncias em que foram feitas. Cada nome das algozes era citado com veneração e com profundo amor. Havia a queimadura no seio direito produzida por sua tia, a no seio esquerdo produzida pela Dra. Cristina, as cicatrizes das afiadas unhas de D. Abigail nos dois mamilos, outras duas marcas de pontas de cigarro em cada uma das nádegas, e algumas cicatrizes dos cortes do chicote nas costas, uma num seio e outra numa nádega. Madalena bem podia avaliar o prazer que tiveram as soberanas ao produzir tais injúrias no jovem corpo da moça. Aquelas cicatrizes, Taninha as expunha com o orgulho próprio das ultrajadas. É comum às escravas exibirem uma para a outra, cheias de vaidade, os sinais das violações que sofreram, sobretudo os de suas donas. Sentindo o seu sexo já todo molhado com a contemplação do corpo escalavrado da jovem, Madalena suavemente puxou-a pela cabeça e fez com que a doce boca pousasse em sua sequiosa vagina. A contemplação a que se entregara não lhe exigia mais violência. Quando Ângela saiu do quarto com a amante, a sua soberana já estava a algum tempo na sala, saboreando a sua bebida , com Taninha à espreita de alguma possível solicitação. A Dra. Cristina, depois de ser servida da mesma bebida, elogiou a disciplina que a amiga soubera impor à nova serva, elogiou a disponibilidade absoluta da moça e pediu desculpas pelas marcas que deixara no corpo: ``Hoje, não pretendia me exceder. Mas ao ver estas carnes tão belas, sem qualquer marca, e ao sentir a doçura da menina, não pude deixar de puni-la´´. Madalena deu razão à Dra. Cristina e disse que trouxera a jovem para isso mesmo, e que pretendia, para muito breve, impor-lhe marcas definitivas. Queria mesmo introduzir a amante naquelas excitantes reuniões de amigas e fazê-la passar por outras mãos, para que se multiplicassem sobre o seu corpo os indeléveis sinais característicos das subjugadas. Hoje, ao ver a outra cativa, sentira que já se atrasara com as marcas de sua conquista. Antes de se despedirem, a Dra. Cristina ofereceu-se para levar as duas, quando Madalena achasse conveniente, à casa da amiga Abigail, de quem falara, e que, freqüentemente, patrocinava interessantes reuniões, com um grupo selecionado, sempre com a presença de moças bem prestimosas, bem dóceis, bem permissivas. Madalena prometeu que breve a procuraria e que fazia mesmo questão de que Ângela freqüentasse tais reuniões. Em casa, Madalena quis saber os detalhes da relação da Dra. Cristina com a sua companheira. Ela se deliciou em fazer a narração, descrevendo a advogada como uma mulher decidida, máscula, realmente avantajada, com um modo de satisfação impetuoso, dando ordens todo o tempo. Ela conseguiu se introduzir, tal como um macho, na vagina de Ângela, depois de excitada pela carinhosa boca da menina. Quando Ângela tinha sobre si a terrível amante, que num poderoso abraço esmagava os seus seios enquanto a beijava alucinadamente, tudo levando a crer num próximo orgasmo da virago, eis que ela se ergue sobre o seu corpo , passa a esbofeteá-la com furor e, se apossando de um cinto de couro que estava sobre uma cadeira, a açoita com todas as forças para, depois de vê-la marcada, atirar-se novamente sobre o seu corpo, buscar o contato dos dois sexos e, com coléricos movimentos, obter um gozo pleno. Terminada a narração, Ângela sentiu que deixara sua amada excitada e com uma ponta de ciúme. Depois que se fecharam no quarto, as duas se entregaram durante horas a um louco amor e a jovem foi instada a apanhar no armário a vara que sua amante guardava com todo o cuidado. A vara tinha sido escolhida por ocasião de um passeio que as duas fizeram nas redondezas de um hotel-fazenda em que, há tempos, se hospedaram. Madalena arrancara o galho de uma goiabeira, preparara-o com o seu canivete e, por fim , brandindo-o no ar, lhe dissera: ``É com isso que vais ganhar a minha marca´´. Chegara a hora. A rainha aplicou na dócil apaixonada o castigo com a fina vara, profanando-lhe o alvo corpo para a imposição das cicatrizes prometidas. Em nenhum momento a escrava se esquivou. Pelo contrário: estimulava a sua algoz e pedia redobrada impetuosidade. Deitada no chão, acariciando o próprio sexo enquanto era espancada, desfrutava da mortificação em prolongado prazer, entre gemidos, gritos contidos, urros do mais puro gozo. Depois que se virou e sentiu o pesado pé de sua dona em seu rosto, tapando-lhe a boca, veio o golpe derradeiro, sibilando, sobre o seio. Parecia que a vara entrara pelas suas carnes. Seus dedos se apressaram e o orgasmo retido veio, na mais completa pureza. Experimentava o absoluto amor. Sua amada merecia toda a sua ternura. E, ainda de joelhos, nada mais podia fazer senão deixar-se conduzir pelas fortes mãos que a puxavam por entre as possessivas pernas, a fim de que oferecesse a homenagem de sua amantíssima boca. E, como o complemento perfeito dos atos realizados, as duas se entregaram à liturgia da urina . A cerimônia cotidiana em que sorve o líquido dourado da amada é, de fato, uma ocasião religiosa para Ângela. Ao ingerir o líquido, é a sua deusa que entra em si para afirmar o seu imenso poder. O maravilhoso fluido parece queimar o seu interior, transmitindo-lhe a sensação da presença de sua dona e a da sua própria degradação. As duas conhecem bem o simbolismo do ato que cumprem e por isso a submissa escrava o vive com grande devoção. As palavras rudes, sempre pronunciadas por Madalena no desempenho daquele feito, soam aos ouvidos da rebaixada como a fala consagradora da superioridade da dominadora negra e, ao mesmo tempo, a fala consagradora da inferioridade abjeta da dominada. Quase um mês depois é que Ângela teve a certeza de que ganhara as três marcas definitivas que lhe lembrariam sempre a sua condição: eram duas compridas cicatrizes, quase paralelas, que atravessavam suas costas em diagonal e, uma outra, sobre o seu seio