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Lembranças do Calabouço - cap 01
Respirei fundo três vezes antes de bater na porta. Só então tive coragem para encarar a realidade: havia perdido para sempre minha liberdade. Assim que a porta se abriu, escutei a voz de um homem que me mandou entrar. Assim o fiz, em silêncio. A porta se fechou lentamente. Se soubesse o que iria acontecer nos próximos meses, teria aproveitado melhor o tempo e observado a luz do dia...
Após um breve interrogatório, ele ficou sabendo quem eu era. Bruno, 18 anos. Contei brevemente que ajudava na padaria da minha família e que estava disposto a aceitar meu futuro como servo na sua casa. Ele ouviu tudo com atenção e me disse:
- Muito bem, Bruno. Vejo que já reconheceu seu lugar como escravo nesta casa. Gostaria de te mostrar os aposentos, mas estou com preguiça e farei isso mais tarde. - disse, com uma voz calma. - Siga-me.
A palavra "escravo" fez-me estremecer. Não esperava ouvir aquilo. Sem pensar muito, o segui. O caminho era tortuoso. Descemos uma escada em forma de caracol e vi uma espécie de túnel, onde apenas pouca velas eram responsáveis pela iluminação.
- Entre aqui. - ele disse.
Inocentemente, segui a ordem. Assim que me virei, ouvi um barulho de ferro e então notei que estava preso. Ele havia fechado uma grade e eu estava preso em um pequeno espaço, pouco menor que um guarda roupa.
- Mas... - tentei dizer, em vão.
Ele virou-se e me deixou sozinho. O lugar era tão apertado que eu nem podia me sentar. A única posição possível era ficar em pé e foi assim que fiquei durante horas. Minhas pernas já doíam e eu não sabia o que fazer. Fagulhas de medo ardiam em minha alma quando pensava se ele podia ter se esquecido de mim. Sem ter o que fazer, adormeci.
* * *
Acordei com o som da grade sendo aberta. Havia até me esquecido de onde estava e demorei para reconhecer o lugar. Ele me segurou pelos cabelos e me puxou, sem dizer nenhuma palavra. Corri, para evitar a dor e tentei acompanhar seu caminhar.
Subimos novamente a escada. Agora estávamos na casa, muito bem decorada, de forma luxosa. Ele sentou-se numa poltrona confortável. colocou os pés em uma almofada e disse:
- Agora lamba meus pés. Faça uma massagem e depois lamba.
Fiquei imóvel, sem acreditar no que acabara de ouvir.
- AGORA! - ele repetiu, em voz alta.
Rapidamente me abaixei aos seus pés e comecei a tirar seus sapatos. Aquilo tudo era muito humilhante, mas eu sabia que não tinha outra escolha. Depois de retirar os sapatos, retirei as meias. Senti um cheiro forte e sei que ele percebeu isso, pois sorriu.
- Você vai me ser bem útil aqui... - disse, enquanto tirava um charuto da caixa. - Foi um ótimo negócio que eu fiz com a sua família. Bom para eles, que pagarão apenas metade do aluguel da loja e bom para mim, que terei mais um escravo.
Ele acendeu o charuto e deu uma gargalhada, enquanto eu massageava seus pés. Eram pés brancos, fortes como seu dono. Ele tinha por volta de um metro e oitenta. Um corpo grande, não muito definido, mas com o peitoral muito largo e forte. Seu rosto era quadrado, com traços masculinos e os cabelos lisos e curtos o deixavam ainda mais austero. Os fios castanhos contrastavam com os olhos claros. Era, sem dúvida, muito bonito.
- Vejo que sabe fazer uma ótima massagem. - disse, após uma baforada. - Mas ainda não senti sua língua fazendo o que pedi. Vamos, não tenho o dia todo!
Eu estava realmente adiando esse serviço, mas não tive como escapar. Lentamente, abaixei meu rosto e comecei a lamber seus pés. Tentei não observá-lo, mas notei que ele me olhava, curioso. Lambi entre os dedos, a sola inteirinha. Fechei os olhos para me concentrar e tentei fazer o melhor que pude.
Após alguns minutos, depois de lamber bastante ambos os pés, ele gritou:
- PARE!!!
Assustado, parei imediatamente. Ele levantou-se e me puxou pelo cabelo. Olhou-me profundamente, me encarando como se quisesse ler meus pensamentos. Soltou uma baforada de fumaça próximo do meu rosto e sorriu, quando me viu tossir.
- Garoto, você tem um coisa que me agrada muito... - disse, com sua voz séria.
Eu fiquei paralisado. Apenas o observado em silêncio. Ele me segurava com os dois braços e eu me sentia como um pequeno brinquedo, sem reação diante do seu dono...
Ele novamente sentou-se e pediu que eu continuasse com a massagem. E fiquei fazendo isso até que ele dormisse. Quando percebi que ele dormia, aproveitei também para descansar. Recolhi algumas almofadas que estavam próximas do chão e me deitei.
Se soubesse o que aconteceria depois, não teria dormido sem a autorização do meu mestre...