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Marcelo e Seu Feliz Casamento
Quando, pela manhã, conforme o desconhecido mandara, Marcelo bateu à porta do quarto , encontrou os dois tomando o café matinal, sentados diante de uma pequena mesa. Gisela estava linda e revelava todo o seu corpo sob a sua pequenina camisola nupcial : ela era a imagem da felicidade. Logo, o olhar do marido se dirigiu para a cama, como a procurar algo de importante, e lá, nos lençóis, constatou os sinais sanguinolentos da defloração de sua esposa. Excitado com o que via, ficou por algum tempo contemplando o leito, quando a voz do autor daquele trabalho tirou-o da contemplação: ``Foi difícil, mas ela está aberta´´.
O homem pronunciou tais palavras ainda sentado à mesa do café, inteiramente nu, sério, e Marcelo sentiu o desprezo que ele lhe votava. Aquele macho jamais poderia entender como alguém, a mando de outro, se dispusesse a entregar a sua própria esposa, na noite das bodas, para ser desvirginizada por um estranho. E o estranho apresentou-se como o motorista do Dr. Neiva, disse que se chamava Wilson e que tinha a incumbência de, à tarde, conduzi-los para a casa de campo do patrão. Mas, antes, queria penetrar mais a recém casada e, como ela mesma lhe pedira, o faria na frente dele, o marido. Tal perspectiva atiçou mais a libido do rude macho, que puxou Gisela para o seu colo, envolveu-a com seus braços, e os dois se beijaram longamente. Quando se soltaram, ele disse em poucas palavras o que sentia: ``Sua esposa é uma mulher muito especial. Por trás ela estava escancarada, mas na frente estava apertadíssima. Ela nunca vai esquecer que fui eu que a fiz mulher´´.
Aí, retornaram ao leito, enquanto Marcelo, sentado numa cadeira próxima, assistia, todo esfogueado, aos gemidos da esposa possuída por aquele macho competente e voraz. Compreendeu que o homem tinha sido escolhido pelo tamanho do membro e que, portanto, os gemidos de Gisela deviam ser uma mistura de gozo e sofrimento, mistura essa que produzia aquela indisfarçável fisionomia de prazer. Num momento em que o gozo dos dois mostrava-se alucinado, o olhar da esposa em êxtase procurou o olhar cúmplice do marido, como a lhe agradecer por tudo que sentia. Neste instante, Marcelo não mais suportando reter a paixão que vivia, retirou o seu membro da calça toda molhada e, abertamente, começou a se masturbar, acompanhando o ritmo do vigoroso amante. Viu a aprovação pelo que fazia estampada na face de sua mulher que, para lhe dar mais prazer , puxou mais o macho para si, envolvendo-o com suas pernas, para que a penetração fosse total. Marcelo contemplava, atentamente todos os movimentos dos amantes e via o detalhe do grande falo entrando e saindo da encantadora vagina . Enquanto os dois na cama atingiam, entre incontidos ruídos, mais um orgasmo, ele, pela primeira vez ao mesmo tempo, inteiramente dominado pela luxúria que o ato de ver lhe proporcionava, atingia uma plenitude até então não sonhada.
Ao saírem do hotel, Marcelo e Gisela foram conduzidos para a casa de campo. Repetia-se o fato da véspera, quando foram ao encontro do desconhecido. Não sabiam quem era este Dr. Neiva. Sabiam, apenas, e isto era o suficiente, que tudo fora planejado por Raul. A disponibilidade do casal era absoluta. Marcelo viajava sozinho no banco de trás e tentava imaginar o que poderia acontecer de interessante em sua lua-de-mel. Dissera ao tio que poderia ausentar-se do trabalho por quinze dias: havia pois muito tempo para os mais imprevistos acontecimentos. Durante a viagem, Gisela mostrava-se toda encantada com o seu violador. Os dois estavam alegres e ele era, freqüentemente, acariciado por ela, que fazia questão de revelar o seu agradecimento e a sua satisfação pelo que lhe fizera. Ao chegarem, ela beijou o motorista com ardor e fez questão de que o marido lhe entregasse um cartão de visitas com o endereço deles. Aquele macho teria, ainda, muito o que proporcionar ao jovem casal. Um empregado recebeu os casados, introduzindo-os na bela casa de pedras e comunicando-lhes que o patrão estava ausente e só voltaria, acompanhado de uns amigos, pela hora do jantar. A casa era ampla, toda decorada em estilo colonial, com pesados móveis rústicos, sofás e poltronas de couro escurecido, quadros de extremo bom gosto, quase todos num claro-escuro. Havia uma profusão de imagens barrocas, todas originais. Marcelo, por uma porta entreaberta, vislumbrou uma enorme biblioteca. A casa dava uma impressão de isolamento, era sombria, mas era também aconchegante. O empregado acompanhou-os até o andar superior e comunicou-lhes que ficariam em quartos separados, porém vizinhos. Era evidente que o empregado, pelo sorriso zombeteiro, já estava a par da situação dos novos hóspedes.
Quando Marcelo, após um descanso na cama de solteiro do quarto que lhe fora destinado, acabara de tomar uma ducha morna e se enxugava, foi avisado pelo empregado de que deveria apressar-se , pois o dono da casa já chegara e queria conhecê-los. Rapidamente vestiu-se e chamou Gisela no quarto ao lado. Ela já estava pronta. Usava um vestido novo, exageradamente curto e justo, revelador de suas belas coxas, com um decote generoso. Marcelo tinha certeza de que nada ela usava por baixo e de que num cruzar de pernas todos poderiam ver seu sexo que mal acabara de ser inaugurado. O tamancos vermelhos de saltos altos evidenciavam os belos pés da moça e lhe davam uma áurea de sensualidade. Sua aparência era a de uma fêmea totalmente disponível.
