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A História do Gato Mestre

Quem for ler este documento pode facilmente chamá-lo de conto, um conto erótico, como há tantos por aí. Procurarei torná-lo um pouco mais interessante chamando-o de confissão sexual, ou talvez de ... fantasia verídica. As partes fantásticas e verídicas estão, é claro, irremediavelmente intercomunicadas. Talvez nem mesmo o autor saiba dizer onde termina o real e começa o imaginário. Quem é o autor? Oras, sou eu, é claro ... ou não? Pouparei o leitor de tudo que precede as minhas primeiras experiências conjugais; basta dizer que a minha iniciação sexual e as primeiras incursões no mundo sadomasoquista foram recheados dos conflitos, culpa e um quase desespero como, quero crer, devem ter sido naturais para todos os que já se sentiram perplexos diante de suas inclinações ``pouco normais´´. Quando completei 21 anos de idade eu ainda era virgem. Estranho, não? Nem tanto, para quem foi criado dentro da igreja e tinha dentro de si as mais puras e românticas intenções a respeito dos relacionamentos. Minha primeira namorada também era virgem e bastante dedicada à Igreja. É claro que ela queria casar virgem. Eu compreendia, é claro, bastante até ... até que descobri que ela costumava dar a bunda para o ex-namorado por medo de perder a virgindade. Digamos que uma pessoa de fora poderia ter me dito que isso era bastante óbvio. Mas, perdoem-me a ingenuidade, parte de mim não havia nem mesmo nascido ainda naquele tempo. A minha primeira experiência sexual foi também minha primeira experiência sádica. Ela era uma prostituta. Uma ruiva, de sardas, os peitos grandes, um pouco caídos, cobertos com meus pregadores de roupa, ajoelhada na minha frente, nua, as mãos levantadas atrás da cabeça, olhando para mim com olhos pidões toda vez que eu levantava o chicote. O chicote descia, deixando marcas como rasgões vermelhos em sua pele muito branca, deslocando um prendedor ... e olhos dela se fechavam, a boca abria ... e eu podia ouvir o seu grito. Eu quase gozei só de olhar para ela daquele jeito. Não, não gozei tão rápido. Na verdade, durante muitos anos eu me considerava até estranho ... porque ouvia muitos reclamarem de gozar muito rápido. Mas não eu, eu demorava muito, muito tempo para gozar ... e às vezes, nem gozava. Alguns me chamavam de privilegiado, mas não eu. Eu na verdade me sentia nervoso demais. Desesperadamente tentava esconder minha imperícia, minha ignorância, então o nervosismo não me deixava gozar. O cu dela sangrou muito antes que eu estivesse pronto para tirar meu pau de lá para gozar em sua cara. Depois veio a culpa, o remorso ... e mais uma temporada escondendo de mim mesmo o quanto tinha gostado de tudo aquilo. Não há como se esconder de si mesmo, tanto como não há como deter o mar de adentrar em um castelo de areia. Fernanda era uma mulher de 27 anos quando a encontrei em um bar de São Paulo. Oh! é claro que parte de toda minha fantasia BDSM é meu alter-ego tentando se libertar de mim. Algo como Humphrey Bougart escondido no corpo de Leonardo di Caprio. Eu estava sentado naquele bar, vestindo black tie, bebendo scotch, fumando um cigarro, solitário, olhando para o copo, quando ela se aproximou de mim, o vestido vermelho decotado, longo com uma abertura lateral suficiente para expor sua coxa volumosa, os pés bem torneados decorados por uma sandália grega, cujas tiras se erguiam de seu tornozelo em direção às suas vestes reveladoras. Um busto generoso, onde homens poderiam se perder por horas a fio se escondia atrás de um colar de pérolas. Os cabelos longos, encaracolados, pareciam novelos de lã descrevendo piruetas acrobáticas com a beleza de uma ginasta olímpica. Ela se sentou ao meu lado, com um banco entre nós, deitou uma mão no colo e com o outro braço deitou o cotovelo sobre o balcão e apoiou o queixo, em uma expressão de desgostoso aborrecimento. Olhou para um lado, depois para mim, com a cara fechada e os olhos baixos e perguntou: ``- Quer me levar para algum lugar? ... Eu preciso sair daqui!