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Sabrina Sai de Casa - Cap. 7 (Angela e Mandy)

CAPÍTULO 7: ANGELA E MANDY “Senhora, eu preciso de um toalete. Preciso me aliviar ou vou explodir”. Mas não houve resposta. A moça atravessou todo o estacionamento do shopping e atravessou a faixa para cruzar a avenida em direção ao estacionamento de um enorme Wal-Mart bem em frente. Sabrina a seguia mistificada. O que está acontecendo? Quem era ela? Onde a estava levando? Onde está seu Mestre? Não havia respostas. Talvez ela nem quisesse respostas no momento. Já era muito bom afastar-se daquele lugar, o mais rápido possível, onde só Deus sabe porque não havia sido presa por atentado violento ao pudor. Era assim que tinha que ser, não é verdade. Foram suas próprias escolhas que a levaram a este estado: o limbo erótico em que vivia. Permanentemente no escuro; permanentemente entregue, atormentada, excitada, humilhada e, conseqüentemente, ainda mais entregue e ainda mais excitada. Ela caminhava relembrando as expressões dos rostos no cinema: a revolta de alguns, o riso, o deboche. O deboche dos seus colegas de classe. As lágrimas de sua mãe. O que diria sua mãe se a visse agora? Por algum motivo aquele pensamento, ao mesmo tempo em que dava um aperto no coração, lhe remetia sensações elétricas espinha abaixo e ela sentia seus lábios vaginais umedecendo ainda mais. Qual era o limite de sua perversão afinal? Já não tinha feito sua mãe sofrer demais? Já não havia se rebaixado o suficiente? Mas o que era suficiente? Era uma droga. Ela experimentou e gostou. Agora era viciada; tão viciada quanto qualquer dependente químico pode ser. Era exatamente essa a sensação que um viciado procura, não é mesmo? O permanente estado orgíaco, onde não o que pensar, não há responsabilidade, não há moral; há apenas a sensação e o prazer. E quando houver culpa, ela será expiada pelo chicote. Dor, humilhação e prazer... Tivesse a vida inteira apenas isso, ela não teria um momento sequer para se perguntar qual é o sentido da vida. Seus pensamentos foram interrompidos pela parada abrupta da moça que seguia na sua frente. Nos fundos daquele estacionamento, tomando a vaga de quatro outros carros, estava estacionada uma ampla limusine preta, dessas que a gente vê em filmes. O motorista já estava de prontidão, com a porta aberta. A moça que Sabrina seguia agradeceu a ele: ela disse um nome. Já não tinha visto aquele homem antes? Sabrina fez menção de entrar também na limusine, mas foi detida. A porta se fechou em sua cara e ela ficou atônita. O motorista se virou para ela; agora ela o reconhecia, ele também estava no cinema, e estendia a mão para frente: “Suas roupas, por favor”. “Como?”. “Suas roupas, por favor”. “Você quer que eu tire minhas roupas aqui no meio do estacionamento e fique nua para você ver, é isso?”. “Você deve me entregar suas roupas antes de entrar no carro, são as ordens”. “Ordens de quem? Dela?”. “Ordens do Senhor Roberto”. E aí está. Realmente não existem coincidências. Quem era realmente aquele homem que a dominava tão completamente? Era um policial, um contador ou um magnata? Por que a simples menção de seu nome a fazia tremer de excitação? Por que não conseguia resistir? Por que não queria resistir? Sabrina deu as costas, complacente. “Pode desfazer o nó, por favor?”. O soutien caiu de seu peito. Ela o segurou nas mãos, exibindo seus seios nus, seus bicos eretos, no mesmo momento em que um carro se aproximava. Paralisada ela viu o carro diminuir a velocidade e estacionar na vaga bem em frente aonde se encontrava. Um, dois, três segundos de paralisia enquanto observava o carro estacionar, o motor desligar, pessoas no seu interior. A saia, ela tinha que tirar a saia; tinha que exibir sua boceta depilada, seu corpo nu para aquelas pessoas. O corpo coberto apenas por sua coleira, coleira de escrava. Era isso que esperavam dela, não é mesmo? Esperavam que ela fosse novamente aquela puta despudorada do parque, naquele momento e para sempre. Sem perceber o que estava fazendo Sabrina deu dois passos à frente. A porta do carro se abriu. Sabrina esperou. Um homem saiu pela porta do motorista. Um segundo, dois, e seus olhos a encontraram. Mais um segundo. A porta do passageiro abriu e uma mulher saiu. No mesmo instante a porta de trás se abriu e uma criança ia saindo. Agora. Sabrina não tirou os olhos do homem que a observava, nem um instante. Levou as mãos à cintura e devagar baixou o tecido. Voltou-se de costas para o carro, de frente para o motorista da limusine e, sem dobrar os joelhos, baixou a saia até o chão. Endireitou o corpo, tirou um pé e depois o outro. Depois catou a saia do chão, novamente sem dobrar os joelhos. Só então se ajoelhou, ficou de quatro, caminhou de quatro, com os olhos no chão até enxergar os pés do motorista que a aguardava. E uma vez mais ofereceu suas vestimentas com as mãos levantadas e os olhos baixos, como