Ao chegarem na sala onde o Dr. Neiva se encontrava com os dois amigos, foram saudados com extrema delicadeza, sendo apresentados como os sobrinhos do seu velho amigo Raul. Logo ficaram sabendo que o hospedeiro era um desembargador, figura conhecida nos meios jurídicos, autor de inúmeros livros de direito. O Dr. Neiva era um homem próximo dos sessenta anos, alto, saudável, magro, cabelos lisos e bem penteados, quase todos brancos. Tinha um ar sério e inspirava respeito. Apesar dos trajes esportivos, sua aparência era, extremamente, refinada. Os dois amigos, o Coronel Duarte e o senhor Celso, este o mais moço dos três, mostravam-se igualmente circunspectos e delicados. Todos serviram-se das bebidas que foram oferecidas pelo empregado e logo o jantar foi servido, acompanhado de ótimos vinhos. Terminado o jantar, as cabeças sentiam os efeitos suaves dos vapores alcoólicos. Todos estavam mais liberados e a conversa tomava rumos mais pessoais. O dono da casa falou de Raul, depois disse que Gisela era uma pessoa sempre falada pelo amigo, que a elogiava muito, principalmente pelos dotes físicos. Todos concordaram com tal opinião. A conversa evoluía lentamente para onde o Dr. Neiva queria e ninguém precipitava os acontecimentos: eles usufruíam prazerosamente o desenvolvimento da conversa. Gisela estava sentada num sofá entre o juiz e o Coronel, enquanto Marcelo e o outro convidado ocupavam, cada um , a sua poltrona. A luz vinha de um só abajur, e a iluminação era, portanto, extremamente suave. Os homens optaram continuar bebendo o excelente vinho, e também o faziam sem pressa. Indagaram se Marcelo não sentia ciúmes do tio. Procuraram fazer com que Marcelo adiantasse coisas sobre a relação entre sua esposa e seu tio. Compreendendo o jogo, ele avançava lentamente nas revelações, mais sugeridas do que detalhadas. Tudo ia numa só direção. As perguntas passaram a ser dirigidas a Gisela, até que obtiveram a afirmação de que era apaixonada por Raul e, logo depois, a da sua completa subserviência a ele. O cerco estava se fechando, e se completou quando ela, iluminada pelo vinho e pelo clima sensual que se instalara, detalhou tudo que já fizera com o padrinho de casamento. Fazia questão de que Marcelo soubesse , pois isso a excitava muito. O prazer em ser assistida pelo marido, fora algo maravilhoso. Seu prazer fora imenso, tanto da primeira vez, em que Raul a possuiu por trás , como naquela mesma manhã, quando viu nos olhos de Marcelo a enorme emoção que isso lhe proporcionava.
Já há algum tempo o Dr. Neiva se aproximara mais da complacente moça e alisava as coxas tão oferecidas, procurando separá-las e alcançar a entrada aberta por seu motorista. Enquanto ela prosseguia em suas revelações, sempre solicitadas pelos três homens, as mãos do Coronel acariciavam seus seios já inteiramente à mostra. Tudo que perguntavam, eles já sabiam. Raul lhes narrara com minúcia. Apenas queriam as confissões. Assim como obtiveram as da esposa, queriam também as do marido. E Marcelo revelou-se por inteiro. Disse do enorme prazer que sentira ao saber o que o tio fizera com sua amada noiva, ao saber que ela fora entregue a outros que a possuíram e que também a fizeram gozar. E terminou por revelar a grande abjeção de ter bebido a urina de Raul e dos dois homens que, depois, usariam violentamente a sua noiva. A linguagem passou a ser tão obscena como o comportamento daqueles homens. Gisela foi desnudada e era apalpada sem qualquer cerimônia. Perguntaram a Marcelo se estava gostando de assistir o que faziam e o que ele sugeria que fizessem. ``Tudo que quiserem´´, respondeu o marido empolgado. Obrigaram-no a detalhar o que vira naquela manhã no hotel . Indagaram sobre as dimensões do motorista e se a esposa sofrera muito. O coito que assistira foi minuciosamente narrado com o maior prazer, enquanto Gisela emitia pequenos gemidos de volúpia com as mãos que tocavam suas partes sensíveis. Todos estavam nus. Gisela resfolegava. Então, enquanto tinha o seu sexo esfregado pelo juiz, ela debruçou-se sobre o colo do Coronel e introduziu o pênis já rijo em sua boca, presenteando-o com as carícias que tanto gostava de fazer. Ao mesmo tempo os dedos do Dr. Neiva forçavam a entrada toda dolorida, dando-lhe algo daquele especial prazer que sentira com o seu deflorador. Vendo a ânsia da moça em ser profanada, o Coronel agarra-a pelos cabelos e impondo assim a cadência desejada dos movimentos faz, por várias vezes, que ela perca o fôlego, ao forçar a boca até a base do seu membro, mantendo-o por inteiro lá dentro por alguns minutos. O desrespeito a Gisela é completo. Ela é alvo do tratamento mais obsceno. O três homens se comprazem em xingá-la. Indecorosamente, os três amigos passam a se sentar lado a lado e colocam Gisela deitada sobre suas pernas: ela é compartilhada pelos três. Marcelo sente que aquela maravilhosa visão irá levá-lo a um gozo inevitável. O prazer aumenta quando, por várias vezes, nota que é procurado pelo olhar de um dos homens como a dizer-lhe: ``Olha o que estou fazendo com sua mulher´´. Enquanto o Coronel recebe a terna boca e o senhor Celso cuida dos seios, o juiz introduz a mão direita entre as nádegas ofertas e, entre expressões infames, força a ampla entrada traseira e, pouco depois, vitoriosamente, mostra para todos a mão mergulhada nas profundidades anais do jovem corpo de Gisela. O Coronel, não mais conseguindo se conter, puxa para si mais uma vez a obediente cabeça e ejacula com abundância dentro de sua boca, mantendo-a ocupada até ter a certeza de que tudo fora engolido. O militar se retira e vai olhar o espetáculo, enquanto bebe o seu vinho sentado na poltrona vazia. Agora, o sofá é só dos outros dois. A moça se desdobra com sua boca, voltando-se ora para um pênis, ora para o outro. Ela termina por se ajoelhar diante do sofá para se sentir mais entregue, para se mostrar mais fácil. Seu rosto cola-se no sexo de cada macho e sua língua ávida procura os recantos mais íntimos. Extremamente agitado pela servilidade devassa de Gisela, o magistrado manda que ela vá sobre o amigo, agora deitado sobre os assentos do sofá, e se faça penetrar na vagina. Tão logo ela cumpre a ordem, montando sobre o longo membro do senhor Celso, o Dr. Neiva volta a introduzir sua mão com mais violência no ultrajado caminho traseiro daquela fêmea que tudo aceita. Marcelo vê que a nova aviltante posição acentua o prazer de sua amada e que, enquanto é duplamente penetrada, com os seios fortemente apertados, ela própria quer mais violência, ela própria torna-se obscena e, chega a um terrível orgasmo quando sente a sua vagina inundada pelo esperma de seu novo penetrador. O esposo não mais resiste e se dá um maravilhoso orgasmo.
O cio entra em repouso. Todos procuram uma posição confortável, apreciando os últimos goles de vinho. As músicas que fazem o fundo se tornam mais nítidas. Todos reconhecem Bach no órgão que as caixas acústicas fazem ressoar. O Dr. Neiva retirou sua mão do interior de Gisela, mas ainda a mantem abraçada junto a si. Os dois amigos pedem licença e, satisfeitos, vão cada um para o seu quarto. O anfitrião levanta-se, puxa Gisela, novamente a abraça e comunica a Marcelo que dormirão juntos. E, mantendo-a abraçada, pergunta-lhe se consente que marque o corpo da esposa com o chicote. Gisela sorri com a concordância do marido, despede-se dele com um beijo na face e, aconchegando-se ao juiz, segue-o para o quarto.