direito. Havia muito de que se orgulhar. Com que prazer se desnudaria para mostrar as marcas do domínio de sua cruel amante negra. Junto à certeza de que tinha os estigmas definitivos que tão bem revelavam que pertencia a alguém, e a um alguém tirano, chegaram novas ordens para reafirmar a sua baixeza e que, uma vez expostas, foram logo reconhecidas pela estigmatizada como algo que, há muito, já deveria ter vigorado e que, por isso mesmo, a fazia credora de um violento castigo. Madalena, agora, reclamava um tratamento mais formal: não admitiria mais o igualitário você. Era fundamental, para explicitar bem o tipo de relação entre elas, que Ângela usasse sempre o tratamento de senhora e de D. Madalena. Era o respeito verbal que faltava e a que a rainha tinha direito, pois mesmo que formassem um casal, a união era fundamentada na sujeição de uma e na soberania da outra. O mesmo respeito deveria ser observado com relação a Dagmar. Esta desempenhava as atividades domésticas somente para que a escrava pudesse se dedicar inteiramente à sua dona. Como, no entanto, Dagmar a usava com freqüência, era justo que Ângela demonstrasse também no tratamento verbal a superioridade que a outra possuía. Tudo isso foi dito com a menina, na sala, sentada no chão, ao lado da poltrona em que estava a imperiosa senhora. Tomada de um sincero arrependimento por não ter se antecipado a tudo aquilo, ela abraçou-se aos pés que se ofereciam aos seus beijos e rogou para que fosse punida , e que D.Dagmar participasse da punição. Então, com um sorriso superior, a dominadora impôs a Ângela que trocasse de quarto com a doméstica, pois a sua condição real dentro da casa impunha que ocupasse o lugar reservado à empregada. Deveria , logo, comunicar a D. Dagmar esta decisão e ajudá-la na mudança. A punição solicitada , podia ter certeza, viria das mãos das duas. Não iria demorar muito. Mais tarde, Ângela sugeriu à empregada que trocassem de quartos. A menina estava ocupando o aposento que fora de seus pais e que, até pouco tempo, permanecera fechado, na expectativa de uma possível visita paterna, que não se efetivou. Ela já havia ficado durante alguns meses, como prova de sua submissão, no abafado quarto e, depois, com o consentimento de Madalena, passara para o interior da casa. Na verdade, em dias alternados, era chamada para dormir com sua amante. Agora, voltaria definitivamente ao desconfortável cubículo destinado às serviçais. Pela primeira vez a doméstica recebeu o tratamento de D. Dagmar e de senhora, o que produziu um grande efeito em Ângela: ela sentiu a humilhação por prestar tal respeito e isto a excitou. Tanto o novo tratamento verbal reverente como o convite para a troca de aposentos foram recebidos com um certo ar de aborrecimento, que manifestava a opinião de que aquilo já deveria ter sido feito há mais tempo e de que D.Madalena tinha sido muito tolerante: ``Afinal já deverias saber o teu lugar. E tens mesmo é que agradar as mulheres que te possuem. Não penses que vais ficar só com estas marcas, sua branca nojenta, sua indecente. Vais ganhar também as minhas. Eu estou agora é com vontade de te espancar. Vai lá dentro e pede autorização à tua dona para eu me servir de ti à vontade´´. Ao entrar no quarto de D. Madalena, esta se preparava para sair. Ângela transmitiu o pedido de D.Dagmar e recebeu a resposta: ``Hoje, só chegarei de madrugada. Vou visitar uma amiga junto com a Dra. Cristina. Vou tratar de coisas a teu respeito. Pode dizer a D. Dagmar que faça contigo o que bem quiser´´. Ângela tinha consciência de que o castigo que iria receber era merecido. Era mesmo inconcebível que durante tanto tempo não atinasse em dar um tratamento verbal mais respeitoso tanto à sua dona como à imponente e severa doméstica. Prometia a si mesma que, de agora em diante, fosse no recesso da casa como em qualquer lugar público, cuidaria para que a sua linguagem evidenciasse toda a veneração a que as duas dominadoras tinham direito. Devia, mesmo, depois da primeira vez que D. Dagmar se servira dela, ter oferecido o confortável quarto que ocupava, pois a negra demonstrara ser uma cruel amante e a possuíra de um modo tão imperioso, só possível às pessoas superiores. Este seria o menor agradecimento que poderia ter dado pelo prazer que lhe fora concedido. Assim, a punição que ia se efetivar era justa e tinha que ser grande. Nesta noite , a jovem conheceu toda a rudeza de que D.Dagmar era capaz. A bárbara amante chegou a um ponto de esgotamento físico em que a continuação dos tapas, dos pontapés e do látego era impossível. Chegara o cansaço provocado pelos múltiplos e prolongados gozos. Chegara o cansaço muscular pela força aplicada nos espancamentos. Chegaram também as horas de abraços, de beijos e de contatos estreitos das intimidades. A boca da maculada percorreu todo o negro corpo da sádica amante, fazendo as estações nos locais em que era retida quer pelas fortes mãos, quer pelas demonstrações sonoras do prazer, quer pelas ordens que lhe eram comunicadas. Quando as duas bocas se colavam, era como se a dominadora quisesse sorver a oferecida parceira. Elas se amaram, perdidamente, e uma correspondeu, integralmente, aos anseios libidinosos da outra. Quando, por fim, Ângela foi largada sobre o tapete do quarto, ainda tensa pelas contrações de seu corpo ao suportar os golpes que lhe foram infligidos, ela ainda era só desejo, vontade de prolongar aquele estado, mesmo que isto resultasse na sua própria aniquilação. Furiosamente, esfregava o seu clitóris, queria chegar ao fim daquele insuperável deleite, mas precisava mais de D. Dagmar. Esta, recostada na cama, fumando, assistia ao espetáculo do interminável gozo da outra, sabendo que só com mais castigos ela poderia atingir o orgasmo da plenitude. Então, sentou-se à beira do leito, apoiou um pé sobre o rosto de Ângela e outro sobre o ventre e, curvando-se um