quem traz um sacrifício em oferenda para os deuses. Atrás de si ela podia ouvir o barulho de portas se fechando e um motor sendo ligado. O carro seguiu para outra vaga no estacionamento, ou para outro supermercado. Não importa. Ela fez o que esperavam dela. A porta da limusine se abriu a agora Sabrina sabia que podia entrar. “Meu nome é Angela”. Não Ângela, como pronunciamos em português com o “g” de gengibre, era um “g” de gato, como se ela escrevesse “Anguela”. Ela era morena, parecia brasileira. Mas com quem se parecem os brasileiros? Ela podia ser estrangeira. Devia ser rica. Devia ser a dona da limusine. Ela se sentava no banco em frente à Sabrina, usando um corpete, botas de couro até quase a cintura e uma tanguinha preta, os seios nus. Parecia uma típica dominatrix de manga. “Por favor, Senhora, eu realmente preciso de um banheiro. Mais alguns instantes e vou me desfazer aqui dentro”. Novamente não foi a resposta esperada. Apenas instruções, diretas e autoritárias. “Sente-se na ponta do banco atrás de si, sobre as palmas das mãos. Braços atrás de si, uma mão em cada nádega. Abra as pernas até que os pés encontrem as portas do carro”. Nessa posição seus seios protuberantes eram levantados espontânea e vigorosamente, sua boceta totalmente escancarada e as pernas tinham câimbras. “Incline-se para trás, deixe o topo da cabeça encontrar o encosto do banco. Olhe para cima, não desvie o olhar. Fique quieta. Não quero mais ouvir sua voz hoje”. Ela tinha autoridade, não havia como negar. Sabrina reuniu o que pode de sua força de vontade para não urinar, manter a posição e esperar que o alívio chegasse a tempo. Sabrina sentiu um roçar áspero sobre a pele e reconheceu plástico. Algo fazia pressão sobre seu clitóris. Era uma seringa, mas não havia agulha. Ela sentiu o clitóris inchar pela sucção da seringa e depois uma dor mais forte. Angela estava enrolando seu clitóris com um fio de nylon. Depois mais sucção. Ela sentiu algo se afixando, como uma ventosa, e o clitóris expandido entrando por um tubo. O tubo era flexível, como a borracha de um estetoscópio, e terminava em algo que se parecia muito com uma chupeta. Chupeta que, você adivinhou, foi parar na boca de Sabrina. “Pronto, aí está. Não tire esta chupeta da boca por nada neste mundo até segunda ordem. Se urinar, você bebe seu próprio mijo. Agora vista estas roupas”. As roupas em questão pareciam ter saído de um sex shop. Era uma fantasia de colegial: uma saia xadrez, rodada e muito curta, uma blusinha branca de botões e uma gravatinha vermelha. Sabrina vestiu a saia e abotoou a blusa até o colo dos seios, onde terminavam os botões, escondendo um pouco do tubo que saia de sua uretra até sua chupeta. Colocou a gravata e olhou para Angela, aguardando novas instruções. Angela inclinou-se sobre Sabrina e arrancou um botão de sua camisa. Ajeitou-a para expor um pouco mais de seu decote e mandou que ela se virasse e ficasse de quatro sobre o banco. Sabrina sentiu a saia levantar e algo úmido e gelado sendo esfregado sobre a entrada de seu ânus. Preparou-se para uma invasão que veio logo. Algo grande foi enfiado em seu cu, de forma bastante dolorida se encaixou dentro dela, alargando-se até a base, onde se tornava fino novamente e se prendia dentro dela. Pressão foi feita em seu rabo e ela pode sentir a vibração tomar conta de seu corpo. Aquele but-plug era um enorme vibrador em velocidade máxima. Angela deu um tapa na nádega de Sabrina e mandou ela se sentar novamente de frente para ela. Em sua mão havia algumas notas e uma folha de papel. “Entre no supermercado e compre os itens da lista. Compre-os conforme especificado: os produtos e as marcas. Não olhe para ninguém diretamente nos olhos. Não dobre os joelhos. Inicie pelo primeiro corredor à esquerda da entrada e siga por todos os corredores até o final, sem pular nenhum. Você tem trinta minutos. Se não chegar aqui no tempo marcado, vamos embora sem você. Traga o troco”. A porta se abriu e Sabrina já ia saindo. “Um momento, precisamos trocar seus sapatos. Calce estes aqui”. Não bastasse os demais empecilhos havia mais isso. Os saltos daquele par de sapatos pareciam ser de tamanho 12. Seria terrível simplesmente andar sobre eles, quanto mais se inclinar sobre aqueles saltos vestindo aquela saia. Uma garota de saia e gravatinha, chupando uma chupeta e emitindo sons de vibrador já não eram atrativos suficientes? Sabrina partiu para sua tarefa. Ela tinha trinta minutos. Mas como saber se conseguiria cumpri-la a tempo? Era sábado de noite. Que hora pior poderiam escolher? O mercado estaria lotado com toda certeza. E ela não tinha um relógio para marcar seu progresso. Caminhou o mais rápido que pode, equilibrando-se sobre aqueles saltos terríveis. Entrou pela porta principal quase correndo, agarrou uma cestinha, passou pelos detectores de metal e virou à direita. Percebeu o erro quase imediatamente e virou-se para ir pela