Marcelo permaneceu mais algum tempo na sala deserta. Lembrava-se do que viu e procurava imaginar o que seria feito à sua esposa no quarto vizinho ao seu. Colocava-se num novo estado de excitação. Recordava-se do prazer com que Gisela ouvira todas as suas confissões: ela agora tudo sabia de suas preferências, da felicidade lúbrica que experimentava ao vê-la possuída, dominada, abusada e aviltada pelos machos. E ele próprio pudera constatar a veracidade absoluta das palavras de seu tio quando afirmou a vocação viciosa de sua esposa para a vida dissoluta. Os olhares que Gisela lhe dirigiu nos momentos mais depravados que ela vivenciara naquele dia, davam-lhe esta certeza. Tais olhares eram convites para que ele mergulhasse por completo naquela paixão degenerada por assisti-la gozando com outros. Nesta noite, viu que abandonara todos os preconceitos morais acerca do sexo e que isto era fundamental para alcançar, integralmente, as mais deliciosas experiências que só a sexualidade desregrada pode oferecer. O encontro entre ele e Gisela era, de fato, a realização dos dois. Um precisava do outro para a completa satisfação, e se precisavam na condição de marido e mulher: este era o fundamento de tudo. Não era apenas uma linda jovem que gostava de ver ser possuída; tinha que ser a sua linda esposa. Só assim era possível aquele tamanho prazer. A mesma coisa acontecia com ela: era preciso que o marido soubesse e, melhor, que visse. Os dois seriam muito felizes, conforme a previsão do tio.
Quando voltou ao quarto que o seu hospedeiro lhe destinou, deitado na cama, ouvia os ruídos da contenda sexual do outro lado da parede. Aqueles ruídos enlevaram a sensualidade de Marcelo, que os acompanhava com as carícias que ele mesmo se presenteava. Houve um silêncio por minutos, e após o distinto som do chicote de couro golpeando o corpo de sua mulher. Seguiram-se as sonoridades inconfundíveis de gozos exaltados, prolongados, a satisfação do esposo e o repouso de todos. Na manhã do dia seguinte, Marcelo foi acordado com um beijo da esposa, ansiosa para mostrar as marcas que o rebenque do juiz fizera em suas costas e nádegas. Ela deitou-se ao seu lado de bruços e o marido acariciou-lhe as marcas com seus dedos e com seus lábios. Gisela sabia que o excitara.
Durante os quinze dias previstos, o novo casal permaneceu na casa de campo do Dr. Neiva, usufruindo os prazeres da licenciosa lua-de-mel. Raul só apareceu no terceiro dia e trouxe mais um companheiro para juntar-se ao grupo. Os cinco esmeraram-se em criar as mais torpes situações para a esposa de Marcelo. Pensavam, exclusivamente, em satisfazer suas tendências degeneradas, pouco se importando com o que a moça sentia. Todavia, ao sentir-se usada, ao ver que não mais seria possível negar-se ao que exigiam dela, ao verificar que era apenas um objeto na mão daqueles devassos, Gisela era constantemente tomada por uma onda de prazer e se antecipava aos desejos libidinosos de seus cinco possuidores. Depois da chegada de Raul, não mais foi permitido a Gisela colocar qualquer vestimenta: ela ficou nua até o último dia naquela casa, como a demonstrar para todos a sua total disponibilidade. Um dos jogos mais interessantes foi o que Raul inventou: faziam com que a jovem se deliciasse em colocar sua boca nos vários sexos que se ofereciam, permitiam que ela os acariciasse com suas delicadas mãos e, por um tempo, interrompiam a atividade, para observarem o sofrimento que o lindo rosto estampava ao ver-se desprovida dos instrumentos que lhe davam o prazer que desejava prolongar. A privação do macho, depois que ele iniciou as promessas, colocavam-na no desespero e, inevitavelmente, tinha que recorrer a uma desenfreada masturbação, enquanto implorava que lhe voltassem a conceder o dom de sentir-se subjugada pelos perversos falos. Estes eram momentos privilegiados para o esposo.
O grupo sentiu que precisava revigorar os ardores sensuais e, também por sugestão de Raul, seus participantes concordaram em trazer um macho devasso e faminto, que pudesse proporcionar uma noite de espetáculo para todos. Raul pensava no mulato faxineiro, que já dilatara o caminho traseiro da moça de modo definitivo e que poderia dar o mesmo tratamento ao caminho só recentemente trilhado. Quando pediram a opinião de Gisela, num momento em que ela, ajoelhada diante de uma poltrona, se ocupava em prodigalizar carícias bucais nas virilhas do Coronel Duarte, a sua resposta foi a observação: ``É grande demais´´. E a uma dúvida do Dr. Neiva, sobre se seria maior do que o do Wilson, o seu violador, a moça, ainda ajoelhada e se afagando com os dedos, foi categórica: ``É muito maior´´. Estas respostas bastaram para que se decidissem a encontrar o tipo e trazê-lo o mais rápido, mesmo que tivessem que pagar muito bem. Raul, somente por telefone, arranjou as coisas e ficou combinado que no dia seguinte o motorista do juiz iria buscar o bruto macho que Gisela já experimentara, com quem sofrera e com quem gozara muito.
Orlando não se esquecera nunca das delícias que a linda noivinha lhe proporcionara. Durante algum tempo, nas suas horas de folga, passeou pelas imediações do edifício onde estiveram naquela ocasião, procurando encontrar a moça e forçá-la a um novo encontro. Tudo foi inútil. E agora ela lhe é oferecida, pouco depois de ter deixado de ser virgem. Ele ia no carro satisfeito, pouco se importando em ser assistido por seis homens. O importante era fazê-la sentir a pujança de seu membro, dar-lhe muito gozo, pois assim aquela vagabundinha seria capaz de chamá-lo outras vezes. Sua ansiedade redobrou quando o motorista lhe disse que um dos assistentes seria o próprio marido. Por três vezes possuíra mulheres casadas a pedido dos maridos. Conhecia muito bem tal vício e sabia como agir : bastava mostrar aos olhos ávidos do esposo o que fazia e indicar com o olhar o prazer que a esposa desfrutava. Era possível que o próprio marido o procurasse em outras ocasiões, ficando como um amante da mulher, sempre disposto a gerar prazer aos dois. Gisela o encantava. Ela era, de fato, a delícia que aquele motorista de sorte falava. Pena que não tenha sido lembrado para inaugurar a linda vagina. Assim pensava o faxineiro durante o caminho para a casa de campo.
A figura franzina de Orlando despertou desconfiança nos amigos de Raul. Delicadamente, fizeram com que sentasse numa poltrona e lhe serviram um uísque. Vendo todos os assistentes em cuecas, ele próprio se despojou das roupas e ficou nos mesmos trajes. Foi o bastante para que todos reconhecessem os dotes colossais do homem : metade do instrumento não se deixava encobrir pelo encardido short que usava como cueca. Ainda estavam dominados pelo espanto, quando Gisela entrou na sala com o marido, ela na sua costumeira nudez total. Ao ver Orlando, os dois trocaram um sorriso significativo, revelador de um conhecimento de tudo o que tinha acontecido e do que estava para acontecer. Gisela, também, não conseguira esquecer o dia em que fora violada pelo enorme pênis do faxineiro.