pouco, calcou com firmeza a brasa do seu cigarro num dos seios da permissiva moça. Por longos segundos o cigarro queimou a suave carne e a agonia que se manifestou em uivos asfixiados revelava, ao mesmo tempo, a tão procurada conclusão do extenso orgasmo. Assim, ao ser levada à casa de D. Abigail, a dócil escrava já portava em seu corpo as marcas abjetas de sua sujeição. Ao chegar com sua rainha, Ângela viu que o grupo de mulheres reunido tinha, naquele dia, o objetivo de conhecê-la e de familiarizá-la com as práticas a que suas componentes se entregavam. Foi fácil notar que das oito mulheres que lá se encontravam, quatro eram, evidentemente, pessoas marcadamente superiores, entre elas a sua conhecida Dra. Cristina. As outras três não aparentavam qualquer masculinidade, mas a autoridade transparecia: eram, de fato, rainhas. As demais presentes eram as servas, sempre as mais moças, se bem que nenhuma tão jovem quanto Ângela, naquela época com os seus vinte e poucos anos. Enquanto as cinco senhoras ficaram na sala principal bebericando, as suas moças passaram à sala ao lado, curiosas em conhecer a nova companheira e saber como ela era tratada por D. Madalena. A figura da soberana de Ângela havia impressionado às jovens submissas. Pela primeira vez, naquele grupo, tomavam contato com uma rainha negra. E mais impressionante era o contraste com a brancura, a suavidade e a juventude de sua dominada. Não eram só as moças: as próprias senhoras achavam aquele contraste terrivelmente excitante. Todas imaginaram o enorme prazer que seria o espetáculo que estavam para assistir, da rude negra impondo seu absoluto domínio sobre aquela lourinha de olhos azuis, tão formosa, tão meiga, quase uma criança. Já tinham notícias pela Dra. Cristina de como a menina era permissiva e de como o domínio da negra era brutal. Agora era importante ver o que fora contado e, depois, usar o tenro corpo. D. Madalena tinha plena consciência que era invejada pelas amigas. Sabia que naquela excitação que causara havia um profundo preconceito : a negra, que se acostumaram a ver como a doméstica, como alguém inferior, ecos do regime de escravidão, aparecia, ali, como a arrogante dona da linda jovem loura, que se mostrava inteiramente submetida ao seu império. A anfitriã manifestou-se interessadíssima em saber os detalhes da conquista e da educação de Ângela. Todas as servas foram chamadas para a sala principal e ocuparam seus lugares, no chão, ao lado de suas mestras. A rainha negra fez a narração de todos os lances da iniciação de sua consorte. Observando o interesse que seu relato provocava, descia a detalhes e exigia que Ângela confirmasse tudo e que desse uma descrição fiel das experiências que vivera. Mesmo a Dra. Cristina, que já ouvira muito do que estava sendo dito, mostrou um grande interesse pelas minúcias e pelo que ainda desconhecia. O histórico do romance entre as duas foi extenso e, quando se aproximava do final, quando D. Madalena mostrou as recentes marcas no corpo de sua escrava, uma atmosfera de excitação pairava na sala. Algumas moças, docilmente, em atendimento a ordens recebidas, há muito tinham introduzido as mãos sob as saias de suas donas, proporcionando-lhes suaves carícias. A bela morena Leonor foi a primeira escrava a se desnudar. Não era nem gorda e nem magra. Tinha um corpo de formas perfeitas, que ostentava várias marcas arroxeadas, provavelmente, da chibata, mas não possuía qualquer cicatriz. Estava sentada ao lado de D. Alice, sua severa amante, e oferecia seus perfeitos seios para os afagos grosseiros das mãos feias e descuidadas da magra dominadora. Taninha estava no colo da Dra. Cristina. Esta, a todo momento, beijava-a na boca e, pela grande abertura de um vestido desabotoado na frente, manuseava com luxúria o jovem e maltratado corpo. A ruiva e sardenta judia, escrava de D. Abigail, levantou-se e colocou a sala numa confortável penumbra. Era o convite para o desnudamento das mais desejosas de ardentes contatos. Depois colocou a um canto, sobre o tapete, a coleção de chibatas, rebenques, chicotes e varas à disposição das rainhas. Cada uma se excitava de um modo peculiar com sua serva. Leonor e Ângela beijavam com ardor os pés de suas donas. D. Abigail segurava os seios da pequena Rute, ajoelhada diante de si, e logo lhes cravou suas longas unhas, provocando a primeira manifestação de dor. Taninha levantou-se, foi até os instrumentos para o castigo, e escolheu uma vara de junco, entregando-a nas mãos da Dra. Cristina. Os olhos da advogada brilhavam de satisfação com a escolha. Sem nada dizer, a doce moça se deitou diante da implacável virago que se levantou e, firmando sob a sola de seu sapato o ofertado corpo, aplicou a vara com desmedida violência, enquanto a supliciada, sempre com os dedos no sexo, em total silêncio, deixando apenas transparecer pelo olhar a dor e o prazer, teve o seu corpo coberto de vergalhões sanguíneos. Todas assistiam com atenção ao belo espetáculo proporcionado pelas duas amantes. No momento em que sua excitação tornou-se insuportável, a mulher masculina ergueu sua subjugada pelos cabelos, estreitou-a apaixonadamente, e aos beijos a conduziu para o quarto reservado às que procuram um contato de sexos mais próximos. Imitando o comportamento da colega, Ângela, sob os olhares atentos e ansiosos da platéia, entregou a D. Madalena o terrível chicote de várias e finas tiras de couro, que todas conheciam como instrumento cortante. Foi de joelhos que ela se propôs a receber o suplício. Já no primeiro golpe, seus ombros e a base do delicado pescoço foram lanhados. A perversa algoz diversificou de lugares, golpeou rodeando a menina, não poupando mesmo o lindo rosto. Ângela foi coagida a se acariciar, o que aumentou o prazer das assistentes, vendo o gozo e a dor unidos na fisionomia e nos urros da degenerada serva. E , tomada de um verdadeiro