esquerda, como tinha sido instruída. Na volta que deu a saia rodou no ar e se levantou o suficiente para mostrar uma boa parte de suas nádegas nuas. Ajeitou a saia rapidamente, imaginando se alguém teria visto. Mas não tinha tempo para isso. O lugar era enorme e ela tinha muitos corredores para percorrer. A lateral esquerda era uma seção de eletrônicos e CD´s. Não havia nada na lista sobre isso, então seguiu adiante. Passou por inúmeras seções: cama, mesa e banho; brinquedos, utensílios para jardinagem, pneus, eletrodomésticos, etc. Ainda não tinha encontrado nada da lista até que chegou na seção de pet-shop. Observando as marcas na prateleira, descobriu o que procurava na fileira rente ao chão. Não era nenhuma surpresa. Provavelmente tinham feito uma lista de tudo que ficava rente ao chão no supermercado, para que ela exibisse sua boceta e o seu rabo preenchido pelo vibrador para todos os clientes. Havia algo ainda mais preocupante: aquilo era um pacote de ração para cachorro de 5 quilos. Ela teria que carregar aquele peso por todo o supermercado. Por que diabos não pegou um carrinho? Sabrina inclinou-se para pegar a ração, para pegar um vasilhame para ração; velas de sete dias; pregadores de roupa; óleo para o corpo; uma espécie de roupa de nylon, uma segunda pele; um litro de wiskey; um kit de costura; um pote de mel e uma lata de tinta dourada. Ela teria desabado se tivesse que carregar tudo isso. Felizmente conseguiu ajuda. Logo no primeiro corredor onde se inclinou para pegar a ração chamou a atenção de um homem que passou a segui-la por todos os corredores. No corredor das bebidas, onde não havia tantas pessoas ele tomou coragem e se aproximou um pouco antes dela se inclinar novamente, expondo suas carnes (e seu vibrador enterrado no rabo) em toda sua glória. Ele foi ousado o suficiente para pousar a mão sobre sua bunda. Inclinada como estava, Sabrina paralisou e aguardou o desfecho, quando ele introduziu um dedo em sua boceta encharcada e pressionou a mão sobre o vibrador em seu cu. Sabrina soltou um suspiro e ergueu ainda mais a bunda, encostando-se em seu corpo. Quando entrou mais gente no corredor o homem rapidamente retirou a mão. Sabrina pegou a garrafa e voltou a posição normal. Virou-se para o homem e ele se aproximou para cochichar em seu ouvido. “Sua vagabunda, você pretende mostrar sua boceta para o mercado inteiro?”. A resposta de Sabrina foi não verbal, já que não podia tirar a chupeta da boca. Ela lhe entregou a cestinha de compras e lhe indicou com o dedo que a seguisse. Assim ela conseguiu um ajudante para as compras. Ainda foi vista por muitas outras pessoas; mas o homem, preocupado em ser acusado de cúmplice neste atentado a moralidade e, ao mesmo tempo, com toda a intenção de não perde-la de vista, entrava na frente bloqueando a visão das pessoas com o próprio corpo ou com a cestinha. Formavam um casal exótico, até chegar no caixa. Sabrina espremia as pernas na vã tentativa de evitar o inevitável. Sua uretra ardia e se recusava a prender por mais tempo todo líquido contido em sua bexiga inchada. A menor fila que encontraram ainda era enorme e o tempo estava passando. Ao menos enquanto andava ela tinha se distraído. Agora, ali, parada esperando a fila andar, a pressão era quase insuportável. Quando havia apenas uma pessoa na frente deles, o homem largou a cestinha no chão e num rasgo de ousadia a abraçou por trás, beijando o seu pescoço e encostando o sexo em sua bunda. Nesse momento Sabrina foi vencida e sua urina subiu pelo tubo. Sabrina chupava a chupeta o mais rápido que podia para evitar que o mijo vazasse e era chupada no pescoço ao mesmo tempo. O aglomerado de sensações era indescritível: os toques, o beijo, o mijo na boca, o vibrador no rabo. Ela achou que iria gozar a qualquer momento. O homem se aventurou mais e desceu a mão pela cintura, tentando acariciar sua boceta. Encontrou ali o tubo que alimentava a chupeta de Sabrina. Estranhou e fez um gesto brusco. Em um segundo a ventosa que se prendia ao clitóris de Sabrina se soltou e os jatos de mijo, agora incontroláveis, molharam sua saia e escorreram por suas pernas até criarem uma poça no chão. Sabrina não queria olhar para trás, não queria olhar para frente; na verdade queria sumir no mundo e deixar de ser vista. Sim, ela se excitava com a humilhação; mas isso não quer dizer que não a temesse. O homem que a acompanhava, rapidamente saiu de cena, tentando se desvencilhar do incidente. Atrás de si ela podia ouvir os protestos das pessoas saindo da fila. Em sua mente ela podia imaginar seguranças se aproximando dela e a tirando do mercado à força. A mulher na sua frente se mexeu e Sabrina percebeu que era sua vez no caixa. Imaginando se não haveria limite para sua humilhação, Sabrina se viu uma última vez se inclinando para pegar a cesta aos seus pés. Pois se havia chegado naquele ponto, então o que lhe restava além de concluir sua