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Dieta Dominante

Sempre no mesmo horário ele desligava a televisão. Tinha ódio. Não queria olhar pra aquilo nunca mais... Era responsável, tinha completa noção disso e isso que lhe deixava cada vez com mais ódio, não do programa, mas de si mesmo. Um ano antes... Ele tinha uma boa noção de beleza, por sinal, sempre teve. Muitos consideram mulheres gordinhas feias, ele via a beleza delas através daquilo, mas nunca escondeu que seu padrão de beleza era realmente uma mulher mais magra. Em média, as melhores escravas eram aquelas mais cheinhas porque, de uma forma ou de outra, eram rejeitadas ou sofriam mais, por isso sempre davam mais valor quando caíam em mãos de um bom dominador. Esse era o seu conceito e não estava muito longe da realidade. Escravas com corpo mais esbelto mudavam de dominador como mudavam de roupa, e justamente por ter maiores opções de escolha se tornavam exigentes e egoístas. Por fim, ele se contentava com o fato de ter uma ótima escrava que nunca lhe impunha limites era humilde e lhe amava, porém com um corpo que nunca lhe agradou. Era muito bonita de rosto, porém, ele QUERIA uma escrava com um corpo mais esbelto. Então, teve uma idéia brilhante: se ela lhe pertencia e ele, de fato, tinha total poder sobre ela, também poderia controlar sua alimentação, dar missões a ela e moldar seu corpo de acordo com seus desejos e vontades. Um mês planejando, conversando com outros colegas dominadores que eram nutricionistas, donos de academia e médicos, ele finalmente conseguiu uma dieta ideal que a faria perder dez quilos por mês. Depois de uma sessão no início do ano, ele veio com a bomba: - Minha escrava, eu lhe adoro e sempre lhe desejei o melhor, porém, você sabe que seu corpo nunca em agradou. Ela estava quieta, nitidamente constrangida e dava sinais de tristeza. - Então decidi corrigir isso. Você me pertence? Confia em mim? Ela disse um tímido “sim” cada vez mais constrangida. - Fará tudo e absolutamente TUDO que eu desejar? Ela retorquiu com um seco, porém firme “Sou sua!”. Ele abriu um largo sorriso e lhe deu uma lista. Explicou a ela que conversou com um colega que era dono de uma academia e que a estaria esperando todos os dias pra que fizessem exercícios pra poder perder o peso estipulado. Ela iria perder dez quilos por mês senão, seria punida: ficaria sem sessões por um mês e no início de cada mês e fim do mesmo seria pesada, portando não havia jeito dela fugir. Ela protestou, disse que não comeria como um passarinho e que continuaria fumando. Ele a olhou de soslaio, e então ela sabia que não tinha escapatória e que dessa vez, não havia jeito de negociar. Ou era aquilo ou ela poderia entregar a coleira. Timidamente ela começou, com muita dificuldade a seguir a dieta. Seu fôlego melhorara nitidamente e as sessões começaram a ficar melhores. Depois de um mês havia perdido dez quilos e seu esforço foi recompensado por seu Dono com um belo jantar a luz de velas e uma sessão inesquecível. Isso lhe dera forças pra continuar. O segundo mês foi mais fácil, pois agora as coisas começavam a se tornar rotina. Ela ia a academia regularmente, como estava há um mês sem fumar, já não sentia tanta falta do cigarro, acabou se acostumando também a comer as quantidades determinadas nas listas que ele freqüentemente lhe passava e tudo seguia bem. Ele estava muito satisfeito. Comprou roupas novas pra sua escrava e ela começava aos poucos a mostrar sua exuberância. Era realmente linda e a medida que perdia peso ia começando a mostrar que faria inveja mesmo aquelas escravas que sempre lhe rejeitavam. Teria uma quase uma modelo fotográfica em mãos. Ela por sua vez, estava feliz, pois seu Dono estava feliz. Porém, no terceiro mês e com 30 quilos a menos as coisas começaram a mudar. Ela já não apresentava o mesmo corpo que antes, a diferença era enorme e ela passara a valorizar cada vez sua silhueta no espelho. Agora não era mais por seu Dono, mas por si mesma. Queria chegar no ponto estipulado, queria ver como ia ficar, os resultados eram bons e ela estava gostando cada vez mais