furor, a própria supliciada ergueu seus seios nas mãos e os ofereceu à amada, sugerindo que a brutalidade dos golpes fosse intensificada. A negra rainha, sentindo-se desafiada pela escrava, aumentou o seu ímpeto, golpeou sem piedade os seios oferecidos, chutou-lhe o rosto e, empunhando o cabo do chicote, bateu, alucinadamente, no corpo quase desfalecido que se estendia à sua frente. Ninguém mais conseguia se conter. D. Abigail , fora de si, foi até Ângela e se pôs sobre a boca da vilipendiada menina para obter o depravado gozo que aquela língua estava sequiosa por oferecer. Enquanto isso, a excitada Rute se lançou entre as pernas da truculenta negra e lhe ofereceu a ternura de sua boca. Todas as moças ficaram com as suas bocas ocupadas nos oferecimentos deleitosos às mestras. Ângela conheceu as garras poderosas de D. Abigail em seus seios enquanto procurava proporcionar-lhe as mais doces sensações na vulva. Quanto mais terríveis eram os ardores das unhas dilacerando suas carnes, maior era a ternura que colocava em sua boca. Os gemidos de prazer da senhora eram acompanhados de insultos obscenos que revelavam à despudorada menina o sentimento que todas tinham em relação a ela. Ângela vivia profundamente a sua abjeção. As ofensas de D. Abigail, pronunciadas em voz alta e pausada, eram verdades que visavam à sua degradação. Eram as demais mulheres que diziam aquilo pela boca da anfitriã. Quando, satisfeita, a tirânica senhora afastou-se da moça, logo os pés magros e pálidos D. Alice se estenderam em direção à boca de Ângela em busca de afagos. A suave boca atendeu aos apelos e sua língua se enredou pelos longos dedos de unhas crescidas. Então, a um sinal de rosto, a bela Leonor apanhou a vara que tinha sido usada em Taninha, entregou-a à sua amante que, pondo-se de pé, aplicou um bárbaro castigo na viciosa escrava, revelando o caráter cruel de sua sensualidade devassa. Ângela recebeu os golpes de todos os lados de seu corpo, obrigada que foi a rolar pelo chão pelas solicitações dos chutes da megera. Em breve, a vítima de toda aquela fúria, foi invadida por quente onda de prazer e gozou desesperadamente sob o império das vergastadas. Aí, a exaltação colérica de D. Alice atingiu o limite e ela se sentou na poltrona, fez Leonor ajoelhar-se e trazer-lhe com a língua o remédio para o seu frenesi sensual. Acalmado o cio das mulheres do grupo, a escrava da anfitriã foi encarregada, como era hábito na casa, de proporcionar os bálsamos para as lesões que os castigos provocaram em Taninha e em Ângela. A bela Leonor foi com elas, não só para dar a possível colaboração, como para conhecer melhor o que ainda não sofrera e, sabia, não tardaria a sofrer. Nenhuma lamentava a outra. Pelo contrário, só havia a felicidade entre as quatro e a honra de se sentirem tão amadas e tão necessárias às sua donas. Ângela era a que apresentava os sinais mais notáveis, distribuídos por todo o corpo, com o rosto inteiramente marcado pelos chutes e pelo açoites: cada lado da face trazia os riscos sanguinolentos dos instrumentos usados por D.Madalena e por D.Alice, e os lábios já se mostravam inchados e arroxeados. E as marcas das unhas de D.Abigail davam a perceber que seriam indeléveis. Só mesmo a escuridão da noite tornaria possível a volta de Ângela para a sua casa. As quatro moças retornaram a sala e as amigas ainda comentavam com entusiasmo o espetáculo que Ângela lhes proporcionara e insistiam para D.Madalena incorporar-se definitivamente ao grupo. Até as outras três amigas que não vieram, todas ali tinham certeza, adorariam a permanência da rainha negra entre elas. Breve, D.Sandra, uma das senhoras ausentes, traria uma outra nova escrava, uma loura como Ângela, chamada Verônica, extremamente permissiva, pertencente a uma rainha de outro grupo. Enquanto D.Abigail falava com as amigas, Ângela sentia sob os curativos a ardência intensa causada por aquelas bem cuidadas mãos, com unhas longas e fortes como nunca vira e dedos enfeitados com caros anéis. Ela era uma senhora de pouco mais de quarenta anos, ainda bela, rica, com uma casa luxuosa e de extremo bom gosto, onde duas vezes por mês reunia suas amigas, todas com as mesmas preferências, para usufruírem de um espetáculo que era, ao mesmo tempo, uma delícia visual para todas e a oportunidade de se sentirem soberanas dos vários corpos de jovens submissas. A anfitriã sempre tivera uma escrava ao seu lado. Há mais de dois anos estava com a jovem Rute, por quem se encantara quando a alugou de uma rainha. Rute foi comprada e às vezes era usada com grande violência: os seios da escrava tinham as dezenas de cicatrizes sempre escondidas sob o sutiã. Mas foi a terrível D.Alice quem mais impressionou a menina. A maldade da estranha senhora se patenteou no primeiro instante em que observou Ângela, como que anunciando tudo o que iria lhe fazer sofrer pouco depois. E antes de voltarem para casa, Ângela pressentiu que, breve, seria emprestada a temida dominadora, pois que a viu mantendo uma conversa discreta com D.Madalena e as duas lhe dirigiram olhares atentos. D.Alice alugava as meninas que desejava. Era o caso de Leonor que, de fato, pertencia uma outra senhora, D.Nena, que não freqüentava o grupo de D.Abigail, e que, habitualmente, cedia a escrava em troco de dinheiro, com a condição de não lhe produzirem marcas definitivas. D.Alice era riquíssima, embora por tudo parecesse o contrário. Vestia-se mal, tinha um aspecto relaxado, e era magérrima e feia. Mas, segundo as moças que bem a conheciam, era a mais cruel de todas as mulheres do grupo. Por várias vezes Ângela foi levada às reuniões de D.Abigail e, como não podia deixar de ser, mais marcas lhe foram acrescentadas. Numa destas reuniões ela conheceu D.Sandra, uma bonita senhora casada, de belos cabelos negros compridos que se uniam numa trança que pendia a suas costas. Era uma figura que, de