tragédia? Iria expor sua boceta para todo o povo, para mais de vinte e tantas pessoas que passeavam a sua volta, observando o ridículo daquela garota que tinha se urinado no meio do mercado. Era demais. Para tudo havia um limite e Sabrina, que já tinha se aceitado como a puta das putas, não conseguiu cruzar este. Dobrando os joelhos ela se abaixou para pegar a cesta. Aquele vibrador a incendiava por dentro. Ergueu-se e o esforço se combinou com uma vibração que lhe fez tremer nas bases. Depositou a cesta sobre o caixa e se segurou para não cair, experimentando um orgasmo maravilhoso. Não pode se conter sem soltar um gemido. A moça do caixa perguntou se ela estava se sentindo bem. Ela não respondeu. Não podia. Ajeitou a saia e tentou não encarar ninguém, enquanto tirava os itens e os passava para o registro. O segurança foi chamado sim. Não há dúvida de que chamariam. Ele chegou no momento em que Sabrina recebia seu troco e pediu que ela o acompanhasse. Se há um santo protetor das putas, Sabrina apelou para ele e foi atendida. O gerente interveio. Ele disse que não queria confusão, só pediu para Sabrina se retirar e chamou a faxineira para limpar o estrago. Ele era um anjo. Sabrina caminhou rapidamente pelo estacionamento, aturando seus saltos, o peso das sacolas e as vibrações internas que só faziam com que ela quisesse gozar mais. Já não sabia quanto tempo tinha levado. Para ela era como se tivesse se demorado um século lá dentro. Estava preparada para chegar à vaga e não encontrar ninguém. Ouviu passos atrás de si e enxergou o homem que a acompanhou durante as compras. O covarde que se afastou dela quando o risco ficou alto demais. Ele é que devia estar com o vibrador no rabo. E se não estivessem mais esperando por ela? Talvez aquele homem lhe desse uma carona pra casa. Mas a limusine estava lá à sua espera e o motorista de pé ao lado da porta, aguardando sua chegada. Ele foi gentil, pegou todos os seus pacotes e os colocou no banco da frente. Tirou sua chupeta e estendeu a mão. Dessa vez não precisou pedir. Sabrina já tinha entendido o que ele queria. Virou-se para o seu companheiro de compras e iniciou um lento e sensual strip-tease. Tirou a gravatinha e a passou pelo pescoço. Depois passando entre as pernas; como se fosse uma calcinha, retirada de frente para trás. Ficou de costas para ele e jogou a gravatinha para o motorista. Desabotoou os três únicos botões de sua pequena blusa e a escancarou para a visão do motorista. Virou-se novamente para o homem e escondeu os seios, fechando a blusa, para abri-la mais uma vez, agora devagar, segurando os seios com ambas as mãos. Levantou a saia rapidamente, para lhe dar um relance da boceta onde havia encharcado seu dedo. Retirou a blusa e a jogou para o motorista. Completou o número de costas para o homem, abaixando a saia sem dobrar os joelhos. Retirou um pé e abriu as pernas, metendo dois dedos na boceta e se masturbando furiosamente. Um carro passou bem do seu lado e ela continuou. Um grupo de pessoas se aproximou e o homem perdeu a coragem. Já tinha visto demais. Ela era louca e ele não ia ficar por perto para ser preso junto com ela. Quando ele ia se afastando, Sabrina se virou para ele e gritou: “Covarde, filho da puta!”. Só então entrou no carro. A porta se abriu e Sabrina colocou um pé dentro da limusine para ser surpreendida mais uma vez naquele longo e indescritivelmente louco dia. Roberto estava lá. Angela também. Os dois estavam nus e Angela estava de quatro no chão, apoiando-se no banco da frente enquanto Roberto a penetrava por trás. A julgar pela expressão de dor no rosto dela, ele estava rompendo seu esfíncter naquele instante. O coração de Sabrina perdeu uma batida com a visão daquela cena. A boca aberta de Angela, seus olhos semicerrados, suas mãos se contorcendo, as unhas arranhando o banco onde ela se agarrava. Uma expressão de dor e prazer que ela conhecia tão bem. Teve ódio daquela mulher. O rosto de Roberto era um retrato de luxúria. Ele estava gostando de comer aquela vaca. Ela permaneceu parada na porta, sem saber o que fazer, até que Roberto olhou para ela e sorriu. Então ela se sentiu empurrada para dentro. O motorista fechou a porta e ela caiu sentada no banco, ao lado das mãos estendidas de Angela. Ela gemia descompassada e aflita. Agarrou as coxas de Sabrina e a trouxe para o centro do banco. Logo Sabrina teve suas pernas jogadas sobre as costas de Angela, enquanto ela enterrava a boca em seus lábios vaginais. Suas unhas novamente atacaram suas nádegas. Roberto alternava: estocadas no cu de Angela e tapas em sua bunda. Para cada tapa que Angela recebia, Sabrina sentia as unhas cravadas em suas nádegas. Ela lambia o seu sexo com paixão, enquanto o plug persistia vibrando em seu ânus. As sensações se uniram e o ciclo se completou no olhar. Ela olhava para frente, acariciando os mamilos, chupada, enrabada e castigada nas nádegas. Ele olhava para