Durante horas, instalou-se na sala da mansão um ambiente de respeito à alta libidinagem, onde os únicos sons eram os das músicas de Bach e Haendel, os dos gemidos e estertores de Gisela, e os dos sussurros obscenos de Orlando. Tudo que tanto desejava, o macho fez com a amante. Não houve parte do corpo que ele não segurasse. Não houve entrada que não penetrasse. Não houve saliência que não apertasse. Não houve súplica que o contivesse. Gisela foi puxada, virada, forçada, violada, erguida, insultada. Ele sabia das dores que provocava, das ruturas que fazia, porém, era suficientemente experimentado para saber que tudo fazia parte do descomunal prazer pelo qual a fêmea era tomada. As próprias resistências que encontrava eram solicitações para que as vencesse sem piedade. Foram vários os orgasmos. Mas não foi a saciedade que os fez parar: o esgotamento físico atingiu os dois quase ao mesmo tempo. Os assistentes, estes sim, saciados, compreenderam e deixaram os amantes abraçados sobre o grande sofá, num sono profundo. A madrugada já queria fazer surgir um novo dia.
Marcelo, no dia seguinte, pouco antes da partida de Orlando, depois de consultar a esposa e sem que os outros notassem, ofereceu o seu cartão de visitas ao faxineiro, tal como fizera com Wilson, dizendo que fazia questão de que ele os procurasse. O sorriso do homem era o de quem já esperava pelo convite. Disse apenas: ``Pode deixar. Vou fazer a sua esposa gozar muito´´.
A noite seguinte ao espetáculo promovido por Gisela e Orlando encaminhava-se para ser tranqüila. Os hóspedes estavam mais interessados em verificar o grande estrago que fora feito na moça, o que causava apenas um discreto clima libidinoso. Todos quiseram colocar as mãos na grande abertura provocada pelo membro gigantesco. O único que se mostrava mais ansioso para que colocassem a esposa num novo jogo era Marcelo. Ela, talvez pelo grande impacto da véspera, parecia se ter acalmado, e mesmo quando submetida à inspeção manual, não provocava o examinador, limitando-se a fechar os olhos. Mas o Dr. Neiva, que regressara após o jantar de uma obrigação social que o havia prendido por várias horas, trouxe para o grupo uma revelação interessante: o seu motorista lhe confessou que ficara apaixonado por Gisela após tê-la violentado, mas, agora, após saber como ela gozara com o faxineiro, foi tomado de ciúmes e gostaria de possuí-la ``para a vagabunda ver o que é bom´´. Houve uma concordância para entregar a esposa de Marcelo ao motorista ciumento. O lamentável é que o homem não aceitava fazer as coisas diante do grupo. Contudo, como a animação era pequena, e como poderiam obrigar a própria Gisela a detalhar, no dia seguinte, tudo que acontecera, sem mesmo consultá-la, chamaram o motorista para que a levasse para o seu pequeno quarto, ao lado da garagem da casa. Gisela foi surpreendida com a presença de Wilson na sala e com a autorização do juiz para que ele a levasse.
Marcelo não conseguiu dormir aquela noite. Apesar de ter procurado se satisfazer com as próprias mãos, como era costume, as imagens de sua esposa com o rude macho voltavam sempre e o processo de excitação permanecia ativo. Quando, pelo começo da manhã, entorpecido pela noite de vigília, começara a se entregar a um torpor que ainda não era sono, a porta do quarto se abriu e Gisela entrou, na nudez que lhe impuseram. Ela trazia todos os sinais de um infernal coito. Inteiramente desgrenhada, o rosto avermelhado pelos tapas que recebera, os seios com as marcas vermelhas dos dedos do amante, as marcas das cintadas pelo corpo. Chorava baixinho e estava toda trêmula. Só há pouco o bruto a abandonara, depois de uma longa noite em que ele a submeteu a tudo que lhe desse prazer e vingança. Ele a levara a cumes das mais lascivas sensações e não lhe permitira qualquer orgasmo. Os tapas e os golpes de cinto, dados nos momentos em que ela estava pronta para uma satisfação, impediam a conclusão e intensificavam mais ainda as sensações. Não pudera se tocar com os dedos: ele a proibira. Então, ela veio ajoelhada por sobre o rosto do marido e, pela primeira vez, colou a vagina toda escancarada em sua boca enquanto puxava entre os delicados dedos os bicos endurecidos de seus belos seios. Marcelo aplicou todo o seu imenso amor nas carícias que levaram a esposa , entre rugidos desvairados, aos orgasmos de que tinha sido privada. Experimentava o gosto dos sagrados sucos da esposa misturados com o esperma do macho vingador. Como ele amava aquela mulher. Marcelo teve um só orgasmo: o orgasmo da total felicidade. Depois, marido e mulher se enlaçaram e dormiram na mais terna satisfação, até que o empregado lhes veio comunicar a hora do almoço. Antes de saírem do quarto, eles se abraçaram e o beijo tornou desnecessária qualquer jura de amor. Amavam-se e tinham certeza disso.