imediato, revelava a rainha que era. Ela se fazia acompanhar de uma escrava igualmente bela, Verônica, que usava um fino vestido preto, justo e bem transparente, equilibrando-se sobre sandálias dourados de saltos altíssimos. A escrava trazia uma grossa corrente de ouro num dos tornozelos, com o nome de sua proprietária: D.Sarah. Já há algumas reuniões, as senhoras do grupo aguardavam a presença de D.Sandra com esta escrava, mas só há três dias ela conseguira o empréstimo. Muito embora Ângela acreditasse que sua disponibilidade fosse absoluta, e sua rainha fosse sempre elogiada pelas outras por ter imposto na serva uma tal aceitação dos perversos prazeres, a visão do corpo nu de Verônica assustou a menina e lhe colocou dúvidas sobre a possibilidade de ir até o ponto da companheira de destino. As senhoras do grupo foram tomadas de uma forte emoção libidinosa, exceto D.Alice, que já havia se servido da escrava Verônica. O corpo da escrava apresentava os sinais de que fora usado sem qualquer restrição. As marcas do chicote espalhavam-se. Os pontos onde o cigarro aceso se apagou contavam-se às dezenas, sobretudo nos seios. E os seios, grandes e rijos, que deviam ter sido maravilhosos, apresentavam uma verdadeira devastação: as cicatrizes eram numerosas, algumas provocadas pelo açoite e outras por instrumentos de corte. Eram profundas cicatrizes. Os seios traziam duas grossas argolas penduradas no círculo róseo. Era a própria D.Sandra que apresentava os sinais da escrava e esta, algumas vezes dava detalhes de como obtivera tais sinais da perversidade. Na verdade, os seios da escrava só poderiam ser admirados quando a excitação já havia começado. Havia um imenso orgulho na fisionomia de Verônica ao se deixar contemplar e ao expor as minúcias da ação de seus algozes. A permissiva moça era facilmente excitável e, uma vez entrando no caminho do gozo, tudo lhe poderia ser feito. As rainhas presentes usaram todos os tipos de açoites no corpo massacrado da bela jovem loura e todas visavam ao mesmo objetivo: tirar sangue. Enquanto isso, a escrava, sempre se masturbando, parecia estar num interminável orgasmo. Mais tarde, a sós, D.Madalena perguntou à sua assustada menina o que havia achado da escrava que conhecera àquela noite. Ângela não soube o que dizer. Mas a sua rainha, sem qualquer disfarce, disse-lhe que iriam fazer com ela tudo que foi feito com Verônica: era uma questão de tempo. E a negra foi peremptória: ``Não vais colocar qualquer dificuldade. D. Alice está ansiosa para começar e a tua D. Dagmar vai colaborar muito. Eu vou te entregar com mais freqüência aos cuidados da minha prima´´. D. Madalena aceitou o convite feito por D.Sandra e, junto com sua escrava, compareceu à casa de D.Zoraide, num lugar tranqüilo na serra. O convite fora para um fim de semana. Embora houvesse um predomínio feminino, tais reuniões aceitavam também senhores, desde que suas preferências libidinosas estivessem em consonância com as das senhoras. A própria D.Sandra ia a estas reuniões quase sempre acompanhada do senhor Celso, seu marido. Nas três primeiras vezes que compareceu às reuniões da luxuriosa D.Zoraide, D.Madalena e sua submissa companheira limitaram-se mais a assistir do que a participar, pois a presença de alguns cavalheiros as limitavam nas suas manifestações. Mesmo assim, quando era impossível conter a excitação, Ângela saía da ordinária posição ao lado da soberana, onde, como de hábito, se ocupava com as carícias nos negros pés, para abrir caminho com o rosto entre as grossas coxas e pousar a sua boca no sexo ardente da amada. Só por ocasião da terrível e desbragada noite, em que Verônica apresentou os seios cravados por alfinetes, começou uma participação efetiva das duas. O prazer visual de sua dona fora tamanho, que ela não pôde se furtar ao sádico desejo de pisar aqueles seios quase inteiramente cobertos pelas cabeças coloridas das pequenas e finas hastes metálicas . Ela calcou os pés nos maltratados seios de Verônica, para que fossem mais profundamente penetrados, enquanto Ângela, com sua língua, excitava a vítima até um louco orgasmo. A ira de D.Madalena ao pisar a depravada moça provocou uma dissoluta emoção em todos os assistentes, sobretudo na dona da casa, que acorreu a dar apoio à rainha negra para que, vitoriosamente, se firmasse ereta com os dois pés sobre os volumosos seios da condescendente moça. A observação das reações das senhoras dos dois grupos que freqüentava trouxe a Ângela uma certeza: quanto maior era a submissão mostrada pelas escravas, maior a excitação que despertavam. Mas era uma excitação envolvida com ódio. As imagens dos mais terríveis castigos que infligiam provocavam um ilimitado rancor nas rainhas e, em conseqüência, um acréscimo de violência. Ângela tinha a impressão de que, caso não se desse o orgasmo nas imperiosas mulheres, haveria o risco de o ímpeto libertino perder-se numa tal desmesura que redundasse até mesmo no decesso das submissas moças. A reação das rainhas parecia ser a de quem punisse a degradação das escravas: para uma degradação sem limites, o castigo sem limites. O grande prazer só se instalava quando a violência estava unida ao ódio E à medida que a escrava, também excitada, aceitava e instigava a violência, esta violência não podia deixar de crescer, pois que a imagem da complacência à própria abjeção despertava um exaltado rancor nas algozes e justificava maior punição. A degradação não se manifestava só nos castigos físicos: ela podia- se dar no cotidiano. A relação rainha e escrava é um processo sem fim: o domínio exige uma progressiva aniquilação da escrava. A todo instante a submetida está projetando a imagem da sua degradação e, daí, acentuando na sua dominadora o sentimento de rancor que vai acarretar mais domínio e mais violência. O amor e a ternura crescente das submissas incitam o ódio e a violência das