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Chineladas da Empregada - 3ª parte
E a planejada surra do final da 2ª parte aconteceu, com toda a riqueza de requintes provenientes da cabecinha maluca e ociosa de
Sônia. Mais, foram ainda acrescidos ao ritual idéias próprias de Cleci, a criada, que já transformara em arte o ofício de fustigar a bunda da patroa. Cada surra já se assemelhava a um espetáculo teatral, com correrias loucas pelo apartamento, gritos incontidos e chinelos e cintos realizando grandes vôos antes de estalarem no seu alvo. A própria cena iniciada no box foi memorável: só até chegar ao quarto foram umas cem chineladas na bunda molhada, enquanto Sônia esperneava e opunha resistência (só pra apanhar mais); no quarto, todos os cintos da patroa tiveram seu uso, além dos chinelos, mules e sandálias desta que servissem para o propósito. Difícil foi, depois, esconder os vestígios da orgia, como o carpete molhado, a roupa de cama e, principalmente, as vergões no traseiro e pernas de Sônia. Ajudou para isso, se é que se pode falar assim, um certo desgaste na relação com Julius, que
não estava mais tão atencioso com a esposa e nem opunha resistência em transarem de luzes apagadas. Pequenos acidentes na academia serviam para justificar alguma marca que escapasse ao zelo de Sônia.
Mas ela queria mais. Sempre quis. Sônia sempre fora assim, desde criança. Para ela não servia meia experiência, meia vitória, meio gozo. Queria tudo em sua plenitude, não importando o que tivesse de fazer ou sofrer para isso. A vida abastada ao lado do bem-sucedido marido possibilitou que esse seu traço de personalidade se sobressaísse ainda mais. Possibilitou, ainda, que ela somasse a esse caráter um perigoso aliado: o poder. Logo
descobriu o prazer por ele proporcionado, exercitando-o com a humilde Cleci. E essa mesma criada fê-la descobrir que tal poder é
traiçoeiro.
Pois bem. Tinha dito que Sônia queria mais, e esse mais consistiria em realizar troca de papéis com a empregada. Seria feito no final de semana seguinte, já que Julius (pra variar) estaria em viagem de negócios e Júnior iria para a casa do pai, como sempre o fazia nos finais de semana. Foram estes os termos
usados por Sônia, na véspera:
- Vai funcionar assim, Cleci: Julius vai viajar hoje à noite. Assim que o Valdir (ex-marido de Cleci) vier buscar o Júnior, vamos realizar a troca. Tu vais pro meu quarto e eu venho pro teu. Passarei a usar tuas roupas, e tu, as minhas. Amanhã vou fazer todo o serviço, iniciando pelo café, que deves me dizer a que horas devo levar. Depois passo para o serviço normal da casa, a faxina nos banheiros, lavagem de roupas, fazer teu almoço...
Cleci se segurava para não rir.
- Quero que, de tempos em tempos, tu verifiques se eu estou fazendo tudo certinho, se o vaso sanitário está bem limpo, o piso, o carpete, a arrumação, se as roupas estão bem passadas, a comida. Caso algo não esteja de acordo, por mínimo que seja, já sabes o que deves fazer, né?
O olhar para as havaianas de Cleci não deixa dúvidas.
- Sim senhora murmura a empregada, ainda segurando o riso.
- Bem, essa última parte é a que realmente diferenciará nossa relação de trabalho, né? Pra tu veres como sou uma patroa boazinha... Tem outras por aí... Bem, nem preciso falar, pois tu
mesmo vais encarná-las, não é?
- Sim, senhora.
- Ah, e o sim senhora também mudará de boca, assim que estivermos a sós! Nada mais justo, não? Hehehe!
Cleci apenas riu. Estava começando a gostar da idéia. Seria uma folga bem divertida. Só restava uma dúvida:
- E o meu chinelo? Vou continuar usando, ou a senhora?
- Hum... boa pergunta... acho que não combina muito nos pés da dona-de-casa grã-fina que vais representar. Utilizaste alguns chinelos e sandálias minhas na última surra. Gostaste de bater com algum deles em especial?