A narração da noite com o motorista, exigida pelo grupo, foi longa e minuciosa. Não só as imagens suscitadas por suas palavras excitavam a narradora, mas também as mãos que se sucediam em seu corpo e que penetravam suas aberturas sem qualquer pudor. Era a última noite da lua-de-mel de Gisela. Raul sugeriu que deixassem na boca da sobrinha a lembrança daqueles dias memoráveis para o casal. Ela se ajoelhou diante de cada um dos amigos e, colocando a sabedoria que sua boca havia alcançado, recebeu o esperma de todos, agradecida, bebendo-o, como sinal de sua submissão ao macho. O Coronel quis ser o derradeiro maculador da disponível boca de Gisela. O militar a impressionava. Era o que mais respeito lhe impunha. Havia algo de terrível naquele senhor seguro de si. Poucas eram as manifestações de seu prazer, porém Gisela sabia da intensidade de seus gozos. Quando as mãos dele lhe tocavam, ela sentia as mãos de um verdadeiro possuidor. Ao lhe dar prazer, ela entendia que, naquele momento, somente valia pelo que pudesse lhe proporcionar e, assim, se entregava sem restrições, cuidando para que ele encontrasse em seu corpo as sensações que procurava. Ela tinha a certeza de que a rigidez com que ele a tratava era apenas o indício de uma possibilidade mais brutal, de um tratamento mais violento, capaz de produzir nele incontidas manifestações de um prazer mais agudo. Ao ficar na sala sozinho com o jovem casal, enquanto a moça ajoelhada acariciava com paixão o seu membro, o Coronel, dirigindo-se ao marido, disse o seguinte: ``Quando vocês sentirem que estão precisando de coisas mais fortes, devem me procurar. Breve, ela vai querer muito mais. Vai sentir que é preciso um tratamento mais duro, mais implacável. Eu e Sarah podemos satisfazê-la. Temos um grupo de pessoas bem selecionado e vocês gostarão de conhecer estas pessoas. Sarah é minha esposa e, como eu, gosta de moças bem submissas. Quando a menina estiver pronta para uma entrega total, sem quaisquer restrições, procurem-me logo. Eu sei como dar prazer a pessoas como vocês. Ela vai adorar se submeter aos meus amigos. Vai conhecer outras meninas iguais a ela que poderão lhe ensinar muita coisa. Pode ter certeza, meu caro Marcelo, que , uma vez nos procurando, você depois vai querer levar sempre a sua esposa para nós´´. E para dar uma amostra do que poderia fazer, o Coronel deitou Gisela no chão, montou sobre sua cabeça, introduziu o membro naquela boca complacente e, largando todo o peso contra o fresco rosto, quase impedindo-a de respirar, sentiu que o falo alcançara a garganta. A aflição da fêmea, com a cabeça imobilizada por suas musculosas pernas, por suas fortes mãos e pela considerável carga que a pressionava, acrescentava o prazer do severo macho. Quase desfalecida, a dócil moça recebeu no fundo de sua garganta a abundante ejaculação do tirano amante. Depois, erguido, enquanto Gisela continuava no chão, aos seus pés, ele ordenou que ela começasse a se masturbar e, pisando-lhe os seios, garantiu a Marcelo: ``Isso não é nada perto do que ela poderá ter de mim, de Sarah e de nossos amigos, se vocês nos procurarem´´. Acabara, assim, a lua-de-mel.
O casamento de Marcelo entrara em seu ritmo normal. Raul ainda dominava o casal, dormindo uma vez por semana no apartamento deles. Em poucos meses, a empregada já se inteirara de que Marcelo era um marido complacente, pois, certa manhã, ao chegar mais cedo ao trabalho, viu o tio dormindo com a jovem patroa. Outras domésticas do edifício passaram a saber e, logo, os porteiros e faxineiros. E Raul fazia de propósito. Quando saía sozinho com Gisela, os dois iam sempre ostensivamente abraçados. Isto era um motivo de prestígio para ele. O que realmente lhe dava satisfação, era ceder Gisela aos seus conhecidos, mostrando a eles a absoluta submissão daquela jovem bonita à sua vontade. Não era tanto usufruir o corpo da sobrinha o que lhe dava prazer, mas, sim, exibir a docilidade dela aos seus desejos. Até mesmo alguns parentes já desconfiavam seriamente de que o tio era o comborço do sobrinho e passaram a evitar o casal.
O cotidiano de Gisela passou a ser extremamente movimentado, tal como ela sonhara. Os amantes se multiplicavam, pois Raul a apresentara a vários amigos, estes a outros, e assim, diariamente, havia sempre uma ou duas solicitações que ela era obrigada a atender. Isto a satisfazia. Os homens eram senhores bem mais velhos do que ela, quase sempre querendo experimentar o seu caráter submisso, gabado pelos mais libidinosos. A primeira proposta que ela recebeu de alguém não ligado ao tio foi na praia, num dia de semana. Desconcertada, de início, com a abordagem direta, terminou por conversar e até mesmo a aceitar o convite para irem a um barzinho próximo. O homem era casado e morava na mesma rua de Gisela. Ele queria possuí-la ao saírem naquela mesma tarde. Contudo, ela se esquivou. Combinaram um encontro para o dia seguinte. Quando ela contou para Marcelo o acontecido, o marido não entendeu a razão de ela ter se negado a ir logo para o motel. Tal reação agradou a esposa. E ela se deu conta de que agira contra os princípios que Raul lhe ensinara, contra os desejos do marido e contra os seus próprios desejos: daí por diante não mais se esquivaria das propostas que recebesse, qualquer que fosse o macho.
O fato de ter se entregue àquele homem casado, que nada revelou da própria vida e que nada queria saber acerca da vida da amante, desejoso apenas em satisfazer sua sexualidade, foi significativo para ela: era o primeiro homem que não foi apresentado ou mandado por outro. Ele a possuiu como se ela fosse uma prostituta qualquer e, o que ela achou mais excitante ainda, ao saírem do motel ele puxou a carteira e perguntou quanto lhe devia. Quando soube que ela não iria lhe cobrar nada, entendeu isso como um elogio ao seu desempenho viril, dizendo que breve a procuraria outra vez. Vários desconhecidos surgiram e encontraram sempre uma fêmea fácil, dispondo-se a uma entrega total. De todos, ela amou demasiado o falo.
O casal estava cada vez mais ligado. O amor que um dedicava ao outro crescia, ganhava uma extraordinária força, e os dois vivenciavam a própria felicidade conjugal. Além de amá-la, e porque tanto a amava, Marcelo desejava intensamente a esposa. Com exceção dos dias em que ela dormia com Raul e dos dias em que algum amante a esgotara, o casal se entregava com freqüência a prolongadas carícias no leito conjugal. Embora Gisela não se deixasse nunca penetrar pelo marido, ele a cobria de beijos e, sempre exigido por ela, praticava naquele maravilhoso sexo, naquela maravilhosa entrada tão brutalizada por outros, os afagos bucais generosos, de que ela não mais conseguia se privar. Para ele, o importante era proporcionar os orgasmos que a deixassem satisfeita. Só quando a via satisfeita é que se masturbava, enquanto lhe beijava os lindos pés. Gisela precisava cada vez mais da boca cálida e compreensiva do marido, a boca que não se negava após ela ter vindo de outros corpos, a boca que limpava suas impurezas, que aliviava suas dores, que permitia receber suas carências.
Já estavam no segundo ano de casados quando, por acaso, Marcelo avistou Orlando no balcão de um boteco vagabundo, numa região sórdida do centro da cidade, marcada pelo baixo meretrício. Ele estacionou o carro e se dirigiu ao homem que lhe proporcionara o belo espetáculo na casa do Dr. Neiva. Foi logo reconhecido pelo tipo que, de imediato, perguntou por Gisela. Disse que perdera o cartão com o endereço e, apesar da grande vontade de encontrar ``aquele monumento de mulher´´, já tinha até desistido. Marcelo insistiu para que fosse naquele mesmo dia ao seu apartamento. À noite, ela estaria esperando por ele. Mas Orlando queria dinheiro. Alegou que precisava pagar o aluguel do quarto em que morava. O rapaz, com medo de perder aquele macho que tão bem sabia fazer sua mulher gozar, deu o dinheiro pedido e prometeu dar mais ainda, quando ele estivesse lá no apartamento. Mas logo notou que Orlando não era de modo algum um ingênuo. Apesar de só conviver com mulheres de baixo nível, sabia que a esposa de Marcelo apreciara o seu modo rude de possuí-la e, sobretudo, saboreara as dimensões de seu membro. Aquela mulher precisava de um homem como ele. Então, pensou, apesar do prazer de penetrar a riquinha depravada, precisava tirar alguma vantagem nisso. A intenção de explorar o casal se reforçou durante o resto do dia.
