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Doces Delírios

Fecha-se a porta... Um arrepio me percorre, e tento disfarçar o tremor que me assola , deixando-me receosa, ansiosa e sedenta após tantas conversas preliminares. Torturas virtuais, as imagens criadas tomam conta de meus pensamentos, desde o instante em que começamos a trocar e criar as fantasias, ocupando meus dias, minhas noites vazias. Andando lentamente durante todo o corredor do quarto, sentia em minhas costas, seu olhar deslizando, um olhar apreciativo de quem olha o que lhe pertence. De vestido justo, colado e sem peças íntimas como me fora recomendado, sigo lentamente à frente, deixando que observe em todos os detalhes, o que em pouco tempo terá em tuas mãos, dando vazão a todas as fantasias transformando-as em momentos inesquecíveis de uma doce realidade. Derrubando intencionalmente minha bolsa espalhando seus objetos pelo chão e curvo-me, as pernas estendidas, alongadas pelo salto alto de minhas sandálias, oferecendo-me aos seus olhos. Um prelúdio apenas, um sinal de que estou inteiramente à tua mercê. Uma das tantas brincadeiras que faço para provocar. Colocando a bolsa na mesa lentamente viro para receber um abraço apertado, saudoso, doce e caloroso. Nossos lábios se encontram num beijo tão guardado, íntimo, de reconhecimento mútuo, nossas línguas se buscando, numa dança erótica, deixando nosso corpo todo aquecido e a respiração ofegante. Seus olhos doces olham diretamente os meus numa íntima comunicação e, lentamente como numa dança, leva-me em direção à cama. Deitando-me ternamente percorre com olhos gulosos todo o meu corpo, me fazendo sentir como se estivesse sendo tocada por mãos invisíveis, como se nenhuma parte deste corpo, que já não mais me pertence, ficasse sem ser acariciado. Sem nada dizer, despe-se rapidamente impedindo-me de fazer o mesmo, mostrando orgulhoso teu corpo aos meus olhos, já com os claros sinais do quanto anseia pelo meu. Quando se aproxima, vejo seus olhos agora não mais calorosos, não mais doces, reconhecendo neles a dureza,e os lábios que antes eram doces, agora contraídos, crispados em um desejo furioso, mostra que o que tanto ansiávamos não seria mais contido. Deitando-me de bruços meio fugindo meio provocando, sou percorrida por um frêmito de antecipação. Deitando sobre mim prende meus pulsos acima de minha cabeça, e esfrega seu corpo caloroso, numa doce tortura por estar ainda vestida. Sussurrando em meus ouvidos, diz lentamente tudo o que deseja fazer, como irá marca-lo para que jamais o esqueça. Diz loucuras infinitas, torturas insanas, todas as fantasias que havíamos trocado antes virtualmente, repetindo-as e num rompante, toca-me entre as pernas, num toque brusco, chamando-me de vadia ao constatar a excitação que tomou conta de meu corpo. Explorando-me, possessivo, os dedos longos levando-me no limiar do êxtase, interrompe então, deixando meu corpo trêmulo e com uma sensação frustrante e amarga. Cônscio do estado em que me deixou, sorri satisfeito, antes de me puxar pelos cabelos, levantando-me e fazendo com que meus olhos lacrimejem. Prensando-me rudemente contra a porta agora fechada, pega meus braços e os amarra nas argolas previamente preparadas, deixando-me nas pontas dos pés. O frio da porta em meu rosto e ventre em contraste com o calor do seu, quente esfregando contra minhas costas só faz aumentar ainda mais o desejo que me assola. O medo e o prazer agora se misturam, fazendo-me ficar ofegante. Sei o que desejas, sei o que nos prometemos, mas agora diante da realidade, sinto-me pequena e indefesa. Suas mãos agarram mais uma vez meus cabelos puxando meu rosto para que receba um beijo, agora não mais doce, mas um beijo rude e exigente. Fito seus olhos e neles vejo apenas a frieza. Sua outra mão desce pelo meu pescoço lentamente entrando pelo meu decote numa carícia