´´ ... e eu disse: ``Tome aqui, meu bem, dinheiro pro táxi! Você pode pegar um idiota qualquer para acompanhá-la até o ponto.´´ ... Ela me olhou com aquele misto de embaraço e ódio que ninguém deseja ver em uma mulher, agarrou meu copo e desperdiçou uma boa dose de Ballantines 12 anos em meu rosto ... Eu dei mais uma baforada, peguei o copo da mão dela, apaguei o cigarro e disse: ``Pronto querida, acredito que seu namorado já assistiu o show! Isso deve ser suficiente. Tome meu cartão. Vc pode me ligar amanhã quando estiver sóbria e pronta para receber umas palmadas pelo seu comportamento.´´ Não, claro que você não acreditou nessa cena. Mas ela é real, acredite. Aconteceu exatamente como a descrevi, na minha mente, durante os dois minutos em que troquei olhares com aquela morena. E ela sorriu ... e eu soube então que ela me ligaria. Mas ela não tinha os cabelos encaracolados e nem usava um vestido vermelho decotado. Era uma mulher normal, ainda pouco acostumada com traços de beleza recém adquiridos após meses de dieta forçada. Era uma professora na USP. Lecionava genética. Não tinha filhos. Morava ainda com os pais. Tivera apenas três namorados na vida e a mãe era uma perversão magnificada de uma fanática religiosa que havia chamado a filha de prostituta ao ouví-la conversar com o namorado sobre anticoncepcionais. Em nosso primeiro encontro eu a levei para um galpão fora da cidade onde eu estava morando, em um quarto de fundos. Foi bom ter ido tão longe ... ela gritava tão alto que espantaria toda a vizinhança de um bairro normal. Eu a amarrei na cama e a deixei sozinha naquele quarto escuro por meia hora. Quando eu voltei ela chorava e tremia tanto que tive que soltá-la e consolá-la por mais meia hora ainda antes de podermos fazer qualquer coisa. Ela achou que eu tinha saído do quarto para chamar alguém para comê-la em meu lugar. Engraçado isso, pois havia dois ajudantes de carga e descarga do lado de fora do quarto me olhando intensamente quando saí. Eles riam e me diziam: ``Cara, você não é fraco, heim?!´´ Será que eu deveria ter deixado eles entrarem? Fernanda acabou se revelando quase tão maluca quanto sua mãe. Sua devoção era resultado de uma desesperada necessidade de atenção. No entanto, foi depois de terminar meu namoro com ela que realizei meus atos mais brutais. Ela me visitou uma vez em meu apartamento (eu havia me mudado para o bairro do Paraíso naquele tempo). Ela estava usando um vestido rodado, sem roupa de baixo. Eu a atendi na portaria, pronto para mandá-la embora ... mas ela se debruçou sobre mim, mostrando os seios ... ``- Você não quer? Tem certeza? Eu não quero que você volte pra mim ... só quero que você me foda!´´ ... E então, meu alter ego se revelou novamente ... mas não era Bougart agora ... era Mr. Hyde. Essa mulher espontaneamente me visitava em quartos de hotel, vestindo nada além de uma capa e um imenso plug no rabo ... apanhava até ter a bunda roxa, bebia meu mijo, lambia a sola dos meus sapatos em praça pública, passava as noites no hotel ajoelhada aos pés de minha cama e, ao amanhecer, pagava a conta. Quando fui embora de São Paulo ela me seguiu até o elevador se arrastando no chão, chorando, segurando a barra de minha calça. Neste ponto talvez algum de meus leitores me tome por um megalomaníaco com patológica necessidade de afagar o próprio ego. Por favor, não é isso. Não vou negar que tal atitude de uma garota desesperada é sempre uma massagem para o ego. E é claro que uma das maiores delícias do D/s é a sensação de poder exacerbado que se extrai da submissão sem limites de uma escrava dedicada. Mas o prazer está na sugestão, na sedução, na delicada e sutil arte de perversão. Não há prazer em se aproveitar de uma pessoa destruída. Com Ana Paula foi diferente. Uma vez fomos parados pela segurança de um shopping center. Acho que a dona da loja em cuja vitrine nos apoiavamos não aprovou o movimento de minhas mãos por entre as pernas de minha garota. Ela não me deu oportunidade de agir. Antes que eu dissesse palavra, ela quase subiu no segurança, como uma gata selvagem. Walt Wittman se orgulharia de tal defensora dos direitos de expressão. Voltaire a aplaudiria de pé. É claro que eu não podia deixar passar a oportunidade: dei-lhe um tapa na cara na frente do segurança e me desculpei com o homem. ``- Perdoe-me senhor, isso não voltará a acontecer.