dominadoras. Ódio e violência visam à aniquilação. A aniquilação é o que está sendo buscado na relação rainha e escrava: é o fim comum a que as duas se propõem. Sabendo de tudo isso, na noite que se seguiu ao espetáculo da escrava com os seios furados pelos alfinetes, no momento em que proporcionava carícias à sua rainha negra, Ângela ofereceu-lhe dois grandes alfinetes de ouro terminados numa cabeça de pérola: duas joias que estavam guardadas entre outras relíquias familiares. A dominadora, de imediato, compreendeu a sugestão da dádiva, viu o desejo e a subserviência estampados na jovem fisionomia, e tomada por imensa raiva, golpeou por várias vezes o rosto da menina com a sola de seu sapato. Amainada a fúria, enquanto a menina , ajoelhada, se masturbava, a rancorosa senhora atravessou cada mamilo da escrava com um daqueles alfinetes. Os grunhidos de dor e volúpia que foram emitidos provocaram uma descontrolada ira libidinosa em D. Dagmar, que a tudo acompanhava com atenção. No momento em que a prima puxava com força os belos seios penetrados pelos estiletes, ela viu que tinha o consentimento para despejar seu enorme rancor sobre o fresco e disponível corpo. Foi uma grossa corda de juta que serviu de instrumento para a sevícia. A empregada negra, assumindo agora o seu caráter de rainha, impôs a Ângela, nua e estendida no chão, uma sucessão de golpes descarregados com tamanho ímpeto que logo os lanhos vermelhos cobriam toda a superfície de suas brancas e complacentes carnes. Enquanto foi castigada, ela não tirou por momento algum os dedos de seu sexo, o que lhe provocava um infernal prazer, o desejo de que o suplício não cessasse e os pedidos de maior vigor nas vergastadas. Aquela concordância com o martírio acicatava o furor da rainha e a necessidade que sentia de reduzir a nada aquela depravada e abjeta loura. Com os braços doendo pela força aplicada nos golpes, inteiramente coberta de suor, alucinada de tanto gozo, a perversa soberana arrastou a escrava pelos cabelos até a mais próxima poltrona, sentou-se e obrigou o corpo macerado a se ajoelhar entre suas musculosas coxas para que ela pudesse receber os suaves lábios em sua ardente vagina, até que eles, finalmente, lhe desencadeassem o orgasmo restaurador. Ao mesmo tempo, D.Madalena conclui a apaixonada contemplação do implacável castigo imposto a sua submissa presa e a conduz ao banheiro para o ritual da bebida dos fluidos consagradores do aviltamento de Ângela e da primazia das duas dominadoras. A união de D.Madalena e Ângela completara quatro anos sem qualquer esmorecimento. Pelo contrário, as duas estavam constantemente expressando a solidez do laço que as prendia uma à outra. Não havia dia em que a moça não sentisse a força crescente da vontade enérgica de sua excelsa senhora e, em conseqüência, a dependência que experimentava mostrava-se mais acentuada e mais envolvente. A loura escrava não mais podia imaginar a vida sem a autoritária rainha negra. Esta era a verdadeira divindade merecedora de seu culto, a divindade exigente, punitiva, capaz de lhe produzir o mais desvairado prazer através das mais atrozes dores. Divindade que lhe concedeu esta outra rainha, igualmente tirana, esta D.Dagmar arrogante, impositiva, que dela se serve com tanta crueldade e tanto amor. Ângela sabia o quanto era feliz por pertencer a tão privilegiadas mulheres, mulheres que lhe infligiam as punições mais implacáveis e as carícias mais ternas. Mulheres que se permitiam receber o seu alucinado amor. Os castigos não eram a única via usada para a obtenção do prazer entre elas. Muitas vezes a fúria do flagelo e dos espancamentos era substituída pelos suaves enlaces, pelos beijos ardentes, pelos contatos íntimos entre os sexos, pelos lúbricos afagos e pela permissão de que a apaixonada boca da gentil serva pudesse dispensar seus afetuosos obséquios nos corpos das magnificentes soberanas em retribuição a tudo que elas lhe proporcionavam. Sentada sobre o tapete, ao lado da poltrona de sua dominadora, passando a escova em seus longos e dourados cabelos, Ângela foi tomada por uma veemente onda de alegria com a sua situação. Então, abandonou o que fazia, curvou-se sobre a banqueta onde D.Madalena apoiava os pés, abraçou-os e beijou-os com sublime adoração, deixando que seus cabelos os envolvessem e, após longos minutos de fervorosa prostração, retirou seus lábios dos imperiosos fetiches e, com os olhos molhados pelas lágrimas da paixão e da bem-aventurança, implorou: ``Por favor, minha adorada senhora, minha deusa. Nunca me abandone. Eu só existo para ser sua, inteiramente sua. Faça o que quiser de mim. A senhora sabe que eu aceito tudo. Eu vivo pela senhora. Prefiro morrer em suas mãos a viver longe da senhora. Por favor, prometa que nunca me abandonará´´. D.Madalena sorriu com a extremada manifestação da chama amorosa que sabia arder dentro da sua submissa enamorada, puxou-a pelos cabelos, fazendo-a sentar em seu colo, abraçou-a fortemente, colou seus lábios nos lábios da arrebatada amante e, assim unidas permaneceram alheias ao passar do tempo. Quando D.Dagmar entrou na sala, ainda contemplou o esfogueado enlace. Depois, Ângela foi lançada brutalmente ao chão e, no auge da excitação, ouviu sua dona, com uma voz que traía uma grande comoção libidinosa, pedir: ``Dagmar, por favor, meta o chicote com toda a violência possível nesta vagabunda devassa. Castigue-a à sua vontade. Sirva-se dela como quiser´´. A disciplina da voluntariosa D.Dagmar foi terrível. Os urros abafados de Ângela sob o látego inclemente da magnífica dominadora negra atestavam a crueldade dos golpes, a intensidade das dores e o inexcedível prazer da bela escrava. A punição cessou quando as duas rainhas não mais toleravam a força da libido pedindo satisfação. D.Dagmar ainda calcou com o salto agudo de seu tamanco um dos suaves seios de sua vítima antes de se sentar