ela, enrabando, batendo, comandando todas aquelas sensações que ele transmitia através daquela mulher entre eles. Parecia que ela era a dominadora e aquela mulher no meio deles era a sua escrava. De repente já não odiava aquela mulher. Ela a amava e se deliciava com as sensações que ela lhe proporcionava. Seu clitóris, ainda preso pelo fio de nylon era alvo daquela língua, preso em seus lábios, em seus dentes, em sua fúria. Sabrina gozou várias vezes durante aquela viagem de limusine pela cidade. Roberto gozou também, dentro do cu de Angela e se deixou cair no sofá atrás de si. Angela esperou o pau murchar e sair de rabo, então se levantou e puxou Sabrina para o chão, onde ela se deitou, com as costas no chão e o rosto entre as pernas de Roberto. Angela sentou-se sobre o seu rosto, ajeitou-se para que seu ânus alcançasse a boca de Sabrina e se inclinou sobre o pau flácido de Roberto, limpando-o com a língua, enquanto o sêmen dentro dela escorria para a boca de Sabrina. Sabrina recebeu o que lhe era oferecido em hesitar. A ponta de sua língua circunscrevia o esfíncter de Angela, que se abria para ela. Arrombada como fora pelo caralho de Roberto seu reto estava exposto e Sabrina enfiava a língua até onde podia, experimentando aquele gosto ácido; sentindo-se suja e devassa, decidiu que adorava se sentir assim. Quando estavam saciados Angela aninhou-se nos braços de Roberto, beijando-o carinhosamente, como uma namorada. Sabrina ficou de joelhos, a cabeça caída sobre o seu colo, acariciada na cabeça, como uma boa cadelinha. Achou que formavam uma família feliz. Da limusine Sabrina ligou para casa, para desespero de sua mãe, dizendo que iria passar a noite fora. Dirigiram por bastante tempo até chegarem ao seu destino. Sabrina sentiu o carro diminuindo a velocidade até parar. Ouviu um portão eletrônico se abrindo e fechando. Roberto e Angela vestiram suas roupas. Sabrina permaneceu nua, sem os saltos agora, teve apenas uma guia acrescentada à sua coleira; retiraram o plug de seu traseiro e saiu da limusine de quatro, acompanhando seus donos através do jardim do parecia ser uma grande mansão. A guia foi passada para o motorista. Roberto e Angela seguiram na frente, enquanto Sabrina era levada por uma porta lateral para uma sala e depois por uma escada para um porão. As luzes se acenderam. No meio da sala estava uma gaiola grande, uma jaula sobre um tablado de madeira. O motorista algemou seus pulsos atrás de suas costas e a fez se ajoelhar para entrar na gaiola. Lá dentro ele prendeu sua coleira em uma corrente e esta no teto da gaiola. Fez com que ela abrisse a boca e forçou uma bola de borracha para dentro, prendendo-a como uma coleira em sua nuca. Ele a fechou lá dentro e subiu as escadas, deixando-a lá, sozinha. Uma hora se passou, duas ou talvez três antes que Sabrina ouvisse passos novamente. Seus joelhos estavam doloridos, seus ombros também. O pescoço era o pior de todos, tão terrível era ficar presa ao teto da gaiola na mesma posição por tanto tempo. Seus olhos brilharam ao verem Roberto e Angela novamente. De certo que vinham tira-la dali. Mas eles não estavam sozinhos. Uma moça nua seguia Ângela puxada por uma coleira. Seu rosto estava todo coberto por uma espécie de máscara com uma abertura apenas para a boca e para o nariz. Na boca a mesma bola de borracha vermelha que cobria a boca de Sabrina. Era uma moça bonita, muito parecida com ela, exceto que havia piercings em seus seios. Então... Ela não era a única escrava por ali. “Querida!...”. Ele a amava, ela podia senti-lo. Ele a chamava de “querida”. E ela o amava, ela o amava tanto que doía. “Nós estamos muito orgulhosos de você. Hoje você foi quase perfeita e muito obediente”. Ele estava orgulhoso. Ela tinha sido obediente, uma boa escrava, ele estava feliz. Ela o tinha feito feliz. Ela tinha sido quase perfeita... Quase? “Mas você sabe que não fez tudo o que te mandaram, não sabe?”. Sabrina percorreu suas lembranças a toda velocidade. Onde ela errou? O que ficou faltando? “Eu vou enumerar o que lhe foi mandado e você vai balançar a cabeça para me dizer se fez o que eu mandei ou não. Se você mentir, eu vou saber e você será castigada com severidade. Se você admitir suas faltas você será castigada com moderação. Está me entendendo?”. Sabrina balançou a cabeça afirmativamente. “Você dobrou os joelhos no supermercado?”. Ele sabia. Como poderia saber. Ele tinha alguém a seguindo. Sim, ela dobrou os joelhos. Sabrina balançou a cabeça afirmativamente. “Muito bem! Você sabe que errou, mas admite. Isso é bom. Agora, você falou com alguém antes de entrar na limusine?”. Sabrina apressou-se em balançar a cabeça negativamente. Mas, espere. Ela falou com alguém. Ela xingou aquele covarde. Uma tristeza se abateu sobre seus olhos e ela balançou a cabeça afirmativamente. “Está tudo certo. Eu sei. Você está perdoada. Você percorreu todos os corredores, como tinha que fazer?”