´´ Voltei-me para ela, que ainda me olhava boquiaberta e, para espanto do segurança, recebi um beijo na boca ainda mais intenso do que estava recebendo até então. Fomos expulsos do shopping. Ana Paula foi, com certeza, a mulher que amei com mais intensidade em minha vida até agora. Quantos anos eu tinha? 26, penso eu. Ela tinha 27, mas mentiu pra mim. Disse que tinha 25. Se você me perguntar posso lhe dizer que ela poderia ter mentido menos ainda. Ela era uma maravilha loira de olhos azuis que o diabo pôs na terra para enfetiçar a alma de jovens puros, castos e virtuosos como eu. O que ela fazia de melhor? Era insaciável, simplesmente isso. Um dia fomos visitar um parque infantil e ela insistiu em chupar meu pau na entrada do parque na frente de uma família que passava com um casal de crianças. O garoto deixou cair o algodão doce no chão. Eu deixei cair a porra no rosto dela. E o pai do garoto deixou cair o punho dele na minha cara. Mas, eu diria que valeu a pena. Não, nunca fui preso. Houve um dia em que chamaram a polícia. Eles chegaram e me pegaram com as calças arriadas recebendo uma chupada no lado de fora do meu carro. Ficou acertado que, por menos de R$ 200,00, os incorruptíveis, porém compassivos, servidores públicos infelizmente seriam obrigados a me oferecer acomodações em suas confortáveis instalações até a manhã seguinte. Eles insistiram também que eu pagasse a garota, que não tinha nada haver com minha falta de bom senso. Então eu deixei com eles a minha identidade e minha carteira de motorista e fui até o banco pegar o dinheiro. Devem estar esperando até hoje. Quanto à garota? Era Ana Paula, posando de puta, minha fantasia predileta. Eu a havia deixado em uma esquina e estacionado o carro. Era uma rua bastante movimentada do centro da cidade. Ela foi descendo a rua. Logo, um carro buzinou e ela sorriu. O carro parou. Ela foi até eles. Depois voltou para o meu carro e me disse que eram dois, de Porto Alegre. ``- Vá Lá e mostre a bocetinha pra eles´´, eu disse. E ela me olhou com aquela cara meio que assustada, meio que sapeca. De onde estava pude ver ela se aproximar da janela deles e aos poucos levantar o vestido curto. Ela olhava para o céu e balançava o quadril como se estivesse dançando. A boceta raspada exposta no meio da rua, uma mulher que passava na calçada olhava espantada para ela. O garoto estendeu o braço para enfiar um dedo ... mas ela se desviou, baixou o vestido e lhe soprou um beijo. Quando ela entrou no carro eu liguei o motor e encostei ao lado do carro dos garotos. Demos tchauzinho e fomos embora. Eu imagino que porque deixei me apaixonar por Ana Paula acabei falhando no meu papel, no papel que meu alter ego deseja assumir. Fiquei soft. Imagino que talvez devesse ter convidado aqueles garotos para fazer uma festa com ela. Deveria tê-la disciplinado melhor e mais constantemente. É ... deveria ter feito um monte de coisas. Mas, a explicação mais convincente é que realmente não foi feito para durar. Ela se foi e eu amanheci num puteiro chorando minhas mágoas nos primeiros braços macios que pude encontrar. E depois? Ora, nós nos tornamos um pouco mais frios, um pouco mais velhos, um pouco mais sádicos ... e Bougart e Mr. Hyde parecem ter feito as pazes e criado um amálgama de minha personalidade que uiva para lua quase todas as noites. Muita coisa aconteceu depois disso. Pois já faz 6 anos que não vejo Ana Paula. Se houver agradado a algum leitor, talvez seja impulsionado a continuar as divagações eróticas deste que já foi tantos e hoje se intitula GatoMestre. Até! PS: o e-mail para escravas é