Marcelo voltou um pouco mais cedo do trabalho, pois deveria aguardar a chegada de Gisela, que passara toda a tarde no apartamento de um antigo amigo seu, que se aproximara dela há poucas semanas, depois de tê-la visto sair de um motel com um amante. O fato de o amigo de Marcelo ter pensado que forçara Gisela a manter relações com ele, deu um gosto todo especial àquele romance: ela se comportava como a esposa chantageada, que somente pelas ameaças deixava-se possuir de todos os modos. O fato de acreditar que forçara a bela mulher do amigo foi estimulante para ele, que se multiplicava em seguidos orgasmos. Era a quarta vez que estiveram juntos e Gisela, como sempre fazia, se deliciava em retornar toda molhada, a fim de se entregar aos cuidados da boca atenciosa do marido. Só depois de ter desempenhado bem a atividade que a esposa tanto apreciava é que contou sobre o encontro com Orlando e sobre o convite que fizera. Ela ficou encantada com a notícia. Puxou o marido para si e beijou-o na boca toda molhada pelos sucos que ela oferecera.
A partir daquela noite, o antigo faxineiro se introduziu, definitivamente, na vida dos jovens esposos. Ele sabia tudo que esperavam dele e foi perfeito no objetivo de se tornar uma necessidade para o casal. O gigantismo de seus dotes correspondia à necessidade que a devassa esposa sentia em se sentir toda preenchida e violada. Havia sempre dor nas penetrações daquele membro. Nunca a penetração pôde ser tranqüila. Era uma violação constante. E o macho era um símbolo: ela jamais poderia esquecer o estupro anal que ele a fez sofrer, como jamais poderia esquecer a outra violação na casa de campo. Deste modo, logo que Orlando entrou no apartamento, pela entrada de serviço, pois o porteiro não acreditou que se tratasse de um convidado do casal, tais as roupas que usava e o aspecto de um reles miserável, Gisela demonstrou toda a satisfação pervertida de que era tomada, ofertando-lhe o seu corpo para ser estreitado e a boca para o beijo sensual. Mesmo sabendo que tinham todo o tempo que quisessem, a fêmea devassa não conseguiu se furtar ao desejo de segurar, por sobre a calça, o soberbo membro, reforçando o orgulho do homem por se saber tão apetecido.
O reencontro de Gisela com o terrível amante trouxe uma profunda transformação na vida dos dois. Logo que se sentiu penetrada, viu que não mais poderia dispensar os favores do grosso e longo falo. Estar diante daquele macho, acariciando o portentoso membro, inevitavelmente, a colocava envolvida nas sensações que mais procurava: ela se sentia reduzida a uma serva que devia viver para presentear o macho agressor com a plena ternura que só uma fêmea satisfeita e agradecida é capaz. No reencontro, ela fez questão de evidenciar, sem subterfúgios, a felicidade em se submeter ao ímpeto e à tirania do mulato franzino, meio marginal, sonhando com golpes que pudessem render algum dinheiro, figura de um universo miserável que ela nem sabia existir. E ele se deu absoluta conta de como aquela mulher precisava dele para alcançar os gozos com que sonhava. Era fácil ver como ela necessitava de um autêntico macho que a fizesse sentir-se rebaixada. Era fácil ver como desejava ser de outro, como se excitava quando era forçada, quando era machucada. Ele ia dar o que tanto ela sonhava. Também o marido estaria satisfeito com o domínio sofrido pela esposa: assistiria tudo. Orlando fez questão de evidenciar que seria um macho exigente, orgulhoso do que poderia dar aos dois esposos, superior a eles, e que era o homem que Gisela precisava.
O casal levou o visitante para a sala do apartamento. Marcelo desculpou-se pela infeliz decisão do porteiro e perguntou-lhe o que teria vontade de beber. Inteiramente dono da situação, ele nada respondeu de imediato. Levantou-se do sofá, tirou toda a sua roupa, sentou-se de novo, mandou que a mulher sentasse ao seu lado, levantou-lhe as saias, enfiou-lhe a mão entre as coxas e, só então, respondeu ao marido: ``Eu quero é que você mande trazer um bom jantar, pois estou com fome. Ali na esquina tem um restaurante e você pode ir lá fazer a encomenda. Antes, me dê uma bebida forte, pode ser uísque. Depois eu bebo cerveja. Enquanto a comida não vem, a menininha , aqui, vai segurar o brinquedinho de que tanto gosta´´. Quando Marcelo voltou com a refeição, encontrou a esposa na posição que tanto amava: ajoelhada, diante do macho confortavelmente sentado, com a boca nas partes sexuais. Ele, todo esparramado no sofá, com o terceiro copo de uísque na mão, observava, excitado, o serviço da fêmea dissoluta. Nesta noite, Marcelo serviu o amante de sua esposa e fartou-se, até altas horas, com a visão do teatro lúbrico. Quando cansou-se de tantos orgasmos que se provocara, ofereceu ao mulo o seu leito de casal para que ele ficasse com mais conforto e pudesse dormir ao lado da amante. Orlando passou a noite com a linda mulher e mostrou-se o déspota voraz que tanto ela queria. Foi hóspede aquela noite, e por mais três seguidas. Gisela experimentara comoções que nunca imaginara e das quais não mais seria capaz de privar-se. Estava apaixonada por seu dono. Na manhã em que ele resolveu deixá-los, prometendo voltar em breve, ela viu Marcelo entregando-lhe um cheque. Então, como que esquecida de algo, ela voltou ao quarto, apanhou sua pesada corrente de ouro e, disfarçadamente, passou-a para as mãos do seu homem. Alguns dias depois, Orlando telefonou. Gisela esperara com loucura aquela ligação. Quando lhe perguntou se viria naquela noite, ele respondeu que não sabia, que dependia. Ansiosa, ela quis saber do que dependia. E a resposta: ``Só irei se for para ficar morando com você´´. A partir deste momento, o bastão de comando do casal passou para o faxineiro.
Orlando, neste mesmo dia, apareceu no apartamento de Gisela e Marcelo, levando uma velha mala com todos os seus pertences. O próprio marido recebeu-o e levou-o para o quarto em que às vezes dormia, quando algum amante de sua esposa permanecia à noite no apartamento. O mulato ganhou um armário só para ele e ficou claro que, quando ele quisesse, dormiria no quarto do casal.