- A rasteirinha branca, aquela com brilhantes nas tiras, é bem boa de bater...
- Então tá resolvido. Apanho com ela. É ardida, mas... temos de ser fiéis aos personagens, né? Em todo caso, se preferires surrar com as havaianas, já que estás acostumada, é só me mandar descalçá-las a cada vez que fores me castigar.
- Sim, senhora. Só uma coisa...
- Sim?
- É uma troca de verdade, né? Vou ter liberdade de fazer o que quiser como patroa, não vou?
Sônia demora um pouco a responder, tentando imaginar o que passa na cabeça da sua serviçal.
- Vais ter sim, Cleci, desde que tomes o maior cuidado para que ninguém no condomínio desconfie de nada. A brincadeira é só aqui no apartamento. Se alguém bater à porta à minha procura, vais dizer pela fresta da porta que não estou.
Estar esfregando o chão, de quatro, e ser surpreendida pelos berros da maquiavélica patroa, que começa a fustigar-lhe impiedosamente o traseiro e proferir-lhe mil blasfêmias eis mais uma fantasia de Sônia, prestes a ser posta em prática graças ao seu... poder. O poder do dinheiro.
Chega o momento da troca. Sônia despede-se de Julius, prometendo estar mais "calminha" na semana seguinte, e Cleci recomenda modos ao filho ao entregá-lo ao pai, um mulato alto e
forte, mas de sorriso fácil e fala mansa, operário da construção civil. Cada uma vai pro seu "novo" quarto.
Sônia fica um bom tempo, antes de dormir, curtindo o quarto da criada. Experimenta suas roupas, até as mais "ousadas", os colants, as calças super justas, os shortinhos curtíssimos, a
lingerie barata, sapatos idem. Com um shortinho atolado e uma meia-calça vermelha, calça o único scarpin que encontra, velhinho de dar dó, e começa a rebolar em frente ao espelho, de forma bem perniciosa. Pega o estojinho de maquiagem barato, o batom comprado no camelô, e faz uma maquiagem pesada, com as cores mais vulgares. Faz caras e bocas provocantes no espelho, tentando imaginar como Cleci se ofereceu para aquele mulato. Tenta encontrar alguma peça de roupa dele, um objeto qualquer, mas sem sucesso. Depois de brincar bastante de puta, refestela-se nos lençóis impregnados de fragrâncias baratas, e fica admirando os pôsteres de duplas sertanejas, alguns com marcas de batom, até adormecer.
Um plec-plec-plec vindo da cozinha acorda Sônia, às duas horas da manhã. Sabe que aquele som só pode ser do scarpin Jimmy Choo
que ganhou há duas semanas, presente do marido. Ouve o abrir e fechar da porta da rua. "Não posso acreditar! Ela saiu! E com as
minhas roupas! Onde essa louca vai?", se pergunta, paralisada, ainda debaixo das cobertas. Agora entende o porquê da pergunta da criada, horas atrás. "Essa maldita vai desfilar com as minhas roupas no bailão, se esfregar naqueles homens suados! Como eu pude ser tola a esse ponto?", lamuria-se, sem nada poder fazer. Mas o jogo fora lançado e as regras aceitas. Agora, era engolir a raiva e cumprir o combinado. Nem quis ir lá no quarto ver que roupa ela tinha pegado, pra não piorar seu humor. Teria de acordar às oito pra fazer o café. Tenta dormir mas não consegue; senta-se e repara nas havaianas pretas, ao pé da cama. Calça-as. São macias, de tão usadas. Excita-se em caminhar com elas, por saber que seguramente já estalaram mais de mil vezes na sua bunda, já lhe arrancaram incontáveis gritos e lágrimas. Sabe muito bem qual o melhor jeito de se acalmar, e lança mão delas.
Dorme quentinha, naquele ambiente vulgar e impregnado de fragrâncias baratas. Os lençóis exalavam sexo. Vulgar.
Continua...