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Uma Vez Minha, Pra Sempre Teu
Eu não sei bem como aconteceu. Mas aos poucos ela foi escorrendo das minhas mãos. Quanto tempo faz? Um ano? Dois? Dez? Não sei.
Hoje eu reconheço que errei. Que nós dois erramos. Mas era tudo tão forte, tão imprevisível. Passamos bastante tempo juntos. E nenhum dia foi igual ao outro.
Eu tinha todas as mulheres em uma só. Eu tinha todos os meus desejos realizados. Eu tinha um poder incrível sobre ela. Mas não soube dar valor. Ou foi apenas o destino.
Lembro da primeira vez que a vi. As folhas secas do outono voavam em espirais pelo parque, e o sol se escondia atrás das nuvens. O vento gelado serpenteava entre as árvores, deixando claro que o inverno que viria seria rigoroso. E então ela apareceu, em meio a um grupo de pessoas, e seu sorriso fez o meu dia brilhar. Fiquei observando-a caminhando em minha direção, sem conseguir me mexer. Passou por mim, com um sorriso educado no canto dos lábios, e seguiu em frente. E eu fiquei ali, sem saber o que fazer. Foi paixão à primeira vista.
Nos reencontramos dias depois, em uma festa. Fomos apresentados por amigos em comum, e fiquei muito feliz quando ela lembrou de mim. Passamos a noite conversando, bebendo, trocando confidências e telefones. A festa acabou, e eu nem acreditei quando no dia seguinte ela me telefonou. Disse que tinha pensado em mim, e queria me ver novamente. E nos vimos não só no dia seguinte, mas em todos os dias seguintes.
O sexo com ela era algo de outro mundo. O que eu imaginasse, ela fazia. O que eu inventasse, ela topava. E o que ela desejava, era o meu prazer. O prazer dela era me dar prazer.
Eu gostava de deixá-la amarrada na cama, com as pernas abertas, e ficar brincando nela com as minhas mãos. Tocava todo seu corpo, depois descia para o meio das pernas. Enfiava um dedos, dois, três. Na frente e atrás. E ela era proibida de gozar. Se contorcia, gemia, fazia de tudo para se segurar. E eu não parava. E lá pelas tantas ela gozava. Sentia seu corpo tremer, apertado pelas cordas. Os gritos de satisfação quando podia, ou os murmúrios abafados quando estava amordaçada. Depois soltava todos os nós, e ela levantava em silêncio enquanto eu sentava na cama. Ela ia até o armário e voltava com a palmatória. E se posicionava de bruços em meu colo, para ser castigada.
Quando eu chegava do trabalho, ela vinha me recepcionar na porta. Quando não estava nua, tinha sempre uma novidade. Uma lingerie diferente, uma fantasia diferente... Ela fechava a porta e esperava que eu lhe beijasse. Depois eu sentava no sofá e ela tirava meus sapatos, abria os botões da minha camisa, o cinto, o zíper, e então me chupava. É pra você relaxar, ela dizia. Logo eu explodia dentro da sua boca, e ela engolia tudo. Depois perguntava como havia sido meu dia, e então conversávamos durante muito tempo.
Ela torcia pro time rival do meu, e nos dias de jogo ela sempre estava lá, em frente a TV, com a camiseta do time dela. E mais nada. Sabia que se meu time ganhasse, ela iria apanhar. E que se meu time perdesse, ela ia apanhar mais ainda por torcer contra. Mas ela não via o jogo, ela ficava a maior parte do tempo com a cabeça entre minhas pernas.
Quando viajávamos de carro, normalmente à noite, ela ia nua ao meu lado. Dizia que queria estar pronta pra se eu sentisse vontade. Mal sabia ela que eu passava a viagem inteira com vontade, mas se parasse todas as vezes, jamais chegaríamos ao nosso destino.