no sofá para onde sua prima se deslocara. Então, a violentada ajoelhou-se diante das ferozes dominadoras e, num revezamento de carícias, usando simultaneamente suas doces mãos e seus meigos lábios, com reverência e empenho, levou as duas ao exaltado e prazeroso término da grande perturbação sensual. Aí, estirando-se no chão, recebendo sobre o rosto e sobre os seios os amados pés de suas donas, ela pôde se tocar em seu centro de lascívia e atingir a sagrada gratificação do orgasmo. Nesta noite, deitada na estreita cama do pequeno quarto ancilar, com o forte gosto da urina que suas amadas lhe fizeram sorver, com a ardência dos lanhos e dos cortes oriundos dos golpes do chicote, com o dolorido das contusões causadas pelos pontapés e pelos saltos dos diabólicos tamancos de D.Dagmar, Ângela era só felicidade. Era como se as duas amadas estivessem ao seu lado por meio de tudo isso que sentia. Suavemente, ela recomeçou a se acariciar, relembrando-se do que acontecera há pouco, relembrando-se de outros castigos, de outros contatos. Os gozos se sucediam, não era possível deixar de continuar, havia sempre um novo estímulo. Amanheceu e a bela escrava continuava acesa em sua cama, bendizendo a graça de servir a tais divindades. Ângela terminou sendo inteiramente liberada por sua dona para os freqüentadores da casa de D.Zoraide, como já tinha sido para as freqüentadoras da casa de D. Abigail. Foi usada por todas as rainhas, sofreu de todas os mais severos castigos, ofereceu a sua boca para as mais obscenas delícias e , por fim, deixou-se conspurcar pelas mãos dos poucos homens que eram recebidos naquelas reuniões de D.Zoraide. O senhor Celso foi cruel na aplicação do chicote, sempre estimulado pelas obscenidades pronunciadas por D.Sandra, sua sádica esposa. Por essa época, a escrava já desconfiava de que sua dona era recompensada financeiramente por cedê-la aos tirânicos instintos daquelas imperiosas senhoras. A certeza veio quando D.Alice visitou-as no apartamento e manteve uma longa e reservada conversa com D.Madalena, concluída com a assinatura de um cheque. Ao se despedir da temível senhora, a escrava recebeu um forte apertão de dedos num dos seios, enquanto lhe era dito: ``Vais te preparando que amanhã à tarde virei te buscar. Tua dona permitiu que eu te leve para o meu sítio. Quero que fiques comigo uma boa temporada´´. No dia seguinte Ângela partiu com D.Alice, que se fazia acompanhar por uma menina de dezesseis anos, uma linda escrava negra que lhe fora vendida por um depravado senhor. Durante vários dias Ângela experimentou os rigores da perversa dominadora, a sua fúria bestial, as punições exacerbadas e extensas que, por vezes, a fizeram temer por sua sorte. Foram dias em que passou pela grande experiência do medo, da dor sem prazer, do jugo absoluto a que estava submetida e do qual não podia escapar. Não havia mais retorno no ponto em que chegara. Todavia, quando parecia não mais poder suportar os suplícios que a rainha não cessava de impor, eis que a consciência do abandono a que estava reduzida, de sua total fraqueza e de sua plena degradação operou uma transmutação: tudo passou a ser fonte do prazer mais intenso. O seu aviltamento por D.Alice, com as mais impudicas demonstrações de crueldade, tornou-se um inebriante manancial dos mais ardentes gozos. As horas em que esteve acorrentada ao muro da pequena masmorra escondida na sede da fazenda, com o corpo indefeso submetido ao látego imposto pelas nervosas mãos da rainha, emitindo lancinantes gritos ao ser cortada pelo couro, mas recebendo de momentos a momentos os cálidos lábios da outra escrava em seu sexo vibrante de desejo, foram horas das mais desesperadas delícias. O próprio fato de estar quase sempre amarrada e a dificuldade de movimentos acarretada, precisando para tudo do auxílio da outra companheira de servidão, favoreciam a sua profunda experiência de sujeição, criando as condições para um permanente estado de exasperada lubricidade. Quando as suas mãos estavam impedidas de proporcionarem a si mesma a satisfação ambicionada, a pequena serva negra dava-lhe os estímulos manuais ou bucais para alcançar os seguidos gozos. D.Alice fazia questão de que Ângela se sentisse sempre limitada. Até mesmo nas ocasiões em que a soberana usava a suculenta boca da disponível escrava, alguma amarra deveria mostrar-lhe que não era livre. Um dos quartos da casa possuía uma cama de ferro que tornava possível a realização de qualquer fantasia que envolvesse liames e foi nessa cama que, com os pés e as mãos algemados aos ferros da cabeceira e do estrado, Ângela recebeu a segunda marca da brasa de cigarro. O cigarro foi meticulosamente aplicado no mesmo seio da marca anterior, logo ao lado da outra cicatriz, como para mostrar que, pela sua maior profundidade e maior circunferência, esta marca fora imposta por uma rainha imperiosa e arrogante. Enquanto o cigarro era calcado na carne do macio seio, Ângela recebia as benesses da língua ágil da menina escrava em seu clitóris e , no momento em que a brasa se extinguiu, foi a própria D.Alice que montando em seu rosto procurou a concretização do prazer na boca oferecida da estigmatizada. Depois de tantas expiações a que foi submetida pela implacável rainha, chegou o dia em que, nua e algemada, Ângela foi introduzida numa recôndita sala da casa, onde já se encontravam alguns convidados de D.Alice. As visitas se entregavam às libações alcoólicas quando ela foi colocada num banco no centro do grupo e, assim, todos puderam contemplar as antigas e novas marcas portadas pela escrava. O primeiro comentário que Ângela guardou, quando sentada naquele frio banco de ferro, inteiramente à disposição dos cavalheiros e das senhoras, foi feito pela famosa D.Sarah, convidada de honra para aquela ocasião: ``A negra fez um belo serviço na garota e você, cara Alice, está complementando. Quem sabe