. Desta vez Sabrina não teve dúvidas e balançou a cabeça afirmativamente. “Agora, nós sabemos que isto não é verdade, não é mesmo?”. Sabrina o olhou sem entender. “Você deveria ter passado por todas as seções, mas você não entrou na seção de eletrônicos. Você deveria ter ido para a esquerda e foi para a direita, depois evitou uma seção e seguiu sem pensar”. Sabrina estava desolada. “Uma última coisa: você seduziu um acompanhante para fazer seu trabalho pesado, não foi?”. Sim, isso ela tinha feito. Balançou a cabeça afirmativamente, uma vez mais, com os olhos baixos e envergonhados. “Sabrina você é uma menina admirável, cheia de vigor, vivacidade e tesão. Você pode vir a ser a escrava perfeita e eu te amo muito. O que faço para sua disciplina é para que seus sonhos se realizem. Você poderia ser uma menina normal, com um namorado normal e uma vida normal. Mas não é isso que você quer, não é verdade?”. Ele não esperou sua resposta. Apenas continuou: “Eu quero que você entenda uma coisa: você me pertence. Você fez esta escolha e eu a tomei como minha. O seu desejo me pertence. O seu corpo me pertence. Eu vou te dar para quem eu quiser, para ser fodida por quem eu quiser, para ser usada por quem eu quiser. Você acatará e seguirá as instruções à risca, sem hesitar, sem questionar e, muito menos, sem se desviar para mais ou para menos”. Os olhos de Sabrina estavam apenas vidrados em suas palavras. “Nós já tivemos esta conversa e eu sei que você entende tudo o que eu espero de você. Você não é minha namorada, é minha escrava. Eu te amo, mas não tenho respeito por você como pessoa. Eu te respeito como minha escrava, meu objeto precioso. Você se esforça para parecer devassa, porque está cheia de desejo e quer me agradar. Mas não é isso que eu espero de você. Você não tem que decidir que será devassa. Tanto quanto não tem que decidir ser recatada. Você é escrava. Você faz o que te mandam. Se eu quiser que você seja uma puta, você será uma puta. Mas quem decide sou eu, não você”. Algumas coisas pareciam começar a fazer sentido agora. “Uma mulher linda como você bastante cedo aprende a manipular os homens, a usa-los para que realizem seus desejos. Você deseja ser escrava e para isso está me usando. Mas eu não serei manipulado. Eu não serei seu brinquedo. Você usou aquele homem no supermercado, sem minha autorização. Eu te usarei para manipular homens e mulheres. Você aprenderá a usar sua sexualidade exuberante para perturbar as mentes das pessoas. Mas eu não serei uma delas. Você será usada. Não eu. Está entendendo agora, Sabrina?”. Sabrina demorou um segundo para internalizar tudo o que lhe estava sendo falado. Então balançou a cabeça afirmativamente. “Você será castigada amanhã pela manhã. Em outras ocasiões, quando você se comportar bem, você passará a noite comigo, em meu quarto. Esta noite você passa aqui embaixo”. Sabrina baixou os olhos, sentindo-se derrotada. Ele ia deixa-la ali naquela gaiola a noite toda. Já não era punição suficiente? E ainda teria que ser castigada pela manhã? Ela estava cansada, dolorida e com fome. Isso não era justo. Como podia fazer isso com ela? “Mas não quero que fique triste. Eu te trouxe companhia. Esta é Mandy”. Sabrina observou a moça que se ajoelhou à menção de seu nome. “Eu faço gosto que vocês se tornem amigas. Para se conhecerem melhor, dormirão juntas esta noite”. Mandy foi deitada no chão. Ela tinha pulseiras nos pulsos e tornozeleiras também. Angela segurava os mesmos adereços nas mãos. Sabrina rapidamente fez uma imagem mental de como eles esperavam que ela passasse a noite. Ela foi libertada da gaiola, suas algemas foram abertas e sua mordaça foi retirada. Sabrina foi deitada de bruços, sobre o corpo de Mandy, em posição reversa. Seus pulsos foram presos aos tornozelos de Mandy e vice-versa. A boca de Sabrina pairou na altura exata da boceta cheirosa de Mandy. Elas tinham exatamente a mesma altura. Eram tão simétricas. Uma pequena corrente foi passada por entre a argola da coleira de Sabrina até as pequenas argolas que perfuravam os mamilos de Mandy. Ela tinha outros piercings também: um em cada lábio vaginal e outro em seu clitóris. Sabrina imaginou como seria colocar um desses. “Agora para as duas: nem um pio. Há uma câmera no teto. Se alguma de vocês abrir a boca para conversar com a outra nós saberemos e as duas sofrerão as conseqüências. Usem suas bocas como devem ser usadas”. Eles se foram e as luzes se apagaram. Um segundo depois Sabrina sentiu uma língua entre suas pernas. Provavelmente ela não dormiria muito naquela noite. INTERLÚDIO: Gerta Kauffmann encontrava-se em um jardim florido de rosas, violetas e margaridas. Reverberava uma iluminação suave e quase artificial. Ela não sentia nem calor nem frio. Tentou olhar para o céu, mas não havia nada lá. Tudo estava claro e, ao mesmo tempo, nublado. Era como se ela estivesse atravessando uma nuvem; caminhando por entre os canteiros, ela se