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CastigoII Concurso de Contos e Poesias BDSM - Participante

Tudo parecia em seu lugar. Por que então a sensação de perigo? O arrepio na pele, o frio na boca do estomago, a impressão de que algo esta para acontecer, a inquietude, o olhar assustado, pupilas dilatadas, todos os sentidos em alerta e a respiração descompassada. Tentava se acalmar, sem êxito! A cada segundo mais e mais a sensação de urgência tomando conta. E para desespero maior, nada acontecia tudo parecia tão normal, tão rotineiro, que fazia apenas piorar a atmosfera. Mentira!!!!!! Toda a quietude e normalidade era apenas uma GRANDE MENTIRA, bem o sabia! Todas as fibras do seu ser gritavam-lhe isso. Mais parecia uma fera enjaulada, prestes a ganhar a liberdade, pronta para correr o mais rápido que conseguisse e para o mais distante que seus pés lhe levassem. Levanta-se, ritmando a respiração, limita os passos para um andar lento, antes que seguisse seu impulso em sair correndo. Vai ao banheiro, olha-se no espelho e odeia o reflexo de puro terror nos olhos. A essa altura, já tinha ligado para todas as pessoas importantes para a sua vida, sabia-as bem, cada uma em sua rotina, nada de anormal, nada de acidentes de carro, nenhum corpo caído ao chão, sangrando até a morte, nada, um nada que a incomodava mais ainda, apesar de sentir-se aliviada por sabê-los bem. Aparentemente estava ficando insana. Nenhum motivo para seu comportamento. Lava o rosto abundantemente, molha a nuca, respira profundamente, uma, duas, três vezes. Lembra-se de uma oração ensinada no tempo de criança e repete as palavras automaticamente, tentando recordar se quem as ensinara fora a sua mãe ou a avó, mas pouco importa isso agora, apenas segue repetindo as palavras. Consegue que os batimentos cardíacos voltem a um ritmo mais humano. Confere a imagem no espelho novamente e quase consegue perceber-lhe ali novamente. Sorri para a imagem refletida, um riso curto, tenso, desiste da empreitada e refaz a maquiagem e volta pelo mesmo caminho feito anteriormente. Dessa vez, os sons habituais lhe da certo conforto, sente-se mais segura, reflete consigo mesma que aquele medo que quase lhe roubara a razão deu espaço a um sentimento menos aterrador. Já se sente mais equilibrada para voltar a sua mesa e assim o faz. Chegando a sua sala, percebe um homem sentado confortavelmente no lugar oposto ao seu. Sente os pelos da nuca arrepiar, as palmas das mãos suar frio em antecipação. Força seu passo a seguir cadenciado, nada de sair correndo, como uma desvairada, como se sente... Entra, finalmente, em sua sala, da à volta a mesa, observando que o "estranho" tem em suas mãos o documento ao qual trabalhava antes de deixar a mesa. Sentindo-se irritar, tira-lhe a folha da mão, desejando bom dia, e comentando, de forma leve, a inadequação de ter seu trabalho analisado sem seu consentimento, ao mesmo tempo em que estende sua mão num cumprimento educado. Ouve uma nota de ironia na resposta e ergue seus olhos, finalmente encarando seu interlocutor de frente. Agradece silenciosamente por ter-se sentado ao reconhecer as feições dEle. Agora sabe o porquê do desconforto anterior. Então era isso! Olha intensamente para Ele e não sabe o que fazer, além de esperar que lhe seja permitido a fala. Ele a analisa intensamente e detalhadamente, finalmente abre um sorriso e diz: "Esta autorizada a falar normalmente, sabemos que é o SEU local de trabalho, e não cabe o tratamento formal. Passei apenas para ter noticias, já que não nos falamos... desde quando?... ah sim! Desde que esqueceu a posição que lhe cabe e me chamou de "porco chauvinista", não é isso, MINHA querida?" Sente seu coração em descompasso alucinante. Sabe que será castigada, agora basta saber que tipo de castigo receberá. É uma injustiça, já que Ele a conhece perfeitamente e sabia de antemão que não aceitaria uma situação assim. Como Ele queria que reagisse depois de passar uma noite inteira sendo simplesmente ignorada e ainda assistindo ao assédio aberto que fazia à SUA IRMÃ??? Puxa, tanta mulher, tinha que ser