se eu não poderei colocar a pedra final´´. Pouco depois, chegou o marido de D.Sarah trazendo um estranho convidado que, pelas manifestações já era um velho conhecido de todos. Tratava-se de um anão disforme e que foi recebido ansiosamente pelo grupo, pois iria proporcionar o espetáculo da noite. Enquanto o anão era servido, os presentes iam se entregando às devassas sensações. Todos os presentes eram acariciados por escravas, quase todas desconhecidas de Ângela. Eram cinco convidados, três homens e duas mulheres, que se faziam acompanhar de outras tantas moças, todas belas e dóceis. Só o anão não se fazia acompanhar e , logo, Ângela compreendeu a razão. Ele se aproximou do banco em que estava sentada, segurou a sua cabeça com as duas mãos e puxou-a em direção de seus lábios. Foi um beijo molhado, ardente e longo. Quando a soltou, ela sentiu que os lábios sangravam do contato estreito com os dentes do horrendo homenzinho. Então, ele retirou as roupas e a virgem escrava pôde ver o gigantesco membro do anão, totalmente, ereto. Nisso, a outra menina de D.Alice colocou próximo aos dois uma grande almofada cilíndrica e o monstruoso macho ordenou a Ângela que se colocasse de bruços sobre o tal artefato. Ninguém mais falou. O clima era de licenciosa tensão. Todos viram o anão lubrificar a entrada do impenetrado ânus da depravada serva e, sem se deter por um momento, entre os gritos desesperados da violada, introduzir-se por inteiro no virgem canal. Os urros emitidos pela desesperada vítima estimularam a depravada sensibilidade de todos os assistentes e provocaram um incontrolável ímpeto no vicioso pigmeu que, inteiramente apoiado sobre a jovem, parecia querer dilacerar-lhe as entranhas com seus rápidos e violentos movimentos. Foi um coito que todos sabiam ser terrível e que o imoral anão prolongou ao máximo, até mesmo quando sentiu a vítima desfalecer. Desmaiada, mas ainda cravada pelo grotesco macho, a permissiva fêmea não pôde sentir o selvático orgasmo da medonha figura que, entre socos e vis palavras, inundou-a com seu esperma. Levada no colo do Coronel para um quarto contíguo, o devasso auditório ainda ouviu os grunhidos da escrava na nova penetração efetuada pelo militar. Todos os presentes desfrutaram de uma longa noite de prazer. Depois disso, Ângela ainda demorou-se mais dias sob o império de D.Alice e, quando foi entregue à sua rainha, as feridas do perverso tratamento ainda estavam vivas. D.Madalena recebeu a sua menina e quando se despediu da outra dominadora, acrescentou: ``Disponha sempre que quiser´´. A narração minuciosa de tudo que sofreu nas mãos de D.Alice provocou uma espécie de ciúme nas duas negras que redobraram a ferocidade nas relações libidinosas com Ângela. D.Dagmar, para satisfação de todas, mostrava-se cada vez mais desejosa de impor-se à ``bela branquela´´, como gostava de se referir à submissa amante. Ângela já não sabia mais qual era a sua verdadeira dona, qual era a sua verdadeira paixão. Algumas vezes lhe parecia que D.Madalena se cansava dela. Então, a moça redobrava-se em suas obedientes carícias, nos afagos aos impertinentes pés, e sempre obtinha a recompensa almejada. E Ângela também via o prazer na fisionomia da amada quando ela contemplava sua sujeição ao império de D.Dagmar, sempre desmesurado, sempre deixando cicatrizes. Não era somente a imposição do chicote e da vara que colaboravam para o crescente aviltamento da disponível serva. Era também o rude tratamento verbal, a viciosa dependência para obter o prazer dos sexos colados, o desejo incontido de sentir sua boca sendo usada. As duas rainhas passaram a exigir um mais absorvente culto ao líquido dourado e Ângela permitiu-se ser o bispote sempre à disposição daqueles mornos fluidos. Quando chegou o convite para um fim de semana em casa de D.Sarah, convite já há muito esperado por D.Madalena, veio a resolução de desvirginizar a escrava. Não seria possível evitar os desregramentos característicos do grupo de D.Sarah, sobretudo pela presença de um bom número de senhores libertinos dispostos a infligir os mais devassos tratamentos às escravas. Ângela deveria perder a virgindade com as suas donas, numa cerimônia que lhe fosse bem marcante. Isso as duas rainhas lhe proporcionaram. Numa noite em que gozava sob os tamancos e o açoite de D.Dagmar, viu a sua temível rainha negra entrar no quarto usando uma cinta a qual estava preso um enorme falo de borracha. Pela experiência que já tivera com o anão, Ângela foi tomada de pavor, sobretudo ao considerar as dimensões daquele órgão artificial. Mas um violento tapa no rosto, aplicado pela implacável D.Madalena, jogou-a sobre a cama e ela não teve condições de se furtar à ordem de abrir as pernas para receber a autoritária amante negra. Ao lado das duas, assistindo atentamente , estava D.Dagmar, ansiosa pelos sinais do estupro. D.Madalena, apesar de toda a lubrificação do instrumento, sentia a resistência à penetração. Isso a enraivecia e excitava. Forçou a passagem com todo o seu peso e sentiu que vencia a resistência da virgem vulva. Enquanto usava todas as suas forças, agarrou os cabelos louros da escrava, puxando-os com toda a violência possível, para que ela contemplasse o rosto de sua violadora e ouvisse melhor as pesadas obscenidades que proferia. Os urros e gemidos da violada eram abafados pelas potentes mãos de D.Dagmar que lhe comprimiam a boca. Já o lençol se empapava com o sangue do defloramento e a penetração não se completara. A negra num derradeiro impulso sentiu os lábios vaginais colarem-se à sua cinta. Ângela estava terrivelmente pálida, suava frio e não mais gritava. Eram apenas surdos gemidos de um corpo esgotado, inteiramente entregue. Então, a rainha desvencilhou-se da cinta, firmou o volumoso membro na vagina da escrava e montando sobre a cabeça da dilacerada fêmea procurou a ternura da suave boca em seu sexo.