Foi logo estabelecido um modo de vida. O novo amante não colocava qualquer obstáculo à vida livre de Gisela, desde que o casal reconhecesse que ele dispunha de uma série de prerrogativas. Ela deveria estar sempre disponível aos seus desejos e disposta a tudo, inclusive a sair em sua companhia para onde ele bem entendesse. Seria inteiramente sustentado pela amante e, já no outro dia, queria comprar novas roupas. Também, seria importante que Marcelo reconhecesse nele o verdadeiro macho de sua esposa, agindo de acordo com tal reconhecimento: ele queria ser consultado em tudo que dissesse respeito à sua fêmea e o casal teria que esperar a sua decisão. Orlando passou a dominar o casal e a situação, tal como se dera com Raul, não pôde ser escondida, por muito tempo, dos vizinhos, das domésticas e dos empregados do edifício. O amante agia como o autêntico e único homem da casa. Marcelo aceitava as decisões do macho e acabou mesmo por se conformar com o fato de a cozinheira verificar que a sua esposa só dormia com o outro, conformando-se inclusive com o tratamento debochado que a doméstica lhe impunha. Gisela aumentou sua paixão pelo grosseiro amante, aos poucos abandonou os outros homens e passou a se dedicar por inteiro ao devasso amor.
Raul, na verdade, não lamentara a perda da moça. Visitava os três, algumas vezes, certo de que fora ele quem tornara possível aquela situação. Entendeu que o casal estava satisfeito assim, e que, daí por diante, aquele macho boçal seria o instrumento do mais completo aviltamento dos dois. Raul, na verdade, estava educando para si uma menina mal entrada na adolescência, filha de uma antiga amante e que abandonara a filha aos seus cuidados, a fim de poder seguir o seu amor árabe para longínquas terras. Em breve, esta garota seria a perfeita substituta de Gisela, aceitando todas as exigências impostas pelo degenerado sexagenário.
O amante de Gisela compreendeu em pouco tempo ser figura indispensável na vida do jovem casal e abusava disso. Tomava gosto pela sua ascendência e apreciava estar constantemente afirmando tal ascendência. Tratava Marcelo com aspereza, transformou-o em seu serviçal, exigia que lhe fornecesse sempre dinheiro, obrigava-o a depilar a esposa para ela estivesse a todo momento conforme o seu gosto e, sobretudo, passou a querer que o marido não mais se ausentasse quando ele estivesse se satisfazendo com a esposa. O vício voyeurista de Marcelo foi acrescido e ele amou a sua situação de marido inteiramente submisso ao macho da amada e corrompida esposa.
Certa vez, o macho desnudou a fêmea para mais um coito e não a encontrou depilada conforme as suas exigências. Estavam sentados no sofá da sala, enquanto Marcelo preparava as bebidas. Orlando, realmente tomado de uma descontrolada fúria pelo descuido do marido, fez com que este abandonasse o que fazia, mostrando-lhe a imperfeição que constatara na região vaginal de Gisela e, então, inopinadamente, esbofeteou com violência. o marido descuidado. Este, sob o olhar atento da esposa, não esboçou qualquer reação à saraivada de golpes em seu rosto, pediu desculpas e, em seguida , obteve autorização para que a mulher o acompanhasse ao banheiro a fim de que pudesse complementar a depilação. Todos os três se excitaram com a cena e tiveram uma noite de alta libidinagem. Orlando habituou-se a espancar Marcelo e, muitas vezes, o fazia por sugestão da própria amante. As noites mais excitantes eram as que a libido do dominador o levava a castigar os dois esposos, um assistindo o espancamento do outro, os três dominados por uma pervertida paixão, quando o prazer só cessava após múltiplos orgasmos de cada participante. O casal nunca suspeitara que a felicidade na degradação poderia atingir a tais extremos.
O furor de Gisela aumentava com o tempo e cada vez ela se mostrava mais dependente do tirânico falo e mais entregue ao seu homem. Tudo mudara na vida do casal. Os antigos amigos desapareceram. Os parentes cortaram relações, após alguns ríspidos diálogos. Marcelo deixava-se ofender pelos ignorantes empregados do prédio, sem nada reclamar. Orlando, quando de suas saídas rotineiras, tomou o hábito de retornar acompanhado de companheiros, para provar aos seus iguais a privilegiada situação que desfrutava. Eram tipos cuja aparência não se coadunava com o nível dos moradores do edifício, o que deu motivos para a intensificação de um antigo movimento entre os condôminos que exigia a mudança do pervertido casal. Alguns companheiros de Orlando tornaram-se freqüentadores habituais do apartamento, o que desagradava, profundamente, aos vizinhos, sobretudo por terem de conviver com gente de baixo nível, entrando pela portaria principal e tomando o elevador social. Estes homens, figuras marginais, camelôs, empregados de botecos, desempregados crônicos, todos das baixas regiões de onde saíra Orlando, invejavam o companheiro pela posse daquela fêmea tão bela, tão cuidada, que se sujeitava a tudo. Quando as bebidas começavam a fazer efeito, o amante cheio de arrogância dava demonstrações de seu poder, obrigando a boca de Gisela a se ocupar com seu grande membro. Isto deixava extasiado o sórdido grupo, principalmente pela presença do marido que tudo via e a todos servia. Chegou o dia em que o dono permitiu que a boca insaciável da amante usufruísse dos outros falos ansiosos por carícias. De todos Gisela experimentou o gosto do esperma e, logo, veio a permissão para se deixar penetrar. Os companheiros de Orlando serviram-se do doce corpo da mulher, de quem não ousariam se aproximar em circunstâncias normais. Mas aquela circunstância era toda anormal, como a própria mulher e seu marido.
Os amigos de Orlando passaram a ser os amigos de Gisela e Marcelo. Saíam juntos, se confraternizavam, iam a bares, à praia. Por pressão, o casal teve que vender o apartamento e comprar outro em edifício mais modesto, onde não despertassem muita atenção. Todo o dinheiro que Marcelo ganhava, e ganhava bem, era rapidamente consumido, em parte pelo amante de sua esposa e, em parte, pelos excessos, pois só ele financiava as diversões quase diárias da turma de Orlando. Apesar disto, ele achava que era bem recompensado por todos. Orlando e seus amigos davam uma assistência constante a sua esposa, cada vez mais viciada em ser possuída, cada vez mais entregue aos caprichos brutais daqueles incultos.