justo com a sua irmã??? Sente seus olhos turvos de lágrimas, mãos tremendo, mas tem consciência de que mesmo assim, não deveria ter dito o que disse, e Ele, claro, não iria esquecer isso tão fácil. Pior, não tinham se falado mais depois da saída intempestiva com a qual o deixou no estacionamento. Percebendo seu estado de espírito, e adorando, pergunta se poderá se ausentar do trabalho naquele momento. Já conhecedor da sua rotina, bem o sabe que sim. A ela, nada mais é dado a não ser aceitar o "pedido" para acompanhá-lo. Segue até o estacionamento, e ao dirigir-se a seu carro para acompanhá-lo, Ele nega e diz que irá com ELE! Seu sangue gela. Costuma acompanha-lo em seu próprio veículo. Que novidade é aquela? Mas sem questionar, entra silenciosamente com ele e seguem assim. Em determinado ponto do caminho, é vendada. Seguem durante muito tempo, e ela não tem mais noção de onde estão. Finalmente o carro é parado, Ele desce, abre a sua porta e a ajuda a descer, andam por bastante tempo e ela cada vez mais desorientada, até que entram por uma porta, ele a senta em uma cadeira, amarrando seus braços e pernas. Uma gag é colocada em sua boca, e, surpreendemente para ela, a venda tirada. Pisca diversas vezes para focar a visão, e olhando em torno. A primeira coisa que repara é na enorme cama, com quatro colunas, de cada uma, uma corrente se faz notar. Várias velas espalhadas aqui e ali. Duas outras torres estão mais adiante, com suportes para prender mãos e pés. Em cima de uma mesa, estão todos os "brinquedinhos" do seu Senhor, organizados metodicamente, como é de seu feitio. Tudo esta preparado para uma sessão. Mas esta sozinha, e confusa. Coração disparado, suando frio. Permanece sozinha e em silêncio por tanto tempo que chega a imaginar se não será aquele o seu castigo, ficar ali, eternamente, apenas olhando para tudo que esta perdendo, até ouvir o barulho da porta sendo aberta, nem sabia que tinha sido fechada anteriormente. Então, seu Senhor surge, sem ao menos olhá-la, sente como se tivesse levado um murro no peito ao perceber a guia que costuma usar com ela para as sessões sendo puxada, e ao final da guia, a coleira que apenas é usada por si mesma, no pescoço de uma moça, que caminha de quatro, nua, linda, e feliz! Ela para bem a sua frente, é puxada pela guia, até que fique em pé, então, Ele a acaricia, mostrando todo o esplendor daquele corpo perfeito e lindo a seus olhos, mas em momento algum olha em sua direção. Está totalmente envolvido por aquilo que faz, e faz tão bem, pensa ela, deixando as lágrimas escorrer lentamente pelo rosto. Ele segue acariciando, descobrindo, provocando gemidos de êxtase naquela moça, aquela moça linda, que exibe sua nudez sem constrangimentos, sem falso pudor, exibindo um sorriso de contentamento. Até que Ele a beija na boca, um beijo envolvente, guloso, apaixonado. Sem deixar de acariciá-la, a conduz às torres, prendendo mãos e pés. Vai até a mesa, e então, quando ela não imagina nada pior, o pior está por vir, Ele pega o chicote que fizeram em comemoração ao aniversário de ambos, aquele, que é tão especial, que tem tanto significado na história dos dois, acaricia-o quase com reverencia, e usa-o na outra moça. Cada chicotada que ela recebe é um grito surdo em seu peito, uma dor alucinante, e as lágrimas agora já são abundantes, e não faz questão alguma de escondê-las, nem poderia, morreria se tentasse. Seus olhos não deixam de acompanhar os movimentos do seu Senhor, nenhum deles. E fica ali, assistindo a cada beijo, o passar de mãos tão delicadamente em cada marca deixada pelo "chicote deles", faz um desenho lindo com as velas coloridas, reverencia o corpo da outra moça, alisa, provoca, e ela responde com gritos de dor e gemidos de prazer, totalmente entregue aquelas mãos que conhece tão bem. Agora sim, sabe qual era o seu castigo, chora copiosamente, soluçando, arrependida das palavras mal ditas que proferiu anteriormente, sabedora que merece o que esta acontecendo consigo mesma, chora mais e mais, compreendendo que se esta naquela situação é porque a provocou. Chora de dor e arrependimento.