deteve na entrada de um labirinto: um daqueles labirintos dos castelos de reis, feito de sebes altas e simetricamente podadas. A calma que ela sentia lhe dizia que nada daquilo era natural. Apurou os ouvidos e prestou atenção no silêncio. Não escutava os pássaros, os insetos, os próprios passos. Caminhava por entre as sebes e se sentia inquieta. A solidão maximizava seu desconforto. Apertou o ritmo de seus passos e em pouco tempo estava correndo. Tornou-se consciente de seu desespero correndo, procurando uma saída, apalpando as paredes que, como todo o resto, não pareciam mais naturais. Dobrou uma esquina e se deparou com uma porta. Não um arco ou um portão, mas uma porta em uma parede. Não estava mais em um jardim ou em um labirinto de sebes. Todas as paredes ao redor eram brancas, bem como a porta no fim do corredor. A porta se abriu e ela se viu dentro de uma sala escura. No meio da sala havia uma única lâmpada, brilhando sobre uma mesa. Era uma mesa de operação, com médicos e enfermeiras ao redor. Aproximou-se titubeante e ninguém parecia notar sua presença. Em cima da mesa uma mulher gritava pelas dores do parto. Deitada na mesa ela se viu, olhando para si mesma, encontrou seus próprios olhos naquele momento de agonia. Enfermeiras tentavam acalma-la enquanto o médico se inclinava sobre suas pernas abertas. Viu desabrochar a forma arredondada da cabeça do nascituro saindo de seu útero. Sentiu as dores do parto novamente e o alívio do nascimento. Sentiu a alegria da mãe ao ouvir o médico decretar que era uma menina. Ela tinha dado a luz a uma menina. Aquele pequeno fardo ensangüentado foi levado para os seus braços e ela o beijou entre lágrimas: aliviada, esgotada e realizada. Instintivamente a pequenina procurou o bico de seu seio e ela lhe deu de mamar. A felicidade a preencheu completamente. Um homem sem rosto entrou na sala e tomou seu bebê de seus braços. Ela tentou impedi-lo, mas foi contida por todos os braços das enfermeiras. Ele levou seu tesouro para outra mesa, na mesma sala e, diante de seus olhos, tomou um martelo e passou a espancar o bebê. Sangue se espalhou por todo o lado. O bebê gritava e a olhava, procurando socorro. Ela a olhou e, chorando, implorava: “Mamãe, mamãe, não deixa, não deixa...”. Greta Kauffmann acordou gritando, coberta de suor. As portas de seu quarto se abriram e uma moça desconhecida correu em seu socorro. Segundos se passaram até que Greta percebesse onde estava e entendesse o que estava acontecendo. As lágrimas lhe escorreram pela face e ela se deitou em posição fetal, soluçando sem parar. Enquanto Greta chorava, Dietter Kauffmann estava sentado na poltrona de sua biblioteca, bebendo sua sexta dose de wiskey, olhando para o vazio. Já havia gritado, esmurrando portas e paredes; brigado com os empregados, andando de um lado para o outro vociferando palavrões. Já tinha recebido telefonemas, feito telefonemas e esperado ansiosamente ao lado do telefone pelo próximo. Agora não havia mais nada a fazer e sentava-se derrotado em sua poltrona, apenas olhando para vazio. “Herr Kauffmann...” “…”. “Herr Kauffmann?...” “…”. “Herr Kauffmann, meu nome é Petr Tosh. Sou o oficial da Interpol responsável na investigação do caso do seqüestro de sua filha Marlene”. “...”. “Senhor, sou solidário com sua dor, mas as circunstâncias me forçam a lhe pedir que falemos imediatamente. Quanto antes o Senhor puder me por a par de todos os detalhes, tanto antes sua filha será recuperada”. “Sr. Tosh; queira me desculpar, mas já disse tudo o que sei quando dei parte do desaparecimento de Marlene. Não dei parte de um seqüestro”. “Estamos cientes de que Marlene saiu de casa por conta própria. Seu passaporte foi identificado em sua chegada ao Brasil. Estamos em contato com as autoridades brasileiras, que estão de prontidão, checando qualquer sinal de sua presença no país. Mas também sabemos que há dois dias atrás o senhor recebeu um pedido de resgate...”. “...”. “Herr Kauffmann, porque não deu parte do seqüestro?”. “Como ficaram sabendo do pedido de resgate?”. “O desaparecimento da filha de um membro do parlamento é uma das prioridades no departamento, Herr Kauffmann. Precisamos nos certificar de que seguiríamos todas as pistas”. “Grampearam minha casa?”. “Acompanhamos as ligações telefônicas e a correspondência”. “Com autorização de quem?”. “Herr Kauffmann, estamos agindo no seu interesse e no de sua filha, que corre grave risco”. “QUEM deu a ordem?”