Certa vez, por pura provocação, o amante de Gisela chegou acompanhado de dois freqüentadores habituais da casa e de uma negra, sórdida meretriz de rua, cuja aparência evidenciava o que era. O casal, como sempre, recebeu a todos muito bem, apesar de ser a primeira vez que introduziam uma segunda mulher em sua intimidade. Beberam, como sempre, e pouco depois que Gisela se debruçara sobre o membro de um dos convivas, viu que o seu dono alisava as coxas da negra, beijava-a na boca e , pouco depois, saía com ela da sala. Logo que conseguiu a ejaculação do macho que estava em sua boca, Gisela foi até o seu quarto e deparou com os dois na cama de casal. Viu o seu homem penetrando a mulher. Tomada de um doentio ciúme, aproximou-se deles, sacudiu-os, cravou as unhas nos ombros da meretriz, xingou-a, dizendo , entre gritos e prantos, que aquele era o seu homem e só seu. Então, Orlando, enraivecido pela interrupção do coito, passou a espancar a ciumenta com enorme violência e quando terminou, a voz da outra lhe disse: ``Essa vagabunda me arranhou. Deixa ela agora para mim´´. Gisela foi lançada sobre a cama, a negra montou-lhe no peito, e a esbofeteou com ferocidade e, segurando os dois belos seios, apertou-os com força e enfiou suas longas unhas pintadas de vermelho escuro naquelas carnes brancas e macias. Assustada com a brutalidade do castigo, Gisela parou suas lamentações e implorou à negra para que a poupasse. Ela retirou as unhas, e os seios de imediato se encheram de pontos sanguíneos. Desmontou de sua vítima, apanhou um de seus sapatos ao lado da cama, e golpeou com a sola o rosto de quem lhe arranhara levemente o ombro. Só depois disso, a negra se encostou na cabeceira da cama e fez com que a moça colocasse a boca em sua vagina e a acariciasse. A obediente Gisela, inteiramente excitada por tudo aquilo que sofreu, entregou-se com loucura àquela mulher imperiosa que lhe impunha uma nova humilhação, um novo jugo e um novo prazer. Neste dia, Gisela foi penetrada, ao mesmo tempo, pelos dois amigos de Orlando, que provocaram um belo espetáculo para todos e, depois, como castigo, ela assistiu o seu amado falo penetrar a terrível mulher, tendo, inclusive, sido obrigada a colocar-se entre as coxas dos dois amantes, para que sua língua se fizesse sentir pelos sexos de ambos.
Foi, justamente, Rosa, a negra que mostrou novas emoções lascivas à esposa de Marcelo, e que por várias outras vezes dispôs de sua boca complacente, quem sugeriu a Orlando que passasse a prostituir a amante: ela iria gostar, o marido também, e o amante lucraria. Disse que ela mesma poderia encaminhar Gisela a uma casa dirigida por uma cafetina sua amiga, procurada por homens dos mais variados tipos, com uma freqüência muito grande, principalmente porque os preços estavam ao alcance de todos. Marcelo, excitado, quis conhecer com mais exatidão o perfil dos freqüentadores e ficou satisfeito quando soube que, no começo do mês, por ocasião do pagamento, até carregadores do cais do porto, que fica próximo ao bordel, vão lá se servir das mulheres. Quando Orlando perguntou a Gisela se ela aceitava, a resposta foi óbvia: ``Tudo o que você quiser eu faço´´. Rosa cumpriu o prometido. Gisela transformou-se numa prostituta de um bordel de baixa categoria, satisfeita com o que fazia. Sua vida entrou numa rotina: entrava à tarde no bordel e só saía à meia-noite. Seu macho, agora cafetão, ia buscá-la e, com ela, a receita do dia. A presença da bela meretriz aumentou a freqüência do bordel, satisfazendo a antipática cafetina. O prazer que Gisela colocava na sua atividade, encantava os fregueses e faziam-na a puta mais procurada. Mas, as colegas a detestavam, pois sabiam que ela estava ali, roubando seus homens, mais por devassidão do que por necessidade. Na verdade, a esposa de Marcelo estava, inteiramente, feliz, por estar, inteiramente, satisfeita. Nascera, como Raul dissera, para ser uma meretriz, e só como meretriz poderia alcançar a satisfação. Servir a qualquer macho, tenha ele a aparência que tiver. Fazer o que lhe é pedido, seja lá o que for. Ser obediente, ser paciente e, sobretudo, nada recusar. Estas virtudes de uma boa prostituta são, para a esposa de Marcelo, não sacrifícios que sejam impostos, mas fontes do próprio prazer, condições para o seu gozo. Assim, a vida de bordel é para ela a sua realização como mulher. A espera do próximo macho, imaginar como ele será, e uma vez escolhida, ao ir para o quarto, imaginar as dimensões, as preferências, e depois submeter-se a tudo: isto a encanta e a faz feliz. No bordel, Gisela está no paraíso.
Marcelo passou a viver, permanentemente, excitado. Alcançou a mais completa felicidade na degradação a que foi submetido. A esposa assumiu a sua condição de puta. O cafetão da esposa mora com ela em seu apartamento, ocupando a sua cama e, ainda, o espanca quando contrariado. Ele e a esposa sustentam aquele macho violento. Quando pensa em tudo isso e em tudo que assiste, é tomado por imediatas ereções. Mais ainda, depois que a própria mulher criou um novo jogo para ele. Uma vez por semana, sempre por volta das onze horas da noite, depois que Gisela foi bem usada, quando os odores dos machos e de suas secreções estão fortes, principalmente por ela ter reservado dentro de si as últimas produções depositadas, ele entra no bordel e, como qualquer freguês, faz a sua escolha, só que escolhe a sua esposa. No quarto, abraçam-se e beijam-se, experimentando o imenso amor que sentem um pelo outro. Então, não podendo prolongar demais a relação, ela se deita sobre o leito em que dezenas de machos a possuíram, abre bem as pernas, e ele tocando com a boca a vagina dilatada pelo muito uso, cheia dos despejos viscosos dos machos que a regaram, passa a beijá-la, a sugá-la, a acariciá-la, a amá-la, até sentir o orgasmo da amada. Aí, louco por satisfazer-se, ele se senta no chão e ela, deitada, lhe oferece os belos pés para os beijos e para o instante da plena satisfação do marido. Tais encontros no bordel proporcionam os momentos da mais completa privacidade do casal. Ali se estabelece uma verdadeira cumplicidade e ali eles sabem o quanto se amam.
A nova vida de Gisela passou a ser conhecida de outras pessoas que não mais mantinham relações com o casal. Algumas destas pessoas se aventuraram a ir ao bordel somente para constatar a presença da moça: foi o caso de dois primos de Gisela. Apareceram, se mostraram, dirigiram à moça um olhar de repugnância e se foram. Outros, fizeram questão de levá-la para o quarto e de aproveitarem a devassidão das circunstâncias: foi o caso do Coronel. Este deleitou-se com a prostituta, tratou-a da forma mais ignominiosa, deitando em sua boca o esperma e a urina da depravação. Ela tudo aceitou. E o militar prometeu que, breve, a levaria para passar uns dias em seu retiro nas montanhas. Gisela soube, mais tarde, que ele já falara com o seu rufião e que combinaram que ela seria alugada por uma temporada, juntamente com Marcelo, o que deveria acontecer nos próximos dias. Um carro viria buscá-los. Marido e mulher ficaram vários dias numa deliciosa expectativa, até que, finalmente, num sábado pela manhã, o motorista do Coronel veio buscá-los. Orlando se despediu, dizendo: ``Vocês vão gostar do que eles fazem por lá´´. Finalmente, iriam conhecer D. Sarah, a soberba dominadora esposa do Coronel.