Nos bares, gostava de me provocar. De dançar sensualmente chamando a atenção de todos que estavam em volta. De sentir-se cobiçada por homens e mulheres. E a cada vez que alguém chegava perto, ela vinha junto a mim para mostrar que estava bem acompanhada. Quando queria muito ser castigada, ela ia quase até o limite da provocação, quase deixando que a tocassem, deixando as pessoas ainda mais maravilhadas por ela. Só para apanhar depois.
Íamos a restaurantes, cafés, lanchonetes, e ela sempre tinha que sentar de lado nas cadeiras. Ela nunca se acostumou com o plug na bunda, até porque ele ia gradativamente aumentando de tamanho. E eu só a liberava do plug, se o cane tivesse feito um estrago muito grande nas suas nádegas. Mas sempre, todas as vezes, ela sentava de um lado, de outro, e aquele brilho continuava em seu olhar. E sua buceta umedecendo cada vez mais.
Não se deve cuspir para cima..., foi o que ela disse quando minha mão entrou inteira dentro dela. Antes eu havia comentado sobre o fisting, e ela tinha dito que não era possível, que só mulheres arrombadas conseguiriam. E depois de falar isso gozou forte, apertando a minha mão dentro dela.
Uma vez, no meu aniversário, estranhei que cheguei em casa e ela não estava na porta para me recepcionar. Desiludido, fui procurá-la pela casa. Quando cheguei no quarto, não pude acreditar. Sobre a cama, duas mulheres nuas me esperavam envoltas em um laço vermelho gigante. E ela também nua na poltrona, com uma garrafa de champanhe na mão e duas taças, me desejando feliz aniversário. Foi uma noite bem longa.
Durante o inverno ela continuava nua dentro de casa. Só que de botas. De salto alto, acima dos joelhos. Sempre inovando, sempre pensando nos meus fetiches. Gostava de me dar de quatro, só de botas, sendo puxada pelos cabelos e xingada de puta, vadia, cadela. Gostava do que eu gostava.
De manhã ela sempre acordava primeiro, fazia o café e me dava o jornal. Normalmente vestida de empregadinha doméstica, com a bunda de fora. E me deixava ali quieto, lendo o jornal, e ia arrumar a casa. Quando eu terminava, lá estava ela, toda arrebitada, arrumando a cama. Era a hora que eu mais gostava de pegá-la por trás e comer a sua bunda. Depois saia para trabalhar, deixando-a ali, dolorida sobre a cama.
Todo mês ela percorria as sex shops da cidade, em busca de novidades. Voltava com prendedores de seios, chicotes, algemas... Passávamos noites em claro experimentando as novidades.
Enfim, ela fazia de tudo para me agradar.
Com o tempo, fui achando ela triste. Continuava fazendo tudo por mim e para mim, mas eu via que não estava feliz. Tentei conversar diversas vezes, mas ela não queria me magoar. Dizia que estava tudo bem, que me amava. Mas eu não podia mais vê-la assim.
Tivemos uma última conversa, e disse a ela que estava livre. Disse para procurar a sua felicidade, pois tinha certeza que ela não estava feliz ao meu lado. Ela então chorou a noite toda, dormimos abraçados torcendo para que a manhã não chegasse.
Saí cedo para trabalhar, e quando voltei, ela não estava mais lá. Deixou um bilhete, dizendo que entendia o que eu havia dito, e que mesmo contra a própria vontade tinha partido. Deixou também uma caixa grande de papelão, e dentro dela estavam todas as fantasias, lingeries, botas e acessórios. Foi a noite mais difícil da minha vida, tudo dela ali perto de mim, e ela tão longe.
Hoje eu sei que deveria ter dado mais valor a ela. Deveria ter me preocupado mais com ela, ao invés de deixá-la o tempo todo tão preocupada comigo. O amor, seja ele numa relação a mil por hora, ou seja numa relação de mansinho, sempre tem dois lados. E nem eu, e nem ela, nos demos conta disso.
Mas hoje recebi uma carta. Uma carta dela. Dizendo que sente a minha falta. E que espera em breve estar pronta para recomeçar. Me pedindo que dê essa chance a ela. Que dê essa chance para nós dois.
Até já tirei a velha caixa de papelão do armário...
FIM