. “Tivemos autorização do ministério”. “Pfeifer?” “Herr Pfeifer está ciente, mas não é o único. Herr Kauffmann, o Senhor não está em julgamento. Sua privacidade será respeitada. Mas, no momento, nosso único interesse é garantir que sua filha seja recuperada e entregue de volta à segurança de seu lar”. “Não estou certo quanto à presença da polícia no caso, Sr. Tosh. Eu temo pela segurança de minha filha”. “É compreensível Senhor, mas não contar com nosso apoio nesse momento seria seu maior erro. Eu devo dizer Herr, é improvável que sua filha seja libertada, mesmo que o Senhor decida pagar o resgate”. “... Eu ainda... Estou aguardando novo contato”. “Herr Kauffmann, ontem o Senhor esteve em Händeinstrasse, em uma casa... de shows. Nesta casa uma moça que lá trabalha, como... atendente; aproximou-se do senhor”. “É desnecessário o uso de eufemismos, Sr. Tosh. Eu estive em um prostíbulo ontem à noite. E como deve estar ciente, porque tenho certeza o Senhor já se certificou, não estive lá buscando gratificação pessoal”. “O que havia no pacote que ela lhe entregou Herr Kauffmann?”. “... Fotos de Marlene... E algumas instruções”. “... Herr Kauffmann, eles lhe entregaram mais do que fotos”. “Sr. Tosh, o Senhor me pede que confie no seu departamento. De fato, o Senhor não me dá opção além de confiar na Interpol e em meus adversários políticos. Agora peço que o Senhor também confie em mim. O que mais aquela moça tenha me entregado não diz respeito à sua investigação”. “Com todo respeito Herr Kauffmann, dado o stress que está passando, o Senhor não está qualificado para fazer esse juízo. Um mínimo detalhe pode ter escapado de sua atenção. Por favor, Herr Kauffmann, não se trata de política. Se houver alguma coisa que possa nos levar a recuperar Marlene, então nós temos que ser informados”. “O Senhor está parado na minha frente neste momento porque se trata de política, Sr. Tosh. Tudo se refere à política”. “Os seqüestradores fizeram alguma requisição nesse sentido Herr Kauffmann?”. “Não. Não são terroristas se é o que quer saber. São da escória, pura e simplesmente. Querem dinheiro, como todos”. “... Eu posso ver as fotos?”. Dietter levantou do sofá, deu um passo cambaleante motivado pelo álcool, endireitou-se e foi em direção às prateleiras da biblioteca. Moveu um quadro do lugar, descobrindo um cofre oculto, e abriu a combinação que só ele sabia. O envelope pardo o aguardava no mesmo lugar, ameaçador, solene... Retira-lo do lugar era como mover um grande peso, o peso enorme da vergonha e da culpa. Petr Tosh era um agente treinado. Quando entrou na biblioteca Petr memorizou rapidamente a posição dos papéis sobre a mesa, o volume restante na garrafa de wiskey, o número de prateleiras. Ele fazia essas coisas inconscientemente. Faria o mesmo se estivesse em um bar ou na casa de um amigo. Ele tinha certeza que tinha os números aproximados da combinação daquele cofre. Não lhe interessava um arrombamento, não ainda. Mas ele certamente notou que Dietter Kauffmann retirou um DVD do envelope pardo, antes de lhe entregar o envelope com as fotos. “Qual é a idade de Marlene?”. “Dezoito anos”. “Algum envolvimento com drogas?”. “Não”. “Namorados?”. “Ela teve um namoradinho, filho de uma colega de Gerta. Nada mais que eu saiba”. “Nós fizemos uma busca no computador de sua filha. Está ciente do interesse dela por S&M?”. “... eh... Não, não. Imagino que seja simples curiosidade”. “Marlene saiu de casa há duas semanas, juntamente com toda a turma de sua escola, em uma excursão para Paris. Lá ela se desgarrou do grupo e tomou um trem para Amsterdã. No mesmo dia seu nome foi registrado em um vôo para o Brasil. Havia algum motivo para que ela lhe seguisse até lá, Herr Kauffmann?”. “Não. Nós... Nós não conversamos sobre isso. Eu estive no Brasil por alguns meses. Mas... eu voltei um ou dois dias depois de Marlene chegar lá. Nós não nos encontramos. Eu não sabia que ela estava lá. Quando voltei para casa fiquei sabendo do desaparecimento de Marlene. Naquele momento não sabíamos que ela tinha ido para o Brasil, nem que tinha sido seqüestrada”. “Bom, de certa forma ela não foi seqüestrada. Ela fugiu para ir se encontrar com seus seqüestradores. Todos e-mails resgatados de seu computador apontam para Amsterdã. Não temos ainda idéia de quem a esteja mantendo no Brasil; mas temos uma idéia muito clara de que quem está por trás disso tudo, o cérebro da operação, por assim dizer, está em Amsterdã”. “Entendo...”. “Eu vou levar o envelope e as fotos para o laboratório. Provavelmente não acharemos digitais que não sejam do Senhor ou da prostituta que lhe entregou este envelope. Não a detivemos, pois isso alarmaria os seqüestradores. Além disso, ela não teria informações importantes a nos passar. Mesmo assim, a mantemos sob vigilância. Herr Kauffmann; faremos tudo que estiver em nosso alcance para recuperar sua filha, Senhor”. “Tenho certeza disso, Tosh”. “Eu também gostaria de conversar com a Senhora Kauffmann quando for possível”. “Gerta está sob o efeito de medicamentos. Está dormindo agora. Quando ela melhorar, eu lhe informarei”. “Está certo Senhor. Manteremos contato então. Tente descansar agora Herr Kauffmann”. Petr se retirou, pensando no que diria a Gerard. Kauffmann não tinha apenas uma filha seqüestrada. Ele escondia alguma coisa. Uma chantagem. O que ele esteve fazendo no Brasil naqueles meses de exílio? CONTINUA...