disso. Pequenas discussões começaram a despontar. Ela já não aceitava mais tudo que seu Dono lhe impunha, tinha que cuidar de seu corpo e agora, não podia mais ir pra academia com marcas nas costas e na bunda. Era difícil fazer exercícios com o corpo dolorido de uma sessão extenuante do dia anterior. Também começou a exigir mais atenção e carinho de seu Dono, que só agora percebia, pois agora recebia cantadas e já começavam a aparecer outros Dono interessados em lhe ter. No quarto mês as coisas começaram a se complicar, ela estava se aproximando de seu peso ideal, faltavam apenas dois meses pra completar a dieta e ela faltou a duas sessões seguidas. Seu Dono estava possesso. Ele lhe pedia explicações e ela lhe dava qualquer explicação furada: médico, dentista, qualquer coisa. Ele sabia que eram desculpas pois isso nunca a tinha impedido antes, ela sempre arrumava um jeito de comparecer as sessões, fizesse chuva ou sol. Era fiel e sempre estivera com ele desde o início. As discussões se tornaram mais freqüentes. Ela começava a falar de coisas e desejos que nunca falara antes, se sentia corajosa, desafiava seu Dono, lhe dizia que não gostava de determinadas práticas mas que nunca falara antes por medo de reeprensão. Ele ouvia tudo boquiaberto. Sempre fora compreensivo e sempre dera espaço pra ela se manifestar, porque então, só agora ela vinha lhe falar tais coisas? O quinto mês marcou a separação dos dois. Ela apareceu fora do horário, ele já estava irritado. As coisas realmente não iam bem. Ele conferiu o peso dela e ela não atingiu a meta de dez quilos, por sinal, passara bem longe disso: perdera 6 quilos, o que já estava ótimo, mas ele não se sentia satisfeito. Ele lhe disse que naquele mês não teria sessão e não apenas isso, que no próximo teria que vir com 14 quilos a menos. Ela protestou, eles brigaram e ela quase lhe atirou a coleira na cara. No outro dia ele receberia um email dela se desculpando, pedindo uma sessão, email que ele não respondeu. Na próxima semana ele receberia vários emails dela que ele lia mas displicicentemente não respondia. Seu último email dava uma mensagem clara: “Se é assim, ótimo, no próximo mês nos veremos. Cumprirei a meta.”. Ele não respondeu, pra variar. No dia e na data marcada do último mês ela apareceu, linda, com coleira e um belo vestido de seda branco, símbolo da submissão. Ele estava encantado, finalmente conseguira o que queria. Ele a pesou, ela perdera 14 quilos e estava em seu peso ideal, por sinal, um pouco mais magra. Em 6 meses, perdera 60 quilos, algo impensável, até mesmo pra ela. Estava em forma, tinha largado o fumo, seu corpo era perfeito em proporções e ainda por cima era lindíssima. Seu Dono estava muito satisfeito. Porém, após a pesagem ela retirou a coleira do pescoço e lhe disse: - Bem, me desculpe, mas aqui está sua coleira. Ele a pegou, sem entender nada. - Nesse mês que ficamos sem conversar, arrumei outro Dono, amigo seu por sinal, o dono da academia. Há muito ele vinha falando comigo. Estava boquiaberto, não sabia o que dizer. - Bem, você exigiu que eu ficasse perfeita pra você, mas você não ficou perfeito pra mim... Olhe pra você! Tem uma barriguinha bem saliente, não está em forma e nem ao menos me deu a atenção que eu precisava! Quero mais. Você não serve mais pra mim. Por isso estou lhe entregando a coleira. Passar bem. Ele pensou em explodir, gritar, brigar mas se conteve. Só ouviu um “Tchau” duro e seco, com ela se virando e saindo pela porta... do lado de fora seu novo Dono a esperava, com roupas agarradas de academia, óculos escuros e em plena forma física. Ouvia-se os risos do lado de fora da porta quando saíram. Ele permaneceu no quarto desconsolado. Não sabia se chorava, gritava ou se atirava pela janela. Os meses se passaram, ele não teve novas escravas. Estava cansado do BDSM, estava cansado de tudo. Não queria mais saber de problemas pra si. Ligou a TV e num relance disse: “Não... Não pode ser!”. Esperou, uma nova propaganda apareceu, estava colado na poltrona... Sim, sem dúvida era ela. Sua ex-escrava tinha sido uma das escolhidas pro Big Brother Brasil.