terna, roçando meu bico agora totalmente intumescido e sem mais o aperta entre os dedos, fazendo-me gemer de dor e de prazer ao mesmo tempo. Olhos sagazes prendem os meus, vendo todo o prazer espelhado neles. A outra mão percorre o mesmo caminho apertando-me, testando meu limite, provocando-me para que eu lhe peça, implore, que pare. Mesmo diante da dor que faz uma lágrima furtiva escorrer pelo rosto, não cedo, dando-lhe uma imensa sensação de prazer. Lentamente afasta-se de mim, enquanto eu, ainda ofegante procuro recuperar o controle. De repente, sinto uma dor aguda lancinante, seguida de um som seco, que não perde a intensidade mesmo ainda vestida. Crivando meus lábios para evitar o grito de protesto diante da dor, uma a uma, as tiras do chicote me atingem sucessivamente, fustigando-me a pele, me fazendo gemer, a cada uma, retesando–me inteira, tentando a todo custo não sucumbir implorando que finde. Mais uma vez sinto seu corpo colar no meu, e sua mão mais uma vez toca-me intimamente para saber o que já sabes. Teu riso, num misto de contentamento e de fúria, diz lentamente em meu ouvido como não presto por ter o corpo ainda que castigado, úmido de desejo pelo teu. Diz-me ser uma cadela vadia, no mesmo instante que, num arrebatamento, ergue minha perna e me penetra bruscamente. Meus gemidos, de dor, de prazer, fazem apenas acelerar teus movimentos sendo ainda mais rude. Várias sensações se misturam nesta hora, uma raiva contida, um prazer inesperado, inoportuno.... um desejo de não me entregar. Embora ainda perdida em meus contrastantes sentimentos, sinto tuas mãos a me abrirem as nádegas enquanto teu sexo úmido pelo meu prazer, penetra-me dolorosamente, ao mesmo tempo em que sua mão fecha minha boca, abafando meus gritos desesperados, fazendo-me debater e machucar meus pulsos na vã tentativa de soltar e safar-me do teu corpo, que abre caminho pelo meu forçosamente. As dores agora agudas me queimam como labaredas, dilacerando-me e deixando o meu todo teso e lágrimas, antes furtivas, fluem abundantes, enquanto que soluços sacodem-me involuntariamente. Tua mão desce novamente até a barra do vestido e se aloja entre minhas pernas procurando e tocando-me intimamente, começando uma torturante carícia. Sou percorrida por espasmos que vão num crescendo, como uma onda, que vai lentamente se agigantando. Teus movimentos cada vez mais rápidos, exigentes, bruscos, causam–me uma dor paradoxalmente contrastante ao prazer incompreensível e que por fim se mistura como que num mágico caleidoscópio, com os movimentos de seus dedos atrevidos levando-me ao limite, fazendo todo o meu corpo estremecer e se perder numa onda gigantesca de um prazer que me faz gritar em desatino, descontrolada, misturando com o seu êxtase inundando-me com seu gozo quente, doce e sussurrando palavras perdidas em meio a respiração ofegante. Passados alguns momentos, meus braços são soltos, caindo pesadamente ao meu redor, doloridos, assim como meu corpo, ainda trêmulo. Juntos nos banhamos, tendo a água morna deslizando por nossos corpos suados, quentes. Seus olhos, novamente doces, percorrem meu rosto, olhando minhas lágrimas com um certo fascínio, colhendo-os com a boca agora suave e trocando doces carícias. Vestindo-nos lentamente, nos dirigimos para o corredor, eu atrás agora, com passos incertos. Olho tuas costas, consciente de que ao percorrer novamente aquela porta, ficarão para trás todas as sensações que me transformam em sua cadela, numa vadia que lhe permite que realize todos os teus desejos, tornando assim também meus desejos, restando então apenas as lembranças. Percorrendo o corredor com um pesar, sigo e o ultrapasso, sem ao menos olhar para trás, para que não resista e implore por mais. Prendendo minha respiração involuntariamente, aguardo paralisada, enquanto ouço triste, perdida em meio a lembranças... Fecha-se a porta.....